A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 12, 2017

A teia do tempo

A teia do tempo

Por Augusto Jeronimo Martini

A coragem de sair – buscar novas terra sem mudar o céu,

Bisavós
Viver é preciso, mais que navegar, lançar raizes,

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Para tudo há um tempo, deixar que as sementes caiam na terra,

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Germinem e maturem,

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Para que a colheita se faça bela e generosa,

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Em outra terra, sob o mesmo céu.

 

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agosto 16, 2017

XV de Piracicaba e seu hino caipira

Não sou muito ligado em futebol, mas em Rio Claro, minha cidade natal, gostava muito de assistir ao derby rio-clarense. Era um clássico, com guerra entre as torcidas do Velo Clube Rio-clarense – conhecido como Rubro Verde (meu time de coração por lá!) e o Rio Claro Futebol Clube, conhecido como Galo Azul ou Azulão. Outro jogo bem concorrido era quando um desses dois times jogava com o XV de Piracicaba.

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O XV é um dos clubes mais conhecidos do futebol do interior paulista. Fundado em 1913, e igual aos times da região, nunca foi uma equipe de títulos expressivos. Mas é um time conhecido por sua simpatia entre todos. Porém há sempre quem tente ofuscar o grande “Nhô Quim” (Sinhô Quinze), confundindo os fãs e torcedores com o mesmo nome. (more…)

julho 25, 2017

O abate do porco

O olfato e a memória gustativa é algo fantástico. Nos remetem a lembranças do passado  que ficam guardadas com carinho no cantinho da memória.  Quem não lembra do cheiro da comida da avó, dos pães que a mãe enrolava e assava no forno, do suave aroma que vinha das panelas que ficavam sobre a chapa do fogão a lenha?

Nem precisamos provar novamente a comida. Basta lembrar para entrarmos novamente na cena que esteve tão presente em algum momento da vida. São receitas antigas, como o pão, a macarronada, o bolo de fubá, o bolinho de chuva, a linguiça caseira…

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Imagem: listenandlearn.com.br

Lembro muito bem das brincadeiras de infância no sítio de meu avô e com os amigos de minha rua. Mas também estão muito presentes as situações ligadas à comida. Algumas dessas últimas não tão agradáveis…

Tínhamos um quintal grande na casa popular recém-construída no bairro Vila Nova, em Rio Claro/SP, levantada com o financiamento da Caixa Econômica Federal. Era uma casa simples, de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com cômodos bem pequenos, mas, como dizia meu pai “um dia será nosso”. E, nesse quintal tínhamos nossa horta e um pequeno pomar, quase sempre galinhas e um porco, criado em chiqueiro. (more…)

junho 8, 2017

A aventura da família Grazioli – Parte 1

Estive pensando sobre a vinda de meu bisavô materno para o Brasil.
Giacomo Antonio Grazioli, nascido em Fontaneto D’Agogna, Piemonte, Província de Novara, Itália, em 08/05/1857, era filho de Angelo Grazioli e Maria Travaini. Emigrou para o Brasil em 01/08/1888, logo após o falecimento de sua primeira mulher, Angela Platini, (filha de Giuseppe Maria Travaini e  Vittoria Fioramonti, nascida em Fontaneto d’Agogna, em 06/08/1829) que contava com 59 anos na época de sua morte. Portanto, a menos que a data no documento esteja equivocada, quando se casaram ela era 28 anos mais velha que meu bisavô – bem incomum para a época.
Quando Giacomo Antonio emigrou para cá, veio com 04 filhos:

 

  • Antonia GRAZIOLI, nascida em 08.04.1881
  • Angelo GRAZIOLI, nascido em 29.07.1883
  • Rosa Maria GRAZIOLI Rosa Maria, nascida em 14.11.1885
  • Francesco Alessandro GRAZIOLI, nascido em 11.02.1888
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Casou-se em segundas núpcias com minha bisavó, Angela Pelosi. Eu não tinha a data e tampouco o local do casamento. Mas, ontem, descobri! Casou-se em Araras/SP, no dia 23/02/1889 (o registro do casamento no religioso foi em 02/03/1889), ou seja,  somente 6 meses após sua chegada.
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Gostaria muito de saber como se deu isso tudo!
Ele deve ter vindo para o Brasil como a maioria dos imigrantes – iludido com as propagandas divulgadas lá na Europa. Vendiam sonhos maravilhosos na nova terra. Vide cartaz abaixo.
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Mal sabia que viria para cá para substituir a mão de obra escravagista. E que cairia num conto do vigário – pois, aqui, a vida não era nada fácil.
Penso que o casamento foi arranjado, como eram quase todos  na época. Ele, com 30 anos de idade, já tinha 04 filhos da primeira mulher. E depois, teve mais 06 filhos com a minha bisavó: Luiz, Antonio, Felipe, Angelina, Maria e João, o meu avô.
Parentes ligados a esse ramo da família, faço um desafio para vocês. Vamos falar com os mais velhos e tentar descobrir mais informações? Não tenho nenhum dado sobre o que aconteceu com os irmãos do João Grazioli, por exemplo. Tampouco sobre os pais dele. Se descobrirem algo, postem aqui nos comentários do blog!
Obrigado.

junho 1, 2017

Infância no interior…

Eu cresci, as cidades cresceram, o mundo evoluiu e a tecnologia tomou conta de tudo. Minha infância foi vivida em Rio Claro/SP, o adensamento populacional da cidade e o avanço da urbanização alteraram muito as maneiras como as crianças passaram a se divertir. O desenvolvimento tecnológico e a falta do espaço público para as brincadeiras infantis redefiniu com rapidez as maneiras de a molecada interagir, conversar, pular, dançar, correr e inventar o mundo.

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Algumas brincadeiras do meu tempo de moleque sumiram nos dias atuais. Eu adorava, por exemplo, rodar pneu. Um moleque era colocado dentro de um pneu grande, sem a câmara de ar; outra fazia a roda girar por uma grande extensão. E foi assim que eu tive a primeira e única quebra de osso em minha vida! Trinquei o braço esquerdo. Fiquei 30 dias engessado e tendo que aprender a escrever com a mão direita! A sensação de desconforto causada pela posição do corpo face ao movimento da roda (vez por outra alguém passava mal, vomitava ou se esborrachava) era descontada pela excitação que o movimento arriscado gerava. Rodar pneu era adrenalina pura!

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maio 17, 2017

Minha relação com plantas e bichos

Quem acompanha o A Simplicidade das Coisas já sabe que gosto de escrever sobre minha infância – pobre e digna. Quando minha família saiu do sítio para vir tentar nova vida na cidade, moramos por alguns anos em casas alugadas. Primeiro na Vila Alemã e depois na Vila Martins, ambas em Rio Claro/SP. Nem por isso meu pai deixou de cultivar sua horta e minha mãe deixou de plantar seus jardins. Estes estavam sempre limitados a pedacinhos de terra que ficavam no corredor de entrada dessas casas, entre a parede o muro do vizinho, ou nos fundos. Depois, quando mudamos para a casa própria, na Vila Nova, a qual tinha amplo quintal, meu pai, além da horta, cultivava pés de frutas, criava galinhas e sempre tinha um porco preso num chiqueiro, minha mãe estendeu o domínio das flores e das folhagens por vários locais: não havia espaço vazio que não fosse povoado com rosas, dálias, margaridas, lírios, antúrios, palmas, copos-de-leite, crisântemos, girassóis, gerânios, jasmins. Tudo muito bem cercado para que os cachorros (sempre tivemos dois) não destruíssem as plantas.

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De meus pais não herdei joias, imóveis, dinheiro, mas tudo o mais, inclusive o gosto por bichos e plantas. O quintal de minha casa em Rio Claro é cheio de plantas, as quais atraem muitos pássaros. Tenho também um terreno onde pretendo construir uma chácara e por lá morar, o qual povoei de árvores. Os vizinhos dizem: nós arrancamos “o mato” e você planta. Isso vai virar uma selva! Não questiono. Apenas penso: por que ter uma chácara e nela reproduzir uma “casa de cidade”?

Desde que mudei para o apartamento onde hoje moro, na República, em São Paulo, há 10 anos, cultivo algumas plantas. Não consigo ficar longe do cheiro de mato e terra. Hoje, em número bem pequeno, pois estão construindo um edifício de 25 andares ao lado, o qual tirou muito de minha área de luz. Atualmente elas estão nos beirais das janelas e em alguns vasos que mantenho dentro de casa, entremeando as estantes de livros e outros móveis. A construção do edifício pela Setin causou-me tristeza, pois tive que me desfazer de muitos vasos, os quais sempre evocaram em mim a memória de meus pais e antepassados que sempre lidaram com a terra.

Das memórias que tenho, avós e tias sempre cultivaram suas plantas preferidas. A tia Izabel, irmã de meu pai, adorava suas avencas. Eram lindas e elogiadas por todos. Minha avó Virgínia, tinha um “q” a mais com seus canteiros de margaridas e palmas.

O tempo passa célere e cada vez mais sinto imensa necessidade de arrumar uma maneira de manter plantas, bichos e amigos vivos e próximos… Mas eles teimam em fugir de minhas mãos…

abril 26, 2017

Meu amuleto indígena 

A figura abaixo é de uma ponta de flecha esculpida em rocha. Meu avô, Primo Martini, tinha um sítio em Ajapi, distrito de Rio Claro. Era o sítio Boa Vista. E nele havia (e acho que ainda existe) um sítio arqueológico cuja ocupação do espaço deve ter sido feita pelas populações indígenas da região de Rio Claro. Era uma área que ficava em um declive, que abrigava um resquício de mata virgem. Em um paredão rochoso havia uma espécie de fenda a qual denominamos “caverna do índio”. Eu e meus primos gostávamos de ir até lá para brincar. Como era criança, não lembro com muitos detalhes tudo o que tinha no local. Mas, lembro que nos dependurávamos em cipós, subíamos até essa fenda, entrávamos e pegávamos lascas rochosas. Salvo engano haviam alguns desenhos rupestres. A região é formada por rochas sedimentares e em alguns lugares afloravam “piçarras coloridas”.

Quando eu tinha uns 15 anos (faz tempo! Rs), ganhei essa ponta de flecha de um tio meu, Marino Martini e irmão de meu pai e coletada no local. Sempre gostei de guardar coisas. Tenho uma lata cheia de moedas antigas em minha casa de Rio Claro. E essa lata  foi “a casa” da ponta de flecha até  uns 15 dias atrás, quando ela reapareceu em minha lembrança e fui em busca dela.

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Estava lá, guardadinha! Peguei-a com carinho, como se fosse uma joia. Lembrei do gesto de meu tio quando a recebi de presente e pensei: “se ela reapareceu nesse momento deve ter um sentido”. Trouxe-a para São Paulo. A carregava no bolso das calças. E ontem, indo para o trabalho, passando pela Barão de Itapetininga, vi um artesão, com fisionomia de indígena (ele é boliviano), fazendo cordões com pingentes de rochas. Mostrei a ponta de flecha para ele e perguntei se poderia fazer um cordão sem alterar a originalidade da peça. Ele respondeu positivamente. A deixei com ele e passei pega-lá no final da tarde. E agora a trago dependurada no pescoço.


As populações nativas criaram pontas de flechas e outros projéteis de pedra de sílex e outras rochas, e ainda é comum encontrar esses artefatos nas áreas onde os indígenas viviam e caçavam. (more…)

abril 16, 2017

História de vida – Virgínia Rosin Calore Martini

Virgínia  Rosin Calore Martini – História de vida

  • nascimento: 28 de novembro de 1902
  • Falecimento: 07 de setembro de 1995

Entrevista realizada no ano de 1993

Entrevistador – Augusto Jeronimo Martini

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1) A Sra. tem sete filhos, 25 netos e 22 bisnetos. Gostaria que me contasse onde nasceu. Foi aqui em Rio Claro mesmo?

– Foi lá Eritréia.

2) Onde é este local?

  • Fica prá cá de Ajapí. Não era fazenda. Era sítio. Eritréia era um bairro.

3) A Sra. nasceu na maternidade ou em casa?

  • Nasci em casa. Através de uma parteira.

4) O que a Sra. lembra da infância?

– De lá. Eu lembro a casa onde ficava. O lugar, o que tinha. O café, bananeiras. Meu pai plantava milho, feijão… Éramos em 10 irmãos. Hoje, vivos tem apenas três. Duas mulheres e um homem.

5) E as brincadeiras de infância?

  • A gente não tinha nada para brincar. Andávamos pelas roças, pelo café, pulávamos barrancos. Nossas brincadeiras eram essas…

6) E trabalho? Começou muito cedo? (more…)

abril 13, 2017

Lembranças de infância – a procissão do encontro

Na minha infância, final dos anos 60 e início dos anos 70, as modas e costumes do período da quaresma eram muito diferentes dos dias atuais. A Semana Santa era caracterizada por dias de seriedade, com tardes melancólicas, cinzentas, pesadas. Quase toda Sexta-Feira Santa chovia, havia um respeito e uma tristeza no ar, como se o tempo houvesse parado e todo o sofrimento de Jesus tivesse sido esparramado sobre a humanidade silenciosa. Não tínhamos aparelho de TV em casa, e no rádio só tocava música sacra ou clássica, com algumas transmissões religiosas e esperávamos pacientemente que o Domingo de Páscoa chegasse. Ah sim. Na Semana Santa não podíamos comer carnes ou beber leite e nem comer seus derivados. E minha mãe, na quinta para a sexta-feira, torrava amendoins no fogão a lenha e fazia a paçoca. Muitos homens não faziam a barba durante a quaresma. Os menos radicais não a fazia na Semana Santa.

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Havia comemorações e celebrações religiosas em que toda a comunidade de Nossa Senhora Aparecida, a qual minha família pertencia. Morávamos na Vila Martins, em Rio Claro. Nessas comemorações os jovens e crianças também participavam. Lembro muito bem que a tradição católica da Semana Santa era uma coisa mágica, fantástica, inesquecível. Em Rio Claro presenciei celebrações da Semana Santa que marcaram minha infância. A procissão no Domingo de Ramos, que antecedia o Domingo de Páscoa era linda. E, na quarta-feira tinha a procissão do encontro. A Semana Santa era respeitada com silêncio e oração. (more…)

março 11, 2017

Lembranças, saudades e cheiros de infância…parte 2

Hoje quero recordar as idas e vindas ao sítio de meus avós. Passeios que fazia com meu pai e que aconteciam quase todos em domingos ou feriados.

Íamos de bicicleta. Eram pouco mais de 12 km pela estrada de terra que ligava Rio Claro a Ajapí, distrito rural da cidade. Íamos pela estrada bem devagar, enquanto o cheiro da terra e do mato cortado recentemente, a brisa do vento e o aconchego do sol nos acompanhavam. Eu, na garupa, observava as flores, as árvores. Era uma delícia ouvir o canto dos pássaros e entre o silêncio e o entoar de algumas melodias que meu pai tentava assoviar, a felicidade acompanhava-nos. Não era preciso muito, aliás não era preciso nada, éramos apenas nós os dois e a natureza. E felizes…

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Meu pai, Antonio Martini, com minha avó, Virgínia Calore Martini

Não me recordo das palavras que ele falava no caminho. Meu pai era de pouco falar, e falava baixo. Sei que as palavras existiram mas não as tenho na memória. Das canções que ele tocava na sanfona ou dedilhava ao violão, estas sim, lembro-me de todas, faziam parte da história de vida do meu pai e eu gostava das suas histórias – das músicas e dos causos que ele contava. Havia sintonia, entrega, carinho e cumplicidade. Havia amor, mas um amor sereno e tranquilo que ele não demonstrava. Nada era obrigação. Tal e qual as árvores, o vento, o sol, as flores, a terra, os animais… (more…)

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