A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

fevereiro 28, 2006

A Aventura da Família Martini – Parte 1

Filed under: História,Memórias — Augusto Martini @ 17:09
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“A vida é o nosso maior tesouro, mas é passageira. Um dia vem a morte, o único evento comum a todos, que iguala reis e plebeus, burgueses e camponeses, pobres e ricos e todos voltam ao pó do qual somos formados. Das existências vividas restam apenas as obras e as memórias, que serão tesouros efêmeros para os que ficam, que por fim também se vão, e assim também as gerações seguintes… e a névoa do passado acaba por encobrir a história daqueles a quem devemos a nossa existência.. Mas, desde o maior conquistador ao mais humilde lavrador, todo ser humano que vive dignamente do seu trabalho e com ele oferece aos seus filhos a oportunidade ímpar de existir, merece o reconhecimento e a admiração das gerações futuras. Estas vidas, com todos os seus sonhos, emoções, alegrias e tristezas, fazem parte da aventura que permitiu estarmos hoje aqui. Se deixarmos que as suas memórias morram, estaremos enterrando uma parte de nós mesmos; uma parte que está nos nossos genes, na nossa aparência, na nossa personalidade.” 
(citação retirada de http://www.ortensi.com/historia/index.php#intro)

Leia também a Parte 2 sobre a Aventura da Família Martini

Os meus antepassados vieram para o Brasil como emigrantes. Meus bisavôs e bisavós faziam parte das famílias: Martini, Graziolli (ou Graciolli), Rosin,  Calore, Sbrissa, Pagnan, Zapacosta, Arrebelato, Noventa, Bianchini, Carbonesi… todos, oriundos da Itália.

A Itália é uma península da Europa meridional na bacia do mar Mediterrâneo. Do ponto mais extremo ao norte ao ponto mais extremo ao sul, a distância é de 1.300 Km, sendo a que a maior largura atinge 300 Km. Faz fronteira com a Áustria, ao norte, com a Eslovênia a nordeste, com a Suíça a noroeste e com a França a oeste. Do lado leste fica o mar Adriático, a oeste o mar Jônio, e próximos ao norte, o mar Tirreno e o mar Ligure.

A superfície total, incluindo as ilhas, aproxima-se de 300.000 quilômetros quadrados. Cerca de 80% do território é formado por colinas ou montanhas.  A maior extensão de terra plana é a planície Padana, a qual é cortado pelo rio Pó.

Os rios são numerosos. Os mais importantes são: Pó , com 652 Km de extensão, o Adige com 410 Km, o Tevere com 405 Km e o Arno com 241 Km. Também existem lagos importantes. São eles: Garda, Maggiore, Como, Iseo e Trasimeno, de origem glacial e Bolsena e Bracciano, de origem vulcânica.

Do ponto de vista geológico a península é constituído por terra jovem, e por isso sujeita a terremotos e atividade vulcânica. Os vulcões ativos mais importantes são o Etna e o Vesúvio, e os das ilhas de Vulcana e Stromboli.

A República Italiana está dividida em Regiões, num total de vinte, que por sua vez são divididas em 103 Províncias, e estas em Municípios (ou Comunes), totalizando 8.102. As Regiões são entidades autônomas, com independência política, jurídica, legislativa e administrativa, e governadas pelos Conselhos Regionais que são eleitos pelos cidadãos. O Conselho por sua vez, elege a Junta Regional, que tem funções executivas e administrativas. As duas entidades elegem o Presidente da Junta Regional. As regiões denominadas autônomas gozam de grande liberdade administrativa.

A Província de Treviso

Treviso é uma das 7 províncias do Vêneto.  No extremo nordeste da Itália os romanos construíram postos de fronteira, existentes até os dias de hoje dos quais fazem parte as cidades de Vicenza, Pádua, Verona e Treviso.

A província de Treviso possui características topográficas variadas: montanhas, colinas e planícies e está há poucos quilômetros do mar. Sua extensão é de 2.477 quilômetros quadrados, organizados em 95 Comunes.

Além de Treviso, a capital, existem outras cidades importantes na província, tais como: Castelfranco Vêneto, Conegliano, Asolo, Valdobbiadene, Montebelluna, Vittorio Vêneto e Oderzo. Todas guardam características e tradições antigas, que sobrevivem até os dias atuais. Possui dois rios importantes, Piave e Sile, além de outros menores. Cornuda, onde nasceu meu bisavô, Luigi Martini, é uma das 95 Comuni da província de Treviso. Cidade pequena, com de 5.732 habitantes (ano 2001), com densidade de 463 habitantes por km quadrado, sendo, 2785 homens e 2947 mulheres, divididos em 2193 famílias.

Quais foram as razões dos Martini terem vindo ao Brasil? Pelas mesmas e principais razões que levaram um grande número de italianos a emigrar: o crescimento populacional e o processo de unificação do país, que trouxe consigo a fome e a guerra.

A maior parte dos italianos que emigraram para o Brasil vieram do norte. De 1876 a 1886, 65% dos imigrantes vieram do Vêneto, do Piemonte e da Lombardia.

Se levarmos em consideração o período de 1876 a 1920, um terço do total de imigrantes italianos vieram do Vêneto. Os primeiros imigrantes vieram preencher as lacunas de mão de obra em fazendas já existentes. A partir de 1893, 90% dos que chegavam eram destinados às novas fazendas do Oeste paulista.

A situação não só dos camponeses italianos, mas da população européia em geral era crítica, e a propaganda brasileira encontrou lá um terreno favorável. Os cartazes divulgavam uma terra nova, onde qualquer um poderia ficar rico rapidamente.

O governo pagava a viagem quase exclusivamente a agricultores, mas os agentes recrutavam qualquer um.  Isso explica a condição declarada de contadino (lavrador), anotada na maioria dos passaportes italianos encontrados em arquivos brasileiros.

Em São Paulo, os que chegavam ficavam na Hospedaria dos Imigrantes, no bairro do Brás. Ali eram acertados os detalhes finais: para onde ia o imigrante e sua família. Nesse local existem milhares de registros sobre a imigração. Foi através deles que descobri que meus antepassados seguiram para a cidade de Araras, e que foram trabalhar na fazenda Morro Azul. Foi o destino deles…e a realidade de várias outras famílias, alocadas emfazendas próximas, administradas por pessoas abastadas.

“A Aventura da Família Martini” continua no próximo artigo… Parte 2

Sites interessantes para aqueles que quiserem pesquisar suas origens italianas:

· http://www.veneto.org
· http://www.veneto.com
· http://www.ronet.it
· http://www.madeinveneto.com
· http://www.italconsul.org.br/bilingue/index_po.htm
· http://www.mcl-sias.org.br/sias/cidadania_port_frm.html
· www.memorialdoimigrante.sp.gov.br
· www.genealogia.com.br
· www.genealogy.com
· www.projetoimigrantes.com.br
· www.gens.labo.net
· www.italia.org.br
· www.arquivonacional.gov.br
· http://www.comune.cornuda.tv.it/

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5 Comentários »

  1. […] A Aventura da Família Martini – Parte 1 […]

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    Pingback por Árvore Genealógica da família Martini | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — abril 24, 2013 @ 9:30 | Responder

  2. […] Leia também a parte 1 sobre a Aventura da Família Martini […]

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  3. […] registros da passagem de meus ancestrais, imigrantes, tanto do lado de pai quando do lado de mãe – pobres e humildes, embora […]

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    Pingback por Museu da Imigração do Estado de São Paulo | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — maio 28, 2014 @ 11:00 | Responder

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