A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 21, 2020

A revolução da horta caseira

Enquanto os alimentos orgânicos não chegam à mesa de todos uma alternativa é plantá-los em casa.
Até 50 anos atrás, muita gente tinha a sua horta no quintal e a verdura para a salada ou o legume para sopa estavam sempre fresquinhos. Quando eu era uma criança, em Rio Claro/SP, tínhamos a nossa própria horta. Mas as cidades cresceram e a revolução que aumentou a produção no campo se estabeleceu, consequentemente caiu a qualidade dos alimentos.
Para nossa felicidade a internet está cheia de ideias, cursos, e inspirações para nos ajudar a começar a cultivar nossos alimentos e transformar o o meio em que vivemos.
Com apenas quinze minutos é possível assistir ao documentário “A revolução da horta caseira” e mudar totalmente de posição frente ao sentimento de impotência que sentimos com relação à sociedade violenta atual. Em “A Revolução da Horta Caseira” a família Dervaes mostra como conseguiu revolucionar sua comunidade com um simples ato: plantar sua própria comida. E ela não fez isso em algum sítio em um interior distante, mas no meio da cidade de Pasadena, Califórnia, em uma pequena casa, contendo um quintal de concreto.


No início, uma típica casa norte-americana oferecia um jardim com grama e blocos de cimento pelo chão, mas a família resolveu reformar com as próprias mãos o local, retirar a grama e plantar alimentos. Aproveitando cada espaço, eles construíram até mesmo hortas verticais e a produção de vegetais foi tamanha que a família hoje vende o excedente para restaurantes orgânicos, como forma de obter alguns poucos alimentos que não produz como arroz, trigo, aveia, açúcar e óleo. Além disso, a família Dervaes foi além: como viver em uma sociedade que abusa da natureza e destrói tudo que toca? Bem, eles resolveram colocar a mão na massa e produzir a própria energia elétrica a partir de óleo de cozinha usado pelos restaurantes orgânicos próximos de sua comunidade. Com o biodiesel à postos, eles ainda criaram um chuveiro solar com água filtrada por plantas, um forno solar, que utiliza da energia do sol para cozinhar e outro forno de barro. Por fim, eles ainda se beneficiam de painéis solares.
Atualmente, a comunidade toda se voltou para o belo jardim horta dos Dervaes e iniciativas de educação ambiental e feiras ecológicas são organizadas pela comunidade urbana para dispersar estes ideais para outros bairros e entre as crianças. De fato, esta iniciativa que dura mais de dez anos proveio apenas do ato desta família de resolver mudar a si mesmos.
É fato que parece impossível conseguir frear os impulsos de grandes poderosos com apenas algumas mãos, mas este incrível documentário mostra que a mudança é viável e nossa maior arma é a potencialidade de dizer basta e mudar de rumos. Como diz o pai Dervaes, o maior ato de revolução começa na horta. Mão à obra então!

Fonte: https://jardimdomundo.com/

julho 25, 2016

Lembranças de infância

Quem passa aqui pelo A Simplicidade das Coisas sabe que gosto de escrever sobre minha infância. Perto da infância que meus sobrinhos tiveram, a minha aconteceu sem grandes diversões, mas hoje vejo que tudo teve muito valor.

Nasci em uma casa de colônia na Haras e Fazenda São José do Morro Grande, no Distrito de Ajapí, que pertence à Rio Claro/SP, onde meu avô era o administrador, meu pai o tratorista, minha mãe cozinheira e meus tios colonos. Tínhamos apenas um rádio. Nada de TV ou das modernidades que temos hoje. As casas não tinham muros – nem na colônia e nem na casa que fomos morar na Vila Alemã, depois que meus pais vieram morar na cidade. Podíamos conversar com os vizinhos, plantávamos as coisas no quintal, criávamos porcos e frangos e tínhamos uma horta. Nossa comida era natural, sem agrotóxicos, tirada ali, do nosso próprio quintal…O único problema era saber que a linguiça era tirada daquele porco do quintal o qual ajudei a criar. E que tantas vezes vi meu pai sacrificar bem ali, na minha frente. Idem para as galinhas e frangos…E isso me ensinou a dar valor da vida! E também foi isso que me fez ter optado por ser ovolactovegetariano por muitos anos!

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Lembro que em muitas tardes tinha a missão de molhar a horta, e que no meio dos canteiros de verduras e árvores frutíferas tinha os canteiros de flores de minha mãe e avó. Eu ficava lá com a mangueira, borrifando a água e pensando nas coisas que iria fazer…Nos gibis que lia. Sim, eu lia muito. Era minha distração. Li também todos os livros do Monteiro Lobato e do Júlio Verne. Hoje existem outras distrações, lê-se pouco e escreve-se mal. (more…)

fevereiro 11, 2016

Gabiroba, um dos sabores de minha infância

Penas do Tié

Vocês já viram lá na mata a cantoria

Da passarada quando vai anoitecer

E já ouviram o canto triste da araponga

Anunciando que na terra vai chover

Já experimentaram guabiroba bem madura

Já viram as tardes quando vai anoitecer

E já sentiram das planícies orvalhadas

O cheiro doce da frutinha muçambê

Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo

E tem na boca a cor das penas do tié

Quando ele canta os passarinhos ficam mudos

Sabe quem é o meu amor, ele é você…

Quem viveu no interior do sudeste e percorreu as matas do cerrado ou campos sujos conhecerá o sabor da Gabiroba.  Ela é uma frutinha miúda, tão doce e de sabor tão singular que quem experimenta jamais esquece. Eu tive o primeiro contato com ela quando morava em Rio Claro/SP, nos anos 60 e 70, período de minha infância.

Sempre morei em casas simples, com fogão à lenha, minha mãe fazendo pães, comidas simples e deliciosas, bolos de fubá, flor de abóbora frita ou sopa de Cambuquira. O dinheiro era curto e ela tinha que improvisar. Em muitos finais de semana eu e minhas irmãs, juntamente com meus pais, íamos para o sítio de meus avós. Isso quando tínhamos dinheiro para a passagem. Muitas vezes íamos somente eu e meu pai, de bicicleta. A distância era de aproximadamente uns 20 km em estrada de terra. Ele pedalava metade do caminho e parávamos para descansar. Depois seguíamos o outro tanto.

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Minha avó morava no sítio Boa Vista que ficava distante 4 km além de Ajapí (ou Morro Grande), distrito rural de Rio Claro. E junto com ela e meu avô moravam o meu tio Pedro Cirilo, na época ele ainda era solteiro, minha tia Leonor, casada com Henrique Martini e os meus primos Cida, Jair e Dulce. No sítio tinha fogão à lenha, forno de barro no “terreiro” (quintal), galinheiro, viveiro de patos e galinhas e uma horta com as verduras e legumes tradicionais (alface, almeirão, chicória, abobrinha, pepino…) mas também tinha a serralha, ora-pro-nobis, taioba, azedinha, peixinho da horta e mais uma infinidade de mato bom pra comer, que era como eles chamavam as plantas que cresciam sozinhas, mas que não seriam desprezadas no preparo do almoço ou jantar. (more…)

setembro 28, 2014

Você já saboreou uma fruta no pé?

No quintal das casas de minha infância tinha Camomila, Poejo, Hortelã, Erva Cidreira, Margaridas, Rosa e Alecrim, entre outras coisas. Gosto de lembrar da infância, quando tinha pés de frutas e horta  no quintal.

E sabem por que estou escrevendo isso? Sempre acontece todas as vezes que escrevo ou converso com alguém sobre frutas. Uvaia, pitanga, goiaba, jaboticaba, abacate, manga, laranja e muitas outras frutas remetem as pessoas à infância, quando subiam em árvores e comiam frutas no pé, sem lavar mesmo. Você é uma dessas pessoas que foi “solta”?  Eu sou, fui e sempre serei!

"Sossega, minha esperança factícia! Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui… Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer! Meu horizonte de quintal e praia! Meu fim antes do princípio!" Fernando Pessoa

“Sossega, minha esperança factícia!
Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui…
Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer!
Meu horizonte de quintal e praia!
Meu fim antes do princípio!” Fernando Pessoa

E é impossível não pensar naqueles que estão crescendo sem essas experiências tão gostosas, ou naqueles que formam os muitos adultos de hoje que beiram os 50 anos. (more…)

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