A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

maio 27, 2014

Não existem anjos entre nós: somos todos corruptos!

Este ano tem eleição. Logo começam as propagandas político partidárias, onde os candidatos vêm com aquela conversa mole, pedindo o nosso voto. E  nas rodas de conversa começamos a ouvir: “só lembram da gente de quatro em quatro anos!”

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Mas eu sempre digo e questiono: “vocês também só se lembram deles de quatro em quatro anos! Não é verdade?”  Você se lembra em quem votou nas últimas eleições? Tem acompanhado o trabalho de seus candidatos para saber se cumprem o prometido?

O Poder Público está tão distante da realidade da maioria dos brasileiros que perdemos completamente a noção não só de para que servem os mandatos que delegamos para os vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República, como também esquecemos que nós, o povo, somos os responsáveis pela qualidade dos políticos que elegemos. A composição dos poderes legislativo e executivo de alguma maneira é um espelho no qual nos recusamos a nos ver refletidos. É ou não é?

A corrupção na política é uma doença que corrói toda a sociedade desse país, sem distinção, por mais que teimemos em dizer que não é assim. É sempre mais fácil lidarmos com algo que encontra-se lá longe, como possibilidade, que admitirmos nossa participação efetiva em algo que condenamos. Por isso, aceitamos que existe muita corrupção “lá” em Brasília, “lá” no governo estadual ou municipal, mas nos ofendemos quando alguém aponta algo em nosso cotidiano.

Quantos de nós temos conhecidos com filhos envolvidos no mundo do crime e que não acreditam que isso seja verdade? Quando são alertados por amigos ou parentes os pais dizem: “meu filho não se envolve com gente que não presta!”. Tais pais só se convencem quando o filho é morto em uma disputa de território e aí já é tarde!

E nós costumamos ter esse comportamento em relação à corrupção. Nós reprovamos o comportamento dos políticos, que se enriquecem com coisas ilícitas sem temer qualquer punição, pois sabem que o direito no Brasil ainda se baseia em três informações clássicas, que compõem o dia a dia da sabedoria popular: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, “para os amigos, tudo, para os inimigos, os rigores da lei”, “a cadeia serve apenas para os três pês: preto, pobre, prostituta”. Nossas leis são tão costuradas, confusas e contraditórias que podem ser usadas contra ou a favor, dependendo do poder que está ligado a pessoa que está sendo julgada. Assim, a mão da justiça quase nunca alcança os ricos. Mas os pobres são tratados aos pontapés! Concordam?

O exercício da corrupção está de tal maneira preso na cultura do Brasil que muitas vezes nem percebemos que repetimos em nosso dia a dia os hábitos e práticas que censuramos na administração pública. O Brasil é o segundo país do mundo em sonegação fiscal – só perde para a Rússia! Calcula-se que os brasileiros sonegam cerca de 28% do total da arrecadação de impostos, o que representa 13% do PIB. Quantos profissionais você conhece que recebem “por fora” para prestar um serviço, ou seja, não emitem recibo ou nota fiscal? Quantos de nós declaramos para a Receita Federal exatamente o que recebemos como pagamento?

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E quantas pessoas você conhece que já deixaram “uma graninha para a cerveja” para o policial rodoviário não atribuir a multa? Quantas vezes você já pagou “um cafezinho” para ser bem tratado? Quantas vezes você já aumentou o valor da gorjeta para que o garçom o servisse com mais eficiência? Quantas vezes você já se utilizou de sua influência para resolver algum problema burocrático em algum órgão público? Quantas vezes você já disse ou ouvir alguém dizer: “você sabe com quem está falando?” Quantas vezes você já burlou a legislação?

Se nós não admitirmos que a prática da corrupção faz parte de nosso cotidiano e que somos coniventes com ela, nunca conseguiremos dar o passo seguinte que é o de votarmos em pessoas mais sérias, em políticos comprometidos com uma plataforma de alcance de uma coletividade e não políticos cujos interesses irão se limitar a projetos de manutenção de poder, sejam eles particulares – na grande maioria das vezes – ou partidários. E temos que pensar em resolver isso logo, antes que seja tarde demais. Pense nisso nas próximas eleições!

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