A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 4, 2020

Covid19 e a ansiedade: isso também passará!

Moro no centro histórico de São Paulo, no bairro República, em um edifício de onze andares, construído nos anos 40, com um apartamento por andar. Os apartamentos estão assim dispostos até o décimo andar, sendo que somente o décimo primeiro andar é dividido em quitinetes, onde ficavam os antigos quartos de empregada. Segregação nos anos 40? Sim. As empregadas domésticas não podiam circular onde os patrões moravam. O preconceito não surgiu agora, meus caros!

Como podem imaginar, somos poucos moradores. Éramos 13 até terça feira. Hoje somos 11. Dois deles foram vitimados pelo Covid19. Um foi internado em abril, retornou para casa, voltou a passar mal, foi internado novamente há uns 12 dias e faleceu ontem. O outro, seguiu para o hospital na terça feira, dia 2/06 e faleceu no final da tarde do mesmo dia.

Se as mortes por coronavírus podem ser contabilizadas, mapeadas, colocadas em gráficos e publicadas diariamente e podemos acessar tais dados por boletins no final do dia, o mesmo não acontece com um outro aspecto ligado à pandemia e muito menos visível: a nossa saúde mental, que está submetida há meses a uma realidade com a qual ninguém está preparado para lidar. Isso é inédito para toda uma geração, por uma combinação de coisas que conjuga alcance, duração e letalidade – traz embutido o medo e ansiedade em doses difíceis de serem administradas, ainda mais por pessoas que passaram a viver confinadas, sozinhas ou em família. No caso do edifício onde moro, a maioria dos apartamento possuem apenas um morador. À insegurança com a própria saúde e de pessoas próximas, soma-se ainda insegurança financeira.

Até terça feira eu estava convivendo com as notícias na TV, na internet, nas mídias impressas. Mas, quando isso chega ao nosso convívio fica mais difícil de lidar. O medo fica mais próximo. Hoje desci para colocar o lixo na rua e encontrei um vizinho. Nos cumprimentamos com um “bom dia” e nada mais, não falamos sobre as mortes. Depois fiquei imaginando os efeitos disso no trauma micro coletivo entre os moradores, na produção de reações involuntárias com relação ao outro – e que pode levar alguns vizinhos a mal interpretarem como asco, nojo etc. Que momento vivemos…

Sei que para muitos, a experiência vivida no momento atual é de luto. E esse luto não se restringe apenas ao desaparecimento físico de pessoas, como meus vizinhos, que eram próximos. O luto também é vivido na perda de um emprego, de um lugar, de uma vida da forma como era antes. A morte dos meus vizinhos não puderam ser acompanhadas dos rituais propícios. A interdição ao contato social impede funerais e cerimônias religiosas (hoje marquei missa de sétimo dia para os dois, por telefone e assistiremos pela internet), ou seja, os parentes mais próximos e amigos nem sequer podem ter a sensação de terem fechado um ciclo.

A pandemia da covid-19 trouxe uma alteração significativa em nossas vidas. Seja na vida dos doentes ou na vida dos que não estão doentes, seja na vida dos infectados e internados, dada a gravidade dos sintomas. Tivemos nossas vidas desorganizadas. Temos medo de adoecer e não ter vagas em hospitais e temos medo de morrer.

Desde o começo tomei a atitude de não ficar lendo muitas notícias, mensagens em grupos de whatsapp etc. Decidi assistir apenas um telejornal diário, pois estava ficando muito ansioso. Continuo com minha rotina diária de trabalho, faço meditação e exercícios, as refeições nos mesmos horários. Os contatos não são mais presenciais, mas por vídeo chamadas. Procuro praticar a solidariedade com os que estão ao meu redor e com os mais distantes também.

Com fé, tudo isso passará, como o ensinamento passado pela parábola abaixo, que divido com vocês, com carinho!

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