A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

março 11, 2018

Birkenau – visita triste, mas necessária

Nos posts anteriores sob esse tema – Holocausto Judeu – não citei a causa principal de minha visita a lugares que presenciaram o que há de pior na raça humana. Aqui em meu edifício residia até essa semana um sobrevivente do campo de Birkenau. Quando soube que iria até a Cracóvia teve longa conversa comigo contando sua passagem pelo campo – foi tatuado com o número 83.652 (tinha 17 anos – nasceu em 17 de dezembro de 1927). Ali morreram seus pais e outros familiares e fez-me uma recomendação: vá, veja, sinta, e fotografe, principalmente o barracão 21, onde estive. Depois mostre-me as fotos. E assim o fiz.

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No campo de Birkenau, os nazistas construíram a maioria dos estabelecimentos para extermínio em massa, nos quais assassinaram cerca de um milhão de Judeus-europeus. Birkenau, ao mesmo tempo, foi o maior campo de concentração (mais de 300 barracos primitivos, a maioria de madeira), onde, no ano de 1944, encontravam se mais de 90 mil prisioneiros: Judeus, Polacos, Ciganos, cidadãos da URSS e outros. No terreno do antigo campo conservaram-se lugares cheios de cinzas humanas e vários objetos do campo. No grande espaço do campo, conservaram-se dezenas de primitivos barracos para prisioneiros e centenas de ruínas de barracos demolidos, que formam a específica arquitetura do campo de Auschwitz, que existia com um único objetivo: exterminar pessoas.

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Auschwitz – sua criação e como visitar

Após o ataque à Polônia, em 1° de setembro de 1939, e sua ocupação pelo exército alemão e, em 17 de setembro, também pelo soviético, teve lugar a divisão do território polaco. A parte do território onde estava localizada a cidade de Oświęcim foi unida ao Terceiro Reich. Na parte central da Polônia, foi criado o chamado Governo Geral, totalmente controlado pela Alemanha e administrado pelo aparato de administração e policiamento nazistas. A parte oriental do país, de acordo com o tratado alemão-soviético, de agosto do ano de 1939, foi unida à União Soviética. Após o estouro da guerra entre a Alemanha e a URSS, em junho de 1941, esta parte encontrou-se também sob ocupação alemã.

Em abril de 1940, o exército alemão atacou a Dinamarca e a Noruega, em maio a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e a França. Em abril do ano seguinte, os Alemães atacaram a Iugoslávia e a Grécia, e em junho a sua recente aliada – a União Soviética. No outono de 1941, a maioria da Europa encontrou-se sob ocupação alemã.

Na Alemanha, os campos de concentração foram criados desde 1933. Neles foram presos pessoas consideradas  como sendo “elementos indesejáveis”, como por exemplo adversários políticos do regime nazista, criminosos e Judeus. Após o início da II Guerra Mundial, a Alemanha começou a construí-los também nos territórios dos países por ela ocupados. Konzentrationslager (KL) Auschwitz, assim como outros campos de concentração de Hitler, foi uma instituição estatal, administrada pelo poder central do governo alemão. Era administrado diretamente pelo Serviço Central de Economia e Administração da SS (WVHA), enquanto que a deportação de pessoas e seu genocídio eram de responsabilidade do Serviço Central de Segurança do Reich (RSHA).

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março 9, 2018

Linha do tempo da História de Auschwitz – Birkenau

O segundo relato de minha viagem de férias será doloroso. No dia 26 de janeiro visitei os campos de concentração de Auschwitz I e Auschwitz II Birkenau. Um dia antes da comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Esta é uma data dedicada a homenagem das milhões de pessoas que foram torturadas e mortas nos campos de concentração comandados pela Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Dentre as milhões de vidas perdidas pelas mãos dos nazistas, a maioria eram judeus, negros, homossexuais e ciganos, Polacos, Romenos, prisioneiros de guerra soviéticos e outras pessoas inocentes  – grupos sociais que eram considerados “inferiores”, de acordo com a ideologia Nazi.

No total, estimam-se que tenham sido assassinadas mais de seis milhões de judeus durante o Holocausto.

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A dimensão da crueldade que foi o Holocausto é tão assustadora que, para tentar evitar episódios semelhantes no futuro, foi criada a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi criado por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), através de uma Assembleia Geral, pela resolução 60/7, de 1 de dezembro de 2005.

O 27 de Janeiro foi escolhido por ter sido o dia, em 1945, que aconteceu a libertação do campo de concentração de Auschwitz, considerado o principal do regime nazista.

Auschwitz é uma dor interminável na consciência do mundo e é exacerbada por quem visita o lugar. Mas é algo que todo ser humano precisaria vivenciar. Os restos de um campo de concentração e extermínio alemão trazem à memória os momentos mais escuros da História da humanidade.

Estou escrevendo mais dois posts sobre o assunto. Neste, segue o Cronograma destes dois campos

Cronograma da História de Auschwitz – Birkenau

1939

  • 1° de Setembro – A Alemanha Nazista ataca a Polônia. Eclosão da II Guerra Mundial.
  • Fim do ano – Por motivo de prisões em massa de Polacos e superlotação das prisões na Alta Silésia e em Zagłębie Dąbrowskie, surge, no Departamento de Comando Superior da SS e Polícia em Wrocław, o projeto de abrir um campo de concentração para Polacos.

1940

  • 27 de Abril – Após uma série de inspeções em diversos lugares, o comandante da SS, Heinrich Himmler, dá a ordem de abrir um campo de concentração em Oświęcim, que ficou sendo chamado de Auschwitz, no terreno do antigo quartel polaco de artilharia.
  • 14 de Junho – As autoridades alemãs enviam para Auschwitz o primeiro transporte de prisioneiros políticos – 728 Polacos, entre eles, um pequeno grupo de Judeus polacos. Esse dia é reconhecido como o início do funcionamento do campo. Durante os anos 1940- 1945, foram registrados, cerca de 400 mil prisioneiros, destes, 270 mil homens.
  • 19 de Junho – A primeira expulsão da população local, com objetivo de livrar-se das testemunhas dos crimes, para impossibilitar contatos com os prisioneiros e dificultar, assim, a realização de fugas. As expulsões seguintes estarão relacionadas com os planos de aumento do campo de Auschwitz. No total, os alemães expulsaram de Oświęcim e das vilas próximas, pelo menos 5 mil polacos. Além disso, deportaram toda a população judia de Oświęcim – cerca de 7 mil pessoas, para os guetos próximos. Foram destruídas oito vilas e desmontados mais de 100 prédios que se encontravam no terreno da cidade de Oświęcim, nas vizinhanças do campo.
  • 6 de Julho – Escapa o primeiro prisioneiro: Tadeusz Wiejowski. Em toda a História do campo, com um total de mais de um milhão de pessoas deportadas, tentaram escapar centenas de prisioneiros. A maioria foi de Polacos, prisioneiros de guerra soviéticos e Judeus. As fugas tiveram êxito para menos de 150 pessoas.
  • Outono – O movimento de resistência polaco envia informação sobre o campo, para o governo polaco no exílio em Londres.
  • 22 de Novembro – Primeira execução por fuzilamento. Foram executados 40 Polacos.

1941

  • 1° de Março – Pela primeira vez chega a Auschwitz o comandante da SS, Heinrich Himmler, para realizar inspeção. Ordena, entre outras coisas, o aumento do campo e o envio de 10 mil prisioneiros para trabalhar na construção de estabelecimentos industriais para o consórcio da IG Farbenindustrie.
  • 23 de Abril – Como castigo pela fuga de um prisioneiro, o comandante Rudolf Höss, pela primeira vez, condena 10 prisioneiros à morte por fome.
  • 6 de Junho – Primeiro transporte de prisioneiros políticos tchecos. Início da deportação de prisioneiros não-polacos para Auschwitz.
  • 3 de Setembro – Primeiro assassinato em massa de pessoas com o uso do gás Cyklon B. Morrem cerca de 600 prisioneiros de guerra soviéticos e 250 Polacos.
  • Outono – As autoridades do campo abrem a primeira câmara de gás em Auschwitz I.
  • Outubro – Criação do campo para prisioneiros de guerra soviéticos, no terreno de Auschwitz I. – Início da construção da segunda parte do campo, Auschwitz II-Birkenau, no terreno de uma vila demolida: Brzezinka.
  • 11 de Novembro – A primeira execução na Parede da Morte, onde os nazistas fuzilam 151 prisioneiros polacos.

1942

  • Início do ano – Começo do extermínio em massa dos Judeus, nas câmaras de gás.
  • Março – Início da deportação para Auschwitz de 27 mil Judeus da Eslováquia e 69 mil Judeus da França.
  • 1° de Março – Início do funcionamento do campo Auschwitz II Birkenau.
  • 26 de Março – Em Auschwitz, são presas as primeiras 2 mil mulheres das 130 mil registradas no campo, até o fim de sua existência.
  • Março-Junho – Uso de câmaras de gás provisórias no terreno ao lado do campo Auschwitz II-Birkenau.
  • Primavera – Início do funcionamento da chamada Judenrampe, localizada entre os campos de Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau, onde eram recebidos os transportes de Judeus, e também de Polacos, Ciganos e prisioneiros de outras nacionalidades.
  • Maio – Início das deportações para Auschwitz de 300 mil Judeus da Polônia e 23 mil Judeus da Alemanha e Áustria.
  • 4 de Maio – A SS realiza a primeira seleção no campo de Birkenau. Os prisioneiros escolhidos são assasinados nas câmaras de gás.
  • 10 de Junho – Revolta e tentativa de fuga em massa de cerca de 350 prisioneiros polacos, da companhia de castigo em Birkenau. Sete deles conseguiram escapar, foram mortos mais de 300.
  • Julho – Início das deportações para Auschwitz de 60 mil Judeus da Holanda.
  • Julho – Início de funcionamento do subcampo de Golleschau junto à fábrica de cimento em Goleszów, perto de Cieszyn – primeiro dos cerca de 50 subcampos de Auschwitz.
  • 29 de Julho – Primeira informação sobre o extermínio de Judeus nas câmaras de gás de Auschwitz, passada aos aliados por uma fonte alemã. Seu autor foi Edward Schulte, industrial alemão e antinazista. A partir do outono de 1940, os aliados são regularmente informados sobre o que acontece em Auschwitz. Estas informações são enviadas principalmente pelo governo polaco, no exílio em Londres, que todo o tempo mantém contato com o movimento polaco de resistência, que atuava tanto no campo como nas suas proximidades.
  • Agosto – Início das deportações para Auschwitz de 25 mil Judeus da Bélgica e 10 mil Judeus da Iugoslávia.
  • 30 de Outubro – Junto à fabrica de borracha sintética, construída pela IG Farbenindustrie, surge o subcampo de Buna, chamado depois de Auschwitz III-Monowitz. Durante os anos de 1942-1944 surgem 47 subcampos e comandos exteriores de trabalho de KL Auschwitz. Os prisioneiros enviados a estes, trabalhavam principalmente em empresas industriais alemãs.
  • Outubro – Início das deportações para Auschwitz de 46 mil Judeus do Protetorado da Boêmia e Morávia.
  • Dezembro – Primeiro transporte de Judeus da Noruega. Num total de dois transportes, chegam cerca de 700 pessoas.
  • 13 de Dezembro – Primeiro transporte de Polacos expulsos da região de Zamość, de acordo com a realização do plano nazista “Generalplan Ost” (Plano Geral do Oriente) – expulsão e extermínio de cerca de 50 milhões de Eslavos (Polacos, Russos, Bielorrussos, Ucranianos e outros) e colonização da Europa Central e Oriental por alemães. As terras polacas eram as primeiras da fila.
  • Final do ano – Os médicos da SS começam experimentos de esterilização em prisioneiros e prisioneiras.

1943

  • 26 de Fevereiro – É criado em Birkenau o chamado campo familiar para Ciganos.
  • Março – Início das deportações de 55 mil Judeus da Grécia.
  • 22 de Março – 25 de Junho – As autoridades do campo iniciam o trabalho de quatro crematórios com câmaras de gás em Auschwitz II-Birkenau.
  • 7 de Junho – Trabalhadores civis da empresa Krupp iniciam a montagem de máquinas, em pavilhões alugados das autoridades do campo. Na construção do campo de Auschwitz, fazem parte centenas de firmas alemãs, muitas delas – como por exemplo a IG Farbenindustrie e a Siemens – ganhavam lucros adicionais por usar o trabalho escravo dos prisioneiros do campo.
  • 19 de Julho – Na maior execução pública, como castigo por uma fuga de alguns prisioneiros e por contato com a populacao civil, os soldados da SS enforcam 12 prisioneiros Polacos.
  • 9 de Setembro – Formação, em Birkenau, do chamado campo familiar de Theresienstadt para Judeus daquele gueto.
  • Outubro – Início da deportação de 7,5 mil Judeus da Itália.

1944

  • Maio – Aviões aliados que sobrevoam Auschwitz realizam fotos aéreas. Nas fotografias feitas nos meses seguintes, são visíveis câmaras de gás e fogueiras. Em agosto, começam os bombardeios americanos e britânicos sobre as fábricas de borracha sintética e combustíveis líquidos do consórcio alemão IG Farbenindustrie, localizado a alguns quilômetros de Birkenau.
  • 16 de Maio – Começa a ser usado o ramal ferroviário no interior do campo, possibilitando a chegada de transportes dos deportados diretamente junto às câmaras de gás nr. II e III do campo de Auschwitz II-Birkenau. Início das deportações para Auschwitz de cerca de 438 mil Judeus da Hungria.
  • 10–12 de Julho – O chamado campo familiar de Theresienstadt é liquidado. Os nazistas assassinam cerca de 7 mil Judeus nas câmaras de gás.
  • Agosto – Início das deportações para Auschwitz de 67 mil Judeus do gueto de Litzmannstadt (Łódź).
  • 2 de Agosto – O chamado “campo familiar Cigano” é liquidado – a SS extermina, nas câmaras de gás, cerca de 3 mil Ciganos.
  • 12 de Agosto – Início das deportações de 13 mil Polacos para Auschwitz, depois de prisões em massa, após o início do Levante de Varsóvia.
  • 7 de Outubro – Revolta do Sonderkommando. Durante a revolta morrem 3 membros da SS e 450 prisioneiros do Sonderkommando; prisioneiros judeus são forçados a queimar os cadáveres das vítimas nos crematórios.
  • Novembro – Interrupção da ação de extermínio em massa dos Judeus nas câmaras de gás.

 1945

  • 6 de Janeiro – Última execução de cerca de 70 Polacos, condenados à morte pelo tribunal sumário alemão. Quatro judias que foram condenadas à morte, por ajudarem na preparação da revolta do Sonderkommando, morrem enforcadas na última execução em público.
  • 17 de Janeiro – Início das Marchas da Morte – os soldados da SS evacuam cerca de 60 mil prisioneiros de KL Auschwitz.
  • 21-26 de Janeiro – Os alemães explodem as câmaras de gás e crematórios em Birkenau.
  • 27 de Janeiro – 7 mil prisioneiros são libertados em Auschwitz por unidades do exército.

janeiro 19, 2016

Berlim – uma cidade para ser vivida e sentida

Em diferentes locais em Berlim detalhes específicos do genocídio são trazidos à tona, monumentos e memoriais são construídas e  a responsabilidade do Estado para  com as vítimas é assumido. Isso não significa que há uma atitude consciente da maioria da população neste sentido ou que todos concordam sobre o assunto. Esquecimento e negação também estão presentes. O que os alemães nunca deve fazer novamente é ensinado nas escolas, mas nada parece o bastante. Sempre há novas maneiras de recordar, para tentar transmitir aquilo que não foi dito.O Muro se foi, mas isso é recentemente. Seus supostos restos ainda são vendidos nas lojas de suvenires juntamente com supostos capacetes militares russos, ou o pequeno escudo com martelo e foice, e os símbolos da antiga RDA. Mas em tudo isso esconde-se a questão: estamos no lado leste ou oeste? Onde estava o Muro? Tudo mudou muito desde 1989, no lado leste. Como muitos monumentos da era nazista, águias e o laurel de estátuas neoclássicas e estádios olímpicos, tudo permanece em seus lugares, apesar de a maioria dos monumentos oficiais da ex-RDA ter desaparecido completamente. Algumas estátuas da era socialista ainda permanecem em avenidas. A mudança na cidade é permanente, e para onde você olha há guindastes. E o que não mudou, como a Alexanderplatz, que para mim não tem nada de especial, deve estar no caminho para que isso aconteça. 

Há cidades monumentais, como Roma e Paris, e há cidades em que precisamos nos inserir em sua história, mesmo que trágica e sangrenta, para vivê-la. Cidades cheias de palácios, fontes, avenidas, estátuas, igrejas, catedrais… e outras em que, mesmo com parte de todas essas atrações, mesmo que destroçadas pela guerra, o que se sente, no momento da chegada, é que são cidades para serem vividas. Em todas as cidades vale a pena passar alguns dias apenas caminhando por suas ruas, visitando as suas lojas e supermercados, museus, lugares emblemáticos e deixando o seu ritmo marcar a visita.Mas, Berlim, não é só mais uma dessas cidades – é a cidade ideal para isso. Claro que além de caminhar por ela, não se pode deixar a capital alemã sem fazer visitas em torno do Unter den Linden – o mais famoso boulevard da cidade, a Brandenburger Tor, ou Portão de Brandemburgo, e visitar o parlamento Reichstag com a sua cúpula de vidro, projetada por Norman Foster. Também é preciso desfrutar a Gendarmenmarkt, que segundo a minha amiga alemã Hannelore, tem um trio de jóias: no centro a sala de concertos Konzerthaus; ao norte da Catedral francesa e no sul o Deutscher Dom, a Catedral Alemã; ou admirar a Schloss Charlottenburg, e o famoso Palácio de Charlottenburg, que não fica tão distante.

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Merecem destaque também os rastros que a história recente deixou na cidade: o Muro de Berlim, a East Side Gallery, o Checkpoint Charlie, os bunkers dentro dos túneis do metrô – vendidos aos alemães como capazes de resistir a ataques nucleares e biológicos, a Kaiser Wilhelm Memorial Church – bombardeada pelos aliados e deixada ainda hoje em ruínas no centro da cidade, como parte da memória – ou o Parque Treptower,  cemitério Soviético… E tantos outros lugares de interesse.
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janeiro 12, 2016

Potsdam – uma jóia rara nas proximidades de Berlim

Situada geograficamente entre bosques e lagos, rodeada de palácios e lendas. Essa é Potsdam, uma bela cidade da Alemanha, onde aconteceu a Conferência de Potsdam (entre 17/07 a 02/08/1945) – na qual foram definidos os novos contornos do mapa geo-político posterior a Segunda Guerra Mundial (foi o centro dos acontecimentos durante a Guerra Fria) – e cidade onde se tomou uma das decisões militares mais brutais de toda a história da humanidade: o lançamento da bomba atômica.

Potsdam é uma pequena cidade que fica há mais ou menos de 30 km de Berlim e chega-se até lá de forma muito fácil e prática – por trem (cerca de uma hora de viagem). Excelente roteiro para um bate e volta de um dia. Ela é conhecida principalmente por seu legado histórico como antiga residência dos reis da Prússia (séc. XIV), por seus diversos castelos e parques incomparáveis. Tem o brilho e a glória da Prússia, a tradição como cidade de grandes mestres da arquitetura e  dos cientistas.

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Há cerca de 300 anos, a cidade de Potsdam, que era uma guarnição militar, tornou-se uma das residências mais suntuosas da Europa. Os reis prussianos, especialmente Friedrich Wilhelm I e seu filho, Friedrich II, realizaram por lá e em torno da cidade um sonho barroco. Seus sucessores complementaram a paisagem com grandes monumentos do classicismo. Em 1990 foi declarada patrimônio cultural da UNESCO. Ali estão os Jardins de Sanssouci, Neuer Garten, Babelsberg, Glienicke e a ilha Pfaueninsel com seus castelos. Em 1992 juntaram-se a eles o castelo e parque de Sacrow e a igreja Heilandskirche, e em 1999 a lista foi aumentada com mais 14 monumentos, entre eles o castelo e parque de Lindstedt, a Colônia Russa Alexandrowka, o belvedere sobre a colina de Pfingstberg, a estação Kaiserbahnhof e o observatório no parque Babelsberger. São, ao todo, cerca de 500 hectares de parques que incluem 150 edificações do período entre 1730 e 1916. Também vale a pena ser visto o centro histórico de Potsdam. O Alter Markt, a igreja de São Nicolau, ou St.-Nikolaikirche, o jardim Lustgarten, a antiga prefeitura e o antigo palácio municipal formam um conjunto arquitetônico magnífico. No centro da praça Marktplatz há um obelisco de 16 metros de altura onde estão representados os grandes arquitetos de Potsdam – Knobelsdorff, Schinkel, Gontard e Persius. Atrás do mercado, um pouco escondida entre as casas, fica a praça do novo mercado, Neuer Markt, construído nos séculos XVII e XVIII – uma das praças barrocas mais bem conservadas da Europa. Mas há muito mais!

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dezembro 19, 2014

Frankfurt, Alemanha – uma cidade fantástica!

Confesso que só coloquei Frankfurt em meu roteiro de férias depois de ler alguns posts de blogs que localizei na internet. tudo o que sabia sobre a cidade é que é normalmente o ponto de embarque e desembarque de muitos turistas quando chegam para visitar a Alemanha.

Também sabia que é uma cidade grande, que sua área metropolitana é um pouco mais que 10% da área metropolitana de São Paulo, que é cheia de prédios e nada parecida com cidadezinhas medievais na Europa. Mas, não é bem assim: Frankfurt oferece atrações imperdíveis e passar pelo menos uns 3 dias inteiros na cidade vale muito a pena.

Frankfurt já foi uma daquelas cidadezinhas medievais, mas com a Segunda Guerra Mundial ela foi totalmente destruída. Sobrou  muito pouco do centro da antiga parte velha da cidade. Assim, tanto a prefeitura como os prédios da Römerberg (a praça central) foram reconstruídos  no mesmo estilo da época.

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A história de Frankfurt começou a 1200 anos atrás. Em 794 o nome “Franconofurd”, foi escrito em alguns registros. A partir da coroação de Lothars II, Frankfurt se tornou durante séculos uma cidade muito importante para política e virou também um dos lugares de comércio mais importantes da Europa. Com o passar dos séculos enquanto o norte e leste da cidade cresciam com bancos e edifícios financeiros, o lado esquerdo do rio Main ficou reservado para as artes. Com seus inúmeros museus (34 pelo que lembro), Frankfurt é um templo para as artes. (more…)

novembro 13, 2014

Berlim, que caiam os muros!

Hoje quero compartilhar um texto do amigo Augusto Bernardo Cecílio, do Amazonas. Saiu publicado em sua coluna no Em Tempo.
Augusto Bernardo Cecílio - Auditor fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda/AM

Por: Augusto
Bernardo Cecílio
Auditor fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda/AM

“São sempre os pequenos que podem mudar as coisas. Nunca os políticos ou os poderosos. Quem deitou abaixo o Muro de Berlim? O povo nas ruas. Na véspera, os especialistas nem sabiam o que fazer” (Luc Besson)

No dia 9 de novembro o mundo parou para comemorar um dos acontecimentos históricos mais importantes e simbólicos do século passado. A Alemanha deu as mãos, exibindo para o mundo um país unido, com orgulho próprio e capaz de grandes mudanças e realizações.

Foi mais do que uma festa de comemoração dos 25 anos da derrubada do Muro de Berlim, com mais de 3 metros de altura, que dividiu não apenas Berlim e a Alemanha, como também provocou tragédias pessoais, dividiu famílias e pessoas e manteve um dos lados isolado, acorrentado e encarcerado, como uma das heranças da Segunda Guerra Mundial. (more…)

janeiro 14, 2014

A Abadia de Melk e sua maravilhosa biblioteca, na Áustria

A Abadia de Melk, ou Convento Melk, é uma das mais célebres entre as escolas monásticas. Fundada em 1089 quando Leopoldo II de Babenberg, família que dominava aquela região até a ascensão dos Habsburgos, doou um de seus castelos aos monges beneditinos da Abadia de Lambach.

No século XII os monges criaram ali uma escola e a partir desse momento a biblioteca ficou muito conhecida pela sua imensa coleção de manuscritos. Em seu “scriptorium” foram copiados centenas de manuscritos com iluminuras preciosas. No século XV a abadia tornou-se o centro da Reforma Melk, movimento que revigorou a vida monástica na Áustria e no sul da Alemanha.

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Biblioteca de Melk

Os dois legados mais impressionantes dessa construção barroca são a Igreja com seus belíssimos afrescos e a Biblioteca, que guarda incontáveis manuscritos, incluindo uma admirável coleção de partituras. Devido à sua fama Melk conseguiu escapar da dissolução por várias vezes; apesar de invadida e agredida, acabou sempre por resistir. Do reinado de José II, passando pelas invasões napoleônicas até o surgimento do nazismo, quando a escola e a abadia foram confiscadas pelo estado, Melk sofreu mas resistiu. Aos ditadores não agradam as bibliotecas. (more…)

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