A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 16, 2014

Lembranças de minha infância

Tenho certeza que sou um bom observador. Meus amigos mesmo o dizem. Uma das minhas várias manias é a de observar as pessoas, ver suas expressões, sentir suas angústias ou alegrias e a partir daí criar meus conceitos, imaginar como devem ser suas vidas, se estão felizes ou tristes. Também em momentos de descontração gosto de imitá-las! Se estou certo ou não, pouco importa, pois é um sentimento que guardo para mim, são coisas da minha imaginação e da minha cabeça. Acho legal ter esses insights em minhas observações e de perceber certas coisas que muitas vezes passam batidas para a grande maioria. Pode até parecer estranho, esquisito, sei lá, mas de certa forma isso me traz um fascínio. É um assunto que me desperta interesse. E ao mesmo tempo me entristece, pois vejo coisas acontecendo e que não posso mudar. Principalmente aqui, nas ruas de São Paulo, onde tem tantos moradores de rua, tantos usuários de drogas, tantas pessoas jogadas e abandonadas. Dá um sentimento de impotência ver a vida seguindo um rumo e saber que não tem volta. Pior, não saber onde vai parar.

Pega Vareta - meu primeiro jogo

Pega Vareta – meu primeiro jogo

Outro dia estava conversando com o João, um grande amigo,  ficamos relembrando nossos bons tempos de Rio Claro, de Batista Leme (E.E. Prof. João Batista Leme) onde estudamos e dos momentos que vivemos juntos com a nossa “galera”. E depois disso fiquei viajando no tempo, relembrando os brinquedos e brincadeiras.

Tive uma infância pobre e apesar de ter passado por várias situações tristes me considero privilegiado: cresci acreditando no Papai Noel e no Coelho da Páscoa e vivi toda aquela magia e pureza que somente as crianças conhecem – principalmente as que viveram em cidades do interior, onde a vida passa devagarinho… Aliás, na Páscoa, fazíamos nossos ninhos, minha mãe tingia ovos de galinha que eram cozidos com papel crepom ou cascas de cebola, colocava no ninho e dizia que era “coisa do coelhinho”. E eu minhas irmãs acreditávamos. E ficávamos felizes. E mais, nos sentiámos gratificados com o pouco que ganhávamos. 

Brinquei de esconde-esconde, tentei jogar futebol (e nunca gostei) em um campinho rodeado com árvores e com bola feita de pano, andei de bicicleta (eu mesmo consertava a bicicleta quando estragava ou então pedia ajuda para meu pai ou para um amigo).
Minhas amizades eram de verdade! Se tinha brigas? Tinha, mas os nossos conflitos eram resolvidos na hora, olho no olho e não pela internet ou pelo celular. Sempre soube a diferença entre certo e o errado. Cresci respeitando os mais velhos e, principalmente, meus pais, avós, tios e professores.

As crianças de hoje são infelizes e não sabem. Nunca saberão, pois roubaram sua infância e não foi o lobo mau nem o bicho papão. Foi a internet, o playstation e outros eletrônicos. E pior, levaram junto sua inocência e todo encanto de ir descobrindo a vida aos poucos, no tempo certo. E quando a gente perde isso, perde tudo. Pegue uma foto de qualquer criança que viveu nas décadas de 60, 70, 80 e compare com uma foto de uma criança de hoje. As de hoje têm o olhar triste e distante. E com isso, a maioria das crianças de hoje não conhecem limites nem recebem uma educação moral correta e pior, não tem mais heróis em quem se espelhar: pais, professores e aquelas pessoas que nos serviram de exemplo enquanto nosso caráter era formado. Quem são os heróis de hoje? Aqueles que participam do Big Brother e de A Fazenda? O ator ou atriz de novela que banaliza o sexo de tal forma onde tudo é normal e permitido? Os humoristas escrachados e estereotipados do Zorra Total?

Tabuleiro - jogo War

Tabuleiro – jogo War

Meus leitores – será que estou exagerando? Não sei, talvez, mas da próxima vez que for ao shopping, observe o comportamento das crianças. Ou mesmo seus filhos, sobrinhos e netos. Não existe mais aquela pureza que tínhamos antes. As menininhas estão todas maquiadas, com roupas da moda, sensuais, querendo dançar o funk, e os meninos também. Podem dizer que sou antiquado, mas não consigo aceitar e achar normal crianças terem certas atitudes.

A verdade é que a infância que vivi não existe mais se perdeu em algum lugar pelo caminho, infelizmente. Nada contra vídeo game ou computador, até acho interessante que as crianças joguem de vez em quando, pois exercitam a mente. Mas, por favor, que tenham limites! Onde foram parar os jogos de tabuleiro? Meu sobrinho diz: “Gu, jogar no computador é muito mais emocionante do que jogar, banco imobiliário, xadrez, War ou jogo de botão”. Será mesmo?

Em meu tempo jogava palitos, jogos de tabuleiros, mico, entre outros, com meus amigos. Reuníamos uma galera na casa de alguém e passávamos horas juntos, onde aprendíamos a nos socializar e desenvolver o raciocínio. Estes jogos me deram uma grande lista de amigos que tenho até hoje e não meros contatos no Facebook e em outras redes sociais.

Podem me chamar de velho! Mas eu ainda prefiro a infância que tive com todas suas limitações, pois aprendi várias lições que carrego comigo até hoje. E me sinto feliz por ter acreditado em lendas e vivido todas aquelas fantasias que toda criança deveria ter, sem nenhuma sombra de dúvida.

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