A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 24, 2014

Filme “Álbum de Família” – vai te colocar a beira de um ataque de nervos!

Existem pessoas com sorte nesse mundo. E John Wells é uma delas. Depois de ter realizado o filme “The Company Men” (aqui recebeu o nome de “A Grande Virada”), onde contava no elenco com Tommy Lee Jones, Chris Cooper e Ben Affleck, John Wells fez “August Osage County” (no Brasil, “Álbum de Família”), onde conta com Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Juliette Lewis, Margo Martindale, Dermot Mulroney, Julianne Nicholson, Sam Shepard e Misty Upham – e sem dúvida alguma – todos se sobressaem e com suas interpretações nos dão “um soco no estômago”.

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Para mim já é o melhor filme que vi esse ano. E tenho certeza que irá fazer você reconsiderar se pensa que tem uma família problemática. É lindo, vigoroso, fantástico. E digo mais: é a prova perfeita de que não é preciso abordar grandes questões, genocídios ou intrigas, traições e espionagem para se fazer um grande filme. Basta contar uma história! Nada mais!

Conforme ia absorvendo a montanha de personagens – todas tão fantásticas, todas tão bem caracterizadas – um elenco primoroso! – ia pensando que se houvesse um livro sobre a história seria um best seller. O filme foi baseado em uma peça de Tracy Letts que ganhou o Prêmio Pulitzer.  Cada pessoa da família Weston tem uma personalidade muito forte, muito própria, move-se num ritmo singular e vem acompanhada de algumas ligações muitíssimo bem exploradas.

O filme tem o casal Weston, Violet e Beverly, pais de Barbara, Ivy e Karen. Beverly desaparece de casa, não pela primeira vez, e as filhas vêm ao encontro de Violet para auxiliá-la. Ela própria tem um câncer na boca e é viciada em pílulas para dormir, remédios que causam dependência. Sobre a Meryl Streep, que faz o papel de Violet, darei minha opinião no fim.

O filme mostra uma Julia Roberts mais velha, mas também mais madura, e que dá a vida a Barbara. É a favorita de ambos os pais – e Violet faz disso uma bandeira – mas é também a mais amargurada e a mais difícil das filhas. Despreza a casa de Oklahoma onde os pais vivem, como fica subentendido em algumas de suas falas. Acho que é um papel soberbo interpretado pela atriz certa! Só a Júlia Roberts exibe um misto de força e vulnerabilidade capaz de tornar Barbara num molde da mulher real – forte e fraca ao mesmo tempo. Ela é casada com Bill (Ewan McGreggor) com qual tem uma filha, Jean (Abigail Breslin).

Juliette Lewis interpreta Karen, a irmã mais nova. Também a mais doidinha, embora seja uma romântica bem intencionada e egocêntrica. Chega na casa dos pais trazendo o “noivo” (Dermot Mulroney). Ninguém parece muito convencido da durabilidade da nova relação de Karen, e essa descrença, esse deboche quanto ao modo como conduz a sua vida, contribui para uma das melhores cenas do filme.

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A irmã mais discreta, a do meio, cuja história vai abrindo caminho por entre as participações mais efusivas das irmãs nos assuntos de família, é Ivy (Julianne Nicholson), e vai se revelando como a filha desprezada, sempre criticada pela dureza implacável da mãe, mas também a que sempre permaneceu a seu lado. O fato de estar começando um relacionamento com um homem vai causar dissidências na família e trazer à luz um segredo nunca discutido.

Temos também a tia Mattie Fae (Margo Martindale), como uma irlandesa amargurada que é quase uma bruxa para com o próprio filho, o “pequeno” Charles (Benedict Cumberbatch). É a irmã de Violet e a tia das moças, e está por dentro de todos os assuntos, além de ser a pessoa que mais se aproxima ao carácter ríspido da irmã, que supera a todos. O filho, Charles, muito bem interpretado por Cumberbatch, gagueja, se encolhe, baixa o rosto e arregala os olhos sempre que a mãe lhe faz uma crítica, e recebe com complacência as carícias de apoio do pai (Chris Cooper).

Mas a grande cena do filme é a que reúne a tensão de todos à mesa, para um jantar que se segue após um acontecimento infeliz, e em que Meryl Streep rouba a cena. Que ritmo, que energia, que capacidade de pular da louca viciada em barbitúricos para a mulher inteligente e calculista que não deixa que nada ao seu redor lhe escape. Que vitalidade numa mulher que, apesar de cada vez mais velha, continua com um vulto de carisma e de feminilidade, mais nítida quanto mais alto se ergue a sua voz, quanto mais bruscos são os seus gestos. Que admirável o modo como parece carregar em si todas as desgraças que a vida a fez experimentar, guardando a tradição sem ser retrógada, e sendo, ao mesmo tempo, a pessoa menos convencional da casa. E que par à altura descobre na Julia Roberts, que lhe faz frente quase de igual para igual!

O filme é um tapa na cara, e traz para a luz todos os segredos de uma família. No título original, “August Osage County”um quente agosto – (aqui “Álbum de família”) – é como se o calor intenso que transmite, recorrente em cada cena e que permeia o local, condicionasse o caminho escolhido por todos – , fosse o principal culpado pelos erros da família.

Um ensaio sobre a natureza das relações, sobre a tomada de oportunidades, sobre escolher-se a si ou escolher os outros (tão difícil para mim), sobre desviar-se do caminho, perder-se (a si, ao rumo). O filme foi como um soco no estômago para mim. Nunca havia visto uma família tão brilhantemente retratada, cuja história foi moldada pelos outros, pelas circunstâncias econômicas, pelos desejos, pelas infâncias e pelo calor de Osage County.

Embora seja um  filme com grande carga dramática, transmite-nos uma  história humana, muito real e tem cenas que nos fazem soltar gargalhadas…

Para quem pensa que tem uma família disfuncional, esta história faz-nos acreditar que não somos únicos…

Quem é que uma vez ou outra não teve que sobreviver a reuniões familiares que correram da pior maneira?

Um filme que você não pode perder…

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1 Comentário »

  1. […] Filme “Álbum de Família” – vai te colocar à beira de um ataque de nervos!. […]

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    Pingback por Filme “Álbum de Família” – vai te colocar à beira de um ataque de nervos! | Inesagula's Blog — junho 24, 2014 @ 18:46 | Responder


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