A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 25, 2014

A família Martini, de Rio Claro/SP – Parte 1

Como já escrevi por aqui em dois posts, sou bisneto de imigrantes italianos, que vieram para cá no século XIX, por volta de 1870.

Vieram da região de Treviso (Comune de Cornuda), Pádova (Pádua), Castello di Godego, Tirol e outros. Se instalaram primeiro na região de Araras/SP, depois em Cravinhos/SP, depois no Distrito de Ajapi, Rio Claro/SP e finalmente na cidade de Rio Claro/SP.

Meu avô paterno, Primo Martini, Filho de Luigi Martini, conseguiu comprar um sítio, denominado Boa Vista, em Ajapi, onde morava com minha avó, Virgínia Calore Martini e seus filhos – Ernesto, Marino, Antonio, Henrique, Cesar, Pedro Cirilo, Izabel e Eva.

Minha mãe, Maria Angela Gracioli Martini, com Joana Nathalina Gracioli Martini (duas irmãs, casadas com dois irmãos - Antonio Martini e Cesar Martini)

Minha mãe, Maria Angela Gracioli Martini, com Joana Nathalina Gracioli Martini (duas irmãs, casadas com dois irmãos – Antonio Martini e Cesar Martini)

Apesar de ser uma terra dura, com muita piçarra, a cultivavam e dela tiraram o sustento por muitos anos.

Aos poucos os filhos foram se casando e tomando seus próprios rumos. Em meados dos anos 70 meu avô e minha avó, já velhinhos, venderam o sítio e vieram, junto com o meu tio Pedro, morar em Rio Claro, na Vila Nova, em Rio Claro/SP, ao lado da casa de meus pais. E aqui, faço uma confissão: gostaria muito de um dia poder comprar o sítio que foi de meu avô paterno! Ele fez parte de minha infância e da infância de minhas irmãs. Éramos os primos que moravam na cidade, e que passavam finais de semana e férias com os avós e os outros primos, que moravam no sítio.

Meu avô materno, João Gracioli (no original Grazzioli), casou-se com Terezinha Bianchini tiveram 05 filhos – Delfina, Maria Angela (minha mãe), Joana Nathalina, Arthur, Ercídio, Elizeu. Não conheci minha avó materna, que faleceu quando minha mãe tinha 15 anos e assumiu a responsabilidade de cuidar dos irmãos. Nessa época, só uma irmã de minha mãe era casada (Delfina), o resto era solteiro ou criança ainda. Moravam na Mata Negra, Ajapí, onde meu avô João tinha uma fazenda em parceria com um irmão. Produziam cachaça e beneficiavam café. Tempos depois ele perdeu tudo e todos foram morar na cidade (Rio Claro).

Meus pais contavam que as duas famílias tinham vaca, porco, galinha e tudo quanto é bicho de sítio. Plantavam milho, café, arroz, feijão batata…  Quando crianças, como toda a molecada, iam para roça brincar, iam para beira do rio fazer peraltice. Depois que cresceram, iam para a escolinha rural no período da manhã e depois iam para a roça ajudar. No máximos estudaram de dois a quatro anos. Meus pais foram criados e se casaram lá naquela região. O sítio era puro barulho de italiano, porque quando juntavam toda a família, ou apenas três ou quatro, parecia que tinha cinquenta! Meus pais falavam bastante em italiano com os meus avós.

Meus avós paternos, com quem mais convivi, eram pessoas de bondade extrema. Tudo o que a gente fazia de malandragem ou peraltice eles relevavam. No sítio, quando meu avô ia para algum lugar e nós falávamos que íamos junto, a minha mãe falava que não, mas ele nos levava mesmo assim. A gente adorava andar de carroça, ficar “dirigindo”, mas nossos pais não deixavam, porque era perigoso. O vô deixava! E na carroça dele o único que era atrelado era o Passeio – um lindo cavalo baio que só faltava falar.

Quando minha mãe era viva, principalmente quando a gente era mais criança, nossa casa estava sempre cheia – era muito bonito, mas isso já não acontece hoje.

Minha mãe foi um ser especial – todos gostavam muito dela. Meus avós paternos a chamavam de filha. Era mesmo tratada como se fosse filha deles. Ela fazia pão, queijo, manteiga, aquelas taxadas de doce no fogão à lenha, uma coisa que não existe mais. Eu e minhas irmãs tentamos fazer doces como a minha mãe fazia e a gente não consegue. Minhas tias mais velhas fazem algumas coisas assim, mas não adianta, não é igual como o da nossa mãe.

Em nossa família somos muitos primos. E em 01 de janeiro era o aniversário de meu avô (vem daí o nome Primo – de primeiro!) – era dia de festa quando eles moravam no sítio. Era aquela anarquia de molecada, brincar de esconde-esconde pelo meio dos pomares, fazer balanço nos pés de manga e jambolão. Caíamos, chorávamos, mas dali a pouco voltávamos a brincar.

Era tudo muito gostoso aos domingos, nas festas de Natal, na Páscoa, sem presente, sem chocolate, porque a gente nem sabia o que era isso, mas era o dia de fazer festa, de tomar refrigerante, vinho com água (que minha avó nos servia escondido). Quase não se bebia cerveja, nem tinha geladeira pra isso, e o domingo era o dia de fazer aquela macarronada mais caprichada. Se fosse no sitio, matavam vários frangos, leitoa. Tinha muita alegria. E em volta da mesa, eram aquelas panelas de macarrão com molho e o frango.

Muito pão feito no forno de barro era servido. Tínhamos também essas comidas que italianos tem mania de fazer no taxo de cobre, que não dá para fazer em pouca quantidade. As mulheres é que tomavam conta da mesa. Faziam polenta, faziam aquelas paneladas de doce…

Eu e minhas irmãs aprendemos fazer a massa do macarrão como a de minha avó e de minha mãe. A Tereza, do blog Memórias de Tereza, é quem se especializou e de vez em quando faz uma montanha e reúne toda a família.

continua… Parte 2

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2 Comentários »

  1. […] falar mais adiante) na casa da Tia Nica, uma vizinha, ou nas festas de aniversário de meu avô, Primo Martini, que fazia anos em 01 de janeiro e sempre comemorava com uma comilança daquelas comuns em […]

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    Pingback por Lembranças de minha infância; os meus primeiros refrigerantes – Cerejinha e Tubaína! | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — fevereiro 17, 2016 @ 17:52 | Responder


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