A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 25, 2017

O abate do porco

O olfato e a memória gustativa é algo fantástico. Nos remetem a lembranças do passado  que ficam guardadas com carinho no cantinho da memória.  Quem não lembra do cheiro da comida da avó, dos pães que a mãe enrolava e assava no forno, do suave aroma que vinha das panelas que ficavam sobre a chapa do fogão a lenha?

Nem precisamos provar novamente a comida. Basta lembrar para entrarmos novamente na cena que esteve tão presente em algum momento da vida. São receitas antigas, como o pão, a macarronada, o bolo de fubá, o bolinho de chuva, a linguiça caseira…

porco

Imagem: listenandlearn.com.br

Lembro muito bem das brincadeiras de infância no sítio de meu avô e com os amigos de minha rua. Mas também estão muito presentes as situações ligadas à comida. Algumas dessas últimas não tão agradáveis…

Tínhamos um quintal grande na casa popular recém-construída no bairro Vila Nova, em Rio Claro/SP, levantada com o financiamento da Caixa Econômica Federal. Era uma casa simples, de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com cômodos bem pequenos, mas, como dizia meu pai “um dia será nosso”. E, nesse quintal tínhamos nossa horta e um pequeno pomar, quase sempre galinhas e um porco, criado em chiqueiro. (more…)

Anúncios

julho 10, 2017

Prefeitura reativa “Fonte dos Desejos” da Praça Ramos de Azevedo!

Já tinha escrito aqui no blog sobre os  monumentos e fontes da cidade de São Paulo em estado de abandono.

Sábado, em uma de minhas caminhadas pelo centro, tive uma grata surpresa. A Prefeitura de São Paulo reativou a “Fonte dos Fesejos” situada na Praça Ramos de Azevedo, no centro da cidade, ao lado do Theatro Municipal. De acordo com a Prefeitura Regional da Sé, foram realizadas obras para restabelecer o fornecimento de água e energia elétrica para o monumento. Pensei que morreria sem ver essa fonte novamente em funcionamento!

Este slideshow necessita de JavaScript.

A “Fonte dos Desejos — Glória” faz parte do conjunto escultórico realizado pelo arquiteto italiano Luiz Brizzolara em 1922 e foi inspirada na fonte dos desejos de Roma (Fontana di Trevi). A fonte integra o Monumento a Carlos Gomes, formado por um conjunto de 12 esculturas, representando a música, a poesia e personagens das óperas mais famosas do músico. (more…)

junho 8, 2017

A aventura da família Grazioli – Parte 1

Estive pensando sobre a vinda de meu bisavô materno para o Brasil.
Giacomo Antonio Grazioli, nascido em Fontaneto D’Agogna, Piemonte, Província de Novara, Itália, em 08/05/1857, era filho de Angelo Grazioli e Maria Travaini. Emigrou para o Brasil em 01/08/1888, logo após o falecimento de sua primeira mulher, Angela Platini, (filha de Giuseppe Maria Travaini e  Vittoria Fioramonti, nascida em Fontaneto d’Agogna, em 06/08/1829) que contava com 59 anos na época de sua morte. Portanto, a menos que a data no documento esteja equivocada, quando se casaram ela era 28 anos mais velha que meu bisavô – bem incomum para a época.
Quando Giacomo Antonio emigrou para cá, veio com 04 filhos:

 

  • Antonia GRAZIOLI, nascida em 08.04.1881
  • Angelo GRAZIOLI, nascido em 29.07.1883
  • Rosa Maria GRAZIOLI Rosa Maria, nascida em 14.11.1885
  • Francesco Alessandro GRAZIOLI, nascido em 11.02.1888
 1
Casou-se em segundas núpcias com minha bisavó, Angela Pelosi. Eu não tinha a data e tampouco o local do casamento. Mas, ontem, descobri! Casou-se em Araras/SP, no dia 23/02/1889 (o registro do casamento no religioso foi em 02/03/1889), ou seja,  somente 6 meses após sua chegada.
2.png
Gostaria muito de saber como se deu isso tudo!
Ele deve ter vindo para o Brasil como a maioria dos imigrantes – iludido com as propagandas divulgadas lá na Europa. Vendiam sonhos maravilhosos na nova terra. Vide cartaz abaixo.
propaganda
Mal sabia que viria para cá para substituir a mão de obra escravagista. E que cairia num conto do vigário – pois, aqui, a vida não era nada fácil.
Penso que o casamento foi arranjado, como eram quase todos  na época. Ele, com 30 anos de idade, já tinha 04 filhos da primeira mulher. E depois, teve mais 06 filhos com a minha bisavó: Luiz, Antonio, Felipe, Angelina, Maria e João, o meu avô.
Parentes ligados a esse ramo da família, faço um desafio para vocês. Vamos falar com os mais velhos e tentar descobrir mais informações? Não tenho nenhum dado sobre o que aconteceu com os irmãos do João Grazioli, por exemplo. Tampouco sobre os pais dele. Se descobrirem algo, postem aqui nos comentários do blog!
Obrigado.

maio 17, 2017

Minha relação com plantas e bichos

Quem acompanha o A Simplicidade das Coisas já sabe que gosto de escrever sobre minha infância – pobre e digna. Quando minha família saiu do sítio para vir tentar nova vida na cidade, moramos por alguns anos em casas alugadas. Primeiro na Vila Alemã e depois na Vila Martins, ambas em Rio Claro/SP. Nem por isso meu pai deixou de cultivar sua horta e minha mãe deixou de plantar seus jardins. Estes estavam sempre limitados a pedacinhos de terra que ficavam no corredor de entrada dessas casas, entre a parede o muro do vizinho, ou nos fundos. Depois, quando mudamos para a casa própria, na Vila Nova, a qual tinha amplo quintal, meu pai, além da horta, cultivava pés de frutas, criava galinhas e sempre tinha um porco preso num chiqueiro, minha mãe estendeu o domínio das flores e das folhagens por vários locais: não havia espaço vazio que não fosse povoado com rosas, dálias, margaridas, lírios, antúrios, palmas, copos-de-leite, crisântemos, girassóis, gerânios, jasmins. Tudo muito bem cercado para que os cachorros (sempre tivemos dois) não destruíssem as plantas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

De meus pais não herdei joias, imóveis, dinheiro, mas tudo o mais, inclusive o gosto por bichos e plantas. O quintal de minha casa em Rio Claro é cheio de plantas, as quais atraem muitos pássaros. Tenho também um terreno onde pretendo construir uma chácara e por lá morar, o qual povoei de árvores. Os vizinhos dizem: nós arrancamos “o mato” e você planta. Isso vai virar uma selva! Não questiono. Apenas penso: por que ter uma chácara e nela reproduzir uma “casa de cidade”?

Desde que mudei para o apartamento onde hoje moro, na República, em São Paulo, há 10 anos, cultivo algumas plantas. Não consigo ficar longe do cheiro de mato e terra. Hoje, em número bem pequeno, pois estão construindo um edifício de 25 andares ao lado, o qual tirou muito de minha área de luz. Atualmente elas estão nos beirais das janelas e em alguns vasos que mantenho dentro de casa, entremeando as estantes de livros e outros móveis. A construção do edifício pela Setin causou-me tristeza, pois tive que me desfazer de muitos vasos, os quais sempre evocaram em mim a memória de meus pais e antepassados que sempre lidaram com a terra.

Das memórias que tenho, avós e tias sempre cultivaram suas plantas preferidas. A tia Izabel, irmã de meu pai, adorava suas avencas. Eram lindas e elogiadas por todos. Minha avó Virgínia, tinha um “q” a mais com seus canteiros de margaridas e palmas.

O tempo passa célere e cada vez mais sinto imensa necessidade de arrumar uma maneira de manter plantas, bichos e amigos vivos e próximos… Mas eles teimam em fugir de minhas mãos…

abril 16, 2017

História de vida – Virgínia Rosin Calore Martini

Virgínia  Rosin Calore Martini – História de vida

  • nascimento: 28 de novembro de 1902
  • Falecimento: 07 de setembro de 1995

Entrevista realizada no ano de 1993

Entrevistador – Augusto Jeronimo Martini

Virgínia Calore Martini076

1) A Sra. tem sete filhos, 25 netos e 22 bisnetos. Gostaria que me contasse onde nasceu. Foi aqui em Rio Claro mesmo?

– Foi lá Eritréia.

2) Onde é este local?

  • Fica prá cá de Ajapí. Não era fazenda. Era sítio. Eritréia era um bairro.

3) A Sra. nasceu na maternidade ou em casa?

  • Nasci em casa. Através de uma parteira.

4) O que a Sra. lembra da infância?

– De lá. Eu lembro a casa onde ficava. O lugar, o que tinha. O café, bananeiras. Meu pai plantava milho, feijão… Éramos em 10 irmãos. Hoje, vivos tem apenas três. Duas mulheres e um homem.

5) E as brincadeiras de infância?

  • A gente não tinha nada para brincar. Andávamos pelas roças, pelo café, pulávamos barrancos. Nossas brincadeiras eram essas…

6) E trabalho? Começou muito cedo? (more…)

abril 13, 2017

Lembranças de infância – a procissão do encontro

Na minha infância, final dos anos 60 e início dos anos 70, as modas e costumes do período da quaresma eram muito diferentes dos dias atuais. A Semana Santa era caracterizada por dias de seriedade, com tardes melancólicas, cinzentas, pesadas. Quase toda Sexta-Feira Santa chovia, havia um respeito e uma tristeza no ar, como se o tempo houvesse parado e todo o sofrimento de Jesus tivesse sido esparramado sobre a humanidade silenciosa. Não tínhamos aparelho de TV em casa, e no rádio só tocava música sacra ou clássica, com algumas transmissões religiosas e esperávamos pacientemente que o Domingo de Páscoa chegasse. Ah sim. Na Semana Santa não podíamos comer carnes ou beber leite e nem comer seus derivados. E minha mãe, na quinta para a sexta-feira, torrava amendoins no fogão a lenha e fazia a paçoca. Muitos homens não faziam a barba durante a quaresma. Os menos radicais não a fazia na Semana Santa.

ProcissaoDoSenhorMorto

Havia comemorações e celebrações religiosas em que toda a comunidade de Nossa Senhora Aparecida, a qual minha família pertencia. Morávamos na Vila Martins, em Rio Claro. Nessas comemorações os jovens e crianças também participavam. Lembro muito bem que a tradição católica da Semana Santa era uma coisa mágica, fantástica, inesquecível. Em Rio Claro presenciei celebrações da Semana Santa que marcaram minha infância. A procissão no Domingo de Ramos, que antecedia o Domingo de Páscoa era linda. E, na quarta-feira tinha a procissão do encontro. A Semana Santa era respeitada com silêncio e oração. (more…)

março 10, 2017

Polenta italiana

Cresci em uma família de descendentes de italianos em que a cozinha sempre foi o centro da casa. E a comida sempre foi o ponto central de tudo. Do início das conversas até as trocas de receitas, de tudo. E a polenta sempre esteve presente. Mole ou dura, frita, com molho ou sem molho, feita no forno com queijo, couve picadinha e carne moída, com frango, e também pura. Enfim, polenta é uma daquelas comidas que têm gosto de casa.

Ainda muito velhinha a minha avó fazia questão de preparar sua polenta no fogão a lenha, em tacho de cobre e mexendo com colher de pau. Depois de pronta era despejada sobre a mesa de madeira ou sobre uma pedra de mármore e sempre cortada com barbante. Minha avó dizia ser pecado cortar a polenta com faca. Dizia que preparava a receita que aprendeu com a mãe, que era de Pádua, Itália e que lá era um alimento básico para as famílias mais pobres.

O milho é originário da América Central, mas foi introduzido na Espanha por Cristóvão Colombo e de lá foi levado ao norte da Itália entre os séculos 16 e 17. Na ilha de Torcello, na Laguna de Veneza, e em outras terras venetas (de onde vieram todos os meus antepassados, tanto por parte de mãe como de pai), o grão era cultivado em grandes quantidades, sendo sua farinha, misturada a outros cereais, usada na fabricação de pão e também exportada. (more…)

fevereiro 21, 2017

Dia do Imigrante Italiano – 21 de fevereiro

“A vida é o nosso maior tesouro, mas é passageira. Um dia vem a morte, o único evento comum a todos, que iguala reis e plebeus, burgueses e camponeses, pobres e ricos e todos voltam ao pó do qual somos formados. Das existências vividas restam apenas as obras e as memórias, que serão tesouros efêmeros para os que ficam, que por fim também se vão, e assim também as gerações seguintes… e a névoa do passado acaba por encobrir a história daqueles a quem devemos a nossa existência. Mas, desde o maior conquistador ao mais humilde lavrador, todo ser humano que vive dignamente do seu trabalho e com ele oferece aos seus filhos a oportunidade ímpar de existir, merece o reconhecimento e a admiração das gerações futuras. Estas vidas, com todos os seus sonhos, emoções, alegrias e tristezas, fazem parte da aventura que permitiu estarmos hoje aqui. Se deixarmos que as suas memórias morram, estaremos enterrando uma parte de nós mesmos; uma parte que está nos nossos genes, na nossa aparência, na nossa personalidade.” 
(citação retirada de http://www.ortensi.com/historia/index.php#intro)

genova-em-1900

Porto de Gênova, em 1900

Hoje, 21 de fevereiro, no Brasil é comemorado o Dia do Imigrante Italiano.

Giuseppe Martini, meu tataravô, veio para um mundo desconhecido, com a ilusão de “fazer a América”, de ficar rico, esperando dar aos seus filhos a educação e a esperança que ele não pode ter. Chegou no Porto de Santos em 10 de abril de 1886, no Vapore Perseo. No Brasil, toda sua família teve uma vida de luta e abnegação. Foram exemplos de coragem. Emigrou, enfrentando um grande desafio movido pelo amor à família. Luigi Matini tinha 16 anos quando chegou e por aqui se casou (em Araras/SP). (more…)

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: