A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

março 18, 2015

Os 123 anos do Arquivo Público do Estado de São Paulo

Em 10 de março de 1892 é criada na Secretaria do Interior a “Repartição Estatística e do Arquivo do Estado” pelo Decreto nº 30. Assim inicia a história do Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP), um dos órgãos públicos mais antigos da administração paulista.  Hoje a instituição comemora seus 123 anos com muitas mudanças e conquistas.

fotoarquivopublico1892

Até o ano de 1906, o Arquivo Público do Estado teve a sua sede instalada na Igreja e Convento do Colégio, onde também ficava o Palácio do Governo e diversas repartições públicas

O Arquivo Público é responsável pela formulação de políticas de gestão documental para o Governo do Estado.  Além disso, a instituição conta com um acervo com mais de 10 km de documentação (equivalente a 12 milhões, aproximadamente) sobre a história do Estado de São Paulo, disponível gratuitamente para consulta à população.

A atividade de arquivo na administração pública é bem mais antiga, surgindo em 1721, pouco tempo depois do desmembramento dos territórios de São Paulo e Minas Gerais. É quando surgem as primeiras notícias da formação de um acervo arquivístico para amparar as decisões de governo. (more…)

março 3, 2015

Hilda Hilst em ocupação no Itaú Cultural

“O teatro surgiu numa hora de muita emergência, em 1967, quando havia a repressão. Eu tinha muita vontade de me comunicar com o outro imediatamente. Como não podia haver comunicação cara a cara, então fiz algumas peças, todas simbólicas, porque eu não tinha nenhuma vontade de ser presa, nem torturada, nem que me arrancassem as unhas. Então fiz, por analogia, várias peças que qualquer pessoa entenderia o que se pretendia dizer numa denúncia. Fiz oito peças e, depois, parei. Era só uma emergência daquele momento em que eu desejava uma comunicação mais imediata com as pessoas. Mas também não deu certo. As pessoas vão ao teatro para se divertir, ninguém vai ao teatro para pensar.” (Um diálogo com Hilda Hilst. Entrevista concedida a Nelly Novaes Coelho, Rio Claro, Arquivo Municipal, 1989).

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No mesmo evento uma ouvinte pergunta se Hilda havia aprendido pintura, ao que escuta como resposta: “Não, não aprendi pintura. Às vezes, quando fico muito tensa e não consigo escrever, aí eu pinto, desenho um pouco.”

Tive o prazer de conhece-la pessoalmente quando fui buscá-la em uma tarde chuvosa em Corumbataí/SP, onde estava hospedada em casa de amigos. Hilda seria entrevistada por Nelly Novaes Coelho em um ciclo de palestras, promovido em 1989, pela Profa. Dra. Ana Maria de Almeida Camargo e que recebeu o nome de “Feminino Singular”. O evento aconteceu no Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro, onde trabalhei de 1985 até 2002. Adorava o meu emprego no Arquivo e só saí de lá por conta do baixo salário. Caso contrário estaria por lá até hoje! Hilda veio sentada ao meu lado, em meu Fuscão branco, ano 1975, falante, simpática e fumando muito. Durante os poucos quilômetros que separam Corumbataí de Rio Claro, conversamos sobre plantas e cachorros, sua paixão. Hoje ela está sendo homenageada e relembrada num grande evento aqui em São Paulo. (more…)

janeiro 28, 2015

O Fundo Plínio Salgado, que está sob a guarda do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro/SP, recebeu o selo da UNESCO

A nota abaixo vem diretamente do Facebook do Arquivo município Público e Histórico de Rio Claro, que acaba de  receber o selo da Unesco pelo Fundo Plínio Salgado, que se encontra sob sua guarda. A cerimônia de outorga do título aconteceu no mês passado na sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

O Arquivo Público de Rio Claro esteve representado na solenidade por sua coordenadora Ana Maria Penha Mena Pagnocca, que recebeu o certificado de inscrição do acervo de Plínio Salgado no Registro Nacional do Brasil, do Programa Memória do Mundo da Unesco – Memory of the World – MoW.

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Ana Maria Penha Mena Pagnocca, que recebeu o certificado de inscrição do acervo de Plínio Salgado no Registro Nacional do Brasil, do Programa Memória do Mundo da Unesco – Memory of the World – MoW.

Na condição de uma das primeiras funcionárias da autarquia, desde sua criação em 1979, Ana Maria Pagnocca acompanhou todo o processo de inscrição do fundo do líder integralista para concorrer a uma vaga de nominação como patrimônio documental da humanidade.

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janeiro 21, 2015

Arquivo Público do estado de São Paulo oferece nova plataforma de pesquisa

Reprodução
Pesquisadores e interessados já podem acessar a nova ferramenta de pesquisa

O Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) acaba de disponibilizar em seu site uma nova ferramenta de pesquisa, o ICA-AtoM - um programa gratuito de descrição arquivística desenvolvido pelo Conselho Internacional de Arquivos (ICA na sigla em inglês) para disponibilização de acervos na internet.

Com este programa, o Arquivo Público do Estado cumpre uma de suas mais importantes missões: facilitar o acesso aos fundos documentais sob sua guarda, através de instrumentos de pesquisa mais eficientes e completos.

O trabalho de implantação do ICA-Atom partiu da revisão do Guia do Acervo que vem sendo realizada pelo Centro de Acervo Permanente do APESP, com o objetivo de adequar as descrições dos fundos e coleções aos padrões internacionais de tratamento arquivístico, assim, possibilitando a integração do acervo ao software.

Através do ICA-AtoM, o pesquisador tem uma visão geral do fundo, do seu conteúdo, da sua forma de arranjo e do contexto em que a sua documentação foi gerada, podendo pesquisar, imprimir relatórios, realizar buscas e cruzar informações, descontraidamente em casa ou no ambiente que preferir, e no horário que escolher.

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janeiro 16, 2015

Lembranças do meu passado e fotos que marcaram minha vida!

Quem visita o A Simplicidade das Coisas sabe que sou alguém que gosta de relembrar o passado.  Tenho reminiscências tão distantes que às vezes custo a lembrar com exatidão em qual circunstâncias ocorreram. Nossa memória é formada não só por imagens, mas por cheiros, sons, sensações e gostos. E ao longo de nossa vida tais coisas ficam arquivadas em caixinhas, que de vez em quando abrimos e tudo ressurge como em um filme.

No Velocípede

Nem sempre aquilo que me lembro da minha infância, das pessoas que povoaram minha existência, são as mesmas lembranças que povoam as mentes de minhas duas irmãs. E os eventos que eu vivi num certo momento podem não ter tido relevância naquela época, mas podem ter um significado maior para quem eu sou agora. É mais ou menos como um livro – a cada vez que o relemos terá um novo significado. O que está escrito ali não se modificou, mas o entendimento do que lemos sim – esse se modifica na medida em que o tempo passa. (more…)

dezembro 30, 2014

Bruges (brugge), na Bélgica – uma cidade medieval

A relíquia de um pedaço de tecido com uma mancha de sangue que acredita-se ser o sangue de Jesus.

A relíquia de um pedaço de tecido com uma mancha de sangue que acredita-se ser o sangue de Jesus.

Até parece que em Bruges o tempo parou. É como se você estivesse passeando pela Bélgica de alguns séculos atrás. Com sua majestosa praça central iluminada por grandes candelabros, carruagens indo e vindo, ruas estreitas com calçamento de pedras e canais bucólicos emolduram essa cidade medieval, romântica por natureza. Linda, fantástica, como num conto de fadas. O seu centro histórico foi merecidamente tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2000 e logo depois, em 2002 ganhou o título de Capital Européia da Cultura.

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Bruges chegou a ser uma das principais economias da Europa, entre os séculos XII e XV. A cidade era cheia de comerciantes que vinham dos quatro cantos do mundo. Até que o rio, que ligava a cidade ao mar, foi assoreado e os navios ficaram sem acesso. Nisso, a cidade viveu um período de repouso. E só aconteceu um novo renascimento depois de 400 anos pronta para brilhar mais do que nunca e receber levas e levas de turistas.

A praça central – Markt – é o coração de Bruges e ainda preserva boa parte de seu traçado original. Antigamente, o local era chamado de fórum. E, presenciou muitas cenas da história do povo belga, desde festas populares até grandes batalhas. Cada lado da praça é cheio de prédios em diferentes estilos, construídos ao longo de vários séculos. De um lado o Palácio Provincial e o antigo correio ocupam edificações neogóticas.

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Também é na praça central que fica o Campanário de Bruges, principal símbolo da cidade. Para subir tem que pagar e encarar uma pequena escadaria de 366 degraus para chegar ao topo,  de um onde você terá uma vista privilegiada da cidade e ver bem de pertinho o carrilhão e seu 47 sinos.  Tal Campanário foi feito em etapas. Inicialmente, no século XIV foram construídos o campanário e o corpo do prédio, como um complexo formado por duas partes. Alguns anos depois, um terceiro pavimento, de 80 metros, foi feito em pedras para ser usado como observatório para evitar que algum incêndio destruísse a cidade, coisa comum naquela época.

Bem ao lado da prefeitura fica Velha Casa dos Arquivistas, que exibe os ares da Renascença, construída em 1534.

Bem ao lado da prefeitura fica Velha Casa dos Arquivistas, que exibe os ares da Renascença, construída em 1534.

Ainda na praça há o santuário Heilig Bloedbasiliek, que fica numa entrada discreta e pequenina que pode até passar em branco para os menos avisados. O acesso é discreto, mas o interior da Basílica do Sangue Sagrado guarda uma relíquia poderosa: um frasco com o sangue de Cristo.  (more…)

dezembro 5, 2014

“Memórias da Ditadura” é um portal que resgata histórias da era do regime militar

O lançamento oficial do site aconteceu hoje cedo no Auditório do Ministério da Educação, em Brasília. Participaram do evento a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, o Ministro da Educação, José Henrique Paim, a Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e a Ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros.

As-memórias-da-ditaduraCom objetivo de divulgar a história do Brasil no período do regime militar, em especial ao público jovem, o Instituto Vladimir Herzog por meio do Vlado Educação, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, lançou hoje, dia 05/12, o portal Memórias da Ditadura. A ideia é que a página apresente conteúdos interativos que tenham relação com os dias atuais. (more…)

novembro 12, 2014

O retorno do Códice que conta a História do México

Tudo começou na segunda metade do século XVII, quando o intelectual jesuíta Carlos de Sigüenza y Góngora reuniu o códice inteiro, em três volumes, em sua biblioteca, que depois passou para o Colégio de San Ildefonso da Cidade do México. Ali, em 1827, o bibliotecário do colégio, José María Luis Mora, combinou com o inglês James Thomsen, representante da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, trocar o Códice por um lote de Bíblias protestantes, não com a finalidade de usá-las para evangelizar, mas como livros de alfabetização. Thomsen voltou a Londres com o códice, e Mora, com o passar dos anos, se converteria no fundador do pensamento liberal no México.

Dois volumes com as obras completas de Fernando de Alva Ixtlilxóchitl (1578-1650), e um terceiro livro que é uma miscelânea contendo 40 documentos diferentes, incluindo o original da Crônica Mexicáyotl, de Hernando de Alvarado Tezozómoc, onde se descreve a história do povo mexicano desde sua saída de Aztlán, no ano de 1064 dC, até a chegada dos espanhóis, em 1519, compõem o chamado Códice Chimalpáhin, que o governo mexicano comprou antes que fosse leiloado em Londres.

Início de uma crônica do códice. O texto começa em espanhol antigo e prossegue em nauatle. Fonte: El Pais

Início de uma crônica do códice. O texto começa em espanhol antigo e prossegue em nauatle. Fonte: El Pais

Erroneamente chamado códice nos EUA e totalmente atribuído de forma inequívoca a Domingo Chimalpáhin (1579-1660), o documento do final do século XVI e início do século XVII tem uma história tão intensa como os mesmos eventos que descreve. Sua história, cheia de altos e baixos, parece ter encontrado descanso após 187 anos fora do México. (more…)

novembro 3, 2014

A Turma da Mônica ensina cidadania e ética para crianças

Qual criança ou adulto não conhece os personagens Cebolinha, Cascão, Magali, Mônica, Bidu, Anjinho e seus amigos? São personagens muito divertidos e queridos da história em quadrinhos de nosso País e já encantaram muitas gerações.

Os personagens Cebolinha e Mônica e ao fundo Mauricio de Sousa no lançamento do projeto Um por todos e todos por um

Os personagens Cebolinha e Mônica e ao fundo Mauricio de Sousa no lançamento do projeto Um por todos e todos por um

Ao longo dos últimos 50 anos, com seus personagens Mauricio de Sousa teve um papel social importantíssimo na educação de milhões de brasileiros e inclusive na minha, que adorava seus Gibis. E o engajamento com a responsabilidade social continua. O Instituto Mauricio de Sousa vem realizado diversas parcerias nesse sentido.

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outubro 28, 2014

Dicas para conservar suas lembranças… Fotografias

Tenho certeza que você tem em casa fotografias que foram feitas com as clássicas câmeras analógicas! Essas fotos possuem mais que um valor: primeiro o momento que elas capturaram e por último por serem únicas! Elas não possuem cópias salvas no computador ou em redes sociais como as fotos digitais. Mas, com pequenos cuidados você poderá conservá-las durante muito tempo!

Em minha casa, quando eu era criança, minha mãe guardava as fotos de família dentro de uma caixa de chapéu, da Ramenzoni, que era a marca que o meu pai usava. E lá estavam as poucas fotos da infância de minhas irmãs e minhas, uma única foto do casamento de meus pais, fotos de avós, tios, de uma criança morta dentro de um caixão (era costume fotografar recém nascidos que morriam), entre outras. Ah sim – tinha algumas fotos curiosas. Cheias de mordidas nas beiradas! Mordíamos as fotos dos “primos e primas bonitinhos”.

Mas, voltemos ao assunto tema desse post. Conservação de imagens/fotografias.

Os negativos, os slides e as imagens já impressas em papel são materiais muito delicados. Mas lhe dou uma boa notícia – é possível prolongar a vida das fotos! Mesmo os slides, que são mais resistentes e junto com as fotos em papel vão se degradando, mudando as cores e as imagens desaparecem como parte de um processo químico de envelhecimento natural. Mas qualquer que seja o suporte físico (papel, acetato, etc.) podem ser preservados controlando a luz, a temperatura, a umidade e os ataques biológicos e químicos que os rodeiam. Devem ser sempre arquivados em materiais especiais para a conservação desse tipo de objetos. Ou seja, capas e pastas livres de ácidos.

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Soluções de baixo custo, como caixas de papelão para organizar os negativos ou as fotos, também são úteis e válidas, desde que não contenham cloro nem químicos. E é necessário guardar essas caixas em lugares protegidos do calor, da umidade e da luz. Convém limpar os slides e negativos de vez em quando com um soprador de ar, separar as fotografias umas de outras com papéis alcalinos, e manipulá-las sempre com luvas de algodão tratado. Tenho amigos que passavam um pano úmido nas fotos! Nada disso!  Nem manuseie suas fotos sem luvas – você irá deixar a marca das impressões digitais nelas.

As seguintes dicas se aplicam tanto para as fotografias quanto para os negativos. (more…)

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