A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

abril 16, 2017

História de vida – Virgínia Rosin Calore Martini

Virgínia  Rosin Calore Martini – História de vida

  • nascimento: 28 de novembro de 1902
  • Falecimento: 07 de setembro de 1995

Entrevista realizada no ano de 1993

Entrevistador – Augusto Jeronimo Martini

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1) A Sra. tem sete filhos, 25 netos e 22 bisnetos. Gostaria que me contasse onde nasceu. Foi aqui em Rio Claro mesmo?

– Foi lá Eritréia.

2) Onde é este local?

  • Fica prá cá de Ajapí. Não era fazenda. Era sítio. Eritréia era um bairro.

3) A Sra. nasceu na maternidade ou em casa?

  • Nasci em casa. Através de uma parteira.

4) O que a Sra. lembra da infância?

– De lá. Eu lembro a casa onde ficava. O lugar, o que tinha. O café, bananeiras. Meu pai plantava milho, feijão… Éramos em 10 irmãos. Hoje, vivos tem apenas três. Duas mulheres e um homem.

5) E as brincadeiras de infância?

  • A gente não tinha nada para brincar. Andávamos pelas roças, pelo café, pulávamos barrancos. Nossas brincadeiras eram essas…

6) E trabalho? Começou muito cedo? (more…)

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fevereiro 21, 2017

Dia do Imigrante Italiano – 21 de fevereiro

“A vida é o nosso maior tesouro, mas é passageira. Um dia vem a morte, o único evento comum a todos, que iguala reis e plebeus, burgueses e camponeses, pobres e ricos e todos voltam ao pó do qual somos formados. Das existências vividas restam apenas as obras e as memórias, que serão tesouros efêmeros para os que ficam, que por fim também se vão, e assim também as gerações seguintes… e a névoa do passado acaba por encobrir a história daqueles a quem devemos a nossa existência. Mas, desde o maior conquistador ao mais humilde lavrador, todo ser humano que vive dignamente do seu trabalho e com ele oferece aos seus filhos a oportunidade ímpar de existir, merece o reconhecimento e a admiração das gerações futuras. Estas vidas, com todos os seus sonhos, emoções, alegrias e tristezas, fazem parte da aventura que permitiu estarmos hoje aqui. Se deixarmos que as suas memórias morram, estaremos enterrando uma parte de nós mesmos; uma parte que está nos nossos genes, na nossa aparência, na nossa personalidade.” 
(citação retirada de http://www.ortensi.com/historia/index.php#intro)

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Porto de Gênova, em 1900

Hoje, 21 de fevereiro, no Brasil é comemorado o Dia do Imigrante Italiano.

Giuseppe Martini, meu tataravô, veio para um mundo desconhecido, com a ilusão de “fazer a América”, de ficar rico, esperando dar aos seus filhos a educação e a esperança que ele não pode ter. Chegou no Porto de Santos em 10 de abril de 1886, no Vapore Perseo. No Brasil, toda sua família teve uma vida de luta e abnegação. Foram exemplos de coragem. Emigrou, enfrentando um grande desafio movido pelo amor à família. Luigi Matini tinha 16 anos quando chegou e por aqui se casou (em Araras/SP). (more…)

agosto 28, 2016

Os quintais de minha infância sempre foram cheios de vida

Os quintais de minha infância sempre foram cheios de vida. Flores, borboletas, passáros, verduras legumes e frutas.

A minha mãe tinha muito orgulho do jardim, uma vaidade que não escondia e que crescia quando vizinhos e parentes o elogiavam. Idem para a horta que meu pai cultivava no fundo do quintal.

As flores que minha mãe cultivava eram como se pertencessem às joias da coroa – meio que impossíveis de toca-las. E é bem no fundo de minha memória que ficam guardados os perfumes e cores do jardim da minha infância. Exuberante, cheio de recantos e flores de várias espécies. Tinha até uma cerquinha de madeira para não ser pisoteado ou invadido pelos cães da casa.

flores

Nosso quintal era um bom lugar para brincar, pois a graça daqueles canteiros, da mistura de laranjeiras e roseiras, ameixeiras e margaridas estava nessa junção de jardim com pomar – um viveiro de flores a fazer fronteira com a horta. Um pouco adiante, em canteiros cercados por uma paredinha de terra ou tijolos, o meu pai semeava alfaces, rúculas, almeirões e tomates. Havia sempre no quintal um vigoroso pé de alecrim, outro de capim cidreira, poejos, hortelã, e tudo quanto era ervas para chás e unguentos. (more…)

janeiro 8, 2015

Lembranças do tempo de ginásio – Prof. João Batista Leme, de Rio Claro/SP – por Augusto Jeronimo Martini

Se você tem menos 50 anos certamento não conheceu esse tempo de escola em que se chamava o atual ensino fundamental, de primário e ginásio. Até porque não existe mais a divisão entre o primário e o ginásio. Já o atual ensino médio era chamado de científico e posteriormente ficou conhecido como 2º grau.

Os meus amigos, ex-alunos do Batista Leme devem ter coisas muito vivas na memória, como as provas impressas em mimeógrafo com letras azuis que eram distribuídas ainda com o forte cheiro de álcool e algumas até borradas.

Se como diz aquela letra de música que “recordar é viver”, vamos recordar enquanto ainda temos tempo – pois nós somos jovens de cabelos grisalhos. E quando começamos a recordar a gente nem imagina quanto cabe de saudade no peito da gente – há sempre uma saudade puxando outra. Parece mesmo que as saudades andam de mãos dadas. Ainda bem!

Somos privilegiados por resgatar as memórias do nosso tempo de Batista.

zuza

Profa. Terezinha de Jesus Pimentel Vianna (D. Zuza), ex diretora do Batista Leme. Foto de: Lilia Dietrich Bertini

Ontem estive lembrando de uma das professoras de matemática do Batista, que se chamava D. Cidinha (salvo engano). Todos tínhamos medo de sua rigidez, pois muitos ficavam de recuperação com ela. Mas, nossa grande mestra, com sua competência e rigor nos mostrou em suas aulas o quanto era importante a disciplina para nossas vidas. (more…)

janeiro 5, 2015

Lembranças do meu tempo de ginásio – Prof. João Batista Leme, de Rio Claro/SP – 2

É como relembrar um bom filme. Está tudo bem focado. É só procurar lá dentro da memória que as lembranças ressurgem. Ginásio Estadual Profº João Batista Leme. Com certeza a melhor época da minha vida estudantil. Era o inicio da minha adolescência. Da minha casa, na Rua 10-A, nº 608, na Vila Nova, o trajeto era feito de bicicleta e outras vezes a pé. Não havia a menor preocupação com o perigo. Ao chegar no portão de entrada ia sempre a procura de algum amigo que já devia estar aguardando no pátio a hora de entrar para as aulas. O uniforme era composto de calça, camiseta branca de mangas curtas com o brasão da escola e tênis.

Brasão do Batista Leme

Brasão do Batista Leme

Começo a pensar e as lembranças chegam rapidamente. Estive no Batista Leme tempos atrás, para verificar junto a Cris, secretária da escola, sobre minha contagem de tempo de serviço. Nesse dia, andei por lá. E fiquei emocionado. Olhei a escola… Aqueles corredores… As salas de aulas… e me vieram lembranças, boas lembranças, bons momentos que passamos e que vivemos por lá. As lembranças começaram com aqueles corredores imensos, de granilite, sempre bem limpos, das escadas também de granilite com corrimão que fazíamos de escorregador, e que quando a D. Maria, que era inspetora de alunos percebia nossos escorregões fazia soar seu apito! Em nossa época, na entrada de cada sala de aula e no interior delas tinha um mural. Na minha imaginação eu ainda enxergo o mesmo naquele lugar. (more…)

dezembro 5, 2014

“Memórias da Ditadura” é um portal que resgata histórias da era do regime militar

O lançamento oficial do site aconteceu hoje cedo no Auditório do Ministério da Educação, em Brasília. Participaram do evento a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, o Ministro da Educação, José Henrique Paim, a Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e a Ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros.

As-memórias-da-ditaduraCom objetivo de divulgar a história do Brasil no período do regime militar, em especial ao público jovem, o Instituto Vladimir Herzog por meio do Vlado Educação, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, lançou hoje, dia 05/12, o portal Memórias da Ditadura. A ideia é que a página apresente conteúdos interativos que tenham relação com os dias atuais. (more…)

novembro 25, 2014

A família Martini, de Rio Claro/SP – parte 2

Continuação… (ver a parte 1)

Mas não era só para comer e beber vinho que nossa família se reunia – a gente também tinha que rezar o terço. Quando criança o nosso passeio era ir à missa e não víamos a hora de ter uma quermesse. A gente também gostava de rezar o terço, não por rezar o terço, mas pelas brincadeiras da molecada que havia depois que acabava o amém. E também a baciada de pipocas que minha avó fazia!

No sítio eles faziam procissão para chover. Todo o mundo em procissão para dar banho no São Benedito, porque daí não chovia muito. Lavar o santo no riacho, imagine só? Ao meio dia faziam procissão até uma encruzilhada pra jogar água nela, isso para fazer chover. Será que hoje isso funcionaria?

Meu avô, Primo Martini, com minha avô, Virgínia Calore Martini, em sua primeira foto juntos, na saída da missa, quando começaram a namorar.

Meu avô, Primo Martini, com minha avô, Virgínia Calore Martini, em sua primeira foto juntos, na saída da missa, quando começaram a namorar.

Nós, as crianças, fazíamos isso na inocência, na pureza. Minha mãe era muito devota de Nossa Senhora Aparecida e de São José – sempre rezou muito. Eram essas coisas que faziam parte de nossa “agenda”: “mês tal vai ter terço”. Um dos nossos maiores anseios era saber que ia ter terço. As ruas de Rio Claro eram mal iluminadas, a gente ia a pé para ir rezar. Não queríamos nem saber se estava chovendo, se estava frio. A gente sabia que esse era um modo de conversar com as pessoas. Nem passava pela nossa cabeça o uso telefone. Telefone, TV e geladeira não faziam parte do nosso pobre cotidiano. Então a gente saía e ia fazer visita nas casas. (more…)

A família Martini, de Rio Claro/SP – Parte 1

Como já escrevi por aqui em dois posts, sou bisneto de imigrantes italianos, que vieram para cá no século XIX, por volta de 1870.

Vieram da região de Treviso (Comune de Cornuda), Pádova (Pádua), Castello di Godego, Tirol e outros. Se instalaram primeiro na região de Araras/SP, depois em Cravinhos/SP, depois no Distrito de Ajapi, Rio Claro/SP e finalmente na cidade de Rio Claro/SP.

Meu avô paterno, Primo Martini, Filho de Luigi Martini, conseguiu comprar um sítio, denominado Boa Vista, em Ajapi, onde morava com minha avó, Virgínia Calore Martini e seus filhos – Ernesto, Marino, Antonio, Henrique, Cesar, Pedro Cirilo, Izabel e Eva.

Minha mãe, Maria Angela Gracioli Martini, com Joana Nathalina Gracioli Martini (duas irmãs, casadas com dois irmãos - Antonio Martini e Cesar Martini)

Minha mãe, Maria Angela Gracioli Martini, com Joana Nathalina Gracioli Martini (duas irmãs, casadas com dois irmãos – Antonio Martini e Cesar Martini)

Apesar de ser uma terra dura, com muita piçarra, a cultivavam e dela tiraram o sustento por muitos anos.

Aos poucos os filhos foram se casando e tomando seus próprios rumos. Em meados dos anos 70 meu avô e minha avó, já velhinhos, venderam o sítio e vieram, junto com o meu tio Pedro, morar em Rio Claro, na Vila Nova, em Rio Claro/SP, ao lado da casa de meus pais. E aqui, faço uma confissão: gostaria muito de um dia poder comprar o sítio que foi de meu avô paterno! Ele fez parte de minha infância e da infância de minhas irmãs. Éramos os primos que moravam na cidade, e que passavam finais de semana e férias com os avós e os outros primos, que moravam no sítio. (more…)

abril 27, 2014

Aluguel de quarto (suite) no centro de São Paulo, para a Copa do Mundo!

Muitas pessoas aqui em São Paulo e em outros lugares do Brasil estão alugando as dependências de suas casas ou apartamento durante a Copa do Mundo.

No principais sites imobiliários, cresce o número de anúncios de aluguel para a época dos jogos. Com a esperança de se diferenciar dos concorrentes e, em alguns casos, faturar um dinheiro a mais, muitos proprietários estão anunciando serviços adicionais junto com seus imóveis. Então, resolvi entrar nessa jogada.

Veja o anúncio clicando aqui Tripadvisor

O preço da diária do quarto aqui em meu apartamento será de 87 Euros. Minha intenção é de receber norte americanos e europeus. Como sabem, moro no centro, pertinho da Praça da República. Além do ônibus para o aeroporto internacional estar há menos de 60 metro de onde moro, tenho também, quase na mesma distância, as entradas para as linhas três (vermelha) e quatro (linha amarela) do metrô. Portanto, meu hóspede não dependerá de táxi para chegar ao aeroporto e ao Itaquerão! Quer comodidade maior que essa?

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O quarto é grande – tem 21 metros quadrados. E tem banheiro! É uma suite. Meu hóspede terá internet wifi, cozinha, TV etc. entre outras comodidades. (more…)

outubro 13, 2013

A deliciosa simplicidade da infância narrada por uma de minhas irmãs – Tereza – Introdução

 

Acabo de sentar em frente ao computador e abrir o meu e-mail. Começou a anoitecer, há barulho lá fora na rua, mas, ao abrir uma mensagem encaminhada pela minha sobrinha Tatiana e começar a ler o texto que veio anexo, parece que os grilos cantam lá fora!! Uma de minhas irmãs, a Tereza, ganhou um notebook de presente de aniversário. Nunca tinha acessado tal modernidade. Mas, em apenas pouco mais de 30 dias já está bem adaptada. No texto que recebi ela narra um pouco do que lembra de sua infância. São lembranças gostosas, alegres e tristes. Lembranças gastronômicas que trazem nas memórias o  arroz branquinho e o frango do próprio galinheiro, abatido pelas ágeis e habilidosas mãos da tia Leonor ou de minha avó quando moravam no Sítio Bela Vista em Rio Claro/SP e onde a Tereza passava a maior parte das férias escolares. O arroz e o feijão eram os da lavoura da família, colhidos por eles, deixados secar no quintal e depois debulhado, grão por grão. E, por fim, a grande tigela de salada colhida da horta que ficava ao lado do poço, tudo fresquinho.
 
A claridade meio tímida da lamparina fraca e movida a querosene recebia reforço do fogo da lenha que ainda queimava no fogão à lenha logo ali do lado, na cozinha da tia Leonor, e o seu calor, aconchegante à brisa da noite, quase chegava a ser tão intenso quanto ao das conversas animadas, piadas e gargalhadas e os “causos” sem fim contados pelo meu avô.

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