A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 5, 2015

Lembranças do meu tempo de ginásio – Prof. João Batista Leme, de Rio Claro/SP – 1

“Cada um que passa em nossa vida, passa só, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa só. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si. Há os que levaram muito, mas, não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidadede nossa vida e a prova de que duas almas não se encontram por acaso.”(Antoine Saint-Exupéry)

A foto de minha turma do Batista Leme, feita nas escadarias do colégio no ano de nossa formatura!

A foto de minha turma do Batista Leme, feita nas escadarias do colégio no ano de nossa formatura!

Ontem assistindo ao Fantástico (rede Globo de televisão), vi uma reportagem sobre um professor que às vésperas da formatura no ensino técnico, pediu aos alunos que escrevessem uma carta endereçada a eles mesmos. Mas que só seria aberta no futuro. O ano era 1990. Fernando Collor de Mello tomava posse como presidente. O Brasil era eliminado pela Argentina na Copa da Itália. A internet dava seus primeiros passos, ainda distante do público. E Paul McCartney fazia pela primeira vez um show no Brasil, entre outros fatos de destaque. Os alunos, na época jovens entre 17 e 19 anos, viviam a descoberta do amor, a escolha da carreira –  questões típicas da idade.

As cartas ficaram guardadas por mais de duas décadas. E há poucos meses, em outubro de 2014, o professor Geraldo chegou à escola carregando uma mochila. E, na escola, começou a passar mal e pouco tempo depois morreu de um infarto fulminante. Na mochila, suas filhas encontraram 130 cartas lacradas.

E não tiveram dúvida – as cartas seriam postadas por seu pai naquele dia, mas não houve tempo! Então tomaram para si a responsabilidade e começaram a postar as cartas.

E o que isso tem a ver com esse post? Explico! Há poucos meses duas amigas dos tempos de ginásio (Lilia e Zezé) resolveram criar um grupo dos Ex alunos do “João Batista Leme”, de Rio Claro/SP, que se formaram em 1975, 1976, 1977 e que tenham convivido com este grupo mesmo que não tenham estudado na mesma classe. Para mim foi um dos eventos mais significantes de 2014, pois eu faço parte desse Grupo!

Assim, enquanto assistia a reportagem de ontem tive uma ideia – por que não pedir aos amigos e amigas do Grupo do Facebook que escrevam suas memórias daquela época de Ginásio para postarmos aqui no blog?

Resolvi dar o pontapé inicial, falando um pouco do Batista. Iniciarei falando sobre a Profa. Terezinha de Jesus Pimentel Vianna, a dona Zuza, que começou a atuar na escola Batista Leme quando esta tinha apenas dois anos de atividades e ainda funcionava nas dependências da escola Marcello Schmidt  (que ficava na Avenida 1, esquina com a Rua 5). O prédio atual, na Avenida Brasil, 182, só foi inaugurado em 1971. Eu vivi parte da sua construção. Desde a retirada da linha férrea da Maria Fumaça que ligava Rio Claro a Corumbataí, até a terraplenagem e abertura dos alicerces. Morava em frente ao terreno. Em 1969 nos mudamos para a Rua 10-A, nº 608, na Vila Nova, onde meu pai construiu nossa casa.

O Batista Leme era uma construção arrojada e inovadora para a época (ainda é!), assim como o modelo de ensino adotado pela diretora – a temível D. Zuza e pelo grupo de jovens professores e pais, que formaram uma forte rede de apoio às atividades educativas. D. Zuza era jovem, mas já trazia a experiência de lecionar por cinco anos na escola Joaquim Ribeiro e de ter dirigido colégios nas cidades de Guaíra e Brotas. Começava aí a história da lendária escola Batista Leme, que durante décadas foi conhecida pelos ótimos resultados alcançados dentro e fora da sala de aula. Segundo a D. Zuza, foi um desafio, porque a escola não tinha nada.

Começou como ginásio, e contou com o importante apoio dos professores, pais e da comunidade. Era um grupo novo, com novas ideias. O comprometimento dos alunos foi fundamental para alcançar os resultados obtidos. A participação ia desde as disputas esportivas até o encontro na escola nos finais de semana para lavar o enorme pátio. Isso mesmo. Nós, os alunos, íamos lavar a escola aos sábados! A escola tinha (e ainda tem) jardins internos, e os estudantes ajudavam a cuidar dos canteiros. Quando D. Zuza assumiu o comando da escola, eram 300 alunos sob sua coordenação. Ao se aposentar, estava à frente de um colégio com 1,8 mil estudantes.

Além das enormes salas de aulas, tinha laboratórios, biblioteca, sala de desenho, quadras.

Ironia do destino? Não sei! Hoje eu faço parte do quadro de professores do Batista Leme! Sou titular da cadeira de Geografia do colégio, apesar de estar licenciado e exercendo um cargo em Comissão na Escola Fazendária de São Paulo – a Fazesp onde trabalho com Educação Fiscal e EaD – Educação a distância!

Caso consiga escrever um pouco mais hoje a noite, amanhã postarei as memórias do meu tempo de Ginásio.

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13 Comentários »

  1. Ah, como tenho saudades daqueles tempos em que a vida não era tão complicada. Bastava viver. Era muita alegria, entusiasmo, e um mundo todo para ser descoberto. Sei que hoje sou uma pessoa feliz. E tenho a certeza que a experiência colhida por todos que como eu vivenciaram o Batistão, estes também se transformaram em pessoas felizes, pois tiveram na sua formação excelentes referências de ensino. Penso que também somos responsáveis pelas mudanças necessárias em prol do bem comum. Vamos tentar unir nossas forças e nos concentrar num trabalho que possa, de alguma forma, manter a luz do Batista Leme sempre acesa, viabilizando a continuidade dos exemplos que nos foram ofertados pelos nossos dedicados Professores. Para todos eles toda a nossa imensa gratidão! Abraços.

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    Comentário por Augusto Martini — janeiro 5, 2015 @ 15:45 | Resposta

  2. Outras lembranças… Quem não se lembra dos professores: Roberto Pensado (desenho), Adhemar (História), D. Flora Leão, D. Rosalina Lemos Fernandes e Prof. Chagas (Francês), D. Griseldes e D. Mirtes (Inglês), D. Ivanira Prado (Português). O Clodoaldo, professor de matemática.
    Eu me formei em 76 e tenho lembranças também do Prof. Alcides Maranho.
    E além da dona Maria Pitta (a Maria do apito) alguém se lembra do seu Pedro, aquele que ia pegar os meninos fumando no banheiro?
    D. Zuza foi a diretora mais disciplinar que o Batista já teve e todos morriam de medo dela… E a D. Maria do apito era como uma inspetora – firme sem ser grosseira, dedicada e tomava conta da classe quando o professor faltava. Ela dava conta do recado levando consigo a sua inseparável caixa de gibis.

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    Comentário por Augusto Martini — janeiro 5, 2015 @ 17:15 | Resposta

    • Infelizmente eu não tenho boas lembranças desta escola, pra mim foi uma tortura o ano de 1981, tive aula com a dona Sueli, grossa, estupida, autoritária (no sentido de ser ruim mesmo) , DIVIDIA a sala de aula em grupos de bons, ruins e péssimos e criava um clima horrível de gozação na sala de aula, ÓTIMA PEDAGOGIA KKKKKKKKKKKKKKKK sem contar esta dona Zuza, não quero nem comentar o que penso dela.LAMENTÁVEL.

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      Comentário por karina gomes — junho 10, 2015 @ 19:57 | Resposta

      • Prezada Karina,
        Não a conheço e nem quero entrar no quesito em julgar o que está certo
        e o que está errado. Sou professor e sei que a indisciplina é um dos
        maiores obstáculos pedagógicos dos tempos atuais – transformou-se em
        um pesadelo para o professor. A maioria dos educadores não sabe como
        interpretar um ato de indisciplina. Deve compreendê-lo? Reprimi-lo?
        Ignorá-lo? Transformá-lo? Mais que uma infração ao regulamento interno
        ou um ataque às boas maneiras, a indisciplina na escola é a
        manifestação de um conflito e ninguém está protegido de situações
        desse tipo. Como é possível que a classe se desorganize tanto? Por que
        não se respeita mais o professor? Afinal, como pôr ordem no caos?

        Dias atrás li um texto de um especialista em educação, o Prof. João
        Luís de Almeida Machado, que diz que para a função de “guia” nesse
        emaranhado planeta do saber é necessário não apenas que se dominem
        certos conhecimentos específicos… O professor tem que saber se
        relacionar com seus alunos, ser hábil e qualificado no planejamento
        das rotas que irá percorrer, capacitar-se para tornar a viagem
        interessante e prazerosa e também demonstrar que a sua voz é a de
        comando e autoridade.

        Isso não significa que ele tem que gritar, impor, mostrar-se dominador
        ou agir de forma ditatorial. Não é necessário ser autoritário. Na
        verdade essa forma de agir pode até funcionar em certos casos e
        durante algum tempo. Há casos de escolas onde diretores e professores
        se fazem escutar a partir de sanções, ameaças, ofensas e virulência
        que são reconhecidas por possuírem comportamento exemplar de seus
        alunos…

        Em situações extremas o que prevalece é uma obediência cega motivada
        pelo medo e não pelo respeito e consideração a princípios, idéias,
        ética e projetos educacionais qualificados.

        Não há fórmulas exatas para conseguir afirmar a autoridade em sala de
        aula. Existem caminhos interessantes e experiências pessoais que podem
        auxiliar os educadores na escolha de boas ferramentas para sedimentar
        relações saudáveis com seus alunos em sala de aula, sem excessos
        liberais ou autoritários. Todos esses caminhos se iniciam com o
        diálogo, a compreensão e passam necessariamente pelo entendimento de
        que não somos apenas professores de determinadas disciplinas, mas
        tutores que orientam escolhas e rotas de vida…

        A autoridade do professor deve derivar de sua postura profissional, da
        firmeza com que esclarece conceitos, dos planos de aula bem pensados e
        produzidos, de sua capacidade de ouvir, de seus estudos e atualização
        constantes e da clara consciência de que, naquele espaço sagrado
        chamado de sala de aula, ele deve exercer um comando que demonstre sua
        paciência, persistência, capacidade de argumentação e diálogo e,
        principalmente, experiência e inteligência… Esse seria o mundo
        ideal.

        Mas, nesse processo de degradante que vive a educação nesse país, com
        educadores mal remunerados, sem incentivos, não dá para julgar esse ou
        aquele educador. Não conheço a professora a que se referiu, mas
        conheço muito bem a D. Zuza – pessoa íntegra, respeitável, ótima
        educadora, que, tenho certeza teve os seus motivos para ser dura nos
        momentos certos. Se um diretor não tem pulso, a escola vira essa
        balbúrdia que vemos diariamente pela TV.

        Um abraço. Respire e coloque-se no lugar delas. Repense suas palavras.
        Tenho certeza que irá mudar de opinião.

        Augusto

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        Comentário por Augusto Martini — junho 11, 2015 @ 8:51

  3. Boa tarde Augusto

    Talvez o motivo da minha infelicidade é pq na época eu tinha 7 anos e infelizmente a primeira impressão é a que fica.Mas vou sim pensar com carinho.Obrigada por responder.

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    Comentário por karina — junho 11, 2015 @ 15:28 | Resposta

    • Oi Karina.
      Imagine. Não por isso.
      Quanto somos crianças temos uma visão mega das coisas. Talvez tenha sido isso.
      Um abraço.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 11, 2015 @ 15:45 | Resposta

  4. Augusto

    Tenho sim muiitaaa saudades do meu tempo ginásio, tempo em levantavamos qdo a diretora entrava na sala, o respeito pela sala de aula limpa, a briga para ver quem apagava a lousa, de saber cantar o hino nacional, o caderno mais em limpo, os mapas de geografia do professor Fadel ,apresentação de teatro feito com tanto carinho em mostrar para professora… ,enfim hj infelizmente esta tudo mudado.
    Abraço

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    Comentário por karina — junho 11, 2015 @ 16:50 | Resposta

    • Oi Karina.

      Também tive aulas com o professor Fadel. No Batista e depois na Unesp, quando cursei Geografia. Hoje trabalho em São Paulo. E, há pouco tempo soube que infelizmente ele faleceu. Um abraço. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 11, 2015 @ 16:54 | Resposta

  5. Oi Augusto

    Pois é ele faleceu, eu tive aulas com ele na escola Barão de Piracicaba, q saudades dessa época!!! Tenho uma prima q fez geografia na UNESP.Aliás eu conheço algumas pessoas q fizeram geografia na UNESP.

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    Comentário por karina — junho 11, 2015 @ 17:04 | Resposta

  6. Oi Augusto. Se vc se lembrar posta o nome completo dos professores daquela época. Me lembro muito bem do Prof. Clodoaldo de Matemática mas não sei seu sobrenome. Quem sabe poderia achar alguns no facebook e agradecê-los por aquele tempo tão precioso em nossas vidas. Estudei no Batista de 1971 a 1974. Abcs.

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    Comentário por Edson A. Rebustini — março 15, 2016 @ 17:37 | Resposta

    • Bom dia Edson.
      Vou tentar lembrar dos nomes completos e postarei aqui.
      Um abraço e agradeço sua visita ao blog.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — março 16, 2016 @ 8:49 | Resposta

  7. Frequentei o Batista entre 1971 e 74, cursando meu “Ginasial”. Na epoca eu adorava essa escola, tinha orgulho de a ela pertencer. Hoje, ja aposentado até, e com senso mais critico tenho, alem das saudades e boas recordaçoes, a admiraçao pelo corpo docente, pela Direçao, pelo corpo administrativo que atuavam na época, bem como dos meus colegas alunos. Conheço muitos ex-alunos que obtiveram sucesso em suas vidas profissionais e pessoais graças ao Batista. Sempre usavamos de respeito e com respeito eramos tratados. Basta perceber o tanto de professores lembrados e admirados até hoje. Me lembro, como se fosse recente o Roberto Pensado zoando o Ademar por conta de futebol. Tempos bons d’outrora.

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    Comentário por Ari Pesce — maio 6, 2016 @ 23:09 | Resposta

    • Boa tarde Ari.
      Também ficaram gravadas em minha memórias as cenas hilárias do Prof. Roberto Pensando nos fazendo beijar a bandeira ao entrar na sala. Isso, hoje, seria considerado bullying, não é mesmo?
      Abraços.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — maio 9, 2016 @ 15:22 | Resposta


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