A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

setembro 23, 2019

É primavera!

Hoje, dia 23 de setembro, às 4h50, nesta nossa parte do mundo deu-se o início da Primavera. No ritmo das estações, tudo começa a ficar com maior viço. O canto dos passarinhos fica mais forte e mais bonito, as plantas começam a verdejar e, a despeito de todas as dores e lutas, também as pessoas parecem florescer mostrando-se mais alegres.

Jacarandá Mimoso

Um dia, num passado bem distante, os povos do norte invadiram essa “Terra Brasilis” e soterraram a cultura autóctone, trazendo um novo Deus e santos desconhecidos. A caminhada através dos tempos já tratou de mostrar que na profusão de deuses e deusas que co-existem nas mais variadas culturas, o que fica como certeza final é de que esta terra é sagrada e cabe a nós cuidar para que ela siga firme, com saúde, e que nós somos os responsáveis dela ser um lugar bom de viver. Essa é a Eko Porã do povo Guarani (terra boa e bonita para todos).

Virgínia Rosin Calore Martini – minha avó paterna e suas Rainhas Margaridas

Esse tempo ainda não chegou – pois proliferam as guerras, os povos precisam migrar de um lado para outro buscando sobreviver em meio à destruição causada pelo capital. Mas, em cada ser que vive e brilha a indefectível esperança. Esperemos que chegue um dia em que todos poderão dançar para Pacha Mama, Viracocha, Inti, Quetzalcoalt, Istsá Natlehi, Wakan Tanka, Krisna, Jesus, de braços dados, como irmãos. E a terra será bela, e o banquete repartido.

Enquanto isso, celebremos, pois hoje chegou a primavera. Os passarinhos nos chamam, as flores perfumam a vida e nós temos a obrigação de render graças a Deus (ou ao Deus de cada um). Porque nada no mundo pode ser melhor que caminhar na direção da beleza, da vida plena, da alegria, da Eko Porã. Em meio à tormenta, cantamos, dançamos e plantamos jardins porque confiamos que mesmo com a terra arrasada, que ainda vingarão flores neste lugar…

Para vocês, um pouquinho de Manuel Bandeira:

” Primavera é quando, num pedacinho da Terra, as flores se abrem,
o sol fica mais forte e a vida fica mais alegre.
Quando, num canto da Terra, se faz primavera, nos outros cantos se faz verão, inverno e outono.
Das quatro estações, a primavera é a mais bonita, porque colore a terra, perfuma o ar e contagia os corações sensíveis com sua alegria.
A primavera é uma boa época para renovar o espírito, assim como as flores se renovam.
E de colher os frutos e semear a terra.
Semear a terra sempre, pois isso significa mantê-la sempre fértil.
E de terra fértil, sempre brota a vida.
Bom seria se a primavera acontecesse o tempo todo, em todos os corações
humanos… florescendo, enfim, na forma de atos, palavras e pensamentos, sempre positivos…
se cada ser vivente, fosse como uma flor, bela, pura e
cheirosa, toda a Terra viveria uma eterna primavera…
Depende de cada um, fazer do próprio coração, a terra…
semeá-lo e cuidá-lo, para cultivar o espírito da primavera, todo o tempo… em qualquer estação… “

Outro trecho de um poema da Cecília Meirelles, de quem gosto muito:

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega”.

O mesmo Jacarandá Mimoso do detalhe acima, visto da minha janela – com o prédio da Secretaria da Fazenda de São Paulo ao fundo

A Primavera na visão da mitologia Grega

“Ceres para os romanos ou Demeter para os gregos (e também chamada de Géa) era a Mãe-Terra que alimentava seus filhos com seus produtos. É deste nome – Ceres – que deriva a palavra cereal, produto principal da terra na época em que o homem iniciou a era agrícola.

Demeter, ou Ceres, tinha uma filha, Proserpina, ou Perséfone, que vivia nos campos a colher flores e a embelezar-se e que foi raptada por Plutão. Ao perder a filha, Ceres enlouqueceu de dor, se vestiu de preto e começou a vagar em busca de sua filha querida.

Acabou chegando em Eleusis, um pequeno lugarejo perto de Atenas. Ali ela viveu humildemente, quase sem comer e amargando sua tristeza. A Terra então secou e os homens viveram um período de miséria nunca antes visto.

Por sua bondade e sabedoria, Ceres (sem ser reconhecida) foi chamada para cuidar de um pequeno príncipe na corte da rainha de Eleusis. Um dia, para tornar imortal o pequeno príncipe, ela começou uma cerimônia de purificação pelo fogo, mas foi surpreendida pela rainha. Então, para não ser banida da corte, chorando, revelou sua verdadeira identidade de Deusa da Terra e contou que sua dor era a causa da aridez e da carestia pela qual a terra estava passando e que estava matando homens e animais.

Zeus ouviu os prantos de Ceres e interveio ordenando a Plutão de devolver a filha Perséfone à sua querida mãe. Mas Plutão acabou fazendo um acordo: devolveria a filha à mãe durante seis meses e a guardaria para si os outros seis meses. Ele explicou que não poderia viver sem ela!

É desta forma que os gregos explicavam as estações do ano, o ciclo fértil e o ciclo árido da terra ligado às mudanças climáticas.”

A Primavera na visão da mitologia Romana

“Segundo a mitologia Romana, Hades, senhor do Reino dos Mortos, se apaixonou por Core. Com a permissão de Zeus, ele veio à superfície em seu carro puxado por corcéis negros e raptou a jovem, quando esta colhia flores junto a um lago em companhia de algumas ninfas, levando-a para as profundezas, onde nem mesmo seu nome ela poderia conservar. Tornou-se Perséfone, ou Prosérpina, Rainha dos Mortos.

Ouvindo os gritos da filha, Deméter saiu a procurá-la com um archote aceso em cada mão. Durante anos vagou sem obter uma pista do paradeiro de Core, até que, certo dia, Hélio, o Sol, que tudo via, revelou-lhe o que acontecera. Enfurecida, Deméter recusou-se a voltar ao Olimpo e a exercer suas funções. Sem as bênçãos da deusa, a terra secou, as colheitas minguaram, os animais morreram e a fome se abateu sobre os homens.

Vendo a terra estéril, Zeus ordenou a Hades que libertasse a jovem. No entanto, ela tinha comido sementes de uma romã que lhe fora oferecida e assim se ligado ao mundo subterrâneo para sempre, devendo reinar ao lado do marido quer quisesse ou não. O senhor do Olimpo não teve outra opção que não fazer um acordo com o irmão: Perséfone passaria parte do ano com a mãe e a outra parte com o marido.

O trato foi aceito por ambas as partes, mas Ceres nunca se conformou. Sempre que a filha descia ao Hades, Deméter se entristecia, descuidava-se de suas tarefas e a terra minguava e não florescia. Mas quando Perséfone lhe era devolvida, a deusa coroava os homens com as mais abundantes colheitas.

A relação simbiótica entre Ceres e Perséfone é vista como uma alegoria desde a antiguidade: Perséfone simboliza os grãos semeados, colocados embaixo da terra para se desenvolver e despontar durante a primavera sob a forma de novos frutos. Assim, as incursões da jovem deusa ao Mundo dos Mortos simbolizam o período de latência das sementes durante o inverno, e seu retorno, seu florescimento na primavera.”

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