A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 2, 2018

Arquivos de Estado na Itália e suas fontes documentais para pesquisa genealógica

As fontes de séries documentais armazenadas nos arquivos estatais da Itália, úteis para pesquisas pessoais e genealógicas podem ser identificadas principalmente em dois tipos:

1. estados civis , que datam do início do século XIX;
2. Documentação militar ( Listas e Matrículas ) mantida desde a primeira metade do século XIX em diante.

O Estado civil napoleônico, da Restauração, italiano

O Stato civile Napoleonico (SCN)  foi introduzido na Itália a partir de 1806, após a anexação de muitas regiões ao Império Francês, e permaneceu em vigor até 1815; A manutenção do estado civil pelos municípios, produziu uma série de registros de nascimento, casamento e morte, cujo duplo original, após vários eventos, de acordo com os lugares e horários, foi mesclado com os Arquivos de Estado das respectivas províncias. Muitas vezes, ao lado dos registros, há inúmeros anexos para registros que contenham informações interessantes que não podem ser encontradas em outros lugares, como paternidade e maternidade, ou consentimento para o casamento das partes contratantes, possibilitando rastrear as gerações anteriores que viveram no segundo semestre ou no final do século XVIII.

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Pesquisa Genealógica italiana – por onde começar?

Por onde começar?

A busca por dados pessoais de uma pessoa deve partir de referências geográficas, tempo e relacionamento parental (pai, cônjuge, filho), avançando para trás. Os dados iniciais constituem a chave para acessar as informações úteis e para delinear os perfis pessoais das fontes documentais.
Tendo que realizar uma pesquisa, é necessário distinguir entre o estado civil e o local de registro. O status civil diz respeito ao registro de nascimentos, óbitos e casamentos, enquanto o local do registro (Anagrafe – do verbo grego para se registrar, registrar) diz respeito aos movimentos da população, residências e mudanças relacionadas, censos, imigrações e emigrações.

Onde estão as fontes?

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Antenati – um portal para você pesquisar seus antepassados

Conforme outros portais nacionais sobre história familiar, promovidos em muitos países, o Portal antenati.san surge da necessidade de organizar e disponibilizar o enorme patrimônio documental dos registros de estado civil existentes nos Arquivos do Estado da Itália onde você pode realizar pesquisas pessoais e genealógicas, destinadas a reconstruir a história das famílias e das pessoas, mas também a história social em um sentido amplo. Graças a um acordo assinado com a FamilySearch International, em 2011 ,por Luciano Scala, Diretor Geral de Arquivos, o objetivo do Portal é publicar progressivamente milhões e milhões de imagens de registros de estado civil (alguns dos quais são convertidos por microfilmes realizados nos Arquivos de Estado da Sociedade Genealógica de Utah desde meados dos anos setenta do século passado, sendo que parte foi recém-adquirida), para que os interessados possam fazer pesquisas na seção Sfoglia i registri (navegue pelos logs) . Cada imagem é acompanhada da respectiva descrição do arquivo do documento que mostra o nome do instituto que preserva a fonte, o fundo, a tipologia do ato (nascimentos, casamentos, óbitos e anexos relacionados), a localização, a data, o número progressivo do registro ou envelope quando existente. (more…)

dezembro 17, 2017

Monumentos da Praça Ramos de Azevedo e Fonte dos Desejos foram restaurados

Depois de quase 100 anos de sua inauguração, o monumento a Carlos Gomes, e toda área de um dos espaços mais belos do centro, a Praça Ramos de Azevedo e Fonte dos Desejos – Glória, foram entregues no sábado.

A Praça Ramos de Azevedo, cartão postal da região central, foi entregue à população  o último sábado, dia 16 de dezembro, depois da revitalização de todos os seus monumentos que fazem homenagem ao compositor de ópera, Carlos Gomes, como também, a famosa “Fonte dos Desejos”.

A nova “Fonte dos Desejos – Glória” (1922): Escultura em bronze, do artista italiano Luigi Brizzolara (1868-1937), que foi inaugurado no ano do centenário da independência do Brasil. Tem destaque um conjunto de três impetuosos cavalos alados que arrastam a Glória do Brasil através dos oceanos. Em 1957, o prefeito Adhemar de Barros recebeu a escritora italiana Mercedes La Valle, que lhe entregou um frasco contendo água da Fontana di Trevi, de Roma. Durante cerimônia no Monumento a Carlos Gomes (localizado acima da fonte), o prefeito despejou a água na fonte, como num ato de batismo, dando-lhe o nome de “Fonte dos Desejos”.

A parceria entre a Prefeitura e empresários ligados à comunidade italiana, pelo Italia Per San Paolo (ITA Brasil), recuperou este importante conjunto de esculturas localizado no Vale do Anhangabaú, uma área total de 4,5 mil metros quadrados que foi completamente restaurada.

Cada monumento recebeu atenção especial durante a limpeza, com produtos específicos para cada material. Para remover as pichações foram usadas várias técnicas que não danificasse o aspecto da escultura, pois tudo foi feito para não tirar a originalidade da obra.

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julho 25, 2017

O abate do porco

O olfato e a memória gustativa é algo fantástico. Nos remetem a lembranças do passado  que ficam guardadas com carinho no cantinho da memória.  Quem não lembra do cheiro da comida da avó, dos pães que a mãe enrolava e assava no forno, do suave aroma que vinha das panelas que ficavam sobre a chapa do fogão a lenha?

Nem precisamos provar novamente a comida. Basta lembrar para entrarmos novamente na cena que esteve tão presente em algum momento da vida. São receitas antigas, como o pão, a macarronada, o bolo de fubá, o bolinho de chuva, a linguiça caseira…

porco

Imagem: listenandlearn.com.br

Lembro muito bem das brincadeiras de infância no sítio de meu avô e com os amigos de minha rua. Mas também estão muito presentes as situações ligadas à comida. Algumas dessas últimas não tão agradáveis…

Tínhamos um quintal grande na casa popular recém-construída no bairro Vila Nova, em Rio Claro/SP, levantada com o financiamento da Caixa Econômica Federal. Era uma casa simples, de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com cômodos bem pequenos, mas, como dizia meu pai “um dia será nosso”. E, nesse quintal tínhamos nossa horta e um pequeno pomar, quase sempre galinhas e um porco, criado em chiqueiro. (more…)

julho 10, 2017

Prefeitura reativa “Fonte dos Desejos” da Praça Ramos de Azevedo!

Já tinha escrito aqui no blog sobre os  monumentos e fontes da cidade de São Paulo em estado de abandono.

Sábado, em uma de minhas caminhadas pelo centro, tive uma grata surpresa. A Prefeitura de São Paulo reativou a “Fonte dos Fesejos” situada na Praça Ramos de Azevedo, no centro da cidade, ao lado do Theatro Municipal. De acordo com a Prefeitura Regional da Sé, foram realizadas obras para restabelecer o fornecimento de água e energia elétrica para o monumento. Pensei que morreria sem ver essa fonte novamente em funcionamento!

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A “Fonte dos Desejos — Glória” faz parte do conjunto escultórico realizado pelo arquiteto italiano Luiz Brizzolara em 1922 e foi inspirada na fonte dos desejos de Roma (Fontana di Trevi). A fonte integra o Monumento a Carlos Gomes, formado por um conjunto de 12 esculturas, representando a música, a poesia e personagens das óperas mais famosas do músico. (more…)

junho 8, 2017

A aventura da família Grazioli – Parte 1

Estive pensando sobre a vinda de meu bisavô materno para o Brasil.
Giacomo Antonio Grazioli, nascido em Fontaneto D’Agogna, Piemonte, Província de Novara, Itália, em 08/05/1857, era filho de Angelo Grazioli e Maria Travaini. Emigrou para o Brasil em 01/08/1888, logo após o falecimento de sua primeira mulher, Angela Platini, (filha de Giuseppe Maria Travaini e  Vittoria Fioramonti, nascida em Fontaneto d’Agogna, em 06/08/1829) que contava com 59 anos na época de sua morte. Portanto, a menos que a data no documento esteja equivocada, quando se casaram ela era 28 anos mais velha que meu bisavô – bem incomum para a época.
Quando Giacomo Antonio emigrou para cá, veio com 04 filhos:

 

  • Antonia GRAZIOLI, nascida em 08.04.1881
  • Angelo GRAZIOLI, nascido em 29.07.1883
  • Rosa Maria GRAZIOLI Rosa Maria, nascida em 14.11.1885
  • Francesco Alessandro GRAZIOLI, nascido em 11.02.1888
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Casou-se em segundas núpcias com minha bisavó, Angela Pelosi. Eu não tinha a data e tampouco o local do casamento. Mas, ontem, descobri! Casou-se em Araras/SP, no dia 23/02/1889 (o registro do casamento no religioso foi em 02/03/1889), ou seja,  somente 6 meses após sua chegada.
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Gostaria muito de saber como se deu isso tudo!
Ele deve ter vindo para o Brasil como a maioria dos imigrantes – iludido com as propagandas divulgadas lá na Europa. Vendiam sonhos maravilhosos na nova terra. Vide cartaz abaixo.
propaganda
Mal sabia que viria para cá para substituir a mão de obra escravagista. E que cairia num conto do vigário – pois, aqui, a vida não era nada fácil.
Penso que o casamento foi arranjado, como eram quase todos  na época. Ele, com 30 anos de idade, já tinha 04 filhos da primeira mulher. E depois, teve mais 06 filhos com a minha bisavó: Luiz, Antonio, Felipe, Angelina, Maria e João, o meu avô.
Parentes ligados a esse ramo da família, faço um desafio para vocês. Vamos falar com os mais velhos e tentar descobrir mais informações? Não tenho nenhum dado sobre o que aconteceu com os irmãos do João Grazioli, por exemplo. Tampouco sobre os pais dele. Se descobrirem algo, postem aqui nos comentários do blog!
Obrigado.

maio 17, 2017

Minha relação com plantas e bichos

Quem acompanha o A Simplicidade das Coisas já sabe que gosto de escrever sobre minha infância – pobre e digna. Quando minha família saiu do sítio para vir tentar nova vida na cidade, moramos por alguns anos em casas alugadas. Primeiro na Vila Alemã e depois na Vila Martins, ambas em Rio Claro/SP. Nem por isso meu pai deixou de cultivar sua horta e minha mãe deixou de plantar seus jardins. Estes estavam sempre limitados a pedacinhos de terra que ficavam no corredor de entrada dessas casas, entre a parede o muro do vizinho, ou nos fundos. Depois, quando mudamos para a casa própria, na Vila Nova, a qual tinha amplo quintal, meu pai, além da horta, cultivava pés de frutas, criava galinhas e sempre tinha um porco preso num chiqueiro, minha mãe estendeu o domínio das flores e das folhagens por vários locais: não havia espaço vazio que não fosse povoado com rosas, dálias, margaridas, lírios, antúrios, palmas, copos-de-leite, crisântemos, girassóis, gerânios, jasmins. Tudo muito bem cercado para que os cachorros (sempre tivemos dois) não destruíssem as plantas.

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De meus pais não herdei joias, imóveis, dinheiro, mas tudo o mais, inclusive o gosto por bichos e plantas. O quintal de minha casa em Rio Claro é cheio de plantas, as quais atraem muitos pássaros. Tenho também um terreno onde pretendo construir uma chácara e por lá morar, o qual povoei de árvores. Os vizinhos dizem: nós arrancamos “o mato” e você planta. Isso vai virar uma selva! Não questiono. Apenas penso: por que ter uma chácara e nela reproduzir uma “casa de cidade”?

Desde que mudei para o apartamento onde hoje moro, na República, em São Paulo, há 10 anos, cultivo algumas plantas. Não consigo ficar longe do cheiro de mato e terra. Hoje, em número bem pequeno, pois estão construindo um edifício de 25 andares ao lado, o qual tirou muito de minha área de luz. Atualmente elas estão nos beirais das janelas e em alguns vasos que mantenho dentro de casa, entremeando as estantes de livros e outros móveis. A construção do edifício pela Setin causou-me tristeza, pois tive que me desfazer de muitos vasos, os quais sempre evocaram em mim a memória de meus pais e antepassados que sempre lidaram com a terra.

Das memórias que tenho, avós e tias sempre cultivaram suas plantas preferidas. A tia Izabel, irmã de meu pai, adorava suas avencas. Eram lindas e elogiadas por todos. Minha avó Virgínia, tinha um “q” a mais com seus canteiros de margaridas e palmas.

O tempo passa célere e cada vez mais sinto imensa necessidade de arrumar uma maneira de manter plantas, bichos e amigos vivos e próximos… Mas eles teimam em fugir de minhas mãos…

abril 16, 2017

História de vida – Virgínia Rosin Calore Martini

Virgínia  Rosin Calore Martini – História de vida

  • nascimento: 28 de novembro de 1902
  • Falecimento: 07 de setembro de 1995

Entrevista realizada no ano de 1993

Entrevistador – Augusto Jeronimo Martini

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1) A Sra. tem sete filhos, 25 netos e 22 bisnetos. Gostaria que me contasse onde nasceu. Foi aqui em Rio Claro mesmo?

– Foi lá Eritréia.

2) Onde é este local?

  • Fica prá cá de Ajapí. Não era fazenda. Era sítio. Eritréia era um bairro.

3) A Sra. nasceu na maternidade ou em casa?

  • Nasci em casa. Através de uma parteira.

4) O que a Sra. lembra da infância?

– De lá. Eu lembro a casa onde ficava. O lugar, o que tinha. O café, bananeiras. Meu pai plantava milho, feijão… Éramos em 10 irmãos. Hoje, vivos tem apenas três. Duas mulheres e um homem.

5) E as brincadeiras de infância?

  • A gente não tinha nada para brincar. Andávamos pelas roças, pelo café, pulávamos barrancos. Nossas brincadeiras eram essas…

6) E trabalho? Começou muito cedo? (more…)

abril 13, 2017

Lembranças de infância – a procissão do encontro

Na minha infância, final dos anos 60 e início dos anos 70, as modas e costumes do período da quaresma eram muito diferentes dos dias atuais. A Semana Santa era caracterizada por dias de seriedade, com tardes melancólicas, cinzentas, pesadas. Quase toda Sexta-Feira Santa chovia, havia um respeito e uma tristeza no ar, como se o tempo houvesse parado e todo o sofrimento de Jesus tivesse sido esparramado sobre a humanidade silenciosa. Não tínhamos aparelho de TV em casa, e no rádio só tocava música sacra ou clássica, com algumas transmissões religiosas e esperávamos pacientemente que o Domingo de Páscoa chegasse. Ah sim. Na Semana Santa não podíamos comer carnes ou beber leite e nem comer seus derivados. E minha mãe, na quinta para a sexta-feira, torrava amendoins no fogão a lenha e fazia a paçoca. Muitos homens não faziam a barba durante a quaresma. Os menos radicais não a fazia na Semana Santa.

ProcissaoDoSenhorMorto

Havia comemorações e celebrações religiosas em que toda a comunidade de Nossa Senhora Aparecida, a qual minha família pertencia. Morávamos na Vila Martins, em Rio Claro. Nessas comemorações os jovens e crianças também participavam. Lembro muito bem que a tradição católica da Semana Santa era uma coisa mágica, fantástica, inesquecível. Em Rio Claro presenciei celebrações da Semana Santa que marcaram minha infância. A procissão no Domingo de Ramos, que antecedia o Domingo de Páscoa era linda. E, na quarta-feira tinha a procissão do encontro. A Semana Santa era respeitada com silêncio e oração. (more…)

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