A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

setembro 21, 2015

Dia da Árvore!

Se você já acessou esse blog e teve um tempinho para “passear” pelo que escrevo já sabe que adoro mato, bicho e gente. Já escrevi sobre árvores floridas, sobre os quintais de minha infância, sobre os passarinhos que nos dias de hoje vêm comer as frutas no jardim que cultivo em meu apartamento, e, principalmente, sobre as árvores que povoaram a minha infância. E hoje, 21 de setembro, é o dia delas – As árvores. Todas!

Eu no coqueiro

Eu, com pouco mais de dois anos, com uma palmeira, minha companheira.

Mas hoje, em particular, quero falar de uma que fez parte de minha infância e que ficava em frente ao Grupo Escolar da Vila Alemã (hoje Escola Municipal de Ensino Fundamental Djiliah Camargo de Souza). Era uma “Olho de Cabra” que tinha o tronco torto, cujo nome cientifico é Ormosia arbórea, da família: Fabaceae Faboideae. Hoje, tal árvore é encontrada com pouca frequência naquela região. É mais comum no Cerrado. No sítio de meu avô também tinha uma. É uma árvore de médio porte, de 15 a 20 metros, em geral bem copada, a não ser quando ocorre no meio da mata fechada. A floração é linda – rosa e roxa em cachos. O fruto é uma vagem curta de 6 cm, com uma a três sementes. A semente é dura, de 1,5 cm, é muito bonita, em duas cores, vermelho e preto. Para germinar é preciso quebrar a dormência, por ser muito dura. Infelizmente uma de suas qualidades é a madeira. Por isso muito procurada. A semente é utilizada em decoração, joias e enfeites.

Em minha época de escola eu e toda a molecada costumávamos subir em seu tronco torto para atirar pedras para derrubar suas sementes. Saudades de minha árvore…

Também passei boa parte da minha infância ao redor das árvores frutíferas. As tínhamos no quintal de casa. Mas, nas minhas férias escolares ou em alguns finais de semana íamos para o sítio de meu avô, um local mágico pra mim. Brincar com meus primos ao redor das goiabeiras e pitangueiras, pés de manga, jambolão, jabuticabeiras, carambolas, laranjeiras – estas eram minhas únicas preocupações.

Todos os nossos dias eram de brincadeiras sob as árvores. Nossa maior diversão era apanhar os frutos, sacos enormes deles, e distribuir para os parentes. Assim, para mim, o cheiro de minha infância e pré-adolescência, é o cheiro das frutas que colhíamos e a melhor lembrança é da liberdade que tínhamos.

Essa relação que tínhamos com as árvores e frutas e que parece tão distante hoje, me faz pensar o quanto elas nos uniam. Eram essas árvores que nos presenteavam com momentos especiais e a única maneira de agradecê-las era aproveitar cada segundo… e cada manga, cada carambola, cada laranja, cada jabuticaba, cada goiaba!

Nos dias de hoje ao abrir uma revista, ou ao assistir um programa sobre saúde, enfim, “coisas naturebas”, você irá ficar sabendo que é importante consumir frutas e que a goiaba é rica em vitamina C (tem mais que a laranja ou o limão), possui vitaminas A e do complexo B, além dos sais minerais. Mas, naquela época, nem imaginávamos isso! Comer frutas era algo natural, e elas estavam ali no quintal, in natura, para serem devoradas.

Hoje em dia poucos sabem o que é saborear uma fruta no pé. Ninguém mais apanha goiabas, laranjas, abacates, jabuticabas, carambolas… Parece até bobagem, mas fico alarmado de perceber que as pessoas compram frutas nos supermercados sob a forma de geleias e não são capazes de enxergar ao redor que há uma goiabeira, uma amoreira, enfim, uma árvore frutífera em seu caminho, mesmo aqui em São Paulo. Hoje, o mundo é mesmo assim – o óbvio é pouquíssimas vezes enxergado.

A infância e as árvores que me fizeram feliz ficaram para trás, em algum espaço e tempo. As amoreiras e goiabeiras, comuns nas ruas e praças de São Paulo estão abandonadas, nasceram ali por acaso, esquecidas, e por algum motivo, invisíveis. Quando passo por uma delas e as vejo, faço um breve cumprimento com a cabeça, observo que alguns pássaros se alimentam de seus frutos, mas o cheiro que sinto não é de bons momentos, mas de frutas apodrecidas, caídas no chão, mesmo em meio desse inverno com cara de verão. Mas seus frutos estão lá. Enfim, as árvores que povoaram a minha infância hoje choram, despencam seus frutos e esperam sozinhas por celebrações infantis.

Observação – quando eu era criança lembro que em todas as escolas era plantada uma árvore nesse dia. Era um orgulho ser escolhido para esse plantio. Fazia-se uma linda cerimônia! Será que hoje ainda fazem isso?

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2 Comentários »

  1. Viva o dia da árvore!

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    Comentário por vera helena — setembro 21, 2015 @ 13:52 | Resposta

    • Viva! Que tenhamos mais árvores em nossas vidas, melhores transportes públicos e menos carros, motos e gente chata! Beijos, Vera.

      Em 21 de setembro de 2015 13:52, A Simplicidade das Coisas — Augusto

      Curtido por 1 pessoa

      Comentário por Augusto Martini — setembro 21, 2015 @ 13:59 | Resposta


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