A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 14, 2013

A deliciosa simplicidade da infância narrada por uma de minhas irmãs – Tereza – Parte 1

COMO DIZIA MINHA AVÓ: PIANO, PIANO, SE VÁ LONTANO… Parte 1

Quero colocar aqui minhas lembranças… Eu TEREZA, meu pai ANTONIO MARTINI, minha mãe MARIA ANGELA GRACIOLLI MARTINI, MINHA avó VIRGINIA ROSIN CALORE MARTINI…

Vamos lá! Quando eu nasci, minha família morava na fazenda SÃO JOSÉ DO MORRO GRANDE, área rural de Rio Claro/SP. Minha mãe trabalhava na casa da fazenda – era cozinheira. Então, minha avó Virginia e minhas tias Isabel e Eva ajudavam a cuidar de mim…

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Da esquerda para a direita, minhas irmãs Ivone e Tereza e a Cida, nossa prima.

No dia em que eu nasci meus avós foram me visitar na maternidade. Meu avô me achou tão pequena e frágil que quando minha mãe teve alta e antes de irem para casa passaram na igreja de SÃO JOÃO BATISTA para me batizar, pois tinham medo que eu morresse e não desse tempo para me livrar da vida pagã, porque a igreja ficava longe. Mas, depois disso, já passei por muitas coisas que até Deus duvida e ainda estou aqui. 

Do tempo na fazenda não lembro quase nada – só que minha avó me contava! Certa vez ela me deixou sozinha com a minha tia Eva, e ela quase me matou de tanto leite que ela me deu. Depois ela falava para minha avó: “mas ela tava bebendo!”

Coitada da tia Eva! Não tinha experiência. Há uns três meses ela estava internada no hospital e eu fui vê-la. Quando cheguei ela estava dormindo, mas, assim que acordou falou para a companheira de quarto: “um dia eu quase matei essa ai de tanto dar mamadeira pra ela!” E nós rimos muito.

Da fazenda não me lembro de muita coisa porque eu era muito pequena. Só sei que me contaram que eu falei e andei com dez meses. Ah! Os meus tios me ensinaram a assobiar. E um dia e eu assobiei na igreja na hora da consagração e o padre me mandou botar pra fora.

Lembro que meu avô me sentava em seus joelhos, me balançava e cantava para mim. Era uma música em italiano e eu acho que é a Tarantela:

– “quatro passi cosi, cosi, cosi,

 – nantri quatro, per la, per la, per la,

 – e due per cá e due per la

 – e questo giro que se fá”

E repetia tudo novamente. Outra era a música do sapo, não me lembro do começo, mas o resto era assim:

– “Se chove não me importa, chuva não quebra osso, engulo algumas gotas e o resto vai para os ossos”.

– “Eu vivo a minha vida, que importa se eu sou feio, não foi para modelo, que o sapo ao mundo veio”.

Lembro-me bem do dia que meus avós mudaram. Não sei por que resolveram irem de mudança de volta para o sítio deles. Eu fiz uma choradeira e acabei indo junto. A mudança foi feita de carroça e em uma porção de viagens. Na última foram os vasos de flores da minha avó. E lá fui eu junto e toda feliz. Quando chegamos ao sítio lá fui eu me meter a ajudar tirar os vasos da carroça. Peguei um que eu não podia com o peso e, pronto, lá se foi a unha do meu dedão do pé direito… Comecei uma choradeira – eu queria a minha mãe e aí que a coisa ficou feia! Eu chorando, as coisas da mudança a serem colocadas no lugar… Quem iria me levar para casa? Sobrou para o tio Pedro que ficou muito bravo.  Meu avô me ergueu do chão e o tio Pedro já estava montado no cavalo. Ele me socou na frente do arreio e lá fomos nós pela estrada – o tio Pedro me xingando e mais dois colegas dele o Néle (diminutivo do nome de família Antonelli) e o Alécio. Cada um no seu cavalo. Quando chegamos em minha casa ele me entregou pra minha mãe e falou: “não sei por que essa menina não ficou em casa!” E virou o cavalo e foi embora.

Continua…

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6 Comentários »

  1. Que gostoso poder ter estas informações como você tem tido.Relate sempre ,pois isso vai dando a todos os seus amigos a imaginação de como foi lindo o seu passado e rico em vivencia.Parabéns cunhado. Continua…quero poder ler mais

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    Comentário por Irany — outubro 14, 2013 @ 12:18 | Responder

    • Oi Laly, querida. Vai ter continuação… tem mais oito relatos… Bjs. Augusto

      Em 14 de outubro de 2013 12:18, A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

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      Comentário por Augusto Martini — outubro 14, 2013 @ 12:30 | Responder

  2. Augusto,
    que infância rica Tereza, você e demais tiveram. São esses lindos casos e a vivência feliz que, tornam as pessoas belas e cheinhas de virtudes.
    Bjs

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    Comentário por hozana Rivello Alves — outubro 14, 2013 @ 12:28 | Responder

    • Oi Hozana! Agradeço sua visita. Bjs. e saudades. Augusto

      Em 14 de outubro de 2013 12:28, A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

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      Comentário por Augusto Martini — outubro 14, 2013 @ 12:30 | Responder

  3. Tambem de familia italiana, e tal qual me lembro das musiquinhas que ouviamos, como a do sapo cururu.,da formiguinha, do corokoco e caracaka. viva a infanciaq. abc. parabens.

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    Comentário por alfredo — fevereiro 15, 2014 @ 16:04 | Responder


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