A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

abril 8, 2018

Praga é a joia da Europa Central

Mil anos de arquitetura dentro de alguns quilômetros quadrados. Talvez não exista outra cidade no mundo, onde você possa vivenciar a história inteira da Europa. A arquitetura de Praga quase não sofreu danos nas guerras mundiais. Assim, hoje é fácil imaginar como era sua vida nos séculos passados. E entender melhor a época dos fidalgos, alquimistas, artesãos, comerciantes e reis. Visitar Praga é fazer o tempo parar e ressuscitar a alma dos tempos passados.

Uma arquitetura surpreendente que nos transporta para o mundo dos contos de fadas, pontes e mais pontes, castelos, ruazinhas em zigue-zague, um rio que atravessa a cidade… Bem-vindo à mágica cidade de Praga!

A capital da República Checa é a maior cidade do país, estendendo-se por 496 km2, e possui uma população aproximada de 1,23 milhões de habitantes, que a torna também na cidade mais populosa do país.

Praga, a quem chamam “a cidade das cem torres”, apesar de contar com mais de 500 torres e miradouros, é considerada uma das cidades mais bonitas da Europa e do mundo. Razões não faltam! A beleza arquitetônica dos seus monumentos, a hospitalidade dos seus cidadãos e a excelente cerveja produzida na região (é lá que é produzida a cerveja que aparece nos Simpsons – Duff Beer!) fazem desta cidade um destino turístico de excelência para todos aqueles que decidem visitar a República Checa.

O coração da cidade estende-se junto às margens do rio Vltava, que percorre Praga por 30 km, e está dividido em zonas, que antigamente eram independentes e se juntaram durante o século XVIII. Estas zonas são a Cidade Velha, a Cidade Nova, a Cidade Pequena, o complexo de Hradcany e Vyšehrad. É nestas regiões que se encontram a maioria dos monumentos, museus e galerias de Praga, sendo por isso as zonas onde há a concentração de muitos turistas.

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Como a maioria das atracões turísticas se encontram concentradas nas mesmas áreas, Praga é uma daquelas cidades que podemos desfrutar quase que totalmente, mesmo que o tempo da nossa estadia seja curto. É uma excelente escolha, tanto para uma visita romântica de fim-de-semana, como para passar as férias prolongadas com a família!

Anualmente, na temporada alta, a cidade recebe mais de 100 mil visitantes.

A forma mais rápida de chegar a Praga, é através de um dos muitos trens  que saem diariamente das capitais europeias. O aeroporto internacional de Praga-Ruzynê encontra-se a cerca de 20 km do centro da cidade e está conectado a uma rede de ônibus que, por sua vez, faz a ligação com duas estações de metrô.

Para circular na cidade, o melhor é optar pelos transportes públicos, já que muitas zonas de Praga são fechadas para o trânsito de carros. Os táxis também podem ser uma boa alternativa, pois são relativamente baratos, mas devem ter em local visível o seu tarifário. Taxista é igual em qualquer parte do mundo! Em caso de dúvida, pergunte ao taxista quanto custará o trajeto antes de subir ao táxi. Eu dispensei o uso de táxis. fiz tudo a pé, o que foi muito tranquilo e agradável.

Além de um patrimônio histórico e cultural de fazer inveja a muitas outras cidades europeias, Praga é uma cidade que oferece animação muito diversificada tanto de dia como à noite. Ao cair a noite, a cidade é iluminada por luminárias do tipo de lampiões, que dão um toque mágico ao seu ambiente, e as ruas enchem-se de artistas de rua e músicos.

Os bares e discotecas de Praga também gozam de grande fama entre os visitantes, garantindo muita diversão. A discoteca Karlovy Lázne, por exemplo, tem quatro andares e auto-intitula-se a maior discoteca da Europa Central. Encontra-se nas margens do rio, perto da Ponte Carlos. Outra discoteca popular é a Roxy, na rua Dlouhá.

O clima de Praga é um dos aspectos importantes a considerar quando estiver programando a sua viagem, já que a paisagem da cidade muda de estação para estação. No Verão, as temperaturas oscilam entre os 20ºC e os 30ºC, e a esta altura é que o número de turistas que visitam a cidade é maior.

No entanto, na Primavera e no Outono, estações mais chuvosas, as cores das paisagens de Praga tornam-na verdadeiramente deslumbrantes. O mesmo acontece no Inverno, que embora muito frio, chegando aos 0º C (período em que estive visitando a cidade) e com frequentes nevascas, é uma das épocas em que a cidade se torna mais mágica. Não se esqueça de levar roupa quente!

A moeda oficial de Praga é a coroa checa, que se abrevia CZK. Uma CZK corresponde a 0,039 euros, ou R$ 0,163 no câmbio de hoje, 09 de abril de 2018. A moeda divide-se em moedas de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 CZK e notas de 100, 200, 500, 1000, 2000 e 5000 CZK.

Entre os produtos típicos que poderá trazer de Praga destacam-se o cristal da Boêmia, as marionetes, as bonecas matrioshkas (que embora de origem russa, estão muito presentes nas lojas de souvenirs de Praga), as caixinhas em madeira decoradas com desenhos dos locais mais emblemáticos da cidade… e claro, a famosa cerveja checa!

O centro histórico de Praga caracteriza-se por ruas que serpenteiam e edifícios que combinam todos os estilos arquitetônicos, com cúpulas, igrejas góticas, palácios renascentistas e barrocos que se misturam com casas típicas em arte nouveaux, classicismo, cubismo e outros edifícios modernos. Está classificado como Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela UNESCO, desde 1992.

O imponente Castelo de Praga é uma das construções mais importantes da cidade. Situado na Colina Hradcany, onde foi fundada a cidade, foi construído no século IX e é, atualmente, a residência presidencial. Com uma área superior a 72,5 mil metros quadrados, é o maior castelo do mundo, de acordo com o Livro dos Recordes Guinness. No interior do castelo encontram-se a Catedral de S. Vito, a Torre da Pólvora, o Palácio Real, a Torre Dalibor, o Convento de São Jorge, o Palácio Lobkowicz e a Viela Dourada.

Ponte de Carlos é a mais antiga ponte de Praga. Foi construída em 1357 e concluída em 1402 por Carlos IV para substituir uma outra ponte, de Judit, que tinha sido destruída pelas cheias. A ponte, para pedestres, mede 515 metros de comprimento e 10 metros de largura. Tem torres de vigia nos dois lados e os seus pilares estão decorados com dezenas de estátuas de santos que foram colocadas entre 1683 e 1928 (que são cópias. Os originais estão em um Museu).

O Imperador atribuiu a tarefa de desenho e construção da ponte ao arquiteto Petr Parleř, mas só após a sua morte é que foi concluída.

Diz a lenda que Carlos IV consultou astrólogos para conhecer qual o dia mais favorável ao início da obra. A 1ª pedra foi colocada pelo próprio Imperador no exato momento em que os astrólogos recomendaram. Foi na madrugada (5h31) do dia 9 de julho de 1357.

Diz-se também que quando a construíram foram utilizados ovos, vinho e leite para garantir que durasse muitos anos… o que fato é que ela já tem quase 660 anos!

Inicialmente era chamada por Ponte de Pedra e só em 1870 é que recebeu o nome de Carlos, como homenagem a este soberano.

A partir da Ponte de Carlos é possível chegar até a Kampa, um pequeno ilhéu fluvial onde se encontra um magnífico jardim, ideal para passeios românticos.

A monumental Torre da Pólvora, à entrada da Cidade Velha (Stare Mesto), é um dos edifícios mais emblemáticos de Praga. De estilo gótico, foi construída em 1475 e serviu como armazém de pólvora, daí o seu nome. Uma vez na Cidade Velha, um dos locais imperdíveis é a magnífica Praça da Cidade Velha, onde se encontra a Câmara Municipal com o seu famoso relógio astronômico, que data de 1410 (estava em restauração em janeiro desse ano).

A norte desta praça encontra-se Josefov, o Bairro Judaico de Praga, outro espaço de visita obrigatória, de onde se destacam o cemitério judaico e as sinagogas.

Templo de São Nicolau, a Igreja do Menino Jesus, no Bairro Pequeno (Mala Strana), é uma das obras mais importantes do barroco de Praga. Destacam-se a sua cúpula, campanário e a decoração interior. Uma curiosidade sobre esta igreja é o fato de o compositor Mozart ter tocado aqui o órgão durante a sua estadia na capital checa.

Na mesma zona, encontramos a rua Nerudova, o Parlamento da República Checa, com belíssimos jardins no interior, e a colina de Petrín, à qual é acessível por meio de um elevador. Ao chegar no alto, você poderá apreciar uma das melhores vistas sobre a cidade. É ali que se encontra uma réplica da Torre Eiffel, que conta com um fantástico miradouro no topo.

Loreto é um local de peregrinação mariana. Tem uma cópia da Santa Casa e a Igreja barroca do Nascimento do Nosso Senhor, além de várias capelas. Na torre há um campanário com 27 sinos loretanos. Vale a pena ainda destacar o Tesouro do Loreto, um conjunto de objetos litúrgicos dos séculos XVI-XVIII de onde se destaca a Custódia de Diamantes, decorada com 6.222 diamantes.

A mais antiga sede dos príncipes do país, da lendária rainha Libuse e dos primeiros Premyslidas, o castelo de Vysehrad é outro lugar imperdível.

Na Cidade Nova de Praga, há também muitos segredos por descobrir. Destacam-se a Praça da República (Námestí Republiky), a rua Narodni Trida, o Teatro Nacional (Narodni Divadlo) e a Praça de Wenceslau (Vaclavske Nemesti), onde se encontram o Museu Nacional e a estátua de São Wenceslau.

Franz Kafka nasceu em Praga a 3 de julho de 1883, na altura em que a República Checa pertencia ao império Austro-Húngaro dos Habsburgos.

Kafka era o mais velho dos seis filhos de um casal de judeus (de expressão alemã), que pertenciam à classe média. Os pais chamavam-se Hermann Kafka e Julie Löwy e tinham um negócio, que os obrigava a estar a maior parte do dia fora de casa e longe dos seus filhos. Este afastamento associado a algum autoritarismo, iria ser determinante na vida (e obra) de Kafka.

O seu percurso acadêmico fez-se sem grandes alterações. Frequentou a escola secundária onde agora é o Palácio Kinský e mais tarde a faculdade de Direito. Após a conclusão do curso ele teve alguns empregos para sobreviver, mas estava sempre insatisfeito. O que gostava mesmo era de se dedicar à literatura.

No ano de 1917 contraiu tuberculose e teve de deixar de trabalhar, sendo obrigado a passar o resto da sua vida em sanatórios e balneários. Kafka pediu que tudo o que tinha escrito fosse queimado. Mas o seu melhor amigo publicou a sua obra após a sua morte. E ainda bem… Se assim não tivesse sido, nunca teríamos lido obras primas como “O Processo”.

O escritor não foi reconhecido em vida, tendo apenas publicado sete pequenos livros, mas atualmente é considerado um dos mais influentes do século XX.

Kafka (e a sua obra) está intimamente ligado a Praga. Além de lá ter nascido e vivido a maior parte dos seus 41 anos, adorava-a. Numa carta a um amigo escreveu uma vez “Prague doesn’t let go. Of either of us. This old crone has claws. One has to yield, or else. We would have to set fire to it on two sides, at the Vyšehrad and at the Hradčany; then it would be possible for us to get away.”

Tudo o que escreveu encontra-se impregnado do ambiente gótico, sombrio e misterioso de rio que existe em Praga, assim como das marcas do seu passado eslavo e alemão. E por isso visitar a capital checa é de certa forma, visitar Kafka e tentar sentir o ambiente que o envolveu durante tantos anos. Mesmo que Praga tenha mudado um pouco e por consequência o seu ambiente.

O escritor trabalhou em vários locais da cidade. Um desses foi uma companhia de seguros na Cidade Nova, onde hoje se encontra o Quadrio Shopping Center.

Como homenagem a Kafka, no ano de 2014 foi construída junto à entrada da área comercial uma escultura gigante designada “K on Sun”.

A estátua é um enorme busto (com 11 metros) espelhado com 42 camadas independentes (que giram) confeccionada de aço inoxidável. Pesa 45 toneladas e encontra-se quase sempre em movimento. As camadas podem girar em qualquer direção, o que faz com que o busto possa ter aspetos diferentes. É apenas por brevíssimos instantes que podemos ver as 42 camadas totalmente alinhadas.

Kafka mudou várias vezes de local de moradia, tendo vivido em ambas as margens do rio Vlatava. Um dos locais onde morou foi num apartamento em Mala Strana, num edifício hoje ocupado pela Embaixada Americana.

A cerca de 700 metros desse apartamento encontra-se o museu Franz Kafka, numa antiga fábrica de tijolos, junto ao rio. A exposição ali montada e que constitui o museu, começou com uma mostra em Barcelona, que depois seguiu para Nova Iorque e só em 2005 é que se instalou em Praga. É possível dividi-la em duas seções:

  • O espaço existencial – é explicada a forma como Praga influenciou a vida do escritor;
  • A topografia imaginária, onde é abordada a forma como Kafka via Praga e a transformava na sua imaginação.

Na entrada do museu encontra-se uma peça que faz lembrar um pouco a cabeça de Kafka, até porque foram desenhadas pelo mesmo artista. Ambas as esculturas são constituídas por camadas que se movem de forma independente. A que se encontra no acesso ao museu é constituída por dois homens (com 2,10 metros cada um) em frente um ao outro, onde supostamente jatos de urina convergem  para uma zona no chão que possui o formato da República Checa.

kafka

Ambos os homens vão-se mexendo há medida que urinam, tornando a cena incrivelmente real. Próximo da escultura há um número de telefone, para o qual é possível enviar mensagem de texto e esperar que os homens “escrevam” com a urina o texto que foi enviado!

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