A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

maio 20, 2015

Filosofando sobre a escola e a educação…

Apesar de a escola também instruir e educar, é em casa que se principia a educação. Antigamente havia mais respeito devido a essa educação que se trazia de casa, respeito, esse, que já vinha da parte dos pais, muitos deles analfabetos, porque sabiam que se os filhos fossem analfabetos como eles não seriam nada na vida.

Se você, como eu, passou dos 50 anos, já parou para pensar o que mudou na escola desde o seu tempo de “primário”? Como é hoje a relação entre professores e alunos? O que mudou ao longo dos últimos 40 anos e o que pensam eles acerca do seu papel enquanto atores sociais? Estão otimistas ou pessimistas em relação ao futuro da educação no país?

Todos nós sabemos que a escola não pode ser a resposta milagrosa para os problemas sociais que nela se refletem, mas, continuo a acreditar que ela pode desempenhar um papel fundamental na sua resolução. Mas para isso, é preciso dar mais tempo aos professores para comunicar e trocar ideias sobre educação. Você, que como eu é professor, sabe que hoje em dia somos absorvidos por inúmeras tarefas burocráticas, por muitas reuniões nem sempre tão produtivas quanto desejaríamos e que acabam por nos deixar esgotados e com pouco tempo para trocar ideias sobre educação. Além de refletirem indiretamente na relação entre colegas e com os alunos, tiram-nos o prazer de sermos professores.

Antigamente o professor trabalhava mais em função da sua área disciplinar, dedicando mais atenção ao seu metiê e ao seu aluno. Hoje em dia tem de atuar em outros níveis e acaba também por ser assistente social, psicólogo – e desdobrar-se em inúmeras tarefas. E há os projetos! Infinitos! E desta multiplicidade de papéis é normal que o cansaço se instale e que a criatividade vá para o beleléu.

Penso que não podemos generalizar as atitudes e os comportamentos dos alunos face aos professores. Ainda hoje há alunos tão interessados, educados e intervenientes como no meu tempo escolar e há também os casos problemáticos. A única diferença é que os casos problemáticos parecem ser cada vez de mais difícil resolução, fato que está diretamente relacionado com as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas.

A escola é um microcosmo do que acontece na sociedade e tudo desagua nela. E por mais que queiramos, há um espaço de intervenção em que a escola e os professores não podem atuar: as famílias. Há alunos por quem os professores não podem fazer nada porque as famílias são atingidas por problemas de desestruturação muito graves – algumas próximas da marginalidade, situação que atinge grande porcentagem da população escolar em nosso país. Sei que muitos amigos professores acham que a situação piorou de uns anos para cá, mas eu não concordo. Penso é que os problemas sociais aumentaram e daí haver um maior número de alunos problemáticos.

Acho que o fundamental seria apostar na prevenção das insubordinações dos alunos. A aplicação de castigos, como a suspensão ou a expulsão, raramente produzem o efeito desejado. E a prevenção passa em grande medida pela relação afetiva que o professor estabelece com o aluno. É importante que sintam que nos preocupamos com eles, que os compreendemos que os conhecemos e que os queremos ajudar. Para mim essa continua sendo a questão fundamental.

É claro que há um pessimismo geral, porque vemos alunos que não progridem e são promovidos. O Estado não faz nada por estes alunos e espera que seja a escola a fazer tudo. E nós, como profissionais, somos mal remunerados.

Eu considero que um aspecto a ser abordado e de primordial importância é a relação da escola com a família. Quando os pais vêm à escola, percebem o que os professores pretendem e existe colaboração, e dessa forma boa parte do trabalho pode ter sucesso. Mas há também o problema da falta de preparação cultural dos pais para orientar os filhos. E a escola acaba por reproduzir as desigualdades sociais.

É extremamente difícil ultrapassar a barreira que separa a cultura escolar e a cultura familiar. A maioria dos alunos precisa alargar horizontes e ver o mundo para além do que vivem na comunidade e do que lhes é oferecido na televisão. É importante trazer temas sobre a atualidade para o debate em sala de aula.

Também há a falta de interesse com que as famílias veem a frequência dos filhos na escola, porque não têm qualquer expectativa em relação a ela e não acham que esta lhes trará qualquer mais valia. E isso precisa mudar!

Todos nós sabemos que a escola precisa de uma profunda remodelação. Estamos no caminho, mas este será o correto a seguir? Hoje há as escolas de ensino técnico para aqueles que querem seguir uma via profissional e há escolas para os que vão para a faculdade. Mas, será que essa escola técnica dá embasamento aos jovens para que tenham acesso a um ensino mais prático e orientado para a vida?

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