A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

março 10, 2017

Polenta italiana

Cresci em uma família de descendentes de italianos em que a cozinha sempre foi o centro da casa. E a comida sempre foi o ponto central de tudo. Do início das conversas até as trocas de receitas, de tudo. E a polenta sempre esteve presente. Mole ou dura, frita, com molho ou sem molho, feita no forno com queijo, couve picadinha e carne moída, com frango, e também pura. Enfim, polenta é uma daquelas comidas que têm gosto de casa.

Ainda muito velhinha a minha avó fazia questão de preparar sua polenta no fogão a lenha, em tacho de cobre e mexendo com colher de pau. Depois de pronta era despejada sobre a mesa de madeira ou sobre uma pedra de mármore e sempre cortada com barbante. Minha avó dizia ser pecado cortar a polenta com faca. Dizia que preparava a receita que aprendeu com a mãe, que era de Pádua, Itália e que lá era um alimento básico para as famílias mais pobres.

O milho é originário da América Central, mas foi introduzido na Espanha por Cristóvão Colombo e de lá foi levado ao norte da Itália entre os séculos 16 e 17. Na ilha de Torcello, na Laguna de Veneza, e em outras terras venetas (de onde vieram todos os meus antepassados, tanto por parte de mãe como de pai), o grão era cultivado em grandes quantidades, sendo sua farinha, misturada a outros cereais, usada na fabricação de pão e também exportada.

Dizem que no período de declínio que se iniciou na República de Veneza com a queda do Império Bizantino, o milho foi um dos escudos contra a fome. Dado o alto custo para a importação de cereais, a farinha de milho passou a ser consumida sozinha, em forma de polenta. Minha avó dizia que na família da mãe dela, lá na Itália e durante o inverno, a polenta feita no estábulo e ali consumida, junto com os cavalos e vacas. Assim se resguardavam do frio em meio ao calor emanado pelos animais.

No século 18, o cultivo de milho se expandiu pela Itália, e a polenta passou a ser a base da alimentação no campo e na cidade. Até o século 19, foi considerada comida dos pobres, depois foi moda por um período, caiu em desgraça novamente, e só voltou a ser apreciada após a Segunda Guerra Mundial, figurando hoje no menu de muitos restaurantes italianos.

A polenta pode ser branca – típica de Veneza – ou amarela (dependendo da farinha utilizada), mole ou frita, com queijo ou molho. Diz a tradição que ela deve ser cortada com uma linha ou barbante (como minha avó fazia), para preservar a granulação da farinha de milho e evitar que grude na faca e quebre.

Em minha casa, quando minha mãe fazia polenta, era uma briga para saber quem comeria a crosta que ficava grudada no fundo da panela. Adorava o sabor e lembro-me dele até hoje. Eu adorava a polenta mole preparada pela minha mãe. Deve ser por causa do molho de frango e tomate que ela fazia, ou do molho de carne moída com queijo ralado por cima.

Receita da Polenta de minha avó

Ingredientes

  • ⇒400 gramas de fubá
  • ⇒1 colher sopa de sal
  • ⇒2 colheres de sopa de manteiga
  • ⇒2 litros de água

Modo de Preparo

  1. Pegue uma panela grande, coloque a água (se tiver o tacho de cobre, melhor). Adicione o sal e a manteiga;
  2. Quando estiver formando bolhas no fundo, vá adicionando o fubá lentamente e sempre misturando para não ‘empelotar’; Após inserir o fubá completamente, continue misturando-o;
  3. Quando a massa estiver grossa, uma dica é tampar a panela e mantê-la cozinhando por pelo menos 30 minutos em fogo baixo para ficar no ponto. Observe sempre para que não queime;
  4. Espalhe sobre a massa sobre a mesa espere esfriar e corte-a com um fio de barbante. Poderá polvilhar parmesão e adicionar molho ao seu gosto caso queira.
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2 Comentários »

  1. Diliça!

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    Comentário por Alessandro Paiva — abril 5, 2017 @ 15:33 | Resposta


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