A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 15, 2013

A deliciosa simplicidade da infância narrada por uma de minhas irmãs – Tereza – Parte 2

COMO DIZIA MINHA AVÓ: PIANO, PIANO, SE VÁ LONTANO… Parte 2

…. continuação

Depois desse tempo meus pais também se mudaram para uma fazenda de plantação de cana de açúcar, em Santa Gertrudes/SP, cidade vizinha de Rio Claro, onde foram trabalhar no corte da cana. Também foram juntos o meu tio Cesar a tia Joana, meu avô JOÃO GRACIOLLI (o correto seria Graziolli) pai da minha mãe, a tia Isa (Isabel) e o marido dela, o tio José. Lembro-me da casa – era uma construção muito velha e tinha tantos ratos, que roeram até o dinheiro do meu avô!

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Meu avô materno, João Graciolli (o da esquerda), com um amigo e tomando uma “branquinha” produzida em seu próprio alambique!

Foi também nessa época que caiu o meu primeiro dente de leite. Minha mãe foi levar almoço para os homens que estavam cortando cana. Eu fui morder um pedaço de cana e fiquei sem o dente! Fiz uma choradeira.

Perto da casa tinha uma lagoa e dentro dela havia um tronco de árvore. Para eu, Ivone e Gusto não chegarmos perto da água e com medo que a gente se afogasse, lembro que meu pai falou que aquele tronco era um jacaré… e minha irmã Ivone até pouco tempo achava que era verdade, vejam só!

Não moramos muito tempo naquele lugar porque ninguém se acostumou com aquele tipo de trabalho. Então nos mudamos para RIO CLARO. Mudamos para uma casa na rua 4-A. Era uma casa “parede e meia”, com quintal todo aberto – de um lado ficou a tia Joana com a família dela e o meu avô João. Do outro lado meus pais, eu e meus irmãos. A tia Isa e o tio Zé foram para uma casa na mesma rua, mas do outro lado da calçada e quase em frente a nossa.

Nesse tempo meu pai foi trabalhar cortando lenha por metro no horto florestal (atual Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade) e nossa vida era muito difícil. Passávamos dificuldades. Por isso, nessa época, não me lembro de ter ido muitas vezes à casa da minha avó.

Não moramos muito tempo nessa casa, mas não sei porque. Então, fomos morar na vila Martins, em uma casa na rua M-1 e tínhamos como vizinhos a “dona” Leonil e o “seu” Roberto. Eles também tinham três filhos: a Sandra, o Carlos e o Ronaldo. Nós brincávamos sempre juntos e eu e meus irmãos achávamos que eles eram ricos porque o seu Roberto tinha uma lambreta. Nessa época meu pai começou a trabalhar na Prefeitura e também em outro serviço pesado – ele abria valas nas ruas para fazer encanamento de esgoto.

A esta altura eu já estava com sete anos e entrei na escola – no Grupo Escola da Vila Indaiá. Minha mãe foi me levar só no primeiro dia de aula. Depois eu já ia junto com as crianças da vizinhança que também iam à mesma escola.

Nessa época minha mãe ficou muito doente e precisou ser internada uma porção de dias. Quando ela recebeu alta meu pai foi busca-la e aqui cabe uma reflexão – hoje nós reclamamos do atendimento do SUS (Serviço Único de Saúde), certo? Naquele tempo nem SUS existia. Meu pai falou para o médico que quando recebesse o pagamento iria pagar o hospital. Sabe o que o médico respondeu? – “Quando puder pagar você leva ela para casa.” E a coitada ficou lá no hospital, até meu pai poder ir busca-la. Essa também foi uma época muito difícil para nós, porque ficamos sem o pagamento do mês. Meu pai precisou pagar o médico para poder trazer minha mãe para casa.

Continua…

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