A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 25, 2017

O abate do porco

O olfato e a memória gustativa é algo fantástico. Nos remetem a lembranças do passado  que ficam guardadas com carinho no cantinho da memória.  Quem não lembra do cheiro da comida da avó, dos pães que a mãe enrolava e assava no forno, do suave aroma que vinha das panelas que ficavam sobre a chapa do fogão a lenha?

Nem precisamos provar novamente a comida. Basta lembrar para entrarmos novamente na cena que esteve tão presente em algum momento da vida. São receitas antigas, como o pão, a macarronada, o bolo de fubá, o bolinho de chuva, a linguiça caseira…

porco

Imagem: listenandlearn.com.br

Lembro muito bem das brincadeiras de infância no sítio de meu avô e com os amigos de minha rua. Mas também estão muito presentes as situações ligadas à comida. Algumas dessas últimas não tão agradáveis…

Tínhamos um quintal grande na casa popular recém-construída no bairro Vila Nova, em Rio Claro/SP, levantada com o financiamento da Caixa Econômica Federal. Era uma casa simples, de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com cômodos bem pequenos, mas, como dizia meu pai “um dia será nosso”. E, nesse quintal tínhamos nossa horta e um pequeno pomar, quase sempre galinhas e um porco, criado em chiqueiro. (more…)

Anúncios

maio 17, 2017

Minha relação com plantas e bichos

Quem acompanha o A Simplicidade das Coisas já sabe que gosto de escrever sobre minha infância – pobre e digna. Quando minha família saiu do sítio para vir tentar nova vida na cidade, moramos por alguns anos em casas alugadas. Primeiro na Vila Alemã e depois na Vila Martins, ambas em Rio Claro/SP. Nem por isso meu pai deixou de cultivar sua horta e minha mãe deixou de plantar seus jardins. Estes estavam sempre limitados a pedacinhos de terra que ficavam no corredor de entrada dessas casas, entre a parede o muro do vizinho, ou nos fundos. Depois, quando mudamos para a casa própria, na Vila Nova, a qual tinha amplo quintal, meu pai, além da horta, cultivava pés de frutas, criava galinhas e sempre tinha um porco preso num chiqueiro, minha mãe estendeu o domínio das flores e das folhagens por vários locais: não havia espaço vazio que não fosse povoado com rosas, dálias, margaridas, lírios, antúrios, palmas, copos-de-leite, crisântemos, girassóis, gerânios, jasmins. Tudo muito bem cercado para que os cachorros (sempre tivemos dois) não destruíssem as plantas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

De meus pais não herdei joias, imóveis, dinheiro, mas tudo o mais, inclusive o gosto por bichos e plantas. O quintal de minha casa em Rio Claro é cheio de plantas, as quais atraem muitos pássaros. Tenho também um terreno onde pretendo construir uma chácara e por lá morar, o qual povoei de árvores. Os vizinhos dizem: nós arrancamos “o mato” e você planta. Isso vai virar uma selva! Não questiono. Apenas penso: por que ter uma chácara e nela reproduzir uma “casa de cidade”?

Desde que mudei para o apartamento onde hoje moro, na República, em São Paulo, há 10 anos, cultivo algumas plantas. Não consigo ficar longe do cheiro de mato e terra. Hoje, em número bem pequeno, pois estão construindo um edifício de 25 andares ao lado, o qual tirou muito de minha área de luz. Atualmente elas estão nos beirais das janelas e em alguns vasos que mantenho dentro de casa, entremeando as estantes de livros e outros móveis. A construção do edifício pela Setin causou-me tristeza, pois tive que me desfazer de muitos vasos, os quais sempre evocaram em mim a memória de meus pais e antepassados que sempre lidaram com a terra.

Das memórias que tenho, avós e tias sempre cultivaram suas plantas preferidas. A tia Izabel, irmã de meu pai, adorava suas avencas. Eram lindas e elogiadas por todos. Minha avó Virgínia, tinha um “q” a mais com seus canteiros de margaridas e palmas.

O tempo passa célere e cada vez mais sinto imensa necessidade de arrumar uma maneira de manter plantas, bichos e amigos vivos e próximos… Mas eles teimam em fugir de minhas mãos…

março 11, 2017

Lembranças, saudades e cheiros de infância…parte 2

Hoje quero recordar as idas e vindas ao sítio de meus avós. Passeios que fazia com meu pai e que aconteciam quase todos em domingos ou feriados.

Íamos de bicicleta. Eram pouco mais de 12 km pela estrada de terra que ligava Rio Claro a Ajapí, distrito rural da cidade. Íamos pela estrada bem devagar, enquanto o cheiro da terra e do mato cortado recentemente, a brisa do vento e o aconchego do sol nos acompanhavam. Eu, na garupa, observava as flores, as árvores. Era uma delícia ouvir o canto dos pássaros e entre o silêncio e o entoar de algumas melodias que meu pai tentava assoviar, a felicidade acompanhava-nos. Não era preciso muito, aliás não era preciso nada, éramos apenas nós os dois e a natureza. E felizes…

pai

Meu pai, Antonio Martini, com minha avó, Virgínia Calore Martini

Não me recordo das palavras que ele falava no caminho. Meu pai era de pouco falar, e falava baixo. Sei que as palavras existiram mas não as tenho na memória. Das canções que ele tocava na sanfona ou dedilhava ao violão, estas sim, lembro-me de todas, faziam parte da história de vida do meu pai e eu gostava das suas histórias – das músicas e dos causos que ele contava. Havia sintonia, entrega, carinho e cumplicidade. Havia amor, mas um amor sereno e tranquilo que ele não demonstrava. Nada era obrigação. Tal e qual as árvores, o vento, o sol, as flores, a terra, os animais… (more…)

setembro 9, 2016

Mel, insetos e outros bichos

Desde que me conheço por gente lembro que gosto de mel. Minhas irmãs e a Cida, uma prima-irmã que morou conosco por muitos anos trabalharam em uma “fábrica” em Rio Claro/SP, que beneficiava mel e seus derivados. Lá havia aquele “mel de tira”, em saquinhos plásticos. Muitas vezes alguns defeituosos eram trazidos para casa. Mel puro, mel com geleia real… Também tinha o mel do sítio de meus avós. Esse vinha em litros.

carolmel

Em minha casa de infância sempre apareciam enxames de abelhas que escolhiam um lugar para fazer suas colmeias. Quando o tempo esquentava – o que é muito comum em Rio Claro – elas saiam em revoada. E nós, crianças, não tínhamos medo (como os medos das crianças de hoje em dia – que têm medo até de formiga!).

Quando criança brincava com insetos, matava formigas e outros insetos…, mas não as abelhas.  Se invadiam a casa, dávamos um jeito de pegá-las e devolver para o quintal, para irem polinizar as flores. (more…)

setembro 6, 2016

Jardim Floridiana, Rio Claro/SP

Rio Claro e o quintal de minha casa…. Dá muito trabalho vir para cá, limpar, podar, mas é gostoso. Desestressa! Ver a Sabiá que fez seu ninho na porta da cozinha. A rolinha que está criando na árvore. As pequenas abelhas que fizeram suas casinhas no sino dos ventos… E a Jade florida. Como diz o comercial, isso não tem preço. Esse é um pedaço de meu canto encantado…

Este slideshow necessita de JavaScript.

agosto 28, 2016

Os quintais de minha infância sempre foram cheios de vida

Os quintais de minha infância sempre foram cheios de vida. Flores, borboletas, passáros, verduras legumes e frutas.

A minha mãe tinha muito orgulho do jardim, uma vaidade que não escondia e que crescia quando vizinhos e parentes o elogiavam. Idem para a horta que meu pai cultivava no fundo do quintal.

As flores que minha mãe cultivava eram como se pertencessem às joias da coroa – meio que impossíveis de toca-las. E é bem no fundo de minha memória que ficam guardados os perfumes e cores do jardim da minha infância. Exuberante, cheio de recantos e flores de várias espécies. Tinha até uma cerquinha de madeira para não ser pisoteado ou invadido pelos cães da casa.

flores

Nosso quintal era um bom lugar para brincar, pois a graça daqueles canteiros, da mistura de laranjeiras e roseiras, ameixeiras e margaridas estava nessa junção de jardim com pomar – um viveiro de flores a fazer fronteira com a horta. Um pouco adiante, em canteiros cercados por uma paredinha de terra ou tijolos, o meu pai semeava alfaces, rúculas, almeirões e tomates. Havia sempre no quintal um vigoroso pé de alecrim, outro de capim cidreira, poejos, hortelã, e tudo quanto era ervas para chás e unguentos. (more…)

junho 23, 2016

Nerdologia – aprendendo de forma divertida

Uma dica legal para quem tem filhos, sobrinhos e agregados em idade escolar ou não – o canal Nerdologia que faz uma análise científica da cultura nerd! São dois vídeos por semana, um às quintas-feiras, sobre temas gerais e um às terças-feiras, com conteúdo específico de História.

Guerra do Vietnã

Lá você encontra, de forma divertida, assuntos de diversas áreas/temas atuais, conceitos complexos, muitas vezes abordados fazendo ligação a lançamentos do cinema e dos quadrinhos, do tipo: Como os dinossauros faziam xixi? Robôs com inteligência artificial podem vir a dominar o mundo? O que são as ondas gravitacionais? Como fazer um sabre de luz?

Afinal, que formato a terra tem?

O canal já foi reconhecido pelo público e agora está sendo reconhecido pela imprensa internacional. (more…)

junho 17, 2016

A Criança que ainda habita em mim…

Estou em horário de almoço e ainda em minha sala de trabalho. Sem fome, resolvi não sair para comer. Hoje, estou um tanto saudoso, lembrando daquela época em que trocávamos cartas com os amigos e parentes. Contávamos coisas da vida, alegres ou tristes. Era um prazer pegar o bloco de papel e a caneta para escrever. Igualmente era muito bom o ato de abrir um envelope e ver as palavras saltarem frente aos nossos olhos. Atualmente, com o e-mail, ficamos preguiçosos. Digitamos e apagamos. Nossa história é arquivada em disco rígido. Reescrever e preservar as lembranças em papel é coisa do passado. Falta-nos tempo livre – uma das coisas mais preciosas que tínhamos e abrimos mão.

Sim, aquele era um tempo em que comprávamos o bloco, os envelopes, o cartão, a melhor caneta, ia ao correio…

Hoje, atravessando a Praça da República, região central de São Paulo e vindo para o trabalho, vi dois meninos, moradores de rua, com pouco mais de 9 anos. Um deles, embrulhado num cobertor sujo, comia um resto de lanche. O outro parecia conversar com a árvore sob a qual estavam sentados. E lembrei do “O meu pé de laranja lima”, livro realmente fascinante. Eu o li quando era muito novo. Frequentava a E.E.P.G. Dijiliah Camargo de Souza, na Vila Alemã, onde tive uma excepcional professora de primeiras letras – Sonia Lopes Lanzoni Pimentel Viana, que me fazia ler e muito. Abençoada seja essa mulher! (more…)

junho 6, 2016

Os cães de rua de Santiago, Chile: los perros callejeros

 

 

Caminhando pelas ruas de Santiago há algo que dificilmente passa despercebido pelo turista – a enorme quantidade de cães abandonados pelas ruas e parques. E o que mais impressiona é que, em geral, são cães que aparentam ser de raça (e muitos realmente são, como Golden Retrievers, Huskies siberianos, labradores, etc.) grandes, muito bonitos e com aparência saudável. Bem diferente dos cães de rua encontrados em São Paulo.

Fiz algumas pesquisas na internet e há muita discrepância entre o que li. Mas pelo menos 500.000 cães de rua vivem só em Santiago. Mas, porque estão na rua?

Dizem que é corriqueiro por aqui que muitas famílias não tratem os animais como parte da família, e assim que eles crescem e começam a dar mais trabalho e despesas, são largados na rua. O mesmo costuma ocorrer quando a família muda de uma cidade para outra. Não sei se isso é verdade. Quero crer que não.

O fato é que eles acabam se tornando muito queridos nas ruas chilenas e em geral, a convivência entre os cidadãos e os cães é boa. Em muitos casos, as pessoas acabam desenvolvendo uma amizade com um ou outro cão próximo à casa, trabalho, escola, etc. É muito comum ver as pessoas tentando ajudar ao colocar camas, potes de ração e de água espalhados pelas ruas. Como o Chile costuma registrar umas temperaturas muito baixas durante o ano, em muitos lugares as pessoas colocam casas ou caixas nas calçadas, nas praças e nos parques para que eles se abriguem. Aqui em frente ao prédio que estou tem potinhos com água e ração. (more…)

março 31, 2016

Curiosidades do tempo de infância

Quando criança, o dia parecia interminável. Mesmo cheio de tarefas escolares, tinha o tempo para as brincadeiras, como o correr pelas ruas, soltar pipas, jogar bolinhas de gude, rodar pneus… as horas pareciam dar cria.

tanajura-15

Icá ou Tanajura

Na maioria das vezes andava com um saquinho dependurado no ombro, cheio de mamonas verdes e roxas e no bolso um estilingue. Moleques são bichos doidos e sem medida, cheios de traquinices. Mas isso faz parte da própria natureza desse ser, pois quando crianças somos envolvidos em um mundo mágico e fantasioso. Criamos coisas e causos e acreditamos em tudo que a mente pode alcançar, inclusive em coisas malucas, que depois, na fase adulta se tornam ações totalmente sem fundamento. Bolinhas de gude translúcidas eram como que mágicas. Quem as tinha quase sempre ganhava o jogo. Com a ponta do dedo indicador apontado para uma abelha conseguia-se domá-la e fazer com que voasse na direção apontada. Era como que um feitiço. Coisas bestas e sem sentido.  Catávamos Içás (formigas tanajuras, saúvas), retirávamos a bunda, torrávamos com óleo e sal e comíamos. Aquele que comesse mais se tornava forte e poderoso. Mas hoje sei que essas crendices só serviam para alimentar as lombrigas que moravam na minha barriga de menino. (more…)

Próxima Página »

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: