A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

dezembro 30, 2014

Antuérpia – uma jóia da Bélgica

Ao chegar na Antuérpia de trem, meu passeio começou logo no desembarque, já que a Central Station (ou Estação Central) é uma das mais impressionantes estações ferroviárias do mundo! O terminal foi construído no final do século XIX e tem um domo enorme e um hall interior com uma decoração impressionante, além de um shopping center com diversas lojas. Ao sair, caminhe até a praça da estação e aproveite para bater algumas fotos do exterior do prédio, que é ainda mais grandioso, com a aparência de um castelo! É uma belíssima construção, recentemente modernizada numa reforma que incorporou o estilo clássico ao futurista de maneira harmônica, como é comum na Europa. Chegou a ser escolhida, segundo a Wikipédia, a quarta mais bela estação de trem do mundo.

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Segunda maior cidade da Bélgica, Antuérpia tem em sua arquitetura um misto de escolas francesas e holandesas, característica da região de Flandres que, no passado, ia do norte da França até a Holanda. A língua é a holandesa, mas ajoie de vivre (como se diz na França), o modo de vida, é francês: baseado em boa comida, moda e cafés com terraços nas calçadas. Conhecer e participar dessa mescla cultural vale a pena, além, é claro, de admirar os magníficos diamantes.

O termo antwerpen (em holandês) embute uma curiosidade e tanto. Tem sua origem em uma lenda na qual o gigante Antigonus invadiu o castelo da cidade, o Steen, que é um porto, e passou a cobrar pedágio das embarcações. Quem se recusasse a pagar tinha as mãos cortadas por ele e jogadas no rio Scheldt (em português, rio Escalda). Um dia, Brabo, um soldado da província chamada Brabante, derrotou e cortou as mãos do gigante, arremessando-as, também, no rio. Então, o nome ficou Antwerpen, que, em holandês, significa mãos arremessadas. Para celebrar a lenda, há uma estátua de Brabo na praça principal da cidade, a Grote Markt.

O termo antwerpen (em holandês) embute uma curiosidade e tanto. Tem sua origem em uma lenda na qual o gigante Antigonus invadiu o castelo da cidade, o Steen, que é um porto, e passou a cobrar pedágio das embarcações. Quem se recusasse a pagar tinha as mãos cortadas por ele e jogadas no rio Scheldt (em português, rio Escalda). Um dia, Brabo, um soldado da província chamada Brabante, derrotou e cortou as mãos do gigante, arremessando-as, também, no rio. Então, o nome ficou Antwerpen, que, em holandês, significa mãos arremessadas. Para celebrar a lenda, há uma estátua de Brabo na praça principal da cidade, a Grote Markt.

O termo antwerpen (em holandês) embute uma curiosidade e tanto. Tem sua origem em uma lenda na qual o gigante Antigonus invadiu o castelo da cidade, o Steen, que é um porto, e passou a cobrar pedágio das embarcações. Quem se recusasse a pagar tinha as mãos cortadas por ele e jogadas no rio Scheldt (em português, rio Escalda). Um dia, Brabo, um soldado da província chamada Brabante, derrotou e cortou as mãos do gigante, arremessando-as, também, no rio.

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Então, o nome ficou Antwerpen, que, em holandês, significa mãos arremessadas. Para celebrar a lenda, há uma estátua de Brabo na praça principal da cidade, a Grote Markt.

Aliás, a Grote Markt é linda e sintetiza bem a beleza da cidade: nela estão diversos cafés, com arquitetura tipicamente belga-flamenga, e o prédio da prefeitura, magnífico, cujo interior pode ser visitado como parte de um passeio guiado pela cidade, que se compra no escritório de turismo, que fica ao lado.

A Catedral de Nossa Senhora teve sua construção iniciada em 1352, e, na época, era um dos prédios mais altos do mundo. Construída em pedra e em estilo gótico, a igreja se tornou uma Catedral somente em 1559 e foi erguida no lugar de uma outra igreja que ocupava o espaço desde o século XII. A torre da Catedral ainda domina a paisagem da Antuérpia hoje em dia e o seu interior contém diversos tesouros, como pinturas de Rubens e o túmulo de Isabella de Bourbon. E paga-se para entrar!

Um outro detalhe imperdível da praça são os famosos prédios estreitos de teto triangular que definem a arquitetura da Antuérpia.

Outras atrações imperdíveis

Museu das Belas Artes – Koninklijk Museum van Schone Kunsten

O palácio neoclássico que abriga o Museu das Belas Artes da Antuérpia foi construído entre 1884 e 1890 e a sua coleção contém diversas obras, principalmente de artistas flamengos e do mais famoso de todos eles, Rubens. O museu foi uma das principais atrações da Exposição Mundial de 1894, que aconteceu na Antuérpia.

Steen (A Pedra)

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Steen é uma fortaleza medieval que foi construída após as invasões vikings na Idade Média. É o edifício mais antigo da Antuérpia (construído entre 1200 e 1225) . Antigamente tinha o nome de “Antwerpen Burcht” (fortaleza) mas em 1520 após uma significativa reconstrução ganhou o nome de “Het Steen” (castelo de pedra). O castelo já foi usado para diversos fins: como prisão entre 1303 e 1827, mercado de peixe e já pertenceram a instituições importantes da época (antigo tribunal e igreja de Santa Walburga). Já serviu também como casa para soldados com deficiência. Já foi vendido e comprado novamente pelo Governo. Já foi demolido (algumas partes) e reconstruído!

 

O Steen é o prédio mais velho da Antuérpia, um castelo de pedra e o único prédio a ter escapado a demolição durante a construção das docas no rio Scheldt, no século XIX. O Steen começou a ser construído em 1200 e foi alterado várias vezes, tendo servido como prisão e também como museu. O prédio abriga hoje em dia o Museu Nacional Marítimo e de lá se pode ter uma bela vista do rio Scheldt e do Porto da Antuérpia na distância.

Groenplaats

A Groenplaats é uma das praças mais importantes da Antuérpia, localizada no coração do centro histórico da cidade e próxima da catedral. A área da praça é cercada de hotéis, cafés e bares, perfeitos para provar as cervejas belgas. Não deixe de provar também as vlaamse frites (ou batatas fritas) no estilo belga, servidas enroladas em papel e com uma porção enorme de maionese em cima. Um detalhe curioso: até o final do século XVIII, a praça era o principal cemitério da Antuérpia, tendo sido movido somente durante a ocupação austríaca, quando os cemitérios foram banidos de dentro da cidade. Aprecie a praça com calma! dela é linda  e com arquitetura flamenga. Não é a principal, mas é a mais movimentada da cidade. Além de uma estátua de Rubens, é nela que fica uma das entradas do único shopping da cidade. Para os brasileiros, acostumados com centros de compras grandes, o Grand Bazar é pequeno. Mas possui lojas ótimas para comprar lembranças da Antuérpi, além de roupas, cosméticos e perfumes.

Meir

A Antuérpia é conhecida por suas lojas, famosas por terem preços bem mais baixos que lojas de cidades próximas como Amsterdam e Bruxelas. Mas, não se engane – os preços são em Euros! Por isso, a Antuérpia tem não somente uma, mas várias ruas abarrotadas de lojas, todas ao redor da Meir, a principal rua de compras de toda a Bélgica. Lá, você poderá encontrar diversas lojas que vão desde grifes às cadeias mais populares como H&M e New Look (do Reino Unido).

Bourla Schouwburg (Teatro de Bourla)

Embora a Antuérpia tenha vários teatros de maior porte que este, o Bourla é o mais famoso, devido à sua bela arquitetura e à sua significância histórica. O teatro foi construído durante a invasão holandesa da Antuérpia, embora os planos para a sua construção tenham começado durante a invasão francesa. O plano do arquiteto Pierre Bourla era construir um teatro e uma casa de concertos capaz de competir com as casas de outras capitais europeias, e o resultado esplendoroso pode ser visto nos dias de hoje.

Para quem gosta de arte, Antuérpia é o paraíso. Entre os séculos XIV e XVI, foi o apogeu econômico e artístico da cidade, por causa do porto. O renascimento flamengo (Bélgica e Holanda) foi tão importante quanto o italiano. A luminosidade dos quadros dos artistas dessa região foi copiada por pintores da época, inclusive pelos mestres italianos. A cidade respira arte, principalmente no verão, com os inúmeros festivais que acontecem nas ruas.

A cidade de Antuérpia foi onde viveu e morreu Peter Paul Rubens, o gênio barroco do século XVI. Uma visita a casa dele é imperdível: além de obras do artista, há objetos e outros quadros, de outros pintores, que pertenceram a ele. O ateliê é magnífico, e o tamanho das telas impressiona. Entre a primavera e o outono, vale a pena também dar uma passeada no jardim, nos fundos da casa.

Ao sair da casa de Rubens, caminhe pela Meir e entre em suas lojas tentadoras e butiques de chocolate. Dá para almoçar batata frita com cerveja, e chocolate como sobremesa. Afinal, é a Bélgica, terra dessas delícias. Como a Antuérpia convida o andar a pé, não faltarão maneiras de perder as calorias adquiridas no almoço.

Há quadros de Rubens também no Museu de Belas-Artes, mas como este está em reforma, eles estão temporariamente expostos na catedral de Nossa Senhora (Onze Lieve Vrouw), o lugar mais visitado da cidade (e é por isso que a entrada é paga, como citei acima). Trata-se de um lindo conjunto gótico, do século XII, que impressiona pela sua conservação e tamanho – é a maior dos Países Baixos. A visita custa 5 euros, mas vale a pena, principalmente, pelos vitrais e as obras de Rubens (além das telas do museu de Belas Artes, a igreja possui três quadros dele). Ainda pouco conhecida fora da Europa, não há aglomeração de turistas e é possível admirá-la e fotografá-la com calma.

Outras obras do Belas-Artes estão no museu Rockox. A casa do colecionador Nicolaas Rockox (1560-1640) é uma típica residência burguesa do século XVII. O acervo é composto por obras-primas do Renascimento não só do norte europeu, como também da Itália.

Além do Rockox, outro templo da pintura é o museu Mayer van den Bergh, nome de um colecionador, Fritz Mayer, que viveu no final do século XIX. As salas desse museu têm quadros, esculturas, vitrais e desenhos que perfazem do século XI ao XIX.

E se com esse roteiro você chegou ao final da tarde, nada melhor do que caminhar à beira do rio Escalda apreciando a magnífica paisagem.

Não fiquei até o anoitecer, mas dizem que a Antuérpia se anima dentro das curiosas tavernas. A cerveja belga já é conhecida como uma das melhores do mundo. As tavernas, situadas perto da catedral e da Grote Markt, não só oferecem uma variedade imensa de cerveja, como também pratos feitos à base dela, como o stoofvlees, que é a carne cozida com molho de malzbier belga. As porções são grandes, acompanhadas por fritas e salada. Os ambientes das tavernas são interessantes: têm inspiração medieval, tipicamente flamenga. A decoração apresenta muitas imagens de santos, isso porque, muitas delas ficam em lugares onde funcionavam igrejas católicas. Então, alguns santos são heranças do lugar, outros foram acrescentados pelos proprietários.


Capital da moda e do diamante

Fora do centro histórico, fica o bairro St. Andries. É a zona da moda. Antuérpia é conhecida por ser um polo de criação fashion, o segundo maior da Europa. Seu estilo é alternativo, mas é inspiração até para as marcas francesas de luxo. Ali há o museu da moda, com exposições temporárias de diversos estilos e estilistas famosos.

 

Antuérpia é também a capital do diamante. Desde o século XVI, é por seu porto que chegam à Europa os carregamentos da pedra vindos da África. Cerca de 70% dos diamantes do mundo são comercializados na cidade e há até um roteiro dedicado ao assunto. Em uma visita guiada ao Diamondland, conhecem-se todas as etapas da fabricação de uma joia.

Um pouco mais sobre a História da Antuérpia

Próximo do ano 1000, Antuérpia foi tomando forma de cidade fortificada, graças à construção de castelos e muralhas, convertendo-se na cidade fronteiriça do Sacro Império Romano.

O primeiro período de apogeu econômico chegou com o século XIV, graças ao porto fluvial e ao mercado da lã, que transformaram Antuérpia num dos principais centros comerciais e financeiros de toda a Europa.

Foi, porém, o século XVI que ficou na história como o período de máximo esplendor, conhecido como o século de ouro da Antuérpia, convertida numa espécie de Manhattan do século XVI. No entanto, foi também na segunda metade do mesmo século que se deu o arrasamento total desse prodígio econômico: a luta político-religiosa entre o Norte protestante e a Espanha católica provocou uma decadência que levou ao encerramento do porto do Escalda, por ordem do governo dos Países Baixos, e a consequente catástrofe da sua principal rota comercial. Todos os protestantes abandonaram a cidade, bem como os intelectuais e os que tinham grande poder econômico. Dos 100 000 habitantes de 1570, restavam apenas 40 000, em 1590.

Não obstante, a prosperidade cultural perdurou até meados do século XVII: foi a época de Rubens, de Van Dick, de Teniers, das famílias de escultores como Quellin e Verbruggen, de famosos impressores como Moretus e fabricantes de clavicórdios (instrumento de teclas europeu usado desde o final da Idade Média, durante o Renascimento, Barroco e período Clássico) famosos em todo o mundo.

Desde então, os altos e baixos da cidade estiveram sempre relacionados com a abertura e o encerramento do seu porto vital, que Napoleão definiu como “uma pistola dirigida ao coração da Inglaterra”. Depois de diversas disputas, este só foi reaberto, definitivamente, em 1863. Chegou então, o terceiro período de florescimento, que dura até aos dias de hoje, marcado por actividades tão diversas como o turismo, a moda ou o centro de diamantes mais importante do mundo.

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