A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 29, 2014

Alta Gracia e o revolucionário Ernesto Che Guevara – parte 2

Voltando ao assunto Ernesto Che Guevara e sua relação com Alta Gracia, na Província de Córdoba, Argentina.

Era o ano de 1932, e as crises de asma já não davam trégua aos brônquios de “Ernestito”, c0mo Che era chamado quando criança.  Ele contava com apenas quatro anos de idade, quando sua família decidiu mudar-se para as serras, por recomendação médica. O clima seco aliviou parte do sofrimento do garoto, após muitos tratamentos ineficazes na solução da doença que o acompanhou por toda a vida.

Assim, a cidade de Alta Gracia vem fazer parte da história de “Che”. Ela está localizada a 35 km de Córdoba, capital da província argentina de mesmo nome e viu crescer quem futuramente seria conhecido como Che Guevara em toda a América Latina e por outras bandas. Foram 12 anos, mudando de casa em casa, durante a maior parte da infância e da adolescência do revolucionário.

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Uma destas casas foi definida pelo irmão de Che, Roberto Guevara, como a “casa de nossas recordações infantis”. A residência Villa Nydia, localizada na Calle Avellaneda 501, foi aberta ao público em 2001 e convertida no Museu Ernesto Che Guevara, que abriga réplicas de seus objetos pessoais e diversos registros da trajetória percorrida desde sua infância até sua fase guerrilheira.

Uma escultura de “Ernestito” sentado na varanda, logo na entrada da casa, é o primeiro dos elementos que vão desenhar a linha narrativa da história do personagem, desde a mudança à cidade em busca de uma cura para sua doença, passando pelas viagens pela América Latina e seu protagonismo na Revolução Cubana, até a descoberta de sua ossada em uma cidade do interior da Bolívia, em 1997.

A ambientação da casa é impressionante. Toda ela foi recriada segundo testemunhos de conhecidos e vizinhos, com réplicas dos móveis que pertenceram à família, fotos, cartas e homenagens escritas por amigos da infância. Na reconfiguração de seu quarto, em cima da cama, estão a bombinha para a asma e alguns de seus livros favoritos quando criança: As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain; Coração, de Edmundo de Amicis e O Corsário Negro, de Emilio Salgari, entre outros.

Nas paredes, molduras com as cartas enviadas à sua tia Beatriz Guevara Lynch, nas quais relata seu dia a dia na escola, revelam as primeiras tentativas caligráficas que, anos mais tarde, se transformariam em um hábito – basta uma visita um pouco mais demorada para observar isso em seus em extensos diários de viagens e dos dias de guerrilha.

Quando não podia sair com os amigos ou ir à escola, devido às crises de asma, ele refugiava na cozinha, na companhia de Dona Rosarito, cozinheira que lhe preparava remédios caseiros com ervas aromáticas da região. O pequeno Che demonstrava seu afeto colando em um caderno receitas recortadas do jornal que o pai levava para a casa, algumas das quais estão expostas na parede da recriação da cozinha.

Na antiga sala de jantar da família, onde tomava lanche com os amigos, há uma réplica da motocicleta com a qual Che percorreu cerca de quatro mil quilômetros. Atrás dela, um mapa ilustra os percursos de suas viagens. A sala também mostra fotos junto ao seu amigo e companheiro de sua primeira viagem pela América do Sul, Alberto Granado, na balsa batizada de “Mambo Tango” por pacientes cuidados por eles, em um leprosário às margens do rio Amazonas, no norte peruano.

O pátio da casa era o lugar onde o argentino se reunia com amigos para brincar e jogar futebol. O local é mencionado em várias mensagens deixadas por seus amigos de infância, expostas em uma das salas do museu. Uma delas relata: “O fundo da casa de Guevara estava ao lado de um terreno baldio. Um dia construímos uma pista para andar de bicicleta. Todos os amigos de Ernesto cooperaram. Algum tempo depois, transformamos a pista em um campo de futebol”.

Entre os deliciosos relatos de infância, um amigo conta: “Fomos ao cinema ver filmes de guerra. Foi lá que Ernesto teve a ideia de fazer duas trincheiras separadas por uns 20 metros de terreno para brincar de guerra. Tiramos duas portas de arame do fundo da casa e usamos como teto. A terra das trincheiras foi cuidadosamente colocada (…) Os menores forneciam os projéteis, umas frutas secas e duras do tamanho de uma toranja. Eles eram lançados de uma trincheira para a outra, mas Ernesto levantou a cabeça e acertaram seu olho, que inchou e ficou roxo. Ele ficou bravo, de tal forma, que disse de tudo, mas terminou rindo. Tinha assimilado o golpe. Mais tarde, seu pai saiu e mandou todos embora, dando um fim ao combate”.

No museu também há cópias de boletins de desempenho na escola, o diploma de médico – após sua primeira viagem pela América Latina, Che voltou para a Argentina para terminar a faculdade, como tinha prometido à sua mãe -, o uniforme de guerrilheiro, cartas manuscritas a seus filhos e ao companheiro Fidel Castro e, inclusive, seu comunicado de renúncia à direção do Partido Unido da Revolução Socialista de Cuba.

Fidel Castro e Hugo Chávez foram algumas das personalidades que visitaram a exposição durante a passagem por Córdoba, na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em julho de 2006.

No mês de maio desse ano uma nova escultura, retratando Guevara durante seus anos como comandante da Revolução Cubana, passou a fazer parte do acervo. A obra, em bronze, foi projetado pelo artista Luis Hourgras, de Alta Gracia, que também é autor da escultura “Ernesto”, localizada na entrada do Museu. A escultura retrata um Guevara sorrindo, foi colocada no pátio da casa, para que os visitantes possam ser fotografados ao lado de ‘Che'”.
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