A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 27, 2019

A poliglota da praça

Moro e trabalho no centro histórico de São Paulo. São 25 minutos de caminhada até a Escola de Governo e outros 25 minutos na volta pra casa, na avenida Vieira de Carvalho. Caminhada que faço com o maior prazer, todos os dias, apesar do cheiro e da sujeira que imperam na “SP.megalópole”.

Quase obrigatoriamente “me obrigo” a passar pela Praça da Sé. Para observar a rotina da cidade, os passantes e, principalmente, os moradores de rua.

Cercado de tanta gente, uma pessoa em especial sempre chamou a minha atenção. A mulher da foto atrai minha atenção e desperta minha curiosidade. Dela gostaria de ter maiores informações. [Por isso, caro leitor, se souber algo sobre ela, registre no espaço de comentários, após o texto. Agradeço!]

Ela está quase sempre por lá, em qualquer horário do dia. Sentada ou deitada aos pés desta frondosa árvore que você vê na foto, quase na “boca” da entrada principal da estação Sé do metrô, vizinha do posto da guarda municipal.

Ela pode estar lendo um jornal ou apenas “siderada”, observando o mundo com o olhar perdido. Outras vezes deitada, dormindo. Sempre no mesmo lugar. Sempre com a mesma roupa suja, cabelos curtos, cabeça raspada por ela mesma com um aparelho de barbear, descartável.

Não tem mochila, mala, nenhum acessório. Apenas um cobertor sujo, uma ou duas sacolinhas plásticas que devem guardar algum alimento.

Ela é uma moradora da praça, mendiga perdida na vida ou coisa parecida. É culta!

Já a ouvi se expressando em inglês, francês, alemão, espanhol e até em algo parecido com o japonês ou chinês.

Não diz apenas frases soltas.

Muitas vezes parece estar ditando um texto acadêmico ou ministrando uma aula. Nesses desvarios, ela se coloca em pé, como se estivesse à frente de uma plateia.

Outras vezes, ela grita frases sem sentido, palavras soltas e xingamentos.

Faz parte de suas necessidades ali, ao pé da árvore-casa.

Muitas vezes levei para ela algum alimento. Aceita fazendo uma reverência com a cabeça. Ou recusa, fazendo um sinal negativo com o dedo indicador.

Minha curiosidade vai a mil – e eu fico me perguntando qual será a história daquela mulher, como foi parar na rua e por que permanece nela?

Hoje, ela estava falando sobre a política dos EUA.

Já perguntei para várias pessoas do meu trabalho se sabem algo sobre ela. Comentei que tinha curiosidade para saber como foi parar nas ruas. Alguns esboçaram um sorriso e disseram: “vai lá perguntar”. Para a Vera, uma amiga, ela disse se chamar “Maria”.

Minha teoria é que ela foi professora universitária, em uma faculdade de Letras. Fez pós-doutorado, morou em alguns países da Europa, não teve filhos, “despirocou” e caiu nas ruas.

Deve ser de outro estado – imagino que do Rio de Janeiro ou do Espírito Santo, pelo sotaque carregado nos “SS” que povoam o seu falar.

Ficou curioso(a) em conhecê-la? Se estiver pelo centro de São Paulo, passe pela praça. Irá vê-la e com certeza o bichinho da curiosidade irá te morder para saber qual é a origem dessa senhora.

Com os meus agradecimentos ao Newton Sodré, amigo do trabalho, que revisou o texto.

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