A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 4, 2014

São Paulo e seus grafites!

São Paulo já é considerada a capital mundial do grafite.  Os grafites e pichações vêm tomando conta de mais de 1.500 quilômetros quadrados de paredes e muros da cidade.

Obra de Os Gêmeos

Obra de Otávio e Gustava Pandolfo, mais conhecidos como Os Gêmeos

Esse tipo de arte pode não agradar a todos os gostos. Mas todos têm a mesma opinião: São Paulo é uma cidade cinza, e o grafite insere cor a esse cenário!

Os irmãos Otávio e Gustava Pandolfo, mais conhecidos como “Os Gêmeos”,  podem até não ter o devido reconhecimento que a dupla de artistas merece por parte da cidade. São conhecidos, ao redor do mundo, pelos trabalhos que misturam um certo realismo fantástico com personagens bem característicos, sempre com cores e figuras geométricas parecidas. Começaram a grafitar em 1987 no bairro do Cambuci, na zona sul da capital paulista. Quatro anos depois da última grande exposição que fizeram por aqui,  voltam a abrir seus trabalhos ao público, desta vez, entre quatro paredes. A partir do último dia 1º de julho, a galeria Fortes Villaça, na Barra Funda, abriu para o público a exposição A Ópera da Lua, com obras inéditas e ambiente interativo. A mostra, que fica em cartaz até o dia 16 de agosto, é feita por 30 pinturas, três esculturas e uma vídeo-instalação 3D. 

Na Avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte da capital, bem próximo da rodoviária do Tietê, um grupo de 58 artistas fez 66 painéis, criando, em 2011, o primeiro Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo (MAAU). Eles levaram para as ruas uma das maiores características dessa arte: a acessibilidade.

Organizado com autorização da Prefeitura, esse museu é uma exceção. O negócio do grafite é ocupar a cidade e os artistas nem sempre pintam em muros autorizados. Existe um aspecto de subversão, que envolve, entre outras coisas, “a adrenalina de pixar”.

Por aqui, desde janeiro de 2007, a Prefeitura adotou a Lei Cidade Limpa. Foi durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, proibindo a propaganda em outdoors e em imóveis públicos e privados. Já em relação aos grafites, ainda não existe um acordo entre artistas e o poder público. Por isso, de um lado, a Prefeitura apaga, cobrindo com tinta cinza, muitos dos muros grafitados. De outro, grafiteiros e pixadores pintam os locais apagados novamente. Mesmo assim, no final da gestão de Kassab, a Prefeitura publicou um guia bilíngue de lugares para ver os grafites na cidade, com uma pequena ficha de alguns artistas.

Por ser uma arte muito efêmera, um dia a obra está lá e no outro pode já ter sido apagada. Pensando nisso, Ricardo Czapski e a produtora cultural Marina Gonzalez tiveram a ideia de eternizar algumas pinturas. Lançaram o livro Graffiti em São Paulo,que nasceu de um acervo de mais de dez mil fotos que Czapski tirou, por cinco anos, de muros grafitados.

Com o passar dos anos, além do reconhecimento do público, o grafite, consequentemente, foi se tornando um negócio mais rentável. Hoje, a arte urbana está presente em galerias e exposições pelo Brasil e pelo mundo.

O grafite também tem o seu cunho social. Em 2007 Thiago Mundano começou a pintar as carroças dos mais de 20.000 catadores de lixo reciclável de São Paulo, que transportam, em um carrinho improvisado, toneladas de papelão, vidro e alumínio para os centros de reciclagem. A meta na época, era pintar 100 carroças, mas, com o tempo, Mundano viu que apenas pintar não bastava. As carroças precisavam de itens de segurança, como tintas refletoras para a noite, espelhos retrovisores, luvas e cordas para os catadores. Assim, nasceu o projeto Pimp My Carroça.

Outro projeto de destaque é o de um muro de quatro quilômetros que colore o caminho entre a estação de metrô Patriarca e a Arena Corinthians com obras de grafiteiros de São Paulo.

O projeto “4 KM”, da Secretaria Estadual de Turismo e do Comitê Paulista da Copa do Mundo 2014, reuniu 70 artistas que tinham um espaço de 50 metros de comprimento por 2,5 de altura para criar suas obras. Os organizadores do projeto afirmam que este é o maior painel de grafite da América Latina. Os trabalhos começaram a ser feitos na primeira semana de abril e cada artista teve 20 dias para terminar a obra, recebendo 40 litros de tinta latex e 60 tubos de spray.

O resultado agora pode ser visto pelos que passam pela avenida Radial Leste a caminho do estádio da abertura da Copa.

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