A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

março 11, 2018

Auschwitz – sua criação e como visitar

Após o ataque à Polônia, em 1° de setembro de 1939, e sua ocupação pelo exército alemão e, em 17 de setembro, também pelo soviético, teve lugar a divisão do território polaco. A parte do território onde estava localizada a cidade de Oświęcim foi unida ao Terceiro Reich. Na parte central da Polônia, foi criado o chamado Governo Geral, totalmente controlado pela Alemanha e administrado pelo aparato de administração e policiamento nazistas. A parte oriental do país, de acordo com o tratado alemão-soviético, de agosto do ano de 1939, foi unida à União Soviética. Após o estouro da guerra entre a Alemanha e a URSS, em junho de 1941, esta parte encontrou-se também sob ocupação alemã.

Em abril de 1940, o exército alemão atacou a Dinamarca e a Noruega, em maio a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e a França. Em abril do ano seguinte, os Alemães atacaram a Iugoslávia e a Grécia, e em junho a sua recente aliada – a União Soviética. No outono de 1941, a maioria da Europa encontrou-se sob ocupação alemã.

Na Alemanha, os campos de concentração foram criados desde 1933. Neles foram presos pessoas consideradas  como sendo “elementos indesejáveis”, como por exemplo adversários políticos do regime nazista, criminosos e Judeus. Após o início da II Guerra Mundial, a Alemanha começou a construí-los também nos territórios dos países por ela ocupados. Konzentrationslager (KL) Auschwitz, assim como outros campos de concentração de Hitler, foi uma instituição estatal, administrada pelo poder central do governo alemão. Era administrado diretamente pelo Serviço Central de Economia e Administração da SS (WVHA), enquanto que a deportação de pessoas e seu genocídio eram de responsabilidade do Serviço Central de Segurança do Reich (RSHA).

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O campo de concentração nazista alemão de Auschwitz tornou-se para o mundo um símbolo do Holocausto, de genocídio e terror. Foi criado pelos alemães, na metade do ano de 1940, na periferia de Oświęcim, cidade polaca que foi anexada ao Terceiro Reich pelos nazistas. A cidade recebeu o nome alemão de “Auschwitz”, que foi usado também para determinar o nome do campo: Konzentrationslager Auschwitz. O motivo direto da criação do campo foi o aumento de Polacos presos pela polícia alemã, causando assim a superlotação nas prisões. Inicialmente, este seria mais um dos campos de concentração criados pelo sistema de terror nazista, desde o começo dos anos trinta. Esta função foi cumprida pelo campo durante todo o período da sua existência, inclusive quando – a partir de 1942 – começou gradualmente a se tornar o maior centro de extermínio em massa dos Judeus. A guarnição do campo KL Auschwitz era formada de membros da organização SS (Schutzstaffeln, Esta feitas de Guarda). Estas tropas foram criadas como sendo uma guarda de elite, que tinha como objetivo inicial defender as reuniões de membros do partido nazista. Com o passar dos anos, a importância da SS no Terceiro Reich cresceu consideravelmente – tornou-se uma organização com várias funções administrativas do estado, polícia e exército, suas tropas eram responsáveis também pela guarnição de campos de concentração. Os SS formavam a equipe de direção do campo e sua guarnição, e também participaram no extermínio em massa dos Judeus e na execução de prisioneiros. Inicialmente, a guarnição SS do campo era formada somente por Alemães. Depois foram recrutados também os chamados “folksdojczy”, ou seja, cidadãos de outros países que podiam provar sua descendência alemã e que assinaram a lista alemã de nacionalidade (Volksliste). Durante todo o período de funcionamento do KL Auschwitz, passaram por ele cerca de 8 mil soldados SS e inspetorias SS.

Nos anos 1940-1941, os alemães expulsaram os moradores de um dos bairros de Oświęcim, no qual foi fundado o campo, e também moradores de oito aldeias que se encontravam na vizinhança. Todos os Judeus, que eram cerca de 60% dos habitantes de Oświęcim antes da guerra, foram levados a guetos, e muitos Polacos foram levados ao Reich para trabalhos forçados. Na cidade e região, foram destruídas 1,2 mil casas. No terreno frontal ao campo, foram organizados locais de suporte técnico para o campo, como oficinas, armazéns, escritórios e também aquartelamento para a guarnição do campo. Uma parte das casas que pertenciam aos moradores expulsos foi cedida para oficiais e suboficiais SS da guarnição do campo, que chegavam muitas vezes acompanhados de todos familiares, e também para famílias de colonos, funcionários e policiais alemães. As fábricas que existiam, antes da guerra, neste terreno, foram tomadas pelos alemães, que reformaram algumas delas e as outras destruíram, construindo, em seus lugares, novas fabricas, relacionadas com a produção da máquina de guerra do Terceiro Reich. Para trabalhar nestas fábricas, principalmente na fábrica química gigante da IG Farbenindustrie, os alemães trouxeram 11 mil trabalhadores forçados, principalmente Polacos, Russos e Franceses.

A localização do campo – praticamente no centro da Europa ocupada pelos Alemães – e também as boas conexões de comunicação motivaram às autoridades alemãs o aumento do campo em grande escala e a deportação, para ele, de pessoas de quase todo o continente. Na fase de auge de seu funcionamento, o campo de Auschwitz era formado de três partes principais: – A primeira e mais antiga das partes foi Auschwitz I, chamada de Stammlager, formada na metade do ano de 1940, no terreno e nos edifícios do quartel polaco de antes da guerra, e que foi sistematicamente aumentado para as necessidades do campo; – A segunda parte foi o campo Auschwitz II-Birkenau (em 1944 contou com mais de 90 mil prisioneiros), a maior do complexo de campos Auschwitz. Sua construção foi iniciada no outono de 1941, num terreno distante 3 km de Oświęcim, na aldeia de Brzezinka, de onde a população polaca foi expulsa e suas casas desmontadas. Em Birkenau surgiu o maior centro de extermínio em massa da Europa sob ocupação – câmaras de gás – onde os nazistas assassinaram a maior parte dos Judeus deportados ao campo; – Terceira parte – campo Auschwitz III Monowitz (também chamado de Buna; no verão de 1944, contava com mais de 11 mil prisioneiros). Inicialmente foi um dos subcampos de Auschwitz, formado no ano de 1942, em Monowice, distante 6 km de Oświęcim, ao lado das fábricas de gásolina e borracha sintética Buna-Werke, construídas durante a guerra pela corporação alemã IG Farbenindustrie. Em novembro de 1944, o subcampo de Buna tornou-se independente e ficou sendo chamado de KL Monowitz. A maioria dos subcampos de Auschwitz estava sob sua administração. No total, durante os anos 1942- 1944, surgiram 47 subcampos e comandos exteriores de KL Auschwitz, que usaram o trabalho escravo de prisioneiros. Foram formados princialmente em minas alemãs, usinas e outros estabelecimentos industriais, na Alta Silésia, e também em fazendas de agricultura e criação.

Todos os campos e subcampos do complexo de Auschwitz foram cercados pelos alemães com torres de vigilância e cercas com arame farpado e qualquer contato de prisioneiros com o mundo exterior era proibido. O terreno isolado ia além da área que se encontrava entre as cercas ocupando uma superfície adicional de cerca de 40 quilômetros quadrados (chamada de Interessengebiet), existente à volta dos campos de Auschwitz I e Auschwitz II Birkenau.

No terreno do campo Auschwitz I, os membros da SS criaram o primeiro campo para os homens (1940) e mulheres (1942); nele aconteceram os primeiros testes para matar pessoas com o uso do Cyklon B, e assassinaram os Judeus dos primeiros transportes. Lá realizaram os primeiros experimentos médicos com os prisioneiros, realizaram a maioria das execuções por fuzilamento, estava localizada a prisão central para os prisioneiros de todas as partes do complexo do campo, e também a central de comando do campo e a maioria dos escritórios da SS. E era dele que as autoridades do campo administraram o desenvolvimento do complexo do campo.

SERVIÇO

Para visitar o terreno dos dois antigos campos, no caso de grupos organizados, é obrigada a contratação de um guia oficial do Museu – isso garante uma correta informação histórica e hábil visita pelas exposições. Os guias conduzem nos idiomas: inglês, croata, tcheco, francês, hebraico, espanhol, holandês, japonês, alemão, polaco, russo, sérvio, eslovaco, sueco, húngaro e italiano.

Pode-se reservar um guia:

– por internet (reservation@auschwitz.org.pl);

– por telefone: (+48) 33 844 81 00 /844 80 99

– de segunda a sexta: 7.00 – 15.00 horas; ou fora destas horas, pelo telefone (+48) 33 844 81 02

– durante o horário de funcionamento do Museu;

– enviando um pedido por fax: (+48) 33 843 22 27;

– no ponto de recepção de visitantes. Neste ponto é possível também resolver todas as formalidades necessárias. Por motivos de grande interesse e presença de muitos visitantes, é aconselhado que se faça antes uma reserva. O Serviço de guia é pago.

HORÁRIO DE ABERTURA

O Museu é aberto durante sete dias da semana, nos seguintes horários:
8h – 15h: Dezembro – Fevereiro
8h – 16h: Março, Novembro
8h – 17h: Abril, Outubro
8h – 18h: Maio, Setembro
8h – 19h: Junho, Agosto
Os horários acima dizem respeito à visita aos terrenos do antigo campo. O Escritório de Informações Sobre Ex-prisioneiros, Arquivo, Coleções, Biblioteca, administração e outros departamentos estão abertos (com exceção de feriados) de segunda a sexta, no horário de 7h -15h.
Nos dias 1° de Janeiro, 25 de Dezembro e primeiro dia de Páscoa, o Museu está fechado.

No terreno do Memorial pode-se entrar sem realização de qualquer pagamento. Pode-se visitar as exposições e alguns objetos originais de ambos os campos: Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau. Em Auschwitz I, não existe acesso a uma parte dos blocos, em Auschwitz II-Birkenau pode-se entrar na maioria dos barracões que ali se encontram. Deve-se relembrar de quatro importantes lugares, que se encontram a uma certa distância dos antigos campos :

– terreno onde funcionava a primeira de Casinha Vermelha (distante centenas de metros do limite norte de Birkenau);
– lugar onde se encontrava a segunda câmara de gás em Birkenau, chamada de Casinha Branca (distante centenas de metros do limite ocidental de Birkenau);
 – ramal ferroviário, chamado de Judenrampe, no qual, a partir da primavera de 1942 até maio de 1944, chegavam transportes de Judeus, Polacos e Ciganos deportados para o campo (entre Auschwitz e Birkenau, cerca de 1,5 km dos campos);
– sepultura coletiva de prisioneiros mortos pouco antes e logo após a libertação de Auschwitz.
Para ir de Cracóvia até Auschwitz, você deverá pegar um ônibus no principal terminal rodoviário da cidade, em Krakow Glówny. Há ônibus saindo a cada meia hora, mas recomendo que você compre a passagem no dia anterior, uma vez que você precisará chegar em Auschwitz antes do horário reservado. Como o trajeto dura cerca de uma hora e meia, recomendo que você compre a passagem para o ônibus que sairá duas horas antes do seu horário de visitação. A passagem (trecho único) custa cerca de 20 PLN (mais ou menos R$ 20,00) e deve ser comprada em uma bilheteria no primeiro andar do terminal de ônibus (este tem dois andares; no segundo andar, nenhum guichê saberá informar onde exatamente se compra a passagem. Portanto, procure logo um guichê no primeiro andar e caso o funcionário não entenda quando você falar Auschwitz, mostre a ele a palavra Oswiecim, que é como os poloneses denominam o local onde os campos foram construídos). Infelizmente, não é possível comprar a passagem de volta no terminal, mas apenas com o motorista ao embarcar no ônibus de volta em Auschwitz. Eu comprei tanto a passagem de ida, como a de volta, diretamente com o motorista.
Esteja no local – primeiro andar do terminal de ônibus – cerca de 15 minutos antes da partida. Ao chegar ao destino (Aushwitz I), decore o ponto de descida, pois será ali que você pegará o ônibus para seguir para Auscwitz II, após conhecer Aushwitz I; e será também neste ponto onde você pegará o ônibus de volta para Cracóvia. Logo que descer do ônibus, você verá, em um poste, uma placa com os horários de saída dos ônibus para Cracóvia (veja abaixo). Fotografe-a para programar o seu horário de retorno.
Ponto Onibus Auschwitz
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1 Comentário »

  1. […] via Auschwitz – sua criação e como visitar — A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini […]

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    Pingback por Auschwitz – sua criação e como visitar — A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini | O LADO ESCURO DA LUA — março 11, 2018 @ 14:56 | Responder


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