A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 16, 2013

A deliciosa simplicidade da infância narrada por uma de minhas irmãs – Tereza – Parte 3

COMO DIZIA MINHA AVÓ: PIANO, PIANO, SE VÁ LONTANO… Parte 3

…. continuação

Quando meu pai começou a trabalhar na PREMA, que era uma firma que tratava postes e também fabricava tintas e piche, nos mudamos novamente. A casa que morávamos era muito pequena, só tinha um quarto e todos dormíamos nele. Se alguém rolasse na cama não caía no chão – era muito apertado e uma cama era grudada na outra! Então nos mudamos outra vez, para a mesma rua, mas na esquina da avenida M-1.

avô, avó

Da esquerda para a direita: as duas primeiras acredito serem irmãs de minha avó, a terceira é a minha avó – Virgínia Rosin Calore e a quarta pessoa é o meu avô, Primo Martini. Segundo minha avó, essa foto foi capturada logo depois que ele a pediu em namoro.

Eu devia estar com oito anos e frequentava o segundo ano na escola. Minha irmã Ivone começou a ir à escola. Nesse tempo meu avô mandou fazer uma carroça com rodas de pneu. Ela era linda –  era pintada nas cores azul e amarela e tinha as iniciais “PM”, de “Primo Martini”. Ele comprou um cavalo baio chamado Passeio, que era só pra ser usado naquela carroça. E, por isso o nome PASSEIO – era só para passear mesmo. Meu avô não deixava ninguém montar o animal. 

Nesse tempo meu avô vinha sempre nos visitar. E sempre, quando terminava o período das aulas e no primeiro dia de folga lá vinha ele com sua carroça me buscar para passar as férias no sítio. E eu ia toda feliz porque adorava ficar junto da minha avó. Só voltava para casa no último dia das férias!

Esse foi um tempo muito gostoso da minha vida. Nessa época o tio Henrique, a tia Leonor e seus filhos, CIDA, JAIR E DULCE estavam morando na casa da minha avó… Ah!!! A casa da minha avó! Era enorme! Na entrada tinha uma área pequena (varanda). Passando pela porta da entrada estava a sala, que dava para a cozinha da tia Leonor. Da sala, e por uma passagem que ficava a esquerda, saía um grande corredor com os quartos – do lado direito eram os quartos do tio Henrique e da tia Leonor. A Dulce dormia com eles porque era pequena. Depois vinha o quarto do tio Pedro, que era solteiro. Do lado esquerdo tinha um quarto grande onde dormia: logo perto da porta a Cida, do lado da janela o Jair, e no meio dos dois tinha a minha cama que estava sempre lá me esperando. No fim do corredor tinha uma sala bem grande (sala de jantar) com uma mesa enorme e um armário azul onde estavam acondicionadas as louças e em cima dele ficavam os santos. Depois da janta e todas as noites rezávamos o terço. Era obrigatório e ninguém escapava do compromisso! Para segurar a criançada, minha avó tinha uma estratégia! Enquanto a gente rezava a Tita (que era como ela chamava a tia Leonor) estourava pipocas. Quando terminava a reza lá vinha ela com uma bacia de ágata cheia de pipocas quentinhas. Que esperta era a vózinha, não é mesmo?

Bom, agora vou terminara de descrever a casa – dessa sala grande, seguindo do lado esquerdo e terminando o corredor ficava o quarto dos meus avós. E seguindo em frente estava a porta da cozinha da minha avó.

Lá não havia água encanada. Por isso sempre tinha em cima de uma mesa várias vasilhas com água. Isso nas duas cozinhas – a da minha avó e a da tia Leonor. Água que era tirada do poço e que ficava um pouco longe da casa – mais ou menos uns 200 metros de distância, porque somente lá que acharam água potável. Ao lado do poço foi feito uma enorme caixa de cimento. A água era tirada do poço, com baldes enchia-se a caixa que estava ligada por um cano a uma outra e que ficava perto da casa. Ao lado do poço tinha um cercado de bambu que protegia a horta de minha avó das galinhas e outros animais. Ali se plantava as verduras para o consumo da casa.

Nas noites, depois da reza e da pipoca, a gente saia para brincar. Cassávamos vaga-lumes e colocávamos dentro de vidros com tampa só para os ver piscando na noite escura. No sítio não tinha energia elétrica!

Sinto saudades dessas noites gostosas de calor. Meu avô jogava um saco de estopa no chão em frente da casa e eu logo corria buscar um pra mim. A gente deitava e ficava olhando o céu estrelado. Meu avô ficava mostrando as estrelas e dizendo: “aquela é a estrela Dalva, aquelas outras as Três Marias, a via Láctea, o Cruzeiro do Sul”, e muitas mais que não me lembro. Ainda hoje, quando é noite e lua está cheia e o céu estrelado, eu apago as luzes aqui de casa, jogo um colchonete no meio do quintal e me deito olhando o céu que aqui na cidade não é tão bonito por causa das luzes… Me dá tantas saudades que chego a chorar…

Continua…

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2 Comentários »

  1. Como é gostoso ler sua história.

    Curtir

    Comentário por Irany — outubro 16, 2013 @ 11:20 | Responder

    • Obrigado, Laly. Bjs. Augusto

      Em 16 de outubro de 2013 11:20, A Simplicidade das Coisas — Augusto

      Curtir

      Comentário por Augusto Martini — outubro 16, 2013 @ 11:24 | Responder


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