A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

março 27, 2014

Os antigos postes de energia da Light, no centro de São Paulo

A Avenida Dr. Vieira de Carvalho, onde moro, tem lá seu charme. Como em todo o centro histórico, ela não tem a horrenda fiação aérea que graça por quase todos os bairros da cidade e é iluminada com belos, altos e charmosos postes de ferro fundido.  Eles são uma atração a parte para turistas, que fazem dezenas de fotos e filmes. Aliás, qualquer pessoa que ande pela região central de São Paulo não deixa de notá-los. São os antigos postes de energia da Light que começaram a ser instalados na cidade de São Paulo em 1927, quando a companhia de energia fechou um contrato com prefeitura e com o governo do Estado para reformular a iluminação pública no município.

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Av. Dr. Vieira de Carvalho

Estes postes estão totalmente incorporados a bela paisagem da região central. Ao anoitecer, quando vou para casa, é impossível não notar a atmosfera elegante que suas luzes amareladas trazem para as ruas. E aqui cabe uma opinião particular: a meu ver, a rua mais linda e emblemática aqui do centro é a Líbero Badaró. Passe por ela ao anoitecer e veja se tenho ou não razão. Se for um pouco mais tarde da noite, e em um final de semana, com o pouco trânsito, dá a impressão que estamos imersos nos anos 20!

A grande maioria destes postes de ferro fundido ostentam ornamentos que homenageiam a república brasileira, através do brasão de armas e outros, mais simples, mostram flores estilizadas em ferro. Mas eles, que são símbolos da cidade estão em mau estado de conservação. Muitos são alvos de atos de vandalismo e vítimas de uma manutenção nada eficiente. Eles têm uma espécie de tampa na base que dá acesso a fiação, as quais são roubadas e a base do poste acaba virando lixeira, mesmo com as dezenas delas que são disponibilizadas nas ruas. Falta civilidade por parte dos cidadãos!

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Avenida Dr. Vieira de Carvalho

Aqui na frente de onde trabalho, no prédio da Secretaria da Fazenda, na Avenida Rangel Pestana, um desses postes desapareceu e nunca mais voltou. O que será que aconteceu com ele?

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Rouba da tampa de fiação

A manutenção dos postes deveria rápida e eficiente. Faz uns sete anos que moro na Avenida Dr. Vieira de Carvalho e doze que trabalho no centro. Venho e volto sempre a pé e nesse período tenho notado o estado de abandono em que eles se encontram – já reclamei com a prefeitura e também na AES Eletropaulo. Nada surtiu efeito!

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Um poste da Líbero Badaró

É preciso acabar com esse vandalismo e com o descaso público. A maior vítima é a memória da cidade de São Paulo.

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4 Comentários »

  1. Augusto, concordo com suas observações, quanto à beleza arquitetônica e claro, destes postes, mas me entristecem a sujeira e mal cheiro em boa parte do centro.,Não sei se é o caso da Avenida Dr. Vieira de Carvalho. Nunca viajei ao exterior, mas sou muito rigoroso ao avaliar as cidades brasileiras. Me parece que Paris, que inspirou boa parte de nossa paisagem urbana no início do sé c XX, é bem mais limpa. Quanto à Líbero Badaró, me parece uma rua muito solitária à noite. É necessário um esforço gigante para revitalizar o centro histórico de São Paulo, que no meu entender, é melhor que os centros do Rio de Janeiro e o de Belo Horizonte – cidades, até certo ponto equivalentes, e que eu conheço bem.

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    Comentário por Eduardo Pereira — março 27, 2014 @ 16:06 | Responder

    • Oi Eduardo. A Vieira de Carvalho ainda não tem tanta sujeira e mal cheiro. É essa rua das duas primeiras fotos.
      Isso porque por lá tem varredores em vários momentos do dia ou da noite por conta do grande fluxo de pessoas. Mas, nas proximidades tem sim. Moro apenas uma quadra da estação do metrô República, por onde desembarcam muitos turistas, estrangeiros inclusive. E, do lado dela há uma linha de ônibus executivo que vai direto ao aeroporto internacional de Guarulhos. Pois bem. Causa-me espanto que a Prefeitura de São Paulo deixem tantos moradores de rua e usuários de drogas acampados na saída do metrô e na mesma calçada onde esses turistas embarcam e desembarcam. É um péssimo cartão postal que a cidade mostra ao visitante, logo ao chegar. f Abraços e agradeço sua visita. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — março 27, 2014 @ 16:14 | Responder

  2. Morar no centro é um exrcício constante,de abstração de tudo que é ruim. É um amor incondicional pela cidade que, a maioria da população não compreende!
    Morar no centro é ter um olhar muito mais, ligado ao passado do que no presente…..eu não canso de olhar a arquitetura,de muitos prédios na cidade.
    É fato que a cidade esta pagando, por ter recebido tanta gente em busca de novos horizontes,e que não tinham qualificação profissional alguma…acabaram virando o tal problema social.
    Eu saí de um bairro tradicional para morar no centro.Aqui tenho tudo perto e, ainda a oportunidade de conviver com as coisas boas,que o centro oferece e são muitas.Poder olhar a praça da República com as árvores floridas, não tem preço e de quebra o romantismo que vai dos postes a arquitetura! Obrigada Augusto por fazer parte dos que amam este centro.

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    Comentário por Selma Maria Vianna Pattoli — março 28, 2014 @ 10:29 | Responder


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