A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

fevereiro 13, 2017

A Aventura da Família Grazioli

Aqui no Asimplicidadedascoisas já escrevi muito sobre os meus antepassados da Família Martini

Nunca havia escrito sobre a Família Grazioli, que é a italianada por parte de minha mãe. Se não escrevi não foi por falta de tempo, mas sim por falta de informações. Há mais ou menos um mês resolvi começar a pesquisa para completar a minha árvore genealógica. Tinha algumas certidões de óbito, dados anotados de conversas que tive com minha mãe e tios… Quase nada de concreto.
O que sabia de meu avô João Grazioli é que ele casou-se com Thereza Bianchini e que teve os filhos: Delfina, Maria Angela, Joana Nathalina, Ercídio Maurício, Elizeu Jorge e Arthur Guilherme.
Quando minha mãe estava com 16 anos a minha avó faleceu. Moravam na Fazenda Mata Negra, no distrito de Morro Grande, hoje Ajapi, em Rio Claro/SP. Meu avô, com um dos irmãos, tinham terras por lá. Plantavam cana e fabricavam açúcar e cachaça. Minha tia Delfina, então com 18 anos, acabara de se casar com Otávio Fossaluza e mudou-se da fazenda. E assim a minha mãe acabou de criar os outros quatro irmãos.

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Aristides (?) com João Grazioli

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João Grazioli

Meu avô acabou perdendo a parte na fazenda por um ato nada lícito que não vou relatar aqui por não saber se realmente aconteceu. Sei que ele e os filhos mudaram-se para a cidade – Rio Claro/SP – onde abriu uma mercearia. Também perdeu esse comércio. Salvo engano a mercearia ficava na Avenida 32-A esquina com a Rua 4-a, na Vila Alemã.
O que sei de meu avô João? Pouca coisa. Depois de perder tudo em Rio Claro foi morar com minha tia Joana na Fazenda Jussara, em Ajapi. Teve um derrame, ficou com os movimentos comprometidos e veio morar conosco em Rio Claro, na Vila Nova. A casa era pequena. Tinha dois quartos. Em um ficava minha mãe e meu pai. No outro, eu, minhas duas irmãs e a Cida, uma prima,  que veio morar conosco para estudar e trabalhar, pois, no sítio em que morava, em Ajapi, só poderia cursar até a 3ª série. A cama de meu avô foi montada na sala. E ali ele ficou até falecer, em 08 de agosto de 1969. Eu tinha dez anos. O corpo foi velado na sala (não haviam velórios em Rio Claro naquela época). Lembro que fiquei traumatizado com isso. Durante o velório não queria sair do quarto. E quando saí foi pulando pela janela, para não passar na sala para não ver o caixão.
Outra curiosidade – João Grazioli era um pé de valsa. Adorava dançar. Minha mãe dizia que sofria muito aos finais de semana quando precisava passar um terno de linho branco que ele tinha. O ferro de passar era a carvão e volta e meia caíam cinzas sobre a roupa. E ela dizia que havia perdido as contas de quantas vezes ele foi convidado a ser padrinho de casamento por conta de seus dotes de dançarino.
João também adorava uma cachaça. Tomou vários porres, dizem que por desgosto por ter ficado viúvo muito cedo e por ter perdido tudo o que tinha na vida.
Há umas três semanas tive a confirmação que o meu bisavô, por parte de mãe, Giacomo Antonio Grazioli, era oriundo da comune de Fontaneto D’Agogna, região norte da Itália. E acionei quem? O Santo Google, para ver como era a cidade. Hoje Fontaneto d’Agogna, que fica na região do Piemonte, província de Novara, tem cerca de 2.549 habitantes. Estende-se por uma área de 21 km², tendo uma densidade populacional de 121 hab/km². Então, imaginem quantos habitantes teria na época do Giacomo!
Achei o site e escrevi para lá arriscando a data aproximada em que ele teria vindo ao Brasil. E a estória começou a ficar interessante!
No dia 29 de outubro recebi uma mensagem da L’Ufficiale di Stato Civile e Anagrafe – Giampaola Nobile, a qual encaminhou a composição da família de meu bisavô como segue abaixo:

COMUNE DI FONTANETO D’AGOGNA
PROVINCIA DI NOVARA

FAMIGLIA RESIDENTE IN LOCALITA’ CAMUCCIONI

Capo famiglia: GRAZIOLI Giacomo Antonio fu Angelo Maria di TRAVAINI Maria nato a Fontaneto d’Agogna il 08.05.1857 vedovo di PLATINI Angela

figlia: GRAZIOLI Antonia nata a Fontaneto d’Agogna il 08.04.1881
figlio: GRAZIOLI Angelo nato a Fontaneto d’Agogna il 29.07.1983
figlia: GRAZIOLI Rosa Maria nata a Fontaneto d’Agogna il 14.11.1885
figlio: GRAZIOLI Francesco Alessandro nato a Fontaneto d’Agogna il 11.02.1888

madre: TRAVAINI Maria fu Giuseppe fu Fioramonti Vittoria nata a
Fontaneto d’Agogna il 06.08.1829 vedova di GRAZIOLI Angelo Maria.

LA FAMIGLIA DI GRAZIOLI Giacomo Antonio risulta TUTTA emigrata in BRASILE IL 01.08.1888 (dopo la morte della moglie PLATINI Angela).

Descobri que meu bisavô emigrou para o Brasil com 31 anos de idade, em 01 de agosto de 1888, após o falecimento de sua primeira mulher, Angela Platini. E que ele, Giacomo Antonio Grazioli, era filho de Angelo Maria Grazioli e Maria Travaini.
Veio com quatro filhos: Antonia, com 07 anos, Angelo, com 05 anos, Rosa Maria, com 03 anos e Francesco Alessandro com 06 meses.

Aqui no Brasil que ele se casou com Angela Pelozi, minha bisavó, nascida na Itália em 1871 e falecida em Rio Claro/SP em 23 de fevereiro de 1942.

bisa

Minha bisavó, Angela Pelozi

Desse casamento – e aqui abro um parênteses – se algum Grazioli estiver lendo esse post e perceber informações desencontradas, peço a gentileza de entrar em contato comigo para que eu faça os acertos, nasceram: João (meu avô, nascido em 02 de janeiro de 1902 e falecido em 08 de agosto de 1969), que foi casado com Thereza Bianchini; Antonio, Felipe, Angelina, Maria e Luis. Dos 05 irmãos e de 03 meio-irmãos de meu avô (pois do Angelo consegui encontrar dados do casamento), não tenho qualquer informação e toda a ajuda será bem vinda.

bisav

Camillo Zapacosta – em outro post comentarei como ele entrou na família Grazioli

O post ficou extenso! Peço para quem tiver outras informações sobre a família Grazioli, que deixe registrado nos comentários, logo abaixo desse texto.
E prometo que logo voltarei a escrever sobre os Grazioli.

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5 Comentários »

  1. Que lindo Augusto! Vou torcer pelas suas descobertas.Quero ler todas as suas descobertas.

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    Comentário por irany soares de araujo — novembro 2, 2016 @ 21:45 | Resposta

    • Oi Laly. Aos poucos vou desvendando os mistérios! Beijos Augusto

      Em quarta-feira, 2 de novembro de 2016, A Simplicidade das Coisas — Augusto

      Curtir

      Comentário por Augusto Martini — novembro 2, 2016 @ 22:12 | Resposta

  2. Fico feliz em saber que você consegui informações sobre seus antepassados

    Curtir

    Comentário por Carmen Lúcia Graciolli Menezes — maio 4, 2017 @ 19:39 | Resposta


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