A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 1, 2017

Infância no interior…

Eu cresci, as cidades cresceram, o mundo evoluiu e a tecnologia tomou conta de tudo. Minha infância foi vivida em Rio Claro/SP, o adensamento populacional da cidade e o avanço da urbanização alteraram muito as maneiras como as crianças passaram a se divertir. O desenvolvimento tecnológico e a falta do espaço público para as brincadeiras infantis redefiniu com rapidez as maneiras de a molecada interagir, conversar, pular, dançar, correr e inventar o mundo.

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Algumas brincadeiras do meu tempo de moleque sumiram nos dias atuais. Eu adorava, por exemplo, rodar pneu. Um moleque era colocado dentro de um pneu grande, sem a câmara de ar; outra fazia a roda girar por uma grande extensão. E foi assim que eu tive a primeira e única quebra de osso em minha vida! Trinquei o braço esquerdo. Fiquei 30 dias engessado e tendo que aprender a escrever com a mão direita! A sensação de desconforto causada pela posição do corpo face ao movimento da roda (vez por outra alguém passava mal, vomitava ou se esborrachava) era descontada pela excitação que o movimento arriscado gerava. Rodar pneu era adrenalina pura!

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março 31, 2016

Curiosidades do tempo de infância

Quando criança, o dia parecia interminável. Mesmo cheio de tarefas escolares, tinha o tempo para as brincadeiras, como o correr pelas ruas, soltar pipas, jogar bolinhas de gude, rodar pneus… as horas pareciam dar cria.

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Icá ou Tanajura

Na maioria das vezes andava com um saquinho dependurado no ombro, cheio de mamonas verdes e roxas e no bolso um estilingue. Moleques são bichos doidos e sem medida, cheios de traquinices. Mas isso faz parte da própria natureza desse ser, pois quando crianças somos envolvidos em um mundo mágico e fantasioso. Criamos coisas e causos e acreditamos em tudo que a mente pode alcançar, inclusive em coisas malucas, que depois, na fase adulta se tornam ações totalmente sem fundamento. Bolinhas de gude translúcidas eram como que mágicas. Quem as tinha quase sempre ganhava o jogo. Com a ponta do dedo indicador apontado para uma abelha conseguia-se domá-la e fazer com que voasse na direção apontada. Era como que um feitiço. Coisas bestas e sem sentido.  Catávamos Içás (formigas tanajuras, saúvas), retirávamos a bunda, torrávamos com óleo e sal e comíamos. Aquele que comesse mais se tornava forte e poderoso. Mas hoje sei que essas crendices só serviam para alimentar as lombrigas que moravam na minha barriga de menino. (more…)

setembro 15, 2014

Lembranças de infância – as pipas, papagaios, maranhões e arraias…

Meu sonho me fez lembrar da época em que brincávamos na rua sem perigo algum, de empinar pipa, bolinha-de-gude, rodar pião, amarelinha, carrinho de rolemã, pique esconde, pera, uva, maça, salada mista, sem violência, sem drogas, sem malícia, sem gravidez precoce, aids, etc., ou seja, um tempo que infelizmente não volta mais…

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Hoje acordei com uma sensação muito boa. Meu sono foi interrompido enquanto sonhava que empinava um papagaio. Ele era colorido, com “barbichas” que lembravam as cores do arco-íris. Até hoje, já com 55 anos, continuo apaixonado por pipas. De vez em quando me dá vontade, compro papel de seda, vou até minha chácara, corto um bambu, faço varetas e, usando os sobrinhos como desculpa, passo a fazer uma pipa. Hoje em dia os papagaios saem melhores dos que fazia quando criança, época um tanto sem jeito. Mas confesso – mesmo assim eu era bom nisso…

Na minha infância, papagaio era o nome dado para todo e qualquer artefato que voasse. Pipa era o nome específico para o papagaio feito com três varetas, que normalmente era utilizado para laçar, caçar e cortar outras pipas. Esse papagaio possuía um rabo ao qual era dado o nome de rabiola – esse rabo era muito longo, difícil e chato de fazer. As vezes com papel de seda, mas, na maioria das vezes era confeccionado com saco plástico, desse de acondicionar lixo. Ainda não tínhamos as sacolinhas de supermercado. E como ficava linda no ar uma pipa com uma rabiola bem feita! (more…)

agosto 27, 2014

Pensando nos tempos de infância…

Levante a mão quem nunca desejou voltar aos tempos de infância em que a nossa única preocupação era o brincar e o brincar de que. Sempre me senti privilegiado por passar férias férias com as minhas irmãs, com meus amigos e com os meus primos, em Rio Claro/SP, minha cidade natal. Mais ainda, um privilégio de ter uma liberdade para brincar e me divertir como hoje as crianças não têm.

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Hoje, os meninos não podem brincar na terra porque têm alergias ou porque ficam imundos e não podem estragar os tênis e o tapete novo da casa. Ou porque não conhecem quintal com terra, calçadas com grama. Em cada dia, eu e meus amigos de infância tínhamos uma aventura. Brincávamos de rodar pião, bolinha de gude, pega-pega, polícia-ladrão, descobríamos caminhos, fazíamos cabanas com galhos de árvores e papelão, brincávamos com carrinhos feitos de lata e jogávamos bola na rua, em frente de casa, na rua de chão batido.  A verdade é que tudo isto contribuiu para aquilo que sou hoje. Mais do que as brincadeiras, criamos laços fortes de amizade que nos uniram e que provaram que tínhamos ali companheiros para a vida. (more…)

outubro 23, 2013

Minha infância nos anos 60 e 70 – saudades dos amigos…

Nasci em Rio Claro, onde morei até doze anos atrás. A coisa boa de nascer e viver na mesma localidade é o estabelecimento de amizades de grande duração. Atualmente, com as mudanças da sociedade, este tipo de experiência está cada vez mais difícil. As crianças de nossos dias na maioria das vezes estabelecem relacionamentos somente no ambiente escolar e nada mais. As casas estão cada vez mais isoladas, os novos condomínios isolam os moradores, os quais raramente conhecem um ao outro e compartilham muito pouco suas vidas.

Na vizinhança onde fui criado era tudo muito diferente da realidade atual. Os vizinhos eram habitantes antigos do lugar, todos criaram seus filhos naquela comunidade e todos conheciam uns aos outros.

Uma homenagem ao meu primeiro e grande amigo – José Ronaldo Klain (as fotos abaixo foram cedidas por Sandra Terezinha Klain Cristofoletti, irmã do Ronaldo)

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No Rio Claro de minha infância havia uma cumplicidade entre os vizinhos. Uns cuidavam dos filhos dos outros, das casas dos outros, das roupas no varal dos outros, sempre que fosse preciso. Todos se conheciam pelo nome e pela história da família.  O Sr. Antonio não era só o “fulano de tal”. Era o Sr. Antonio Martini, filho da D. Virgínia e do Sr. Primo, casado com a D. Maria Angela Graciolli e amigos dos Pizzirani que eram os proprietários da venda da esquina.  (more…)

agosto 31, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 7

Atualmente, se você perguntar para uma criança quais são seus brinquedos e brincadeiras preferidas, certamente ouvirá o seguinte: play station e jogos eletrônicos em geral. No meu tempo eram as pipas em seus diversos formatos – quadrado, maranhão ou as mais sofisticadas, como o “caixa” e outros. Rodar pião também era uma das minhas brincadeiras favoritas. Fazíamos campeonatos! Brincávamos de pegá-los ainda rodando, nas mãos. Ou entrelaça-los, ainda rodando, com a fieira.  Jogar bola (futebol) nunca gostei. Rodava muito pneus nas ruas de terra. Lembro que não foi fácil conseguir um velho pneu de carro naquela época! O único osso do corpo que quebrei até hoje foi o do antebraço esquerdo, numa dessas brincadeiras com pneus. Mas, certamente as bolinhas de gude e os papagaios (pipas) eram os meus preferidos.

Minha mãe limitava as brincadeiras – se jogasse bolinha de gude não poderia empinar pipa no mesmo dia. Era uma ou outra brincadeira e com tempo limitado. Tinha as lições de escola por fazer e a divisão das tarefas nos serviços caseiros. Varria quintal, arrancava erva daninha, secava louça, varria a casa, etc…

gude

Nas brincadeiras sempre havia alguns momentos de confusão e briga entre eu e meus amigos. E tudo se resolvia rapidamente.

Ah, o empinar pipas.  Olhar para o alto e ver a beleza de uma pipa colorida flutuando, fazendo acrobacias… Isso me encantava e me fazia correr e voar junto com ela. No caso das bolinhas de gude era como um hipnotismo –  o brilho do vidro e das várias cores das bolinhas de gude e os giros piruetas e efeitos que elas proporcionavam no jogo, apenas com o impulso do meu polegar, era algo mágico. As guardava em uma lata vazia, dessas de leite Ninho. E como era difícil achar uma lata vazia e em boas condições no lixo dos anos 70! Não era como hoje. Era objeto de luxo!   (more…)

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