A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

fevereiro 3, 2014

São Paulo e seu patrimônio arquitetônico – o lado bom de morar no centro!

A São Paulo do século 19 pode ser considerada uma cidade de arquitetura européia, influenciada pelas escolas francesa e italiana. A São Paulo atual ainda tem belos exemplares de edifícios do passado que resistiram ao descaso, à depredação, à decadência que por muitos anos imperou no centro e revelam muito sobre a cidade que não pode parar.

Mesmo com a especulação imobiliária que desfigura o centro de São Paulo com prédios horrorosos, mais de 100 desses antigos edifícios foram registrados pelo fotógrafo santista Juan Esteves no livro Capital – São Paulo e seu patrimônio arquitetônico (você pode baixar o livro clicando aqui). A publicação reúne, em 276 páginas, 153 imagens do centro histórico paulistano registradas pelo fotógrafo Juan Esteves. A curadoria é de Antonio Carlos Abdalla e o trabalho de pesquisa de Denise Lorch.

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É mais que um livro bonito com fotos em preto e branco de prédios como esse abaixo, construído em 1912 e que abrigou a Casa Médici, pioneiro no uso do concreto armado em seus sete andares, ocupados por escritórios, na Rua Libero Badaró – que para mim é a mais bonita de São Paulo. 

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Construído em 1912, o edifício Casa Médici foi pioneiro no uso do concreto armado

O curador do livro, Abdalla, adora o centro, assim como o fotógrafo Juan Esteves, morador de muitos anos dos Campos Elíseos, bairro que também fotografou e onde resistem alguns casarões antigos. Esteves diz que é difícil fotografar os prédios do centro por causa da descaracterização de suas fachadas e os inúmeros ruídos que perturbam a visão. Nas fotos, ele usou o photoshop para eliminar fios de eletricidade, por exemplo.

O Banco do Brasil na Rua Álvares Penteado, onde hoje funciona o CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, prédio projetado por Hippolyto Gustavo Pujol em 1901, de arquitetura eclética, é um exemplo de conservação que deveria ser seguido por outras instituições do centro. Pelo centro antigo há outros belos edifícios com detalhes que raramente são observados por quem caminha pelas ruas, como o Edifício Rolim, projeto do mesmo arquiteto, da década de 1920. Seu estilo remete ao modernismo catalão, segundo a museóloga Denise Lorck, autora da pesquisa sobre os prédios fotografados, entre os quais está a igreja mais antiga da cidade, a de São Francisco, no largo de mesmo nome, construída em taipa de pilão, em 1647.

O livro não se concentrou nos séculos anteriores ao 19 ou nas construções contemporâneas da Semana de Arte Moderna, como o antigo Correio Central (de 1922), o Palacete São Paulo da Sé (de 1924) e a Biblioteca Mário de Andrade (de 1925). Há exemplos da arquitetura moderna de Niemeyer (o edifício Eiffel, da Praça da República, inaugurado em 1956) e Artacho Jurado (o condomínio Louvre, da mesma época).

Esteves fotografou detalhes curiosos dos edifícios do centro, como os Atlantis que sustentam o edifício York na Rua São Bento e o pórtico do Palacete Chavantes (construído em 1933 na Benjamin Constant), em que as figuras gregas, símbolos da força, também decoram o prédio que foi propriedade do senador Peixoto Gomide. Toda essa história pode acabar se os paulistanos não olharem em direção ao centro. Esteves e Abdalla olharam.

 Sobre Juan Esteves
Filho, neto e bisneto de arquitetos, o fotógrafo Juan Esteves é consagrado retratista e paisagista. Foi fotojornalista e editor de fotografia da Folha de S. Paulo onde escreveu para os cadernos Ilustrada e Informática. É articulista da revista Fotografe Melhor e colaborador de textos para editoras e revistas como Gustavo Gili, Cosac Naify, Revista Select e Santa Art Magazine. Seus trabalhos estão nas principais coleções brasileiras públicas e privadas, como MASP, MAM, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Itaú Cultural, entre outros, inclusive no exterior, no Musée D’ Elisée (Suíça). Já expôs suas fotografias em cerca de 200 mostras individuais e coletivas, em países como Holanda, Alemanha, Estados Unidos, França e Japão. É autor dos livros 55 Portraits (2000), São Paulo en Mouvement (2005), Presença-Presence (2006), Capital, São Paulo e seu patrimônio arquitetônico (2010) e Jardim Botânico de São Paulo (2012).

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