A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

fevereiro 13, 2017

A Aventura da Família Grazioli

Aqui no Asimplicidadedascoisas já escrevi muito sobre os meus antepassados da Família Martini

Nunca havia escrito sobre a Família Grazioli, que é a italianada por parte de minha mãe. Se não escrevi não foi por falta de tempo, mas sim por falta de informações. Há mais ou menos um mês resolvi começar a pesquisa para completar a minha árvore genealógica. Tinha algumas certidões de óbito, dados anotados de conversas que tive com minha mãe e tios… Quase nada de concreto.
O que sabia de meu avô João Grazioli é que ele casou-se com Thereza Bianchini em 13 de fevereiro de 1926 e que teve os filhos: Delfina, Maria Angela, Joana Nathalina, Ercídio Maurício, Elizeu Jorge e Arthur Guilherme.
Quando minha mãe estava com 16 anos a minha avó faleceu. Moravam na Fazenda Mata Negra, no distrito de Morro Grande, hoje Ajapi, em Rio Claro/SP. Meu avô, com um dos irmãos, tinham terras por lá. Plantavam cana e fabricavam açúcar e cachaça. Minha tia Delfina, então com 18 anos, acabara de se casar com Otávio Fossaluza e mudou-se da fazenda. E assim a minha mãe acabou de criar os outros quatro irmãos.

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João Vicari, com João Grazioli
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João Grazioli

Meu avô acabou perdendo a parte na fazenda por um ato nada lícito que não vou relatar aqui por não saber se realmente aconteceu. Sei que ele e os filhos mudaram-se para a cidade – Rio Claro/SP – onde abriu uma mercearia. Também perdeu esse comércio. Salvo engano a mercearia ficava na Avenida 32-A esquina com a Rua 4-a, na Vila Alemã.
O que sei de meu avô João? Pouca coisa. Depois de perder tudo em Rio Claro foi morar com minha tia Joana na Fazenda Jussara, em Ajapi. Teve um derrame, ficou com os movimentos comprometidos e veio morar conosco em Rio Claro, na Vila Nova. A casa era pequena. Tinha dois quartos. Em um ficava minha mãe e meu pai. No outro, eu, minhas duas irmãs e a Cida, uma prima,  que veio morar conosco para estudar e trabalhar, pois, no sítio em que morava, em Ajapi, só poderia cursar até a 3ª série. A cama de meu avô foi montada na sala. E ali ele ficou até falecer, em 08 de agosto de 1971. Eu tinha doze anos. O corpo foi velado na sala (não haviam velórios em Rio Claro naquela época). Lembro que fiquei traumatizado com isso. Durante o velório não queria sair do quarto. E quando saí foi pulando pela janela, para não passar na sala para não ver o caixão.
Outra curiosidade – João Grazioli era um pé de valsa. Adorava dançar. Minha mãe dizia que sofria muito aos finais de semana quando precisava passar um terno de linho branco que ele tinha. O ferro de passar era a carvão e volta e meia caíam cinzas sobre a roupa. E ela dizia que havia perdido as contas de quantas vezes ele foi convidado a ser padrinho de casamento por conta de seus dotes de dançarino.
João também adorava uma cachaça. Tomou vários porres, dizem que por desgosto por ter ficado viúvo muito cedo e por ter perdido tudo o que tinha na vida.
Há umas três semanas tive a confirmação que o meu bisavô, por parte de mãe, Giacomo Antonio Grazioli, era oriundo da comune de Fontaneto D’Agogna, região norte da Itália. E acionei quem? O Santo Google, para ver como era a cidade. Hoje Fontaneto d’Agogna, que fica na região do Piemonte, província de Novara, tem cerca de 2.549 habitantes. Estende-se por uma área de 21 km², tendo uma densidade populacional de 121 hab/km². Então, imaginem quantos habitantes teria na época do Giacomo!
Achei o site e escrevi para lá arriscando a data aproximada em que ele teria vindo ao Brasil. E a estória começou a ficar interessante!
No dia 29 de outubro recebi uma mensagem da L’Ufficiale di Stato Civile e Anagrafe – Giampaola Nobile, a qual encaminhou a composição da família de meu bisavô como segue abaixo:

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janeiro 30, 2017

Cidadania italiana

Seria impossível descrever o quanto estou feliz por concluir mais essa etapa da minha vida. O tão sonhado reconhecimento da minha cidadania italiana chegou hoje, pelos correios. Para uns, o processo é bem tranquilo. Para mim, de tranquilo não teve nada.

Leia mais sobre a minha saga em relação a cidadania clicando aqui

Em meados de 1985 decidi ir atrás da minha cidadania italiana pois sabia que meu bisavô era italiano. Aliás, todos os meus antepassados vieram de lá. Falei com meus pais, tios, enfim – todos os mais antigos da família e também os amigos deles para saber de onde o nono Martini era. Todos diziam que era de Treviso, no Vêneto. Mas e o Comune? Nada!

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Escrevi muitas cartas para diversas comunes, Gastei muita grana com certidões que venciam ano a ano. Achei o desembarque no Porto de Santos – chegaram em 10 de abril de 1886. E posteriormente descobri que ele não se naturalizou. Ufa!

Passaram-se anos até descobrir que ele veio de Cornuda, uma cidadezinha perto de Treviso.

Nesse meio tempo tive que retificar o meu nome e todos os documentos. Assinava Martin por um erro de registro. Quando meus pais se casaram houve um erro no cartório. E quando eu e minhas irmãs nascemos o erro persistiu. Retifiquei para Martini. (more…)

julho 16, 2015

Cidadania Italiana – um longo caminho a percorrer!

E tudo começou com Luigi Martini, quando emigrou para o Brasil, em abril de 1886. Chegou com seus pais e irmãos e contava com 16 anos. Um século e 3 anos mais tarde (em 1989) comecei minha saga para saber em que Comune nasceu, pois somente tinha a informação que era da região de Treviso, norte da Itália. Nenhum documento documento italiano havia sido preservado pela família. Nada. Apenas informações desencontradas dos parentes mais velhos. Muitas cartas foram enviadas para Paróquias e Arquivos da região de Treviso. Muito dinheiro foi gasto com idas e vindas em busca das certidões aqui no Brasil.

luigi martini

Cirillo Calore

Somente em 2002 consegui localizar sua origem: Cornuda, cidadezinha pequena (é uma comuna italiana da região do Vêneto, província de Treviso, com cerca de 5.732 habitantes. Estende-se por uma área de 12 km², tendo uma densidade populacional de 478 hab/km².). Mas, os registros documentais da localidade foram destruídos e queimados durante bombardeios da primeira guerra mundial.

Luigi Martini

Luigi Martini

 

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novembro 25, 2014

A família Martini, de Rio Claro/SP – parte 2

Continuação… (ver a parte 1)

Mas não era só para comer e beber vinho que nossa família se reunia – a gente também tinha que rezar o terço. Quando criança o nosso passeio era ir à missa e não víamos a hora de ter uma quermesse. A gente também gostava de rezar o terço, não por rezar o terço, mas pelas brincadeiras da molecada que havia depois que acabava o amém. E também a baciada de pipocas que minha avó fazia!

No sítio eles faziam procissão para chover. Todo o mundo em procissão para dar banho no São Benedito, porque daí não chovia muito. Lavar o santo no riacho, imagine só? Ao meio dia faziam procissão até uma encruzilhada pra jogar água nela, isso para fazer chover. Será que hoje isso funcionaria?

Meu avô, Primo Martini, com minha avô, Virgínia Calore Martini, em sua primeira foto juntos, na saída da missa, quando começaram a namorar.

Meu avô, Primo Martini, com minha avô, Virgínia Calore Martini, em sua primeira foto juntos, na saída da missa, quando começaram a namorar.

Nós, as crianças, fazíamos isso na inocência, na pureza. Minha mãe era muito devota de Nossa Senhora Aparecida e de São José – sempre rezou muito. Eram essas coisas que faziam parte de nossa “agenda”: “mês tal vai ter terço”. Um dos nossos maiores anseios era saber que ia ter terço. As ruas de Rio Claro eram mal iluminadas, a gente ia a pé para ir rezar. Não queríamos nem saber se estava chovendo, se estava frio. A gente sabia que esse era um modo de conversar com as pessoas. Nem passava pela nossa cabeça o uso telefone. Telefone, TV e geladeira não faziam parte do nosso pobre cotidiano. Então a gente saía e ia fazer visita nas casas. (more…)

A família Martini, de Rio Claro/SP – Parte 1

Como já escrevi por aqui em dois posts, sou bisneto de imigrantes italianos, que vieram para cá no século XIX, por volta de 1870.

Vieram da região de Treviso (Comune de Cornuda), Pádova (Pádua), Castello di Godego, Tirol e outros. Se instalaram primeiro na região de Araras/SP, depois em Cravinhos/SP, depois no Distrito de Ajapi, Rio Claro/SP e finalmente na cidade de Rio Claro/SP.

Meu avô paterno, Primo Martini, Filho de Luigi Martini, conseguiu comprar um sítio, denominado Boa Vista, em Ajapi, onde morava com minha avó, Virgínia Calore Martini e seus filhos – Ernesto, Marino, Antonio, Henrique, Cesar, Pedro Cirilo, Izabel e Eva.

Minha mãe, Maria Angela Gracioli Martini, com Joana Nathalina Gracioli Martini (duas irmãs, casadas com dois irmãos - Antonio Martini e Cesar Martini)

Minha mãe, Maria Angela Gracioli Martini, com Joana Nathalina Gracioli Martini (duas irmãs, casadas com dois irmãos – Antonio Martini e Cesar Martini)

Apesar de ser uma terra dura, com muita piçarra, a cultivavam e dela tiraram o sustento por muitos anos.

Aos poucos os filhos foram se casando e tomando seus próprios rumos. Em meados dos anos 70 meu avô e minha avó, já velhinhos, venderam o sítio e vieram, junto com o meu tio Pedro, morar na Vila Nova, em Rio Claro/SP, ao lado da casa de meus pais. E aqui, faço uma confissão: gostaria muito de um dia poder comprar o sítio que foi de meu avô paterno! Ele fez parte de minha infância e da infância de minhas irmãs. Éramos os primos que moravam na cidade, e que passavam finais de semana e férias com os avós e os outros primos, que moravam no sítio. (more…)

setembro 10, 2014

MI – Museu da Imigração participa da 8ª Primavera dos Museus

Quem leu o post que fiz sobre a reinauguração do Museu da Imigração (antiga Hospedaria do Brás), soube que suas instalações passaram por transformações. Reaberto em maio passado e após quatro anos de restauro, a instituição traz também um novo olhar sobre a imigração no Brasil. Com acervo mais variado, que reúne registros da chegada de europeus e asiáticos, ocorrida nos séculos XIX e XX, à recente chegada de bolivianos e haitianos, entre outros povos, o fenômeno do deslocamento humano é apresentado para além de seu caráter histórico.

Primavera_dos_Museus

E, no próximo dia 23 de setembro, o Museu da Imigração, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, inicia a programação da 8ª Primavera dos Museus, que esse ano aborda o tema “Museus Criativos”.

A 8ª Primavera dos Museus é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e este ano acontecerá entre os dias 22 e 28 de setembro, envolvendo diversas instituições museológicas do país. A programação no Museu da Imigração de São Paulo, que irá até o dia 27, contará com três atividades especiais que fomentam a ideia de museus participativos: oficina de narração e escrita de memórias de vida, atividade educativa Caixa de Construção e a oficina e mostra “Traços e visões sobre o Museu”. (more…)

maio 28, 2014

Museu da Imigração do Estado de São Paulo

Acabo de ler uma notícia a qual me deixou muito feliz – no próximo sábado será reaberto o Museu da Imigração do Estado de São Paulo (antiga Hospedaria de Imigrantes e Centro Histórico do Imigrante).

Os registros da passagem de meus ancestrais, imigrantes italianos, tanto do lado de pai quando do lado de mãe – pobres e humildes, embora extremamente corajosos – está registrada lá. Em meados dos anos 1800 e início do século 20, milhões de imigrantes italianos chegaram ao porto de Santos para trabalhar nas plantações de café.  Era um período em que a Itália inteira enfrentava um grande período de crises quando o triste episódio da emigração se iniciou.

Detalhe da fachada do Museu da Imigração do Estado de São Paulo

Detalhe da fachada do Museu da Imigração do Estado de São Paulo

Não os conheci em vida. Mas tenho comigo o relógio de bolso que Luigi Martini, meu bisavô, trouxe da Itália e a sua Bíblia. Esse Roskopf Patente não foi, com certeza, o único bem que herdei deles. Há outros mais preciosos que carrego comigo e que nunca serão roubados. Entre eles está esse amor incontido que devoto aos humildes e puros de coração. (more…)

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