A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

setembro 10, 2021

Jardim Chervezon, em Rio Claro/SP

O “Grande Cervezão” é um complexo formado por mais de uma dezena de bairros, surgidos quase todos de loteamentos clandestinos. Dentre eles, destaca-se o Jardim Chervezon, um bairro que pode ser visto como uma outra cidade, cheia de histórias e controvérsias.

A criação do Distrito Industrial no setor Norte de Rio Claro, em 1970, favoreceu o surgimento de novos loteamentos nas proximidades, forçando uma expansão territorial urbana.

No dia 7 de Janeiro daquele ano, Santo Oliva Chervezon requereu, junto à Divisão de Protocolo e Arquivo da Prefeitura Municipal, o loteamento de uma área de 274.390 metros quadrados, que fazia divisa com a FEPASA, com os loteamentos Parque das Indústrias e Jardim Independência, bem como com terras dos Irmãos Brescansin e de Sílvio Hilsdorf e Filhos. Essa área de terreno era denominada “Chácara Potreiro”; e, nela, seria implantado um futuro bairro: o Jardim Chervezon.

O projeto contava com 35 quadras, 10 áreas institucionais e 5 sistemas de lazer. O acesso se daria pelas ruas 6 (antiga estrada de acesso a Brotas) e M-4 e pela avenida M-21.

O requerimento foi recusado com base nas considerações do Departamento de Engenharia, que dizia que a área compunha-se por terrenos baixos para onde escoavam as águas pluviais e alguns córregos da região Norte de Rio Claro. Eram, portanto, terrenos alagadiços, a princípio impróprios para que ali se assentassem edificações. Afim de se tornarem adequados à utilização urbana, teriam que passar por uma ampla drenagem.

Apesar disso, a área começou a ser loteada clandestinamente, concentrando migrantes (principalmente vindos da região Nordeste do país), atraídos pela industrialização acelerada do final das décadas de 60 e 70. Muitos desses migrantes se estabeleceram com suas famílias à revelia de qualquer ordem pré-estabelecida, técnica ou jurídica. Aos poucos, foram conquistando melhoramentos básicos, como eletricidade e redes de água e esgoto, atraindo, então, pequenos estabelecimentos comerciais, que foram complementando suas necessidades.

Na década de 80, com investimentos na infraestrutura, houve uma valorização imobiliária que provocou mudanças no bairro e em seus moradores: desapareceram as favelas e a população de baixa renda foi obrigada a se transferir para os bairros periféricos do Grande Cervezão.

Durante todo esse tempo, o loteamento continuava ilegal e, somente através da mobilização do moradores, é que ocorreu a regularização, em 9 de Fevereiro de 1990.

Com o passar dos anos, o perfil do bairro tem se alterado. Aquele imenso laboratório de tipos e tradições culturais, contendo representantes de cada canto do país, está se transformando num típico espaço de classe média paulista. O Jardim Chervezon se fortalece e figura hoje como um dos principais bairros da cidade.

Fonte: Visite Rio Claro

1 Comentário »

  1. ótimo documentário, mesmo sendo um cidadão de Rio Claro e há mais de de 27 anos morando fora dessa eterna Cidade Azul, não tinha conhecimento de muitos fatos e agora devidamente esclarecidos. Parabéns Augusto.

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    Comentário por MARCOS ANTONIO DOS SANTOS — setembro 13, 2021 @ 9:59 | Responder


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