A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 27, 2018

Escuta o cheiro!

“Vozinha Virgínia: em meio a plantas, em meio a flores como se uma delas fosse!”

A senhorinha das fotos é minha avó paterna, Virgínia Rosin Calore Martini, filha de italianos, de Padova, Itália, de quem acabei de lembrar. Quando ela estava na cozinha, com suas panelas no fogão, ou colhendo as flores que cultivava no quintal, e eu chegava por perto dizia: “Gusto, escuta que cheiro!” (em italiano, “Gusto, ascolta l’lodore!”).

Lembro-me, como se fosse hoje, das histórias que ela contava. A maioria delas eram histórias verídicas, fatos que ela havia vivido e que ela contava e recontava diversas vezes, como se fossem inéditas a cada nova conversa. E eu sempre as ouvia com muita atenção e admiração, afinal, ela foi um referencial na vida para mim e para todos os que com ela conviveram. 

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Foi ela, o meu avô e meus pais quem me ensinaram sobre o que é ser íntegro, sempre respeitar os mais velhos e batalhar para ser alguém na vida.

Minha avó sempre usava como exemplo histórias de fracasso – de pessoas muito próximas, amigos ou geralmente membros da nossa família, que ela tentou aconselhar, ajudar e dar um direcionamento, mas que foram teimosos e que em algum momento colheu os frutos ruins de sua teimosia, de não terem-na ouvido.

Eu e muita gente da família a teve como parâmetro nos meus referenciais de retidão. Eu, durante muito tempo, pelo menos desde minha infância até o início da minha adolescência.
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maio 23, 2018

A História da Família Calore – meus bisavós paternos

De todas as pesquisas genealógicas de minha família, hoje eu consegui a informação mais completa de um dos meus antepassados – Cirillo Calore – meu bisavô por parte de avó paterna (Virgínia Calore Martini casada com primo Martini).

Cirilo era filho de Antônio Calore e de Santa Vezu. Nasceu em Padova em 31 de outubro de 1877 (sic), as 9h00. O registro foi feito em 02 de novembro, na presença do oficial do Estado Civil e de duas testemunhas. A família Calore estava estabelecida em Padova, região do Vêneto, com residência na Via Voltabarozzo, número 118, código postal 35127 (local marcado na imagem abaixo).

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Em 25 de novembro de 1894, Cirillo casa-se com Maria Rosin, em Padova,  nascida na mesma cidade. E aqui cabe uma observação: no registro do ato de Matrimônio consta que Cirillo tinha a época 23 anos e Maria 21 anos. Mas se levarmos em conta a data constante no registro do ato de Nascimento, essa idade não bate. Pelo registro de nascimento, em 1894 Cirillo teria 17 anos. Mas, caso tenha se casado com 24 anos, ele teria que ter nascido em 1871 e não em 1877.

Ainda não consegui levantar a data em que chegaram ao Brasil e também não sei quais filhos nasceram na Itália. Esse será meu novo desafio.

Meus bisavós tiveram vários filhos (Genoefa, José, Antonio, Carlos, João, Santa, Joana, Alba e Catarina). Entre eles minha avó paterna – Virgínia Rosin Calore Martini – nascida em 28 de novembro de 1902. Avós paternos Antônio Calore e Santa Vezu. Avós maternos Angelo Rosin e Luiza Noventa.

Cirillo faleceu em 13 de junho de 1946, com 74 anos, às 5h00, no distrito de Corumbataí, bairro Morro Grande, atual Distrito de Ajapi/Rio Claro/SP, por conta de um derrame cerebral.

Virgínia casou-se em Rio Claro no dia 09 de junho de 1923, Com Primo Martini, nascido em 01 de janeiro de 1902. Ele era filho de Luigi Martini e Thereza Sbrissa. Mas essa já é uma história que já contei aqui.

agosto 16, 2017

XV de Piracicaba e seu hino caipira

Não sou muito ligado em futebol, mas em Rio Claro, minha cidade natal, gostava muito de assistir ao derby rio-clarense. Era um clássico, com guerra entre as torcidas do Velo Clube Rio-clarense – conhecido como Rubro Verde (meu time de coração por lá!) e o Rio Claro Futebol Clube, conhecido como Galo Azul ou Azulão. Outro jogo bem concorrido era quando um desses dois times jogava com o XV de Piracicaba.

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O XV é um dos clubes mais conhecidos do futebol do interior paulista. Fundado em 1913, e igual aos times da região, nunca foi uma equipe de títulos expressivos. Mas é um time conhecido por sua simpatia entre todos. Porém há sempre quem tente ofuscar o grande “Nhô Quim” (Sinhô Quinze), confundindo os fãs e torcedores com o mesmo nome. (more…)

julho 25, 2017

O abate do porco

O olfato e a memória gustativa é algo fantástico. Nos remetem a lembranças do passado  que ficam guardadas com carinho no cantinho da memória.  Quem não lembra do cheiro da comida da avó, dos pães que a mãe enrolava e assava no forno, do suave aroma que vinha das panelas que ficavam sobre a chapa do fogão a lenha?

Nem precisamos provar novamente a comida. Basta lembrar para entrarmos novamente na cena que esteve tão presente em algum momento da vida. São receitas antigas, como o pão, a macarronada, o bolo de fubá, o bolinho de chuva, a linguiça caseira…

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Imagem: listenandlearn.com.br

Lembro muito bem das brincadeiras de infância no sítio de meu avô e com os amigos de minha rua. Mas também estão muito presentes as situações ligadas à comida. Algumas dessas últimas não tão agradáveis…

Tínhamos um quintal grande na casa popular recém-construída no bairro Vila Nova, em Rio Claro/SP, levantada com o financiamento da Caixa Econômica Federal. Era uma casa simples, de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com cômodos bem pequenos, mas, como dizia meu pai “um dia será nosso”. E, nesse quintal tínhamos nossa horta e um pequeno pomar, quase sempre galinhas e um porco, criado em chiqueiro. (more…)

abril 26, 2017

Meu amuleto indígena 

A figura abaixo é de uma ponta de flecha esculpida em rocha. Meu avô, Primo Martini, tinha um sítio em Ajapi, distrito de Rio Claro. Era o sítio Boa Vista. E nele havia (e acho que ainda existe) um sítio arqueológico cuja ocupação do espaço deve ter sido feita pelas populações indígenas da região de Rio Claro. Era uma área que ficava em um declive, que abrigava um resquício de mata virgem. Em um paredão rochoso havia uma espécie de fenda a qual denominamos “caverna do índio”. Eu e meus primos gostávamos de ir até lá para brincar. Como era criança, não lembro com muitos detalhes tudo o que tinha no local. Mas, lembro que nos dependurávamos em cipós, subíamos até essa fenda, entrávamos e pegávamos lascas rochosas. Salvo engano haviam alguns desenhos rupestres. A região é formada por rochas sedimentares e em alguns lugares afloravam “piçarras coloridas”.

Quando eu tinha uns 15 anos (faz tempo! Rs), ganhei essa ponta de flecha de um tio meu, Marino Martini e irmão de meu pai e coletada no local. Sempre gostei de guardar coisas. Tenho uma lata cheia de moedas antigas em minha casa de Rio Claro. E essa lata  foi “a casa” da ponta de flecha até  uns 15 dias atrás, quando ela reapareceu em minha lembrança e fui em busca dela.

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Estava lá, guardadinha! Peguei-a com carinho, como se fosse uma joia. Lembrei do gesto de meu tio quando a recebi de presente e pensei: “se ela reapareceu nesse momento deve ter um sentido”. Trouxe-a para São Paulo. A carregava no bolso das calças. E ontem, indo para o trabalho, passando pela Barão de Itapetininga, vi um artesão, com fisionomia de indígena (ele é boliviano), fazendo cordões com pingentes de rochas. Mostrei a ponta de flecha para ele e perguntei se poderia fazer um cordão sem alterar a originalidade da peça. Ele respondeu positivamente. A deixei com ele e passei pega-lá no final da tarde. E agora a trago dependurada no pescoço.


As populações nativas criaram pontas de flechas e outros projéteis de pedra de sílex e outras rochas, e ainda é comum encontrar esses artefatos nas áreas onde os indígenas viviam e caçavam. (more…)

março 11, 2017

Lembranças, saudades e cheiros de infância…parte 2

Hoje quero recordar as idas e vindas ao sítio de meus avós. Passeios que fazia com meu pai e que aconteciam quase todos em domingos ou feriados.

Íamos de bicicleta. Eram pouco mais de 12 km pela estrada de terra que ligava Rio Claro a Ajapí, distrito rural da cidade. Íamos pela estrada bem devagar, enquanto o cheiro da terra e do mato cortado recentemente, a brisa do vento e o aconchego do sol nos acompanhavam. Eu, na garupa, observava as flores, as árvores. Era uma delícia ouvir o canto dos pássaros e entre o silêncio e o entoar de algumas melodias que meu pai tentava assoviar, a felicidade acompanhava-nos. Não era preciso muito, aliás não era preciso nada, éramos apenas nós os dois e a natureza. E felizes…

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Meu pai, Antonio Martini, com minha avó, Virgínia Calore Martini

Não me recordo das palavras que ele falava no caminho. Meu pai era de pouco falar, e falava baixo. Sei que as palavras existiram mas não as tenho na memória. Das canções que ele tocava na sanfona ou dedilhava ao violão, estas sim, lembro-me de todas, faziam parte da história de vida do meu pai e eu gostava das suas histórias – das músicas e dos causos que ele contava. Havia sintonia, entrega, carinho e cumplicidade. Havia amor, mas um amor sereno e tranquilo que ele não demonstrava. Nada era obrigação. Tal e qual as árvores, o vento, o sol, as flores, a terra, os animais… (more…)

fevereiro 13, 2017

A Aventura da Família Grazioli

Aqui no Asimplicidadedascoisas já escrevi muito sobre os meus antepassados da Família Martini

Nunca havia escrito sobre a Família Grazioli, que é a italianada por parte de minha mãe. Se não escrevi não foi por falta de tempo, mas sim por falta de informações. Há mais ou menos um mês resolvi começar a pesquisa para completar a minha árvore genealógica. Tinha algumas certidões de óbito, dados anotados de conversas que tive com minha mãe e tios… Quase nada de concreto.
O que sabia de meu avô João Grazioli é que ele casou-se com Thereza Bianchini em 13 de fevereiro de 1926 e que teve os filhos: Delfina, Maria Angela, Joana Nathalina, Ercídio Maurício, Elizeu Jorge e Arthur Guilherme.
Quando minha mãe estava com 16 anos a minha avó faleceu. Moravam na Fazenda Mata Negra, no distrito de Morro Grande, hoje Ajapi, em Rio Claro/SP. Meu avô, com um dos irmãos, tinham terras por lá. Plantavam cana e fabricavam açúcar e cachaça. Minha tia Delfina, então com 18 anos, acabara de se casar com Otávio Fossaluza e mudou-se da fazenda. E assim a minha mãe acabou de criar os outros quatro irmãos.

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Aristides (?) com João Grazioli

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João Grazioli

Meu avô acabou perdendo a parte na fazenda por um ato nada lícito que não vou relatar aqui por não saber se realmente aconteceu. Sei que ele e os filhos mudaram-se para a cidade – Rio Claro/SP – onde abriu uma mercearia. Também perdeu esse comércio. Salvo engano a mercearia ficava na Avenida 32-A esquina com a Rua 4-a, na Vila Alemã. (more…)

fevereiro 2, 2017

Lembranças de infância – sítio Boa Vista

Ah, o sítio Boa Vista, que pertenceu ao meu avô, Primo Martini. Era razoavelmente próximo da cidade (Rio Claro/SP), onde tudo era lindo e cheirava gostoso, apesar da simplicidade e da “terra ruim”, como ele mesmo dizia. Há bem mais de quarenta anos atrás a energia elétrica não tinha chegado por lá. Tinha apenas em um sítio vizinho, pelo que me lembro. Durante a noite o sítio e as estradas das cercanias eram iluminados só pela luz da lua. Era a única luz que tinham nas noites escuras. Na casa apenas a luz de velas, do fogão a lenha e de lamparinas – que para quem não conheceu vou descrever – podia ser feita de latão, vidro ou lata mesmo, com um pavio de cordinha de algodão que conduzia o querosene de dentro da lamparina para fora e podia ficar acesa a noite toda. O problema é que quando estava acesa soltava uma fumaça preta que deixava marcas pelas paredes e teto, e o nariz que ficava preto por dentro.

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Primo Martini

 

Na frente da casa e nas laterais tinha um jardim muito bem cuidado pela minha avó. Também perto de onde ficava o poço caipira tinha uma horta e mais flores. Para chegar até a casa tinha dois caminhos nos quais podiam passar carroças e carros (não tão comuns naquela época!). Um dos caminhos é o que passava antes pelo poço, que ficava à esquerda e a casa era lá embaixo. O outro caminho começava na escolinha rural – que era composta de apenas uma sala de aula em terreno cedido pelo meu avô e onde as crianças da região aprendiam as primeiras letras. (more…)

dezembro 1, 2016

OS MISTERIOSOS TÚNEIS DE RIO CLARO

  1. Fonte: OS MISTERIOSOS TÚNEIS DE RIO CLAROParte I
  2. Clique aqui e leia a Parte II

    Um dos maiores mistérios do Brasil, ainda não devidamente pesquisado e estudado por arqueólogos, historiadores, e por aqueles que gostam e estudam teorias conspiratórias, ufologia e mistérios em geral, está na cidade de Rio Claro no Estado de São Paulo.

    7c61_mc166-06Denominados como “Túneis Secretos”, o local das escavações descoberto no início da década de 90, foi alvo de investigações do médico dr. Rodrigo Pires de Oliveira, da Diretora de Patrimônio Histórico, Marizilda Couto Campos, que solicitou ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) autorização para as escavações na época, e de outros pesquisadores e documentaristas.

    Atualmente, o sítio arqueológico encontra-se totalmente fechado, vedado, blindado, por razões as mais controversas.

    ___aerea_RioClaro_tuneis_03A Rio Claro Online inicia uma série de matérias sobre esse tema tão importante, e que desperta tanta curiosidade, não só dos rioclarenses, mas dos brasileiros e, por que não dizer, de diversos pesquisadores de outros países.

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setembro 25, 2016

A casa de minha avó

Ah, o sítio Boa Vista, que pertenceu ao meu avô, Primo Martini. Era razoavelmente próximo da cidade (ficava há uns 12 km de Rio Claro/SP e há uns 3 km do distrito de Ajapí – antigo Morro Grande), onde tudo era lindo e cheirava gostoso, apesar da simplicidade e da “terra ruim”, como dizia meu avô. Há bem mais de quarenta anos atrás a energia elétrica não tinha chegado por lá. Tinha apenas em um sítio vizinho, pelo que me lembro. Nas noites de lua cheia é quando o sítio e as estradas das cercanias ficavam iluminados. Essa era a única luz que tinha nas noites escuras. Na casa do sítio era apenas a luz de velas, do fogão a lenha e de lamparinas – que para quem não conheceu vou descrever – a lamparina podia ser feita de latão, vidro ou lata mesmo, com um pavio de corda que conduzia o querosene de dentro da lamparina para fora e podia ficar acesa a noite toda. O problema é que quando estava acesa soltava uma fumaça preta que deixava marcas pelas paredes e teto, e o nariz que ficava preto por dentro.

A estação de Morro Grande, provavelmente anos 1940. Foto cedida por Julio Cesar Piesigilli, Jaú, SP

A estação de Morro Grande (Ajapí), provavelmente anos 1940. Foto  do site http://www.estacoesferroviarias.com.br, e cedida por Julio Cesar Piesigilli, Jaú, SP.

 

Na frente da casa e nas laterais tinha um jardim muito bem cuidado pela minha avó. Também perto de onde ficava o poço caipira tinha uma horta e mais flores. Para chegar até a casa tinha dois caminhos nos quais podiam passar carroças e carros (não tão comuns naquela época!). Um dos caminhos é o que passava antes pelo poço, que ficava à esquerda e a casa ficava numa baixada. O outro caminho começava na escolinha rural – que era composta de uma sala de aula em terreno cedido pelo meu avô e onde as crianças da região aprendiam as primeiras letras. A professora vinha todos os dias e no período da manhã. Para chegar ao sítio de meu avô haviam duas possibilidades: de jardineira, a qual nos deixava em um entroncamento da estrada de terra que liga Ajapí a Ferraz e onde se inicia a estrada para a Fazenda São José do Morro Grande e de lá íamos a pé ou meu e tios iam nos buscar de carroça ou charrete. O outro meio era chegar de maria fumaça até a estão de trem de Morro Grande, o que complicava um pouco, pois ficava mais longe para irem nos buscar. Apesar de que, nos anos 60 essa linha foi desativada*.

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