A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 1, 2015

O Día de los Muertos, no México

No México a morte não é encarada como aqui no Brasil! Lá ela é divertida, engraçada, festiva, onde cada caveira brincalhona tem um significado. Quando tentamos entender a visão deles, passamos a ver a relação com a morte (e a comemoração que fazem) de outra forma.

Se você tem curiosidade de saber como é que essa festa acontece, continue lendo esse post.

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Bem diferente do que nós brasileiros estamos acostumados a ver e fazer no Dia de Finados, no México o Día de los Muertos (Dia dos Mortos) é uma festa, uma das maiores comemorações do país, que começa no dia 31 de Outubro e termina na noite do dia 2 de Novembro, embora possa se esticar até meados do dia 3 e 4. 

Para os mexicanos, a morte é uma parte da vida, e não um momento de tristeza. Eles creem que ao morrermos, as almas vão para um lugar melhor – e por isso, não há motivo para chorar. Só que no Día de los Muertos  eles acreditam que as almas têm permissão para voltar ao mundo dos vivos e reencontrar seus entes queridos. Por isso esse dia é um motivo de festa para quem está vivo – e passar um dia e uma noite celebrando esse reencontro é uma forma de mostrar seu carinho e amor para os que passaram para o outro lado.

São muitos os sentimentos que podem explicar essa data: um deles é que a vida, e a passagem do morto pelo mundo dos vivos foi importante demais, que morreu e continua importante, e que a morte verdadeira só acontece quando ele não for mais lembrado. Por isso eles demonstram que esse amor continua a existir e que deve ser exaltado com alegria.

Segundo a tradição, os mexicanos comemoram a data da seguinte forma:

– No dia 30 de outubro começam os rituais, que incluem acender uma vela preta em seu altar, que simboliza todas as almas;

– Do meio-dia de 31 de outubro ao meio-dia de 01 de novembro: celebra-se a chegada dos “angelitos”, as almas das crianças que se foram cedo. Neste dia, as velas dos altares são brancas;

– Do meio dia de 01 de Novembro ao meio-dia de 02 de novembro: celebra-se a chegada das almas dos jovens e adultos. Nesse dia, as velas acesas são coloridas, buscando assim homenagear os mortos de todas as idades.

Antigamente, nas pequenas cidades do México, as famílias enterravam os mortos debaixo de suas casas. Era uma forma de mostrar que o morto continuava a fazer parte da família, mesmo que sua alma estivesse em um lugar melhor. Assim, no Día de los Muertos, as grandes ceias eram feitas em casa, pois se entendia que a família já estava toda “reunida” e no mesmo lugar. Com o passar dos anos e como não é mais possível enterrar os mortos em casa, as famílias seguem para fazer sua ceia do Día de los Muertos no cemitério com a reunião de toda a família. Estranho, não é? Para nós! Mas, para eles não!

Em alguns lugares, existe um ritual em que a família vai para o cemitério e retira os ossos do morto do túmulo para limpa-los. Para eles, limpar os ossos do morto é a demonstração máxima do amor que ainda sentem. Após a limpeza os ossos são devolvidos ao túmulo.

Você já deve ter visto essa comemoração em algum filme, não é mesmo? O Día de los Muertos  no México lembra o carnaval e ao mesmo tempo o Natal. Uma semana antes eles colhem umas flores chamadas Cempasuchil, que têm a cor laranja bem vivo. Aqui no Brasil eu a conheço com o nome de “Cravo de Defunto”. São as flores tradicionais da festa porque florescem nesta época do ano (também são conhecidas como ”a Flor de 400 pétalas” – já era usada pelos Maias – elas representavam o sol e seus raios de luz, os quais devem iluminar os mortos). Toda a comida da

ceia é preparada com antecedência, embora algumas famílias façam algumas guloseimas “in loco”. Ela é uma festa parecida com o carnaval por conta das fantasias.

Na comemoração, eles levam ao cemitério todas as comidas que o morto gostava em vida. Geralmente, as oferendas servidas são o “Pan de Muerto” (um pão duro, mas gostoso e que, na região de Oaxaca, é típico que tenha a imagem de uma pessoa, homem ou mulher, adornando-o, simbolizando o morto), um chocolate em formato de caveira (chocolates são típicos da região de Oaxaca, já que era bebida tradicional das civilizações astecas), e Mezcal, uma bebida alcoólica mais forte que tequila – e ótima para espantar o frio durante a vigília de noite no cemitério. As caveirinhas feitas de açúcar também são comuns – elas são decoradas com glacê e algumas vezes têm o nome do morto escrito. Há também frutas frescas, água e outros doces.

Os mexicanos fazem isso porque as almas atravessam um longo caminho, vindas do outro mundo, só para visita-los nestes dias. Portanto, todas as comidas são como oferendas para alimentá-las e agradá-las. Também dizem que como as almas vêm de um mundo melhor, toda a comida oferecida deve ser de qualidade, como um agrado.

É possível encontrar em todos os lugares a imagem de uma “mulher caveira”, toda enfeitada, representada em quadros, esculturas, pinturas de rosto e fantasias. Às vezes ela está vestida de noiva, às vezes vestida de nobre da corte. Segundo a tradição, ela se chama Katrina e representa a Morte. Katrina é uma forma de mostrar, com humor, que a morte chega para todas as pessoas: ricas, pobres, apaixonadas, descrentes…

E porque, mais acima, disse que a festa se parece também com o Natal? Por conta da ceia que fazem no túmulo – que é todo decorado, com muitos enfeites, velas acesas, candelabro, luzes, flores, comida, família reunida…

Para nós pode ser bem estranho – visitar cemitério à noite! Mas, o estranhamento passa logo no início se você estiver participando da festa! São muitas velas e em todos os lugares. Todos os túmulos são enfeitados – com comida, adornos, velas, fotos – tudo o que o morto gostava em vida, mostrando com respeito e, muitas vezes de forma bem humorada. É uma festa cheia de amor e muito bonita. E tem até uma disputa para ver quem decora melhor o túmulo familiar.

Não há tristeza. Há música, muita comida, fantasias e risos. Tudo de forma muito respeitosa. As crianças também se envolvem na arrumação dos túmulos. Muitas fantasiadas e sem medo algum.

Pois é! O Día de los Muertos no México não tem nada a ver com o nosso Dia de Finados. Por lá, ele é cheio de vida! Já, aqui…

E para um momento descontração aqui no blog, seguem fotos do meu “sobrinho” Frederico Vieira de Freitas Araujo, fantasiado para a Dia das Bruxas.

FredFred3frederico

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10 Comentários »

  1. muito legal como eles comemoram pois ao inves de eles ficarem lamentando a morte eles comemoram pois sabem que as pessoas falecidas foram para um lugar melhor

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    Comentário por bia silva — outubro 3, 2014 @ 13:42 | Responder

  2. Bom texto, e interessante o modo que eles comemoram, me apaixonei por essa cultura depois do jogo guacamelee

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    Comentário por Jezzon — outubro 11, 2014 @ 21:16 | Responder

  3. u.u muito informativo. Gostei bastante,,,

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    Comentário por sabrina cavalcante — outubro 22, 2014 @ 22:12 | Responder

  4. […] 02 de novembro, Dia de Finados, é o dia do ano em que a morte está mais presente. Eu não gosto de falar sobre a morte. Eu […]

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    Pingback por Temos que viver a vida! | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — novembro 5, 2014 @ 16:23 | Responder

  5. Republicou isso em A Simplicidade das Coisas — Augusto Martinie comentado:

    O dia de Finados, além de um dia de lembranças e saudade, pode ser também um dia de festa. Fantasias, apresentações teatrais, caveiras bem simpáticas e muita alegria.
    O Día de los Muertos (Dia dos Mortos) no México começou antes da chegada dos colonizadores espanhóis. A festa acontece nos dias 01 e 02 de novembro, coincidindo com as celebrações católicas dos dias de Todos os Santos (01) e Finados (02).
    A festividade mexicana é declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Veja na reblogagem do post a seguir.

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    Comentário por Augusto Martini — novembro 1, 2016 @ 15:24 | Responder

  6. Muito interessante a cultura mexicana. Vivendo e aprendendo.

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    Comentário por Nora Pires — novembro 1, 2016 @ 16:12 | Responder

    • Olá. Muito obrigado pela visita. Abraços. Augusto

      Em 1 de novembro de 2016 16:12, A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

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      Comentário por Augusto Martini — novembro 2, 2016 @ 18:25 | Responder


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