A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

maio 6, 2015

Professores, pobreza, analfabetismo, salários e greve!

O Brasil ocupa os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo:  10% da população é analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade para ler e interpretar um simples texto. A maioria das Escolas de Ensino Básico funcionam em ambientes degradados, com professores desestimulados por conta da baixa remuneração, pequena inserção social, insalubridade etc., e ainda atormentados pelo medo – medo dos alunos e de seus pais. Não é tão diferente o que acontece nas escolas privadas, cujas mensalidades podem ultrapassar a 4 mil reais – e por lá, a elite arrogante trata os professores de seus filhos como subalternos, não como aliados.

E em um país que há muita ignorância também há muita violência. Segundo artigo que li no El País, de cada 100 assassinatos ocorridos no mundo, 13 ocorrem no Brasil – proporcionalmente, ocupamos o 11º lugar geral no ranking de homicídios. Somos ainda o sétimo lugar entre os países com maior número de mulheres vítimas de violência doméstica, taxa média de 4,5 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, com um saldo, na última década, de 50.000 mulheres mortas. Outras 50.000 pessoas, em sua maioria mulheres, são estupradas por ano. Também por ano acumulamos mais de 120.000 denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes e 313 homossexuais são mortos por conta de suas opções.

Em nosso país, a corrupção, cujo custo anual alcança cerca de 2% do total do PIB, é uma praga que atinge toda a sociedade. Herança daquela mentalidade colonial, que toma como privado o bem público, que não leva em consideração o valor do trabalho e que leva em consideração apenas seus interesses pessoais.  Essa cultura da corrupção contamina as instituições federal, estadual e municipal, contagia os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e também a população. O chamado “jeitinho brasileiro”, do qual muitas vezes nos orgulhamos, nada mais é que uma maneira de cometer ilegalidades no dia a dia, envolvendo dinheiro, tráfico de influência ou troca de favores. E isso nos deixa cada vez mais descrentes, amargos, distantes do nosso semelhante.

Hoje li um artigo do Juan Arias em qual ele faz um questionamento: com quantas [pessoas você] conversa, sorri, dá bom dia ou para na rua ou no ônibus para trocar quatro palavras…?

Arias diz que a angústia da solidão que assombra o homem moderno é paradoxalmente menos sentida nas favelas e nas periferias pobres das cidades que cercam a solidão dos urbanos ricos. Nelas existe violência e pobreza, mas não solidão, porque a dureza da vida os torna mais solidários e mais próximos. Isso é mesmo verdade. E também é bem perceptível para alguém como eu que morei a maior parte do tempo em uma cidade do interior (Rio Claro/SP), e sempre em bairros periféricos, longe dos mais abastados.

Estas pessoas sabem misturar suas lágrimas. E como diz o autor do artigo – chorar juntos é sempre melhor do que rir sozinhos.

Todos nós precisamos de companhia. Talvez por isso muitos de nós, doentes de solidão física, precisemos nos agarrar tanto ao mundo virtual para nos sentirmos menos sozinhos. E esse mundo virtual também está transformando os alunos e revolucionando o ensino. E ninguém será capaz de deter os avanços da ciência e da tecnologia.

Sou um professor, entusiasta da EaD, mas, sei que no entanto, nada nunca poderá substituir o olhar amoroso, o estímulo para aprender e o esforço pela superação, como oferecem os professores presenciais, que estão na sala de aula.

Arias ainda diz que em seus momentos de solidão e angústia, um menino ou uma menina nunca poderão ser abraçados e consolados por um tablete ou um iPhone, nem derramar sobre eles as suas lágrimas. Isso só a dedicação e a confiança cúmplice e amorosa de um professor ou professora são capazes de fazer. E os professores, sempre injustamente mal remunerados, merecem nosso carinho e admiração. Uma coisa é certa: sem eles, menos ou mais competentes, seríamos todos muito piores do que somos. Eles ainda são nossos anjos insubstituíveis.

Para pensar: segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um professor em início de carreira no ensino público fundamental brasileiro recebe, em média, 10.000 dólares por ano – três vezes menos que a média salarial dos países membros daquela associação. No Paraná, um professor recebe, em regime de 40 horas semanais, 2.400 reais, e um policial militar, 3.600 reais. Um professor educa e instrui, um policial militar reprime. Vejam os fatos recentes acontecidos por lá.

Minha solidariedade para com meus parceiros e amigos professores!

Fonte utilizada: El Pais

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