A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 23, 2013

A deliciosa simplicidade da infância narrada por uma de minhas irmãs – Tereza – Parte 8

COMO DIZIA MINHA AVÓ: PIANO, PIANO, SE VÁ LONTANO… Parte 8

…. continuação

Lembro também dos aniversários do meu avô: ele nasceu no dia primeiro do ano, por isso o nome “Primo Martini” – meus bisavós eram Italianos e “Primo” na língua da terra deles quer dizer “primeiro”. E por ser o ano novo tinha sempre festa lá no sítio. Festa que já começava uns dois dias antes, para a preparação: matavam leitoas e vários frangos. Deixavam toda a carne temperada e pronta para assar.

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Meu avô, João Graciolli (Graziolli), com a única foto que temos de nossa bisavó por parte de mãe.

A Tia Leonor fazia pães e roscas doces. Meu avô comprava vários garrafões de vinho e refrigerantes para a criançada, que eram muitas. No 01 de janeiro, pela manhã e no primeiro ônibus que vinha da cidade chegavam meus pais, a tia Isa com o tio Zé e as meninas (Maria Bernadete e Maria Inês). A tia Eva e o tio Humberto, que também tinham as crianças pequenas e moravam no sitio do pai do meu tio também chegavam cedo. Da casa da minha avó dava para ver a casa deles, que ficava um pouco longe porque tinha que dar a volta pela estrada.

O tio Marino morava do outro lado da estrada, e o tio Cesar e a tia Joana moravam na fazenda Jussara, em Ajapi. Ele trabalhava de motorista. Então vinham de caminhão e como ele sabia que a turma vinha de ônibus, já esperava no ponto que ficava na estrada e que tinha uma placa indicando “Fazenda São José do Morro Grande” (onde meu avô foi administrador, meu pai, tratorista, minha mãe, cozinheira e onde eu e meus irmãos passamos o começo de nossa infância) e levava todos na carroceria. Assim, chegávamos todos juntos.

O tio Cesar colocava o caminhão embaixo de uma arvore grande que tinha do lado da casa e que a gente falava que era “o pé de garrafinha” porque dava umas frutinhas pretas que pareciam pequenas garrafinhas (era Jambolão). Ai começava a bagunça! Era criança correndo para todos os lados. Quando o povaréu chegava, todos tomavam café com as delicias da tia Leonor e na hora do almoço todos iam para a salona da casa. E ali começava a comilança! E os adultos tomando vinho! Não tinha um só ano que o tio Humberto não ficasse bêbado. Passava mal e botava tudo que tinha comido e bebido para fora, indo deitar depois.

No final da tarde, quando estava na hora do ônibus passar, todos se despediam, subiam na carroceria do caminhão e o tio Cesar deixava primeiro a tia Eva e a família na porteira que ficava na entrada do sítio em que moravam. E os outros no ponto do ônibus.

Num dos últimos aniversários do meu avô e ainda lá no sítio, a tia Isa estava grávida do ZÉ e chovia muito. Ela caiu e bateu com a barriga no barranco que tinha na frente da casa. Estava perto de dar a luz e ela morava em Ipeúna. Tinha que atravessar uma ponte para chegar até a casa e estava tudo inundado. Assim, ela ficou em nossa casa até a criança nascer. E teve que esperar mais uns dias para a água baixar para atravessar a ponte e poder voltar pra casa.

Como já disse anteriormente, no sítio de meu avô não tinha energia elétrica. Então meu avô comprou um rádio que funcionava com pilhas e que ficava na sala da frente, em uma tábua fixada na parede, longe do alcance das crianças. O rádio só podia ser ligado a noite para ouvir o repórter Esso e os programas de música sertaneja da rádio Nacional. Os tios Henrique e Pedro compraram um violão e foram aprendendo a tocar as músicas sozinhos. Eu adorava cantar junto com eles. A noite, enquanto se ouvia o rádio, a minha avó e a tia Leonor remendavam as roupas que rasgavam no trabalho e sob a luz das lamparinas.

Continua…

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3 Comentários »

  1. Para Tereza,

    Eu lia as lembranças de infância do Augusto e me via criança, aqui em Araras na década de 1970,, e agora lendo as tuas histórias,
    me vi menina outra vez, com muito mais detalhes.
    Tive um avô ‘caboclo’ (que infelizmente não conheci) que aos quinze anos se apaixonou pela ‘filha caçula dos italianos’, na década de 1920.
    O detalhe é que minha avó estava sendio batizada, com apenas uma semana de vida, (nas palavras dele, ‘os olhos mais lindos que ele já tinha visto’
    Sim, ele esperou que ela ‘virasse moça’ e que a família concordasse para se casar com ela.

    Desejo de coração, que amor e paz em família estejam sempre com todos vocês.
    Por favor, considere ter o seu próprio blog, que seria também ‘um empurrãozinho’ para o Augusto escrever um livro, por que não. ?

    Estou sempre aqui : simoneschmidt69@yahoo.com

    Abraços,

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    Comentário por Simone Schmidt — outubro 27, 2013 @ 14:23 | Responder

    • Adorei a história de seus avós! Então, criei um blog para a Tereza e a estou ensinando a alimentar. Hoje estive em Rio Claro e fiquei com ela umas duas horas para explicar como fazer. Quando puder, visite-o. O endereço é http://www.memoriasdetereza.wordpress.com Um abraço e obrigado por tudo! Augusto

      Em 27 de outubro de 2013 14:23, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — outubro 27, 2013 @ 23:04 | Responder

  2. […] outras vezes em que tomávamos Tubaína o “evento” acontecia no sítio de meu avô, em seus aniversários. Nesses dias a mesa […]

    Curtir

    Pingback por Lembranças de minha infância; os meus primeiros refrigerantes – Cerejinha e Tubaína! | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — fevereiro 17, 2016 @ 17:52 | Responder


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