A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 12, 2017

A Árvore da Vida – o filme de Terrence Malick

Assisti ao “A Árvore da Vida” na última terça feira e em casa. Confesso que em certos momentos fiquei quase sem respirar, paralisado no sofá, atônico com tanta beleza. É um filme que não dá para ver só com os olhos. É preciso vê-lo também com o coração e com a alma.

No início do filme, a protagonista anuncia que há dois caminhos para a vida: um é o caminho da Natureza, que rejeita desapegar-se de si e alimentar-se da Árvore da Vida, que insiste em sua rigidez e por isso se quebra. O segundo é o caminho da Graça, que aceita a dor com esperança e que vê na Árvore da Vida tanto a fonte última da Natureza como a única capaz de se chegar à Vida Eterna. O símbolo da árvore aparece do início ao fim do filme, e em todos os seus momentos mais significativos. Às vezes como uma pequena planta, às vezes como uma árvore frondosa. Se você espera assistir a um filme com narrativa regular – esse não é o caso. É descontínuo, sem linearidade temporal, mas vai fazendo conexões lógicas e casuais e de forma poética. Possui uma infinidade de imagens, ritmos, sons, cores, em que fui me reconhecendo em cada um deles. Em minha infância, no modo de ser de meus pais e irmãs, principalmente. Estava reticente a assistir ao filme. Amigos do trabalho diziam para que eu não perdesse meu tempo. Talvez não estivessem preparados para assisti-lo. O verei mais vezes, com certeza.

Reproduzo abaixo a crítica que encontrei no Blogardino e que traduz muito do que senti e ainda sinto ao pensar no filme.

Como já foi dito em outras críticas, “A Árvore da Vida” é para poucos. Mas, sem dúvida, é o melhor trabalho de Terrence Malick e um dos melhores filmes da história do cinema.


Quando digo que o filme não é para qualquer um não estou insinuando que foi feito para pessoas inteligentes ou cultas. É preciso ser sensível, ter a capacidade de mergulhar nas emoções e nas sensações que o filme provoca para se entender, ou melhor, para se perceber o filme. E ai está o problema: a maioria das pessoas está acostumada com roteiros que explicam tudo em seus diálogos, com início, meio e fim, de modo que nenhum mistério fica sem explicação. Quem entrou no cimema buscando diálogos explicativos e uma história convencional certamente se decepcionou.

O filme de Malick fala sobre a Vida, mas de seu modo particular: pelo que se vê, e o que não se vê; pelo que se ouve, e o que não se ouve; pela emoção que se manifesta nas cenas e nos impactam; ou seja, por todos os meios a disposição de um filme, exceto pelos diálogos elucidativos. O filme não deve ser assistido com a razão, mas com o coração. (more…)

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julho 2, 2017

Vila Maria Zélia – um tesouro no centro de São Paulo

Post publicado originalmente em 11/01/2014

A Vila Operária Maria Zélia, foi construída para ser uma pequena cidade. Foram feitas 220 casas, com duas escolas, uma para meninas e outra para os meninos, ambulatório e serviço odontológico, uma praça principal com uma igreja ladeada por dois prédios idênticos, onde funcionavam o comércio, com farmácia, açougue, sapataria, armazém, salão de festas, e um clube, com um campo de futebol. Foi a primeira vila operária a ter uma creche para os filhos dos operários.

Moro em São Paulo há 11 anos, mas, sempre mantenho meu pé no interior do estado, onde nasci. Aqui na capital, procurei um apartamento que tivesse “cara” de casa. Hoje, vivo nesse apartamento que tem até uma pequena área externa, o que é um privilégio para quem mora na capital.

O inconveniente – pagar condomínio! Assim, de uns tempos para cá estou procurando um sobrado ou casa para possível  troca.

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E lembrei  que há algum tempo, o Luiz e o Fabrício, amigos aqui da capital, me convidaram para assistir uma peça de teatro  que seria encenada em um  armazém de uma antiga vila de operários.  Cheguei, junto com eles, na Vila Maria Zélia. Fomos assistir a uma peça chamada “Hygiene”, apresentada no antigo armazém geral da Vila, escrita, concebida, dirigida e encenada pelo Grupo XIX de Teatro, que transforma praças, cadeias, hospitais, passagens subterrâneas, em “salas de teatro”.

Fiquei encantado. A Igreja, bem em frente, é simples, pequena e singela. As pequenas casas de inspiração europeia, infelizmente abrasileiradas no acabamento das fechadas, convivem em perfeita harmonia. Não há disparidades. Nada é ofensivo. Não há miséria, mas também não há ostentação.

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Maria Zélia Street

No final da vila, um pequeno clube, com churrasqueira, quadra, campo de futebol e mesinhas para jogos de cartas ou dominó. O clima de interior é reforçado pelas hortaliças cultivadas em um canteiro, pelas crianças andando de bicicletas e pelos gatos perambulando nas ruas.

A sensação é de estar em uma cidade cenográfica. Moradores disseram que é sempre utilizada para comerciais, novelas e longas-metragens, como o filme O Corinthiano (1966), com Mazzaropi. (more…)

novembro 20, 2016

Giacomo Puccini e sua Tosca – para mim, ele é pop!

Sim eu aprecio muito a música clássica. Apesar de não ter um profundo conhecimento sobre a mesma, gosto imensamente. Enquanto meus amigos ouviam Rock eu já gostava de ouvir Mozart,  Frederic Choppin, Beethoven, J. S. Bach e outros famosos compositores deste gênero de música. Todos os anos na noite de Natal na minha paróquia ouvia Messias Hallelujan de G. F. Handel. E me emocionava!

Eu adoro música, sou bem versátil. Tenho o certo dia para o tipo de música. Tem dias que posso escutar bossa nova o dia todo. Outro dia Frank Sinatra, Nat King Cole, Celine Dion, Barbara Streisand, Rod Stewart,  Tony Bennett, Neil Diamond, Dionne Warwick, Elvis, Elton John, etc, etc..

Também aprecio chorinho, samba enredo ,bolero e tango. Quando toca uma música eu logo digo: adoro esta música. Qual música que realmente não gosto? Rapp e funk!

Bem já escrevi bastante sobre o assunto por aqui, mas é sempre  o que acontece quando escrevo sobre algum assunto apaixonante. Boa música é uma coisa de Deus!

Adoro as óperas e suas árias, principalmente trechos de La Boheme, Madame Buterfly, Tosca (deu para perceber que gosto de Puccini e que ele é um de meus preferidos, não é?). Mas, como música, nada se compara ao intermezzo de Cavalleria rusticana (ouça e me diga se não é verdade). Porém, adoro também as óperas de Mozart.

Voltando ao Giacomo Puccini, li o trecho que segue abaixo no site Sobretudo, música  e o transcrevo.

Sentimentos poderosos como o amor e seu oposto, o ódio, e uma variante desses dois elementos – o ciúme –, fazem parte do enredo de Tosca, uma das óperas mais conhecidas de Giacomo Puccini. Ah, e o poder personificado no mal. Você conhece esse enredo, não? Pensando bem, faz parte da vida cotidiana.

Nas óperas, na literatura e em alguns casos da vida real, esses elementos se apresentam potencializados; essa é a diferença. Quem sabe, críticas em relação a determinado esquematismo dos “librettos” ou aos roteiros dos musicais, sejam injustos: se na ficção alguma coisa parece exagerada, pensando bem, a realidade é mais tudo e mais alguma coisa em sua crueza; a mulher traída mutila seu par, o traficante deixa expostas cabeças cortadas de suas vítimas para servirem de exemplo, o vizinho estupra e mata o amigo em guerras. (more…)

junho 23, 2016

Nerdologia – aprendendo de forma divertida

Uma dica legal para quem tem filhos, sobrinhos e agregados em idade escolar ou não – o canal Nerdologia que faz uma análise científica da cultura nerd! São dois vídeos por semana, um às quintas-feiras, sobre temas gerais e um às terças-feiras, com conteúdo específico de História.

Guerra do Vietnã

Lá você encontra, de forma divertida, assuntos de diversas áreas/temas atuais, conceitos complexos, muitas vezes abordados fazendo ligação a lançamentos do cinema e dos quadrinhos, do tipo: Como os dinossauros faziam xixi? Robôs com inteligência artificial podem vir a dominar o mundo? O que são as ondas gravitacionais? Como fazer um sabre de luz?

Afinal, que formato a terra tem?

O canal já foi reconhecido pelo público e agora está sendo reconhecido pela imprensa internacional. (more…)

maio 13, 2016

Quando eu era menino…

Nunca pensei que sentiria falta dos pega-pegas da Rua M-1-A na Vila Martins, em Rio Claro/SP… quando eu era apenas um menino.

Nunca pensei que sentiria falta dos campeonatos de bolinhas de gude, bater bafo, rodar pneus… quando eu era apenas um menino.

Nunca pensei que sentiria falta das tardes de domingo e das matinês no Cine Tabajara que já não existe mais. Das séries cinematográficas de “Tarzan”, “Flash Gordon”, “Capitão Marvel”,  “Rim Tim Tim”, “Vigilante Rodoviário”… meus heróis dos anos 70. E dos Gibis… das histórias em quadrinhos… Pato Donald, Tio Patinhas, Professor Pardal, Pateta. Dos livros de Monteiro Lobato e Júlio Verne. Só de lembrar de tudo isso fico tonto, tonto de saudades, de uma melancolia gostosa… Sentindo falta de quando eu era apenas um menino.

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Nunca pensei que sentiria falta das festas da escola, das festas juninas, da “festa das nações”, quando pela primeira vez percebi que havia um mundo com roupas e costumes diferentes – e acho que isso me levou a gostar tanto de Geografia e História. Falta dos bailes do Grêmio Recreativo da Companhia Paulista, das noites de discoteca da Sociedade Filarmônica Rio-clarense,  do som dos clarinetas, trombones e trompetes da Banda União dos Artistas Ferroviários… Artistas que eu admirava em minha infância, lembranças de quando eu já era… um pouco mais que um menino. (more…)

fevereiro 19, 2016

Um novo telhado para o Grupo XIX de Teatro!

Amigos leitores do blog A Simplicidadedascoisas – o Grupo XIX de Teatro  que ocupa um espaço na Vila Maria Zélia está precisando de ajuda. Estão lutando para que esse patrimônio histórico e cultural da cidade não acabe. Mas a chuva parece estar vencendo. Esta semana após mais uma tromba d’água, parte do teto do armazém que utilizam cedeu.

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O Grupo está há algum tempo com um sistema de coleta de doações pela internet para arrecadar dinheiro e realizar a troca do telhado (autorizado pelo DPH) e avaliado em R$ 55.000,00. Mesmo que você não possa contribuir, ajude compartilhando essa informação para que chegue ao maior número de pessoas possível e consequentemente atinja quem possa doar.

Abaixo segue o link:

O grupo XIX de teatro faz residência artística na Vila Maria Zélia desde 2003, com o passar dos anos as telhas do Armazém 19 foram se deteriorando. Hoje o telhado está em péssimo estado de conservação, as telhas que sobraram não suportam a chuva, o que tem causado grandes perdas de materiais e até cancelamento de apresentações. Você também pode ajudar indo prestigiar o espetáculo Teorema 21, encenado nas belas ruínas da antiga Escola de Meninas da Vila Maria Zélia.

TEOREMA 21

Sede do Grupo XIX de Teatro. Rua Mário Costa, 13 (entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres), Vila Maria Zélia. 6ª a dom., 18h. 18 anos. Informações e reservas: 2081-4647 (3ª a 6ª, 14h/18h). Grátis. Até 5/3.

novembro 1, 2015

O Día de los Muertos, no México

No México a morte não é encarada como aqui no Brasil! Lá ela é divertida, engraçada, festiva, onde cada caveira brincalhona tem um significado. Quando tentamos entender a visão deles, passamos a ver a relação com a morte (e a comemoração que fazem) de outra forma.

Se você tem curiosidade de saber como é que essa festa acontece, continue lendo esse post.

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Bem diferente do que nós brasileiros estamos acostumados a ver e fazer no Dia de Finados, no México o Día de los Muertos (Dia dos Mortos) é uma festa, uma das maiores comemorações do país, que começa no dia 31 de Outubro e termina na noite do dia 2 de Novembro, embora possa se esticar até meados do dia 3 e 4.  (more…)

outubro 23, 2015

“Vestidas de Noiva!” – lançamento oficial do documentário

O lançamento oficial do documentário Vestidas De Noiva! Vai ser dia 13 de novembro (sexta-feira), às 20h no Itaú Cultural, em São Paulo! Todo mundo está convidado para assistir ao filme e depois conversar com as diretoras Fabia Fuzeti e Gabi Torrezani! A entrada é gratuita, mas tem que chegar antes para pegar ingresso – e a entrada é limitada à lotação da sala.

Vestidas de Noiva, 2015, 54 min, Brasil (SP)

vestidas de noiva

Cartaz de divulgação

Vestidas de Noiva é um documentário que traça o histórico do casamento homoafetivo no Brasil enquanto acompanha o processo de casamento de Fabia e Gabi. Entre beijos, flores e cetim, as duas apresentam outras histórias de amor homoafetivas, ativistas LGBT e figuras políticas. Vestidas de Noiva celebra as conquistas já alcançadas e aponta o que ainda precisa ser feito para garantir direitos iguais às famílias homoafetivas. (more…)

outubro 21, 2015

De volta para o futuro 2 – hoje é o dia em que passado, presente e futuro vão colidir

Hoje é o dia em que passado, presente e futuro vão colidir. É o dia em que Marty McFly aterrissou no futuro 2015 para salvar Marty Jr., seu filho ainda não nascido, em De volta para o futuro II (1989). Além disso, em 2015 se comemora o 30o aniversário do primeiro filme da saga criada por Robert Zemeckis.

No ano de 2015 imaginado por Robert Zemeckis, os carros e os skates voavam. Ainda havia aparelhos de fax, mas os cadarços de tênis se amarravam sozinhos e se bebia Pepsi Perfect, que a empresa lança agora para o aniversário do filme.

Quando Zemeckis rodou De volta para o futuro II em 1989, realmente imaginou que as telas invadiriam nossas vidas, que as televisões seriam planas, que haveria videoconferências e que o 3D estaria em toda parte. E ele diz não entender o mau uso que se faz hoje da tecnologia como isca para a audiência. (more…)

outubro 12, 2015

A minha infância nos anos 60 e início dos 70

Quem viveu a infância durante os anos 50, 60, 70, se fosse na visão dos pais de hoje, tais crianças não teriam sobrevivido.
Afinal de contas…Os carros não tinham cintos de segurança, apoios de cabeça, nem airbag! As crianças iam soltas no banco de trás aos saltos e brincando! E isso não era perigoso!
As camas tinham grades e os brinquedos eram com muitas cores, com pecinhas que se soltavam ou no mínimo pintados com umas tintas “duvidosas” contendo chumbo ou outro veneno qualquer.

Eu, com minha primeira bola de pano.

Eu, com minha primeira bola de pano.

Não havia travas de segurança nas portas dos carros (e quem tinha carro é porque tinha muito dinheiro – não tive um só amigo que o pai tivesse carro!), chaves nos armários de medicamentos e dos produtos de limpeza. Andávamos de bicicleta para lá e prá cá, sem capacete, joelheiras, caneleiras e cotoveleiras…Bebíamos água em potes de barro, ou da torneira, duma mangueira,ou duma fonte e não águas minerais em garrafas ditas “esterilizadas”.

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