A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

março 27, 2016

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 3

Filed under: Uncategorized — Augusto Jeronimo Martini @ 12:02

Da casa que morávamos na Rua 3-A, na Vila Alemã, e dos vizinhos, tenho poucas lembranças. Lembro-me da Luiza, da Sandra, da D. Mariquinha que tinha alguns filhos com os quais brincávamos. Na casa d…

Fonte: Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 3

setembro 30, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 11

No quintal de casa havia plantas milagrosas, para chás, unguentos, banhos… Sempre que alguém ficava gripado, minha mãe imediatamente preparava um xarope de guaco com mel e limão cravo (também conhecido como limão bugre) para aliviar nosso sofrimento. Era alguém ameaçar uma tosse e lá ia minha mãe preparar o xarope. Adorava observa-la cozinhar, nem tanto para aprender e sim para dar umas “beliscadas” em tudo o que ela fazia.

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Primo Martini – meu avô por parte de pai

Também tenho saudades das visitas, em férias ou não, ao sítio de meus avós. Era costume todas as noites a família se reunir para rezar o terço após do jantar, a luz de lamparinas e depois cada um contava as coisas do dia de trabalho na roça e assim esperar o sono vir. Todos dormiam muito cedo porque levantavam de madrugada, antes do sol sair e iam para o eito. Enquanto os adultos falavam sobre suas lutas diárias, nós, crianças, brincávamos ou nos deliciávamos com estórias de assombrações que meu avô contava. Sempre tinha um bule de chá em cima do fogão de lenha, fazendo frio ou não. Ou, quando não, tinha a “garapa” que minha avó fazia – nada mais que água e açúcar cristal, que ficava fervendo em uma chaleira!  (more…)

setembro 25, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 10

“Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule de café em cima do fogão
Fogão de lenha, e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar”

A Simone Schimdt, amiga que ainda não conheço pessoalmente e leitora do blog, postou um comentário em um desses meus devaneios de infância pedindo para que escrevesse algo sobre a comida feita no fogão a lenha.

Minha mãe fazia todas as nossas comidas no fogão a lenha. Tínhamos fogão a gás, mas este era pouco usado. O ritual diário era o seguinte. Meu pai acordava cedo, lá pelas 5 da manhã, para ir trabalhar na PREMA, uma firma de Rio Claro/SP que fabricava tintas e fazia a preservação de madeiras de eucalipto em auto clave. Tendo geada ou não, com o orvalho ainda cobrindo as plantas, ele ia direto para a cozinha acender o fogo. A lenha, para não pegar umidade, era guardada em uma caixa atrás ou ao lado do fogão. Quando tinha muita lenha e o tempo era de chuva, uma boa quantidade dela ficava empilhada em um canto do rancho aberto que tínhamos logo após a cozinha. Não havia risco de incêndio. Quando a cozinha estava aquecida já era hora de eu e minhas irmãs acordarmos. Normalmente deixávamos sapatos e meias perto do fogão para aquecê-los. A essa altura, minha mãe já havia preparado nosso café no fogão. Algumas vezes sobre a chapa estavam pedaços do queijo que havia vindo do sítio de minha avó. Exalava um cheiro delicioso. Sempre tínhamos o chá mate, o café, o leite quentinho… Aquecidos por dentro e por fora, saímos para enfrentar o vento gelado da manhã em direção à escola.

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Depois que saíamos minha mãe iniciava o preparo do almoço. As panelas com arroz, feijão, carne, batata e outras iguarias cobriam a chapa do fogão. Meu pai, por precaução, comprou um pedaço de chapa de inox, dobrou as pontas e estava ficava sobre a chapa do fogão, deixando as panelas um pouco acima da chapa. A comida pronta ficava quentinha o dia todo e sem queimar, pois, depois do almoço a chama diminuía, mas nunca era apagada.  (more…)

setembro 21, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 9

A minha infância foi memorável e nela aconteceram coisas que eu jamais vou esquecer. Dentro de tantas lembranças que me vêm à mente umas são mais marcantes que as outras e teimam em seduzir meu coração a voltar naquele inesquecível tempo – e o coração volta a bater como o de um menino.

Naqueles tempos, mais do que hoje, se praticava o que se chamava de promessa! Promessas que as pessoas faziam almejando uma cura, alcançar uma graça, sabe-se lá mais o quê, numa verdadeira negociata com Deus e todos os Santos. Coisas que fazemos hoje, muito de vez em quando.

Mas, no fundo de tudo isso, uma verdade vinha à tona: existia fé! Fé verdadeira! Isso hoje é muito raro, para não dizer que é raramente encontrada aqui e acolá…

Mais isso tudo me fez lembrar as procissões de antigamente – eram lindas, uma verdadeira demonstração de fé! Fé em algo mais puro, mais sublime, superior, mais presente em nós, que nós, em nós próprios.  (more…)

setembro 16, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 8

Já contei aqui que quando fomos morar na Rua M-1-A, na Vila Martins, em Rio Claro, era o ano de 1966, talvez 1967, não me lembro do mês. Como já escrevi aqui, a casa ficava em um lote grande, de uns 400 metros quadrados, onde, além da casa, tinha muito terreno para se plantar, na lateral e fundo da casa.

sabiá

Nos canteiros da lateral, minha mãe plantava flores diversas: dálias, rosas, margaridas e também tinha um pé de jasmim.

Já nos fundos, tinha um galinheiro, com algumas galinhas e apenas um galo, que traçava a todas com muita facilidade. Colhíamos os ovos para o dia a dia, mas, minha mãe deixava alguns, por 21 dias para a galinha chocar. Sempre nasciam vários pintinhos. Para que as outras galinhas não os matassem, tinha que se fazer um cercadinho, para eles ficarem com a mãe. (more…)

agosto 31, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 7

Atualmente, se você perguntar para uma criança quais são seus brinquedos e brincadeiras preferidas, certamente ouvirá o seguinte: play station e jogos eletrônicos em geral. No meu tempo eram as pipas em seus diversos formatos – quadrado, maranhão ou as mais sofisticadas, como o “caixa” e outros. Rodar pião também era uma das minhas brincadeiras favoritas. Fazíamos campeonatos! Brincávamos de pegá-los ainda rodando, nas mãos. Ou entrelaça-los, ainda rodando, com a fieira.  Jogar bola (futebol) nunca gostei. Rodava muito pneus nas ruas de terra. Lembro que não foi fácil conseguir um velho pneu de carro naquela época! O único osso do corpo que quebrei até hoje foi o do antebraço esquerdo, numa dessas brincadeiras com pneus. Mas, certamente as bolinhas de gude e os papagaios (pipas) eram os meus preferidos.

Minha mãe limitava as brincadeiras – se jogasse bolinha de gude não poderia empinar pipa no mesmo dia. Era uma ou outra brincadeira e com tempo limitado. Tinha as lições de escola por fazer e a divisão das tarefas nos serviços caseiros. Varria quintal, arrancava erva daninha, secava louça, varria a casa, etc…

gude

Nas brincadeiras sempre havia alguns momentos de confusão e briga entre eu e meus amigos. E tudo se resolvia rapidamente.

Ah, o empinar pipas.  Olhar para o alto e ver a beleza de uma pipa colorida flutuando, fazendo acrobacias… Isso me encantava e me fazia correr e voar junto com ela. No caso das bolinhas de gude era como um hipnotismo –  o brilho do vidro e das várias cores das bolinhas de gude e os giros piruetas e efeitos que elas proporcionavam no jogo, apenas com o impulso do meu polegar, era algo mágico. As guardava em uma lata vazia, dessas de leite Ninho. E como era difícil achar uma lata vazia e em boas condições no lixo dos anos 70! Não era como hoje. Era objeto de luxo!   (more…)

agosto 20, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 6

Lembrar de minha infância não significa apenas fazer relatos de acontecimentos e fatos passados. Significa mexer numa série de sonhos, sentimentos, emoções, sensações de medo e insegurança… Lembrar do passado é recordar as brincadeiras com os amigos, lugares, cheiros e sabores de tamanha importância que ficaram gravados na memória.

Lembro perfeitamente dos cheiros das comidas que minha mãe fazia, do perfume das flores do quintal (não gostava do cheiro de dama da noite – me dava enjoo), do cheiro do estábulo do sítio de meu avô – adorava o cheiro de cocô de vaca! Gosto ainda! Cheiro de capim cortado… Ainda hoje, quando sinto esses cheiros, passa um filme em minha cabeça.

turma do perere

Você se lembra da Turma do Pererê?

Como já falei aqui, minha infância foi muito pobre, com poucas roupas novas e quase nenhum brinquedo “industrializado” – a não ser uma aranha, daquelas ligadas a uma mangueirinha e um fole, que ao ser pressionado a fazia pular e um trenzinho de lata – com uma locomotiva e três vagões – único brinquedo que ganhei de meus padrinhos de batismo. Em compensação, tínhamos o espaço, a atenção e o amor de nossos pais. (more…)

agosto 15, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 5

Ah, meu Deus! Como o mundo é dinâmico e assim também a vida.  E nós, que fazemos a nossa história, que fazemos o mundo, mesmo sabendo desse dinamismo, ainda nos assustamos com a velocidade com que tudo muda, não é mesmo?

Diferente de minha época de infância hoje tem novas maneiras de falar, de escrever, de vestir, novos costumes, nova moral, novas tecnologias…

Acontecem mudanças em avalanche que vem atropelando tudo e nós vamos nos equilibrando, nos adaptando.

Armazem

No armazém da família Pizzirani, comprava balas e caramelos, daqueles coloridos, uma vez por mês!

Mas, continuemos com as lembranças da minha infância e da casa da Rua M-1 com a Avenida M-1. Quem morou em casa com quintal grande deve se lembrar de algumas plantas que hoje não se ouve mais falar. Uma delas é a Beldroega, uma planta infestante, desprezada por muitos, mas que é também saborosa, saudável, medicinal segundo dizia minha mãe. Ela era encontrada com facilidade em nosso quintal e, como nada custava, muitas vezes fez parte de nossas saladas, lá atrás, nos tempos das vacas magras. Mas hoje, com certeza, nenhum chef recomendaria o uso de uma plantinha tão caipiramente gostosa.  Mudam-se os tempos. Surgem novos nomes, provavelmente em inglês, novas cores e sabores nos Fast Food dessa vida tão diversificada.  E aquelas plantinhas lá do fundo dos nossos quintais vão-se perdendo, como sumiram a cafeteira, a chaleira, os moedores de café e de carne, o guarda-comida (em nossa cozinha tinha um pintado de azul), o bule esmaltado pintado de florezinhas coloridas…  Tudo virou objeto de antiquário e se tornaram peças raras e caras nos antiquários.     (more…)

agosto 14, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 4

Acho que foi por volta de 1966 ou 1967 (eu tinha uns 7 anos) que nos mudamos de casa pela terceira vez. Ficava na mesma Rua M-1, com a esquina da Avenida M-1. Somente a um quarteirão e meio de distância da outra. Também alugada. Era uma casa um pouco maior, com dois quartos que davam para a sala, uma cozinha e um rancho. O quintal era grande. Bem maior que o da casa anterior. Quartos e sala tinham forros de madeira. A cozinha era desprovida de forro. O piso era de tijolos e lembro-me do cheiro gostoso que emanava quando minha mãe o lavava. Dessa época consigo lembrar muita coisa. Assim, nesse post falarei de nossos vizinhos apenas.

Augusto 7

Parece estranho dizer isso – mas, esta é a única imagem que tenho de quando tinha sete anos. Possuo registros de quatro fotos anteriores de quando era criança. Depois dessa, somente quando tinha uns 16 anos.

Nossa vizinha de fundos se chamava Josefa. O marido era o Sr. Bepe (Giusepe). Tinham um filho que se chamava José. Dona Josefa era baixinha, falava muito e gostava de dançar. Pintava as unhas, usava batom, “um escândalo”, muito avançado para a época em uma periferia interiorana! Tinha um cachorro que se chamava Bidú. E dele, herdei a minha primeira cicatriz de mordidas de cachorro. Tenho umas três pelo corpo! (more…)

agosto 13, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 3

Da casa que morávamos na Rua 3-A, na Vila Alemã, e dos vizinhos, tenho poucas lembranças. Lembro-me da Luiza, da Sandra, da D. Mariquinha que tinha alguns filhos com os quais brincávamos. Na casa da esquina da Avenida 38-A morava uma família de negros, amigos excelentes, mas que, em princípio me causou medo e explico por que. Vizinho da fazenda onde morávamos havia um senhor que sempre passava por ali e que se tornou figura popular em Rio Claro, o “Gibi”.  Era um negro simpático que sempre carregava um saco nas costas. E, para causar medo, as mães diziam que naquele saco estavam crianças desobedientes. Como era amigo da família, sempre que passava pela Vila Alemã parava em casa para conversar com meus pais. Como era pequeno, associei a etnia com o medo. Mas, depois tudo ficou bem. Brincávamos todos juntos. Dividíamos as alegrias e tristezas.

Pais na fazenda

Meus pais, em visita ao Haras Fazenda São José do Morro Grande, muitos anos depois de nossa saída. Ao fundo, a casa da colônia em que moramos

 A rua era de terra. Não havia calçada em frente da casa que fosse até o meio fio – apenas umas fileiras de tijolos rentes à parede, para proteção em caso de chuva. A casa era pintada com cal amarela e pela falta de calçada, a água da chuva, ao bater no barro, tingia a parede com um barrado de vermelho. A iluminação pública era precária. Apenas dois postes no quarteirão iluminavam a rua. E as luzes eram fracas. E sempre faltava energia. Volte e meia tínhamos que usar lamparinas a querosene.  (more…)

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