A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 8, 2015

Os cães de minha vida… e a eutanásia!

Já falei aqui sobre ele – Tico, o cãozinho da foto que foi um dos preferidos que minha mãe teve aqui, nesta vida. Ele era um mestiço Cocker Spaniel. Quando ela se foi ele ficou muito triste. Ficava horas deitado nos lugares onde ela se sentava.

Mas não contei como ele veio a fazer parte de nossas vidas. Tenho um amigo, o Paulo Roberto Zanello. Lá pelos idos dos anos 80 casou-se com a Maristela. E ganharam a Maggie, uma Cocker Spaniel de presente. Em um dos cios escapou para a rua e engravidou de um “vagabundo”.

Tico

Tico

O Tico veio de uma ninhada de 9 filhotes. E ganhou o nome de Tico em homenagem a um grande amigo, Aristides, popularmente conhecido por Tico. E tal nome veio a calhar – o Tico “gente” era um tremendo galinha. Casado, “pulava o muro”. E o Tico “cão-gente”, cresceu e provou ser um exímio pulador de muro. Saltava o muro que tínhamos em frente de casa com enorme facilidade. O detalhe é que o muro tinha 1,80m!

Desde sua chegada o Tico encantou a todos. Mas, escolheu minha mãe como sua dona. E eu como seu amigo de passeios. Era um cão muito esperto. Fazia coisas especiais, como subir junto comigo em uma escada, quando eu precisava ir até o telhado da casa para arrumar a antena de TV ou soltar pipas. Ficava todo feliz andando sobre o telhado. Tinha um pouco de dificuldade para descer, mas também conseguia.

Na mesma época eu e o Geraldo Ardonde Junior, outro grande amigo, quase irmão, corríamos 3 vezes durante a semana. Geraldo atualmente é um dos proprietários da Pizzaria e Lanchonete Ypê, muito prestigiada em Rio Claro. Com certeza eles fazem o melhor pastel do mundo! Duas de nossas corridas aconteciam na ciclovia, no Distrito Industrial de Rio Claro. E uma delas, aos domingos, era no Horto Florestal, atual Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade. E nessa corrida tínhamos um companheiro – o Tico! Ele ficava maluco aos domingos de manhã quando o Geraldo chegava a casa, pois já sabia que iria correr conosco.

Para quem não conhece, há três trilhas na Floresta Estadual: Trilha da Saúde (trilha que tem apenas 1300m descreve um círculo e termina exatamente no mesmo local. Percorre alamedas de eucaliptos e mata secundária. Tem esse nome pelas estações com placas indicando exercícios. Quase no final, passa ao lado do Arboreto, um conjunto de diversas espécies de árvores nativas e exóticas plantadas por Navarro de Andrade); Trilha da Coleção de Eucaliptos (de 1500m e trajeto semicircular. Ela começa num portal do lado direito do museu (para quem está de frente para ele) e termina numa alameda do lado esquerdo do museu. Essa caminhada é interessante para se conhecer as muitas espécies de eucalipto trazidas por Edmundo Navarro. E também porque o caminho se parece bem mais com uma trilha do que as outras, que são alamedas e estradinhas) e a Trilha dos 9 (que tem trajeto semicircular, terminando próximo ao centro de visitantes. Ela começa no mesmo local onde a Trilha da Saúde inicia e percorre alamedas mais extensas, mas com variação de altitude quase imperceptível. Mais ou menos no meio do percurso ela cruza o Córrego Ibitinga, que dá origem ao lago próximo ao Solar Edmundo Navarro de Andrade e é fiscalizada por seguranças, que andam de moto por ela. E tem 9 km, daí o nome). Essa é a mais longa de todas e era a que fazíamos!

Um pequeno trecho da

Um pequeno trecho da “Trilha dos 9”, na Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade, em Rio Claro/SP

Voltemos ao assunto – o Tico. Eu e Geraldo íamos para o Horto de bicicleta. E o Tico ia junto – montado na bicicleta! Ajeitava “suas partes” encavaladas no quadro da bicicleta e segurava-se no guidão, apoiando as patas dianteiras. Era uma atração a parte nas ruas e na chegada ao Horto, onde os turistas pediam para fotografa-lo. Travávamos as bikes e fazíamos a trilha dos 9 em cerca de 50 minutos de corrida. O Tico ia à frente. Às vezes parava, dava uns latidos como a dizer: “vamos, vamos!”.

O Tico foi nossa alegria por muitos anos. Até que começou a desenvolver uma doença que o cegou, o deixou quase sem pelos e com enormes bolhas na pele que viravam feridas. A essa época eu já estava trabalhando em São Paulo. Certo dia, a Tereza, minha irmã mais velha que é quem ficou cuidando dele após a morte de nossa mãe me ligou chorando, dizendo que não aguentava mais vê-lo sofrer tanto. Sugeriu a Eutanásia, já abordada aqui em alguns posts. E disse-me que não suportaria assumir a culpa sozinha. Então, em uma de minhas voltas para Rio Claro, assinei a Declaração de Permissão no Veterinário e a Tereza foi quem o entregou para o sacrifício. Foi a decisão correta? Não sei! A culpa sempre é enorme. Mas, vê-lo sofrendo tanto, agonizando, era justo? Esta é uma prática mundialmente discutida quando relacionada à espécie humana, sendo proibida sua realização na maior parte do mundo. Mas, na medicina veterinária, esta prática é utilizada para interromper o sofrimento de um animal em decorrência de processos muito dolorosos ou incuráveis e, diferentemente do que acontece com a espécie humana, este procedimento pode ser indicado pelo médico veterinário, de acordo com a legislação vigente.

Qual é sua opinião sobre o assunto? Deixe-a registrada aqui.

Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade

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Localização: Município de Rio Claro
Endereço: Av. Navarro de Andrade, s/n°
Distância: 178 km de São Paulo
Distância Município/Parque: 500 metros do Shopping de Rio Claro
Acesso: Anhanguera/Bandeirantes – Rod. Washington Luís (SP 310) Rod. Fausto Santomauro (SP127)
Características ambientais: floresta de eucalipto com regeneração de sub-bosque composto por espécies nativas. Presença de arboreto composto por espécies nativas e exóticas.
Fone: (19) 3524-7916
E-mail: feena@fflorestal.sp.gov.br
Atrativos da trilha da saúde: Placas e equipamentos para realização de exercícios físicos e arboreto com espécies exóticas e nativas.
Horário da trilha: das 08h00 às 16h30
Horário da Unidade: das 08h00 às 17h00
Limitação de usuário: nenhum
OBS: o Parque oferece hospedagem

Acessem o livro “O Plantador de Eucaliptos – a questão da preservação florestal no Brasil e o resgate documental do legado de Edmundo Navarro de Andrade”

Vejam também este filme, que foi produzido, entre 1993 e 1995, no contexto do projeto de pesquisa “A temática ambiental e a produção de material didático; uma proposta interdisciplinar”, projeto com participação de professores da UNESP*, entre eles minha amiga, a Profa. Rosangela Doim de Almeida e de professores e alunos de escolas públicas estaduais de Rio Claro – SP.

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14 Comentários »

  1. Bem Augusto, eu penso que em relação aos animais é correto, creio que o ser humano sempre tem oportunidade de evolução espiritual enquanto encarnado, nem que seja em instantes o ser humano reflete sobre suas atitudes, agora quanto aos animais, sabemos que eles não tem memória de longa duração, então, o sofrimento não traz evolução.
    É minha humilde opinião!

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    Comentário por Solange — junho 8, 2015 @ 17:26 | Responder

    • Oi Solange, querida amiga. Adorei o seu comentário. Também penso como você. Bjs. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 9, 2015 @ 9:52 | Responder

  2. É um ato de amor a quem nos deu muito,embora seja um sofrimento grande.
    Passei duas vezes por isso, mas não tinha escolha. Triste.

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    Comentário por Filomena Signorelli — junho 8, 2015 @ 17:29 | Responder

    • Bom dia Filomena. Gosto de ler os seus comentários. Agradeço a visita ao blog. Bjs. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 9, 2015 @ 9:52 | Responder

  3. O “Tiquinho” (como a vó Maria o chamava) era uma figura… Lembro mesmo que ele pulava o muro e andava de bicicleta com você. Esqueceu de contar que após a morte da vó, um dia você foi ao cemitério com ele de bike. Soltou ele na porta do cemitério e ele foi correndo pra dentro. Quando você chegou no túmulo da vó, ele já estava lá te esperando… Ele era muito esperto… Esses amigos peludos se vão e deixam uma saudade imensa… Beijos, Gú

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    Comentário por Rosana Christofoletti — junho 8, 2015 @ 17:42 | Responder

  4. Linda história!
    De acordo com sua narrativa pude chegar ao “Horto”…..
    Augusto também tive que, assinar por 2 vezes a eutanásia em um casal de cães….fiquei muito mal na época,mas não tive outra alternativa.
    Quanto a eutanásia em humanos, sou totalmente a favor desde que, a pessoa deixe um documento assinado expondo sua vontade.É o livre arbítrio de cada um.

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    Comentário por Selma Maria Vianna Pattoli — junho 8, 2015 @ 18:15 | Responder

    • Bom dia Selma. Gostei de ler o que escreveu. Aqui em meu trabalho tenho uma amiga que tem a mãe com 91 anos. E sempre me diz que ela não quer viver tanto quanto a mãe. Costuma dizer isso sempre para os filhos. Diz que até 75, 80 anos, está de bom tamanho. Um beijo. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 9, 2015 @ 9:55 | Responder

  5. Eu cresci com ele – o tiquinho … Dei tantos banhos de mangueira quando ele voltava da rua.. Chegava todo cheio de carrapichos nas orelhas..Fazia penteados nele… Eu era menina, o arrumava e até cheguei passar perfume; e ele sempre ali com aquela paciência… Esperando eu terminar …amava esse cãozinho q fez grande parte da minha infância. Em relação a eutanásia tive q fazer no meu Biduzinho – não suportava ver seu sofrimento.. Até transfusão de sangue fizemos. Ficou cego e nem andava mais – acho q foi o melhor para ele, mas a culpa e o sofrimento nunca passaram ..

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    Comentário por endgy — junho 8, 2015 @ 23:08 | Responder

    • Oi Endgy, Você se lembra de uma vez que o Tico sumiu por dias e depois reapareceu do nada, fedido, sujo, e tinha um pedaço de corda amarrada ao pescoço? Já havíamos chorado um monte por ele. O vô Antonio dizia que éramos bobos por chorar por um cachorro… Mas, no fundo, até ele estava muito triste com o sumiço do Tico…

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      Comentário por Augusto Martini — junho 9, 2015 @ 9:51 | Responder

  6. Esse tiquinho era uma figura, esperto como só. Como não lembrar dele com saudades, e com ele da nossa infância, da vó, pena não poder voltar ao menos um pouquinho o tempo…. Também tive que sacrificar dois cachorros meus, o Yuri e Sacha, não fui quem quem assinou foi o Rogério, também não tive coragem de ir junto levar, mas não tinha mais o que se fazer estavam sofrendo demais sem levantar, andar, comer e beber, mas que saudades sinto deles até hoje… E sempre falo aqui pro Rogério que se um dia eu tiver alguma doença , sem cura e tiver sofrendo muito não quero ficar assim ….

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    Comentário por Regiane C. Christofoletti Gouveia — junho 9, 2015 @ 9:58 | Responder

    • Oi Re! Lembro dos cães que você teve que sacrificar. Também penso que o sofrimento é algo penoso e quem em relação aos animais isso é correto. Mas para nós, humanos, como bem disse a Solange em comentário aqui desse post, também acredito que o ser humano sempre tem oportunidade de evolução espiritual enquanto encarnado, nem que seja em instantes o ser humano reflete sobre suas atitudes, passando por tais sofrimentos… Beijos. Gu

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      Comentário por Augusto Martini — junho 9, 2015 @ 10:02 | Responder

  7. Tive 8 cachorros e 4 gatos, três dos cachorros tive que fazer esse procedimento, jurei nunca mais fazer isso mesmo sabendo que estavam sofrendo,um ano depois um dos meus gatos ficou doente sofreu muito indo e vindo da clínica, não deixei fazer o procedimento ele morreu no meu colo hoje eu me arrependo por ter sido tão mesquinha.

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    Comentário por selmacordeiro — junho 9, 2015 @ 21:46 | Responder

    • Boa tarde Selma.
      Não é uma decisão simples de se tomar. E sempre fica um peso na consciência…
      Um abraço, paz e bem.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 10, 2015 @ 17:39 | Responder


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