A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

maio 24, 2016

VLibras – Suíte de ferramentas computacionais para a tradução automática do Português para a Língua Brasileira de Sinais

Resolvi escrever esse post porque em meu trabalho muitas vezes me deparo com deficientes auditivos. Quer seja no atendimento em feiras como a do Estudante do CIEE, quer em outras, como a Bienal do Livro. O grosso mesmo é no atendimento da Reatech – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade.

Mas antes, preciso explicar para vocês algo importante: é preciso que saibam que existe mais de um tipo de deficiente auditivo. Eles não são todos iguais!

vlibras

Existem os “verdadeiros” deficientes auditivos que, tal como diz o nome, tem algum tipo de perda auditiva de leve a moderada, o que geralmente se resolve com aparelhos auditivos. Com eles, basta você falar um pouco mais alto. Não é preciso que você fale como se estivesse falando num megafone, porque o aparelho já ajuda muito. E, mais importante, espere ele dizer para aumentar a voz, senão poderá incomodá-los e muito!

Além deles, existem os surdos sinalizados, mais conhecidos como Surdos. Muita gente acha que são mudos, embora a maioria tenha voz, apenas não costuma usá-la ou porque não aprendeu o necessário ou porque tem vergonha ou não gosta. Eles falam uma língua própria, chamada Língua Brasileira de Sinais ou simplesmente Libras. Uma boa parcela nasceu surda ou perdeu a audição antes da formação plena da fala. São também chamados de surdos pré-linguais.

Há também um grande grupo, mas menos conhecido e facilmente confundido com deficiente auditivo. São os surdos oralizados, que se comunicam através da fala oral, leem os lábios e o aparelho comum ou o implante coclear podem ou não resolver o problema de audição deles. Podem ser surdos adquiridos após a aquisição plena da fala (chamada surdez pós-lingual) ou surdos de nascimento que aprenderam a falar com fonoterapia. Quando esses também falam a língua de sinais, são chamados de surdos bilíngues.

Também é importante saber que a língua de sinais não é igual ao português, tem morfologia e sintaxe próprias, é um idioma independente. Não pense que basta aprender os sinais pra falar Libras. Como qualquer outra língua, é preciso estudar a gramática e estruturação da frase pra dominar esta língua.

Explicando isso tudo, vamos ao motivo de escrever esse post.

Mais de 9,5 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva. Para promover a integração dessa população a uma sociedade cada vez mais digital, o aplicativo VLibras do Governo Federal traduz textos e vídeos para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). O app está disponível para dispositivos móveis e computadores. Os interessados podem fazer o download gratuito pela Google Play, na Apple Store ou no Portal do Software Público Brasileiro (SPB).

Segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), a Suíte VLibras é um conjunto de softwares públicos, desenvolvidos em código aberto. “Para construirmos a nossa igualdade, nós precisamos fazer com que todos que somos diferentes tenhamos oportunidades iguais. Somente desta maneira vamos construir uma sociedade mais democrática e justa”, conta o secretário-executivo do MP, Francisco Gaetani.

O VLibras possui um dicionário com mais de 11 mil termos, podendo ser ampliado e aperfeiçoado pela comunidade de deficientes auditivos. “Trabalhamos por um Brasil 100% digital e isso tem que ser para todos os brasileiros. Nem todos os surdos são alfabetizados em português, o VLibras vem justamente para atender a estas pessoas, para que qualquer conteúdo disponibilizado na internet possa ser traduzido para Libras”,complementou o secretário de Tecnologia da Informação do MP, Cristiano Heckert.

Uma outra ferramenta, a WikiLibras, permite que a comunidade de usuários corrija falhas no aplicativo, avalie e dê nota para os sinais. “Convido as pessoas com deficiência auditiva a conhecer esta ferramenta, pois ela foi construída para vocês. Nela, é possível para a comunidade contribuir com a definição novos sinais”, conta o professor e coordenador do projeto VLibras na UFPB, Tiago Maritan.

O projeto, que vem sendo desenvolvido há seis anos, surgiu quando uma jovem com deficiência auditiva passou no vestibular de Ciências da Computação na UFPB. A partir do desafio de comunicação com ela, a ideia do pacote de programas foi sendo desenvolvida. Atualmente, o projeto é desenvolvido em parceria entre o Ministério do Planejamento, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Câmara dos Deputados.

De acordo com Maritan, a estimativa da equipe é de que haja mais de 10 mil downloads do aplicativo para celulares e uma média de mil acessos diários à página do Vlibras na internet.

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4 Comentários »

  1. Olá, obrigada pela explicação.
    Sabia sobre os diferente tipos de deficiência visual mais as citadas acima é a primeira vez que vejo e fiquei surpresa.

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    Comentário por Fran Monteiro — maio 24, 2016 @ 20:52 | Responder

  2. Muito interessante essa matéria, Augusto: Os surdos são uma parcela da população que vivem às margens da sociedade, por absoluta falta de oportunidades: Parece que está surgindo uma luz no fim do túnel.
    Abraços
    José Antonio – Jales-SP

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    Comentário por José Antonio Caetano — maio 24, 2016 @ 22:25 | Responder


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