A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

setembro 10, 2021

Jardim Chervezon, em Rio Claro/SP

O “Grande Cervezão” é um complexo formado por mais de uma dezena de bairros, surgidos quase todos de loteamentos clandestinos. Dentre eles, destaca-se o Jardim Chervezon, um bairro que pode ser visto como uma outra cidade, cheia de histórias e controvérsias.

A criação do Distrito Industrial no setor Norte de Rio Claro, em 1970, favoreceu o surgimento de novos loteamentos nas proximidades, forçando uma expansão territorial urbana.

No dia 7 de Janeiro daquele ano, Santo Oliva Chervezon requereu, junto à Divisão de Protocolo e Arquivo da Prefeitura Municipal, o loteamento de uma área de 274.390 metros quadrados, que fazia divisa com a FEPASA, com os loteamentos Parque das Indústrias e Jardim Independência, bem como com terras dos Irmãos Brescansin e de Sílvio Hilsdorf e Filhos. Essa área de terreno era denominada “Chácara Potreiro”; e, nela, seria implantado um futuro bairro: o Jardim Chervezon.

O projeto contava com 35 quadras, 10 áreas institucionais e 5 sistemas de lazer. O acesso se daria pelas ruas 6 (antiga estrada de acesso a Brotas) e M-4 e pela avenida M-21.

O requerimento foi recusado com base nas considerações do Departamento de Engenharia, que dizia que a área compunha-se por terrenos baixos para onde escoavam as águas pluviais e alguns córregos da região Norte de Rio Claro. Eram, portanto, terrenos alagadiços, a princípio impróprios para que ali se assentassem edificações. Afim de se tornarem adequados à utilização urbana, teriam que passar por uma ampla drenagem.

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agosto 29, 2021

Minha infância teve cheiro de capim gordura

“Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo”.

Adélia Prado

Nasci, no final década de 1950, no município de Rio Claro/SP, mas meus pais, tios e avós moravam e trabalhavam na Fazenda e Haras Morro Grande, distrito rural daquela cidade. Sou o terceiro filho de uma família de três irmãos, que era para ser de quatro. Minha mãe perdeu um filho quando estava grávida de 6 meses. Meu pai era o terceiro dos oito irmãos de uma família de filhos de italianos. Só conheci a minha avó paterna, Virgínia Rosin Calore Martini. Ela contava as aventuras da longa travessia do oceano que seus pais fizeram, da Itália até o Brasil, que teria durado seis meses, entre outras histórias.

Meu avô, Primo Martini, com minha avô, Virgínia Calore Martini, em sua primeira foto juntos, na saída da missa da igreja de Santo Antônio, em Morro Grande, quando começaram a namorar.

Depois de algum tempo, meu avô, Primo Martini, comprou um sítio bem próximo da fazenda onde trabalhavam. A casa, bem simples, ficava em uma parte baixa do terreno, com muitas árvores frutíferas ao redor, como laranjeiras e mangueiras. Tinha também um pé de jambo enorme, que ficava do lado esquerdo da casa, no qual eu e meus primos costumávamos subir. Tudo permeado pelas flores da minha avó. Roseiras, cravos, dálias, rainhas margaridas, olgas, primaveras…Tinha duas cozinhas na casa e um corredor comprido onde havia os quartos de dormir. E lá no sítio, não havia separação entre a vida dos adultos e das crianças. As tarefas eram feitas em conjunto, quer sejam as domésticas ou as da roça, cada um com responsabilidades compatíveis com a idade e a força.

Cultiva-se basicamente arroz, feijão e milho. Mas lembro que tinha velhos pés de café, talvez plantados pelo antigo proprietário ou outro qualquer, que ainda produziam. Do lado de fora da janela da sala de jantar tinha um pequeno parreiral, que produzia uvas brancas e escuras e que quando produziam tinham seus cachos vigiados por meu avô. Nas festas de ano novo, sempre tinha vinho tinto de garrafão e lembro que minha avó misturava vinho com água e açúcar cristal. Colocava em canecas e dava para nós, ainda crianças, molhar o pão. Não, ainda não bebíamos vinho puro. Ter o direito de tomar vinho correspondia a um ritual de passagem da vida de criança para a de adulto. Todo o trabalho no sítio era feito manualmente. Cada filho que nascia representava mais uma enxada, um machado, uma foice, um facão… A cada ano e com a parcimônia e sabedoria do meu avô e tios, derrubava-se nova porção de mato para ampliar a área de cultivo. Uma junta de bois ou um cavalo puxava o arado. Por ali, raramente usava-se o dinheiro. O que havia era muito escambo.

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agosto 2, 2021

SERES-RIOS – festival fluvial promovido pelo BDMG Cultural

O Festival Seres-rios acontecerá online, de 02 a 10 de agosto e é promovido pelo BDMG Cultural – o festival propõe reflexões sobre as histórias e as relações culturais dos rios.

Acesse a programação

Há centenas de narrativas de povos que estão vivos, contam histórias, cantam, viajam, conversam e nos ensinam mais do que aprendemos nessa humanidade. Nós não somos as únicas pessoas interessantes no mundo, somos parte do todo. Isso talvez tire um pouco da vaidade dessa humanidade que nós pensamos ser, além de diminuir a falta de reverência que temos o tempo todo com as outras companhias que fazem essa viagem cósmica com a gente.

AILTON KRENAK, IDEIAS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO

Falar sobre rios é falar sobre seres, matérias, encantamentos, violência, vida e morte. É falar sobre o duo natureza e cultura que tanto tentou se apartar, mas que resiste em manifestos e festas. E pensar em rios no território das Minas e das Gerais é consagrar o maior número de bacias hidrográficas do país, onde abrigam-se nascedouros e grandes rios que seguem Brasil adentro e rumo ao Atlântico, abastecendo aquíferos e, por que não, imaginários de um mundo abundante.

Segundo o Igam – Instituto Mineiro de Gestão das Águas – são 17 bacias hidrográficas no Estado. A questão que se faz presente, entretanto, é como cuidamos dessa abundância, como cuidamos de toda a rede ecológica e cultural que os rios emanam e coletivamente constroem em seu entorno.

SERES-RIOS vem então para compartilhar conhecimentos múltiplos, arte e diálogos de quem vivencia e tem relação com águas fluviais em suas mais diversas formas, cursos e geografias. Um festival virtual criado – e inspirado pelas correntes dos rios Doce, Jequitinhonha e São Francisco – para celebrar a existência e a importância dos rios para a vida e seu importante papel em todas as discussões ambientais, culturais, sociais e econômicas. 

Com realização BDMG Cultural, o SERES-RIOS Festival Fluvial se materializa em uma plataforma online com uma programação fluida como os rios e que contempla músicas para abrir os caminhos e uma mesa de inauguração, 6 diálogos, 4 lives, uma exposição coletiva de 6 artistas que desenvolveram trabalhos especialmente para o projeto, uma mostra de filmes, playlists, cartografia, conteúdo infantil e outras interações digitais para um público diverso.

E, assim, esperamos que nesse navegar, possamos vivenciar a estética, a política, a festa, a imagem, o som e o conhecimento juntos, sempre olhando para o outro. Pela sede de descanso que estamos vivendo e pelo prazer de soltar o corpo na água e lutar para sobrevivermos em coletivo. Pelos seres-rios.

Gabriela Moulin
Diretora-Presidente do BDMG Cultural

maio 16, 2021

Prefeitura lança Manual Ilustrado do Centro Histórico de São Paulo

Cartilha ilustrada traz dicas e orientações para que proprietários e locatários de 380 imóveis no perímetro do Triângulo Histórico recuperem as suas fachadas e tornem a arquitetura dessa região ainda mais valorizada.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e a São Paulo Urbanismo, acaba de publicar o “Manual Centro Histórico – Manutenção, Conservação, Reforma, Restauro”. O objetivo é sensibilizar a população quanto à importância da paisagem urbana, orientando as ações individuais e coletivas que possam ajudar a manter e preservar a cidade. Confira aqui a publicação.

Mapa do Centro Histórico de São Paulo

O caderno tem como área de estudo o Triângulo Histórico, recorte especial do Centro formado pelas ruas Benjamin Constant, Boa Vista e Líbero Badaró, com área de aproximadamente 185 mil m² e por onde circulam diariamente 600 mil pessoas. A ideia do Manual é incentivar e orientar os proprietários e locatórios dos 380 imóveis contidos nesse perímetro para que mantenham ou promovam as devidas intervenções nas suas fachadas a fim de realçar a beleza da arquitetura de São Paulo.

Cabe destacar que no perímetro do projeto todos os imóveis são tombados ou encontram-se em áreas envoltórias de tombamento. A cartilha foi elaborada de forma ilustrada, a fim de facilitar e ampliar o acesso à informação quanto às normas legais para esses bens, além de prestar orientações sobre a inserção de elementos na paisagem tendo em vista a valorização, reforma e preservação do imóvel.

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maio 7, 2021

Árvores conseguem aprender e lembrar de coisas

Em entrevista concedida para Richard Schiffman, no site Scientific American Brasil a pesquisadora Suzanne Simard sugere que plantas trocam nutrientes e informações, e são capazes até de interagir especificamente com outras da mesma “família”.

A matéria citada acima é muito interessante. Abaixo seguem os trechos que mais me chamaram a atenção. Mas vale a pena acessar o conteúdo na íntegra.

“A descoberta de que árvores são, na verdade, seres sociais, foi o que chamou a atenção do público. Segundo os estudos da ecologista, elas trocam nutrientes entre si e mantém uma comunicação umas com as outras sobre possíveis ameaças ambientais, como pragas que podem atacá-las, de modo a se sempre se ajudarem a sobreviver.”

Suzanne Simard, autora do livro Finding the Mother Tree: Discovering the Wisdom of the Forest, sobre árvores-mãe e a importância de ajudarmos em sua sobrevivência. Foto de: sciam.com.br

“Em um trabalho mais recente, ela (Suzanne) encontrou evidências de que as árvores reconhecem sua própria família, sendo bastante generosa com ela, especialmente em relação àquelas mudas mais vulneráveis.”

Ela também descobriu que bétulas fornecem moléculas de açúcar para árvores de abetos durante o verão através das redes micorrizas e que os abetos retornam o favor ao alimentarem as bétulas nos meses de outono e primavera, quando lhe faltam folhas.

“Isso não é incrível? Alguns cientistas estavam tendo problemas com isso: por que uma árvore enviaria açúcar fotossintético para outras espécies? Mas, para mim, era óbvio. Elas sempre ajudam umas as outras a criar uma comunidade saudável com beneficio para todos”.

Pergunta: “Você está dizendo que as comunidades da floresta são, em alguns aspectos, mais igualitárias e mais eficientes do que a nossa própria sociedade? Há alguma lição a ser aprendida aqui?”

“Exatamente, elas promovem a diversidade. Estudos mostram que a biodiversidade leva à estabilidade e resiliência. E é fácil ver por quê. É um sistema sinérgico. Por exemplo, existe uma planta com alta capacidade fotossintética e alimenta todas essas bactérias do solo que fixam nitrogênio. Enquanto isso, há essa outra planta com raízes profundas. Ela desce e traz água, que compartilha com a planta fixadora de nitrogênio, pois esta precisa de muita água para realizar suas atividades. Então, de repente, toda a produtividade do ecossistema aumenta”.

*Isso acontece porque as espécies ajudam umas as outras? *

“Sim, esse é um conceito importante que todos nós precisamos apresentar e adotar. É aquele que nos escapou”.

Pergunta: Dessa maneira, a cooperação é igualmente importante, senão mais importante do que a competição. Precisamos revisar nossas visões sobre como a natureza opera?

“Penso que precisamos. Charles Darwin também entendia a importância da cooperação. Ele sabia que as plantas viviam juntas em comunidade, e escreveu sobre isso. Porém, essa questão nunca recebeu tanta atenção quando seus trabalhos sobre a seleção natural baseada na competição.

No dias de hoje, nós estudamos coisas como o genoma humano e percebemos que boa parte do nosso DNA tem origem viral ou bacteriana. Agora sabemos que somos consórcios de espécies que evoluíram juntas. Esse pensamento está se tornando mais popular. Da mesma forma, florestas são organizações multiespécies. Culturas aborígenes já tinham conhecimento sobre a existência e complexidade dessas relações e interações. Nem sempre tivemos uma abordagem tão reducionista”.

Pergunta: Seu último trabalho de pesquisa mais recente é chamado de Projeto Árvore-Mãe. O que são “árvores-mãe”?

“As árvores-mãe são as maiores e mais antigas da floresta. Elas são a cola que mantém a floresta unida e possuem os genes de climas anteriores. Essas árvores-mãe são o lar de várias criaturas, de uma enorme biodiversidade. Por meio de sua enorme capacidade fotossintética, elas fornecem alimento para toda a vida presente solo. Além disso, “árvores-mãe” mantêm o carbono no solo e na superfície e conservam também o fluxo de água, Ajudando, assim, a floresta a se recuperar de perturbações. Não podemos nos dar ao luxo de perdê-las”.

março 1, 2021

Em nenhum momento a pandemia assolou o Brasil como agora

Peço às amigas e amigos que leiam e repassem o importante texto que se segue. Os autores estão listados no final.
Em nenhum momento a pandemia assolou o Brasil como agora. Com suas mutações de escape, é possível que o vírus se antecipe à vacinação.


“E assim acaba o mundo. Não com uma explosão, mas com um gemido”, concluía T. S. Eliot em “The Hollow Men”. Uma pandemia não é menos destrutiva que uma guerra. Pode, no entanto, ser desqualificada, total ou parcialmente.
Sejamos claros: em nenhum momento a Covid-19 assolou o Brasil como agora. Crescem as internações e mortes. Disseminam-se variantes virais, provavelmente mais transmissíveis e talvez causando doença mais grave. Pior: é possível que essas variantes escapem à imunidade conferida pelas vacinas.
Que essa não é uma situação sem esperança demonstram os exemplos da Nova Zelândia, Alemanha e Espanha. E o movimento coerente (ainda que tardio) do município de Araraquara (273 km de SP). Porém, vivemos uma epidemia de cegueira que ultrapassa as previsões de Saramago. O pacto coletivo de autoengano consistia em negar o que ocorre na Europa. Agora se estende a ignorar o colapso da cidade vizinha.
Como entender que Araraquara e Jaú estejam em lockdown enquanto Bauru, a 55 km da última, faz passeatas pelo direito à aglomeração?
Sem dúvida esse é um caso para análise em antropologia e ciências do comportamento. Não que se menosprezem os danos econômicos, sociais e psicológicos do distanciamento. Mas, na emergência da saúde pública, o valor intrínseco da vida deve ser reforçado. Não sabemos tudo, mas já acumulamos fortes evidências. As “medidas não farmacêuticas”, incluindo distanciamento social por fechamento de comércio, inibição de aglomerações e uso rigoroso de máscaras são o único (amargo) caminho para interromper a progressão da Covid-19.
Não conseguiremos vacinar a tempo. É possível que o vírus se antecipe à vacina, com suas mutações de escape. A transmissão do coronavírus gera oportunidades para surgimento de variantes. É urgente, pois, interrompê-la. Mas, se continuarmos a pensar que Araraquara e Jaú são longínquas ilhas do Pacífico, marcharemos rapidamente para o colapso da saúde. Não no estado de São Paulo, mas no país.
Passamos pela fase da ilusão de “enterros falsos”. Muitos de nós já tiveram vítimas fatais na família. Também já estão soterradas as pílulas milagrosas —cloroquina, ivermectina e nitazoxanida. Os antivirais com resultados promissores são novos, caros, inacessíveis. O prefeito de Araraquara, Edinho Silva, já menciona a dificuldade em conseguir oxigênio. O caos está aqui, está em todo lugar.
Pesa sobre nós uma escolha. De um lado temos o darwinismo social, em que aceitaremos a morte de centenas de milhares como uma pequena inconveniência suportada em nome da economia. Do outro, a chance de aprender com as lições positivas e negativas de outros países. Como bom exemplo, temos a Nova Zelândia. No extremo oposto, os Estados Unidos. Ainda há tempo para deixarmos de bater continência a réplicas da Estátua da Liberdade e reconhecermos que Donald Trump levou seu país ao fundo do poço da saúde pública.
Não será o fim do mundo, mas já é uma catástrofe sem precedentes. Silenciosa, exceto pelos ruídos de ambulâncias e ventiladores mecânicos, quando existem. Ou pelos gemidos daqueles a quem falta o ar. Uma agonia tão intensa e destrutiva quanto bombardeios.
Manipular politicamente o boicote às medidas óbvias de contenção da Covid-19 foi a receita para o caos, tanto nos Estados Unidos quanto no Amazonas. Não é muito desejar que aprendamos com nossos erros. “O que a vida quer da gente”, diria Guimarães Rosa, “é coragem”.
Carlos Magno Castelo Branco – Fortaleza – Infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp)
Luís Fernando Aranha Camargo – Professor de infectologia da Unifesp
Dimas Tadeu Covas – Diretor do Instituto Butantan
Marcos Boulos – Professor titular aposentado da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP)
Rodrigo Nogueira Angerami – Infectologista (Unicamp)
Benedito Antônio Lopes da Fonseca – Professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP)
Eduardo Massad – Professor da FGV-RJ e da USP
Francisco Coutinho – Professor do Departamento de Patologia da FM-USP
Gonzalo Vecina – Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP

fevereiro 23, 2021

Villa Grazioli em Grottaferrata, de uma villa nobre a uma residência histórica

Villa Grazioli, Grottaferrata – Créditos das fotos: https://bit.ly/3auRRyZ

Quem não gostaria de passar um fim de semana em uma antiga vila nobre , sem abrir mão do conforto da vida moderna? Na Villa Grazioli, em Grottaferrata, você pode! A residência do antigo cardeal é uma das doze Villas Tuscolane, localizadas no território dos Municípios de Frascati, MontePorzio Catone e Grottaferrata, na área de Castelli Romani . Em Grottaferrata estão Villa Muti-Arrigoni e Villa Grazioli: ao contrário da primeira, esta última pode ser visitada e nós, no fim-de-semana passado, tivemos o prazer de a conhecer.

Ao contrário da maioria das Villas Tuscolan, atualmente inacessíveis, Villa Grazioli nos últimos anos passou por cuidadosas obras de restauração que a adaptaram a uma instalação de alojamento turístico; é, portanto, acessível ao público que pode apreciar suas belezas histórico-artísticas e paisagísticas, e vivê-la em uma experiência de 360 ​​graus. A villa, de fato, uma das mais ricas em termos artísticos entre as Villas Tuscolan, situa-se na fronteira entre Grottaferrata e Frascati num parque de cerca de 15 mil metros quadrados, com vista para o campo em torno de Roma.

Assim, vamos descobrir juntos as origens e a história deste património cultural inestimável do nosso território, a dois passos de Roma, protegido desde 1913 pela Superintendência de Belas Artes, pelos seus notáveis ​​valores artísticos.

Villa Grazioli, residência do cardeal do final do Renascimento, com origens romanas antigas

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janeiro 19, 2021

Cientistas da Fiocruz, cassados e perseguidos pela Ditadura Militar

Os dez cientistas da Fiocruz cassados e perseguidos pela ditadura militar no Massacre de Manguinhos: da esquerda para a direita, Augusto Cid Mello Perissé, Tito Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Massao Goto, Herman Lent, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho.

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janeiro 15, 2021

Nos trilhos do samba paulista

A professora Kelly Magalhães, do Curso de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp de Bauru, desenvolveu o projeto “NOS TRILHOS DO SAMBA PAULISTA”, fruto do encontro entre pesquisadores e membros da comunidade, que desde 2017, desenvolvem debates e seminários de Extensão Universitária “O SAMBA NA CIDADE”. 



Ao dar destaque ao Samba, é desvelado os meandros e mecanismos desse importante Patrimônio Cultural Afro-Brasileiro. Tendo em vista a valorização, incentivo e divulgação dessa cultura, promove a aproximação da UNESP Bauru e do IAU-USP com a ASTEC (Associação de Sambistas Terreiros e Comunidades do Estado de São Paulo) e com o “Coletivo Samba”.

O Kolombolo é um dos parceiros e proponente do projeto “Nos Trilhos do Samba Paulista” e através do edital Matchfunding BNDES+ lançou a campanha de arrecadação pela Benfeitoria:


www.benfeitoria.com/nostrilhosdosamba

Funciona assim:  A cada real arrecadado o BNDES paga dois. Mas se caso não atingirem a meta, devolverão tudo e o projeto não acontece. Assista ao vídeo acima para saber mais sobre o projeto. Para estimular a participação, eles criaram uma série de recompensas, confira!


Participe, compartilhe, faça esta história acontecer! 


Siga o projeto no Instagram em: www.instagram.com/nostrilhosdosamba


https://benfeitoria.com/nostrilhosdosamba

janeiro 8, 2021

Mais lembranças de infância

Já escrevi vários posts sobre minhas lembranças de infância. Como tem muita coisa que não lembro, pedi para as minhas irmãs, Tereza e Ivone e para alguns primos e primas que relatem fatos que lembrem de quando éramos pequenos para que façam parte destas memórias aqui no A Simplicidade das Coisas.

Hoje a Tereza fez uma vídeo chamada comigo. Comentou que ontem, conversando com o Ademilson, seu marido, lembrou de alguns fatos de quando tinha entre 4 e 5 anos de idade. Isso quer dizer que provavelmente tais memórias são do ano em que eu nasci – 1959 ou bem próximo dele.

A estação de Morro Grande, provavelmente anos 1940. Foto cedida por Júlio Cesar Piesigilli, Jaú, SP – Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/a/ajapi.htm

Naquela época, minha família morava no Haras Fazenda Morro Grande, de propriedade do Sr. Renato Mário Pires de Oliveira Dias, onde meu avô era o administrador e meu pai e tios eram colonos. Por volta de 1959, meu avô, Primo Martini, comprou o sítio Boa Vista que era de propriedade de seu pai, Luigi Martini e que ficava cerca pouco mais de mil metros do Haras e Fazenda Morro Grande. Portanto, deixou de ser o administrador da fazenda e passou a cuidar de sua propriedade. Toda a mudança foi feita por carroça. Tereza lembrou que na última viagem, os últimos pertences transportados foram os vasos com as plantas de minha avó, Virgínia Rosin Calore Martini. E ela chorou tanto, fez tanta birra dizendo que queria ir junto, que a colocaram em cima da carroça.

Ao chegar ao sítio, Tereza teve a unha do dedão de um dos pés arrancada em um acidente com um dos vasos. Chorou muito. Queria a nossa mãe. O Nelli (diminutivo do sobrenome Antonelli), amigo de meu tio Pedro Cirilo Martini (irmão mais novo de meu pai e o único tio ainda vivo do lado dos Martini) a colocou deitada de bruços sobre o seu cavalo como se estivesse carregando um saco de batatas e a levou para casa. Foi esguelhando por todo o caminho, tal era a dor que sentia. Chegando na fazenda, “a encomenda” foi entregue com a mesma brutalidade com que tinha sido carregada. Tereza tem memória privilegiada. Eu não lembro de quase nada de minha infância antes dos sete anos.

Outro relado feito pela Tereza foi o de um “causo” que meu avô sempre contava e que fazia rir muito a ele e a quem o ouvia. Até a década de 70 havia uma linha férrea que ligava Rio Claro a Corumbataí. A Maria Fumaça circulava em trilhos de bitola estreita e ia parando em alguns lugares durante o trajeto, como a Fazenda São José, o bairro rural de Cachoeirinha, e Morro Grande (atual Distrito de Ajapí) etc.

Pois bem. Uma das famílias mais abastadas de Morro Grande era a do clã dos Piccoli, sendo o seu patriarca conhecido como Dr. Piccoli. Ele não era doutor nem nada, mas o chamavam assim por conta de sua influência e poderio local. Para se ter uma ideia, a estação de trem ficava dentro de sua propriedade. E ela está lá até hoje. Segundo meu avô, numa viagem entre Rio Claro e Morro Grande o Dr. Piccoli vinha todo garboso, fingindo ler um jornal (e pelo que meu avô dizia ele não sabia ler). Em certo momento uma senhora percebeu que o jornal estava de ponta cabeça. Tocou no ombro dele e disse: “Dr. Piccoli, seu jornal está de ponta cabeça”. Ao que ele respondeu: “Eu sei. Já li ele todinho. Agora estou deslendo”.

Verdade ou não, percebe-se que o Dr. Piccoli era um italiano de raciocínio rápido.

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