A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

abril 5, 2017

O assédio sexual do ator global

Dias atrás, a figurinista Susllem Tonani, conhecida como Su Tonani tomou a decisão de publicar um texto acusando o ator José Mayer de assédio sexual por cerca de oito meses. Foi uma decisão solitária, mas veio depois de anos de mobilizações feministas que buscam tirar do ostracismo as mulheres e seus relatos de assédios sofridos e emudecidos. Estava sozinha no momento da publicação. Mas, poucos dias depois se viu apoiada por uma mobilização de funcionárias que adotou a hashtag #MexeuComUmaMexeuComTodas e ganhou as redes sociais. Casos como esse ocorrem em empresas e instituições públicas, mas que geralmente a vítima não denuncia ou se o faz, fica restrito a ela.

stop

Muitos artistas se mobilizaram após a denúncia. E toda a mobilização que se seguiu  nos meios de comunicações, revela união na defesa de direitos das mulheres em ambientes de trabalho, além de mostrar para outras empresas a necessidade de políticas e mecanismos eficazes para que as queixas das trabalhadoras sejam escutadas. Em uma cartilha desenvolvida pela instituição das Nações Unidas (ONU), empresas privadas são orientadas a ter uma política de tolerância zero contra qualquer tipo de assédio, além de criar mecanismos claros, eficazes e de responsabilização de atos.

Especialistas no assunto assédio dizem que esse caso representa um marco, pois ajudará muita gente na percepção que há sobre o que é assédio e o que não é. Após o caso ter vindo à tona, houve aumento de ligações para o 180, número da Central de Atendimento à Mulher, do Governo Federal. Criado em 2005, o serviço está disponível 24 horas por dia no Brasil e em mais 16 países e tem como função orientar e encaminhar mulheres brasileiras vítimas de assédio – ou qualquer pessoa que queira fazer uma denúncia ou receber orientação sobre a legislação vigente. Em 2015, o 180 recebeu 749 mil ligações; em 2016, o número pulou para 1.133.345. O que representa esse aumento exponencial? Isso é prova clara que o serviço funciona, mas também escancara o fato de que a violência contra a mulher está mais visível, como atesta o desfecho da história de assédio sofrida por Su Tonani.

 

agosto 13, 2014

As mulheres e o assédio sexual nas ruas e nos transportes públicos

O projeto de lei que previa carros preferenciais para mulheres em trens e metrôs do estado de São Paulo, foi vetado pelo governador Geraldo Alckmin no último dia 11. O projeto denominado vagão rosa, como seria chamado o vagão exclusivo para as mulheres em trens e metrôs de São Paulo, foi questionado por alguns grupos que se mobilizaram para pedir o veto, que consideravam a medida segregacionista. “Desde o início não vi com bons olhos o projeto. Acho que segregar, separar, não parece ser o caminho adequado”, disse o Governador Geraldo Alckmin durante a coletiva de imprensa esta tarde no Palácio dos Bandeirantes, em nota divulgada pelo gabinete. Outras razões sustentam o veto. Segundo Alckmin, para coibir o assédio e motivar a denúncia, mais seguranças mulheres foram contratadas e há câmeras de vídeo instaladas em todas as estações e em “mais da metade dos trens”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O projeto de lei, que foi protocolado no começo do ano passado, tinha até amanhã, dia 14 de agosto, para ser sancionado pelo Governador Geraldo Alckmin, já que foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado em 4 de julho. Caso entrasse em vigor, as empresas responsáveis pelos trens e metrô no Estado teriam 90 dias para adaptar o serviço, ainda que não estivesse definido no projeto a quantidade exata de vagões exclusivos para mulheres. “No mínimo um vagão por trem”, dizia o texto. Pelo que vejo, essa é questão vai muito mais longe – tem que acontecer uma mudança de cultura, pois as mulheres saem dos ônibus ou do metrô e continuam sofrendo assédio. Não é só nos meios de transportes que ele acontece. (more…)

março 10, 2014

O assédio contra as mulheres na rua!

Todos os dias venho e volta a pé de casa para o trabalho e vice-versa. Caminho uns 25 minutos pelas ruas e calçadões do centro histórico de São Paulo. E, pelo caminho, vejo sempre “os lobos”, que “comem” as mulheres com os olhos e soltam seu gracejos.

Ouço de “Fiu-Fiu”, “Linda”, “moça bonita”, “a beleza é de nascença?!”, até os mais vulgares como “gostosa”, “vai ser boa assim na minha cama”, “te laberia todinha”, “delícia”, “você está no ponto que eu gosto”…  e por aí vai.

assedio

Com isso tudo surge a questão: Será que toda a mulher está interessada em ouvir cantadas de desconhecidos no espaço público? E os homens estariam satisfeitos se essas cantadas fossem para as suas mães, irmãs ou filhas? Define-se o assédio no espaço público quando alguém recebe um “elogio” ou “cantada” de um desconhecido que de certa forma  ofenda, constrange, humilha ou apavora. E nestes casos, as mulheres são as mais afetadas por este ato, que é considerado violento. (more…)

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: