A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 30, 2011

Entre direitos e deveres – fiscalizando a cidadania!

Como o prometido no post anterior e continuando a matéria da Revista Sorria – para ser feliz, agora Jéssica Martineli nos fala sobre direitos e deveres e sobre a fiscalização da cidadania. Vale a pena ler e praticar!

Entre direitos e deveres

Assim como nós, o Estado também tem responsabilidades. Delegamos a ele alguns deveres, como a administração das cidades, e compartilhamos sua manutenção e seu desenvolvimento. “Existem políticas sociais que são de responsabilidade do Estado, como educação, saúde e meio ambiente. Mas contribuímos para elas”, diz Lucília de Almeida, professora do departamento de história da Universidade de Brasília (UnB).

Quem faz a cidade somos nós. Qualquer lugar pode ser melhor se todo mundo se importar - e der aquela mãozinha!

 

Essa dificuldade em sabermos onde começam e onde terminam nossos direitos e deveres – e qual nosso papel a cumprir nos lugares públicos – tem justificativas históricas. Desde a proclamação da República, em 1889, o Brasil vem passando por momentos em que a norma era ter o Estado no controle de tudo. Foi assim com a política dos governadores, com o coronelismo e nos períodos autoritários de ditadura. Ao cidadão brasileiro cabia esperar pelo que vinha dos governantes. “Por isso, temos a concepção de que tudo deve ser feito pelo Estado”, comenta Lucília.

Unir-se e conseguir negociar limites e responsabilidades faz parte do aprendizado para viver em espaços comuns. “Para mudar essa cultura é preciso ter uma formação para a política e a cidadania”, completa a professora. Olhar para o espaço de todos e se comportar como se ele fosse só seu faz tanto estrago quanto achar que ele não é de ninguém. E compartilhar responsabilidades significa, às vezes, abrir mão de interesses próprios.

Fiscalizando a cidadania

Na vida de todo dia, isso significa fazer o melhor para o bem comum. Mas Berenice Rabello, de 61 anos, vai além. Ela cumpre seus deveres, exige seus direitos e ainda dá um puxão de orelha em quem não está nem aí para o espaço que é de todos. Berenice anda por São José dos Campos, no interior de São Paulo, com um talão de multa moral e distribui suas folhas quando vê algo errado. “A primeira premiada com a multa foi uma vizinha que ‘varre’ a rua e a calçada com água pela mangueira”, diz a professora aposentada. “Ela não gostou muito, mas leu.” Também já “multou” um carro estacionado em local proibido e está planejando a próxima penalidade. “Tem uma pessoa na minha rua que coloca o som no último volume”, conta.

Berenice conheceu essa ideia navegando pela internet, no site de um coletivo de moradores da Vila Madalena, na capital paulista, que decidiu criar um movimento em defesa do bairro. Foi ali que ela encontrou a Multa Moral, que está disponível para download (baixe o seu talão em: http://verd.in/4z8q) e dá a chance a qualquer pessoa de tornar-se um agente de punição para atitudes incorretas. No papel, fica impresso o recado bem-humorado para o infrator: “Prometa nunca mais fazer travessuras nas ruas de nosso bairro (ou de qualquer outro)”.

Quer um talonário pra você? Acesse o link http://arvoredavila.files.wordpress.com/2010/05/multa-moral.pdf e faça o download - do PDF. Está em preto e branco, basta pedir impressão em papel amarelo claro.

A brincadeira pode até não custar nada ao infrator, mas chama atenção para o problema, e foi por isso que despertou o interesse de Berenice. “Tem pessoas folgadas, que não percebem quando estão fazendo uma bobagem”, diz. “Não se dão conta de que, no futuro, elas mesmas serão prejudicadas, como no caso da água desperdiçada.” Mas, para agir assim, a professora procura antes dar o exemplo. Ela separa o lixo reciclado, usa sacolas plásticas retornáveis e paga seus impostos regularmente. Quando vê alguma coisa errada ao seu redor, não pensa duas vezes e escreve para o vereador do bairro cobrando solução. Com esse espírito de fiscal da cidadania, Berenice dá uma aula de respeito pelo que é comum a todos. “Se o espaço é público e nós o utilizamos, o mínimo que podemos fazer é zelar por ele. Afinal, é o lugar comum a nós todos. É como se fosse a continuidade de nossa casa.”

Berenice nos dá uma verdadeira aula de educação fiscal e cidadania. Ela já começou a mudança no meio em que vive! E você, já começou a sua?

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5 Comentários »

  1. Muito legal essa ideia! Vou divulgar! Abraço. Silvia

    Curtir

    Comentário por Silvia Gouvea — novembro 30, 2011 @ 11:49 | Responder

  2. […] Lilly vai gostar desse post. Calma! Vou explicar. É porque ela, há anos, utiliza uma espécie de Multa Moral , para pessoas que estacionam em lugares proibidos, vagas de deficientes e idosos […]

    Curtir

    Pingback por Buenos Aires – prefeitura usa app para queixa de veículos estacionados ilegalmente | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — março 31, 2015 @ 14:14 | Responder

  3. Em 2011, participamos de um congresso “SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS” e tenho esse impresso aqui, muito bem lembrado, vou fazer uso. abraços
    Adriana

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    Comentário por Adriana Siqueira — abril 1, 2015 @ 7:13 | Responder


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