A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 15, 2018

15 de outubro é o dia do Professor – conheça como surgiu a data

Meu ingresso na carreira do Magistério foi em Rio Claro/SP. Uma das primeiras  na qual ministrei aulas foi a EE Prof. João Batista Leme.

Tenho lembranças maravilhosas das Escolas por onde passei, mas outras nem tanto.

Início do ano letivo. Primeira aula no segundo ano do ensino médio noturno, na Batista Leme. Meu segundo ano como professor de Geografia.

Entro na sala, alunos em suas carteiras, menos um. Rapaz magro, alto, boné na cabeça, aba baixa, escondendo os olhos, em pé e na frente da sala. Cumprimento a todos, gentilmente peço a ele para que se sente. Ele fica bem próximo a mim, ergue a camiseta e vejo um revólver. A garota da primeira fila alerta-me: professor, melhor não se meter com o Reginaldo!

Repentinamente ele sai da sala. Alguns meses se passam, continua frequentando as aulas, mas sem demonstrar interesse, por mais que eu tentasse ajudá-lo. E assim foi em todas as disciplinas. Tempos depois desaparece da escola.

Era uma quarta-feira. Leio o jornal e lá estava o Reginaldo nas notícias policiais. Com um companheiro cometera um assalto na padaria do bairro. Assustado, disparou um tiro que acertou um dos rins de um dos proprietários. No mesmo dia fiquei sabendo que na hora do assalto estavam na padaria a cuidadora e a filha de uma das professoras da Escola.

Dias depois ele pediu para que uma das irmãs passasse no Batista Leme para pedir que a professora fosse ter com ele na cadeia. Queria se desculpar. Entregou à ela um bilhete destinado a mim, rascunhado em um pedaço de folha de caderno. Nele, escreveu um pedido de desculpas, dizendo que eu sempre o tentei ajudar e que nunca se interessou. Tenho esse bilhete guardado. Poucos meses depois soube que estava livre.

Nunca mais o vi, mas sinceramente espero que esteja bem e feliz.

 

Mulheres não devem ensinar matemática: o que dizia o decreto imperial que inspirou o Dia do Professor

 

Fonte: Folha, 14/10/2018 Edison Veiga

MILÃO

“O 15 de outubro faz alusão à criação das classes de primeiras letras no Brasil”, afirma a historiadora Katia Abud, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Mas as comemorações só tiveram início no século 20.Ficava na rua Augusta, 1520, em São Paulo, o Ginásio Caetano de Campos – apelidado de Caetaninho, já que desde 1894 existia a Escola Caetano de Campos, na época ainda no endereço da Praça da República. Ali, um grupo de professores teve a ideia de interromper o ano letivo com um dia de folga. E uma pequena comemoração, em que houvesse o reconhecimento pelo trabalho realizado. Sugeriram o 15 de outubro, oportunamente equidistante dos períodos de férias escolares e significativamente importante para a educação no Brasil, por causa do decreto imperial de 1827. Aos poucos, a ideia pegou. Outras escolas começaram a fazer o mesmo. Até que, em 14 de outubro de 1963, o então presidente João Goulart assinou o decreto nº 52.682 e criou o feriado escolar do Dia do Professor no Brasil.

Decreto imperial foi uma tentativa de organizar a educação no Brasil, explica o historiador Diego Amaro de AlmeidaDecreto imperial foi uma tentativa de organizar a educação no Brasil, explica o historiador Diego Amaro de Almeida – Divulgação/Secretaria de Educação Santa Catarina

EDUCAÇÃO IMPERIAL

Mas, afinal, o que era essa tal lei de 1827? “A lei foi uma tentativa de organizar a educação no Brasil”, resume o historiador Diego Amaro de Almeida, pesquisador do Centro Salesiano de Pesquisas Regionais. “O imperador acaba propondo um projeto de educação que tinha em sua base a promoção do próprio Brasil. Entretanto, devido ao momento e às condições materiais do país, o cumprimento integral da lei foi algo complicado de ser resolvido.”Em 17 artigos, o imperador Dom Pedro I (1798-1834) mandou “criar escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império”. “Dom Pedro, por graça de Deus, e unânime aclamação dos povos, imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil”, conforme relata o documento, decreto que “em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos haverão as escolas de primeiras letras que forem necessárias”.”Mais do que uma lei relacionada à educação ou ao ensino, foi uma lei que definiu a instrução pública no Brasil”, comenta o pesquisador Vicente Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú. A lei apresentava alguns pontos bastante curiosos. O artigo terceiro, por exemplo, estipulava que os professores deveriam ter salários anuais de 200 mil-réis a 500 mil-réis. “Com atenção às circunstâncias da população e carestia dos lugares”, pontua o decreto. (more…)

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outubro 3, 2018

Como minha mãe dizia: o que é do gosto, regalo da vida!

Hoje, vindo para o trabalho, vi uma cena muito estranha que prefiro não descrever aqui. Mas que fez eu lembrar de um jargão que minha mãe sempre repetia nas mais variadas situações: “O que é do gosto, regalo da vida!”

Minha mãe era uma sagitariana simples, trabalhadora, muito inteligente e sábia! Já naquela época eu andava lado a lado com minha tradicional ansiedade existencial, entrava em discussões desgastantes com meu pai, pois ainda eu não sabia o quão parecido eu era com ele em meu modo de agir. Discussões normais em uma família onde todos têm personalidade forte. Então lá vinha minha mãe com a frase:

– “Dinho, o que é do gosto, é regalo da vida! Não discuta com seu pai!”

Eu levei um certo tempo para concordar com minha mãe. Típico de quem se preocupa com o mundo, eu queria que tudo ficasse bem. O olhar dela, me acompanhou por muito tempo. Acredito que ela via em mim, um taurino turrão, nascido no primeiro dia do signo e com ascendente em leão, algo que ela aprendera a controlar, mas eu não. Sabia como lidar com as pessoas, sabia como agradar. Isso  é natural em pessoas deste signo.

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Hoje tenho este ditado popular como alerta que soa em meus ouvidos, com a voz de minha mãe, em tom sonoro e claro! Sempre que sinto dificuldade em entender um comportamento humano, a escuto. Então, respiro fundo três vezes, e tento silenciar. (more…)

setembro 7, 2018

Os Ipês estão floridos

Estou passando o final de semana prolongado em Rio Claro/SP, minha terra natal e encantado com os ipês floridos. Agora acontecendo as floradas dos amarelos e rosas. Dias atrás eram os roxos e brancos.

Thoureau, que amava muito a natureza, escreveu que se um homem resolver viver nas matas para gozar o mistério da vida selvagem será considerado pessoa estranha ou talvez louca. Se, ao contrário, se puser a cortar as árvores para transformá-las em dinheiro (muito embora vá deixando a desolação por onde passe), será tido como homem trabalhador e responsável. Lembro-me disso todas as manhãs, pois na minha caminhada para o trabalho passo por um ipê rosa florido. A beleza é tão grande que fico ali parado, olhando sua copa contra o céu azul. E imagino que os outros, encerrados em suas pequenas bolhas metálicas rodantes, em busca de um destino, devem imaginar que não funciono bem.

 

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Gosto dos ipês de forma especial. Questão de afinidade. Alegram-se em fazer as coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está prá chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio. (more…)

Jade – Macropotrys Strongylodon

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Macropotrys Strongylodon, vulgarmente conhecida como jade videira, videira esmeralda ou turquesa jade videira, é uma espécie de leguminosa perene liana, nativa das florestas tropicais das Filipinas, que veio morar em nosso quintal de Rio Claro e que todo ano nos brinda com seus cachos, anunciando a proximidade da primavera!

 

agosto 30, 2018

X CONCURSO FOTOGRÁFICO “RIO CLARO REVELA SUA HISTÓRIA” – 2018

 X CONCURSO FOTOGRÁFICO “RIO CLARO REVELA SUA HISTÓRIA” – 2018
 REGULAMENTO
O Concurso Fotográfico “Rio Claro Revela sua História”, regulamentado pela Lei Municipal nº 4648 de 17 de dezembro de 2013, é um projeto do Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro “Oscar de Arruda Penteado”, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, que objetiva reconhecer a importância da fotografia como documento, produzir acervo iconográfico e atualizar o registro da história recente da cidade.
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Tema: “Cartões Postais: um olhar atual sobre Rio Claro”
Cartões postais são um convite à viagem! Constituem “imagem-lembrança”, cuidadosamente escolhida de uma obra ou de uma paisagem, como um emblema afetuoso aos que estão distantes, procurando estabelecer uma comunicação entre ausentes, por meio de imagens – geralmente ruas, monumentos e praças de uma cidade – que expressam vínculos e memórias afetivas. Segundo Schapochnik (1998, p.427), “os cartões postais nos oferecem um ‘mapa com a geografia das nossas lembranças’. O ato de revisitá-los é uma oportunidade para surpreender as centelhas do passado que evocam o cotidiano e emoções”.

agosto 5, 2018

Céu e Inferno

Quanto eu era garoto em Rio Claro/SP, passava muito tempo do lado de fora da casa, parte do tempo olhando para o céu da noite. A luz dos postes era bem fraca. Então, a luz da lua era quase a única a desafiar a luz das estrelas. E elas me davam uma sensação inexpressível de admiração. E minha mãe ensinava: “ali está o Cruzeiro do Sul. Aquelas são as Três Marias”. E, ao mesmo tempo dizia: “não aponte as estrelas com o dedo menino!”. Na crença popular, o apontar estrelas com os dedos acarretaria em “ganhar” verrugas nas mãos.

Quando ia para o sítio de meus avós essa admiração pelo céu noturno era ainda maior. Pois o espetáculo que se apresentava frente aos olhos era magnífico por conta da escuridão da noite!

A minha avó paterna, Virgínia Calore Rosin Martini, me disse que o céu ficava ali, “no céu das estrelas”: o lugar onde Deus mora. O lugar onde pessoas boas vão quando morrem.

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Insira uma legenda

Ela também me avisou sobre um outro lugar – o inferno. O lugar para onde você vai quando é mau. Aos sete anos de idade, essas ideias eram esmagadoras, assustadoras, inspiradoras, eu acho. E acho que muitas pessoas, não importa qual a sua fé, também tiveram que lidar com esses pensamentos e medos. O que é o céu? E o que é o inferno? Como esses lugares que nunca foram vistos mudaram a forma como nós vivemos na Terra?

Muitas fés têm muitas crenças sobre o céu e o inferno. Céu é simplesmente amor. E esse é o poder do céu e do inferno. Como eles nos afetam emocionalmente? Como nos enchem de amor por nossos irmãos e irmãs? E de medo, o que nos afasta do mal? E de esperança por um futuro melhor?

A fé nos leva a fazer mudanças positivas. Não em um outro mundo. Mas bem aqui na Terra!

julho 10, 2018

Escola Municipal Mista Rural do bairro do Antonelli, Ajapi, Rio Claro/SP

Meu avô paterno foi proprietário de um sítio no distrito de Ajapi, Rio Claro/SP, chamado de sítio Boa Vista. Nele, na beira da estrada, havia uma sala de aula onde funcionou uma Escola Rural, local onde as crianças das proximidades estudavam até o 4º ano primário. Em 1956 ela foi transformada na “Escola Mista Municipal do Bairro Antonelli”. As professoras eram Maria Cândida Crespo Nevoeiro Demarchi, carinhosamente chamada por “Dona Candinha” e a Profª Edna.

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Segundo meu primo Geraldo, nas fotos estão a Profª Maria Cândida Crespo Nevoeiro Demarchi e os alunos: Aparecida Lavínia Martini, Nim Santantonio, Domingos Geraldo Martini, Jair Henrique Martini, Ana Maria Brandt, Carlos Brandt, Fátima Stocco, José Aparecido Noventa e Angelo Augusto Noventa.

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Essa escola, foi criada pela Lei Municipal 424/56, conforme segue abaixo:

LEI MUNICIPAL Nº 424, DE 19/06/1956
CRIANDO ESCOLA MUNICIPAL NO BAIRRO ANTONELLI.

Eu, AUGUSTO SCHMIDT FILHO, Prefeito Municipal de Rio Claro, Estado de São Paulo, usando das atribuições que me são conferidas por lei,

Faço saber que a Câmara Municipal de Rio Claro, decreta e eu promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º Fica criada no Bairro do Antonelli, Distrito de Ajapí, neste Município, a partir de 16 de fevereiro de 1954, uma Escola Municipal Mista Rural, que funcionará, em prédio construído pelos Senhores Carlos Antonelli e Vitório Buzo, em sua propriedade agrícola, com a denominação de “ESCOLA MUNICIPAL MISTA RURAL DO BAIRRO DO ANTONELLI”.

Art. 2º Fica extinta a Escola Municipal Mista do Bairro da Eritréia, no Distrito de Ajapí, criada pela Lei 309, de 5 de novembro de 1953, por não preencher as formalidades exigidas pela legislação escolar.

Art. 3º As despesas decorrentes do artigo 1º desta Lei, correrão por conta do Orçamento vigente, suplementadas se necessária.

Art. 4º Esta Lei, entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio Claro, 19 de Junho de 1956.

Augusto Schmidt Filho
Prefeito Municipal

Publicada na Prefeitura Municipal de Rio Claro, na mesma data supra.

Humberto Mônaco
Diretor Administrativo

 

Leia mais sobre as Escolas Rurais de Rio Claro/SP em MEMÓRIAS DE PROFESSORAS DE ESCOLAS RURAIS: (RIO CLARO – SP, 1950 A 1992)

junho 27, 2018

Escuta o cheiro!

“Vozinha Virgínia: em meio a plantas, em meio a flores como se uma delas fosse!”

A senhorinha das fotos é minha avó paterna, Virgínia Rosin Calore Martini, filha de italianos, de Padova, Itália, de quem acabei de lembrar. Quando ela estava na cozinha, com suas panelas no fogão, ou colhendo as flores que cultivava no quintal, e eu chegava por perto dizia: “Gusto, escuta que cheiro!” (em italiano, “Gusto, ascolta l’lodore!”).

Lembro-me, como se fosse hoje, das histórias que ela contava. A maioria delas eram histórias verídicas, fatos que ela havia vivido e que ela contava e recontava diversas vezes, como se fossem inéditas a cada nova conversa. E eu sempre as ouvia com muita atenção e admiração, afinal, ela foi um referencial na vida para mim e para todos os que com ela conviveram. 

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Foi ela, o meu avô e meus pais quem me ensinaram sobre o que é ser íntegro, sempre respeitar os mais velhos e batalhar para ser alguém na vida.

Minha avó sempre usava como exemplo histórias de fracasso – de pessoas muito próximas, amigos ou geralmente membros da nossa família, que ela tentou aconselhar, ajudar e dar um direcionamento, mas que foram teimosos e que em algum momento colheu os frutos ruins de sua teimosia, de não terem-na ouvido.

Eu e muita gente da família a teve como parâmetro nos meus referenciais de retidão. Eu, durante muito tempo, pelo menos desde minha infância até o início da minha adolescência.
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maio 23, 2018

A História da Família Calore – meus bisavós paternos

De todas as pesquisas genealógicas de minha família, hoje eu consegui a informação mais completa de um dos meus antepassados – Cirillo Calore – meu bisavô por parte de avó paterna (Virgínia Calore Martini casada com primo Martini).

Cirilo era filho de Antônio Calore e de Santa Vezu. Nasceu em Padova em 31 de outubro de 1877 (sic), as 9h00. O registro foi feito em 02 de novembro, na presença do oficial do Estado Civil e de duas testemunhas. A família Calore estava estabelecida em Padova, região do Vêneto, com residência na Via Voltabarozzo, número 118, código postal 35127 (local marcado na imagem abaixo).

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Em 25 de novembro de 1894, Cirillo casa-se com Maria Rosin, em Padova,  nascida na mesma cidade. E aqui cabe uma observação: no registro do ato de Matrimônio consta que Cirillo tinha a época 23 anos e Maria 21 anos. Mas se levarmos em conta a data constante no registro do ato de Nascimento, essa idade não bate. Pelo registro de nascimento, em 1894 Cirillo teria 17 anos. Mas, caso tenha se casado com 24 anos, ele teria que ter nascido em 1871 e não em 1877.

Ainda não consegui levantar a data em que chegaram ao Brasil e também não sei quais filhos nasceram na Itália. Esse será meu novo desafio.

Meus bisavós tiveram vários filhos (Genoefa, José, Antonio, Carlos, João, Santa, Joana, Alba e Catarina). Entre eles minha avó paterna – Virgínia Rosin Calore Martini – nascida em 28 de novembro de 1902. Avós paternos Antônio Calore e Santa Vezu. Avós maternos Angelo Rosin e Luiza Noventa.

Cirillo faleceu em 13 de junho de 1946, com 74 anos, às 5h00, no distrito de Corumbataí, bairro Morro Grande, atual Distrito de Ajapi/Rio Claro/SP, por conta de um derrame cerebral.

Virgínia casou-se em Rio Claro no dia 09 de junho de 1923, Com Primo Martini, nascido em 01 de janeiro de 1902. Ele era filho de Luigi Martini e Thereza Sbrissa. Mas essa já é uma história que já contei aqui.

abril 2, 2018

Reciclagem de lixo urbano

Meu pai era grande conhecer de plantas medicinais, árvores e todo tipo de mato. Por ter nascido na roça e vivido nela 20 e poucos anos de sua vida, tornou-se um expert no assunto. Também conseguia fazer a previsão do tempo – olhava para o céu e sabia se faria sol, chuva ou frio. Olhava a movimentação das formigas e dizia que viria chuva forte. Meu gosto por terra e plantas herdei dele.

Sempre teve uma pequena oficina nos fundos de nossa casa. E nela tinha de tudo. Ele era um acumulador no bom sentido. Tudo o que achava na rua, em caçambas e no lixo que jogavam em terrenos baldios e que tivesse alguma utilidade, levava para casa. Nesse rol estavam incluídos pregos, parafusos, e principalmente madeiras, que era sua matéria prima.

Tinha uma carrocinha (fotos nesse post), feita por ele e com ela saía pelo bairro em busca de material. Encostava rente ao meio-fio e colocava dentro dela, do jeito que dava, uma poltrona velha “esquecida” na calçada, uma cadeira quebrada, tábuas de demolição, pedaços de caibro, restos de móveis. O processo não durava mais de três minutos e se repetia com frequência. As vezes demorava mais, pois volta e meia parava para recolher objetos maiores como porta, janela…

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Meu pai, Antonio Martini, era um ecologista nato

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Ele construiu essa carrocinha das fotos e com ela saía pelas ruas de Rio Claro pegando pedaços de madeira que estavam jogados em terrenos e caçambas… que se transformavam em cadeiras, bancos, escadas… As sobras das madeiras alimentavam o fogão a lenha.

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Herdei a carrocinha e pensava em reforma-la para usar em minha chácara, meu sonho de consumo para quando aposentar. Agora nem sei mais se realizarei o sonho de morar em uma chácara! Assim, a dei de presente ao meu primo José Carlos Duarte, que a reformou e a levou para sua Pousada das Seriemas, em Minas Gerais.

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A carrocinha reformada. Fiquei muito emocionado.

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O banco de madeira dessa foto tem nome: Toni, em homenagem ao meu pai. O Zé o confeccionou com o serrote que era dele. “Seu” Antônio deve estar muito feliz vendo que os tesouros dele estão sendo preservados.

Quando chegava em casa matutava o que fazer com a peça. Ficava tentando adivinhar em que aquele lixi iria se transformar. Para ele, lixo era uma economia. Ele não tinha vergonha ou nojo do que fazia – reciclar o lixo urbano.

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