A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

setembro 30, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 11

No quintal de casa havia plantas milagrosas, para chás, unguentos, banhos… Sempre que alguém ficava gripado, minha mãe imediatamente preparava um xarope de guaco com mel e limão cravo (também conhecido como limão bugre) para aliviar nosso sofrimento. Era alguém ameaçar uma tosse e lá ia minha mãe preparar o xarope. Adorava observa-la cozinhar, nem tanto para aprender e sim para dar umas “beliscadas” em tudo o que ela fazia.

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Primo Martini – meu avô por parte de pai

Também tenho saudades das visitas, em férias ou não, ao sítio de meus avós. Era costume todas as noites a família se reunir para rezar o terço após do jantar, a luz de lamparinas e depois cada um contava as coisas do dia de trabalho na roça e assim esperar o sono vir. Todos dormiam muito cedo porque levantavam de madrugada, antes do sol sair e iam para o eito. Enquanto os adultos falavam sobre suas lutas diárias, nós, crianças, brincávamos ou nos deliciávamos com estórias de assombrações que meu avô contava. Sempre tinha um bule de chá em cima do fogão de lenha, fazendo frio ou não. Ou, quando não, tinha a “garapa” que minha avó fazia – nada mais que água e açúcar cristal, que ficava fervendo em uma chaleira!  (more…)

setembro 29, 2013

Viagens, retornos e lembranças…

Talvez, a melhor coisa que temos e sentimos ao fazermos nossas viagens seja a saudade de casa. Já estive em muitos lugares deste país, pois, levado pelo meu trabalho, eu ando muito por aí. Também pela minha formação – Geógrafo, gosto muito de conhecer coisas e lugares. Assim, sempre que tenho oportunidade e dinheiro, viajo. Sou extremamente minimalista, carrego quase nada na bagagem, trago pouquíssimas lembranças palpáveis, muitas sensoriais e outras tantas gustativas. Mas, o que trago e o que fica mesmo para o resto da vida é o que vejo.

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O que mais me emociona não é o que deixei para trás, mas sim o aproximar-me da minha casa. Casa terra, casa lar, casa espaço. Descer do avião, andar, correr, chegar, sentir o coração apressado na expectativa do abraço apertado logo ao sair do elevador!

Depois, gosto de andar pelas ruas, aqui mesmo do bairro República ou as ruas do centro velho, indo para o trabalho a pé, ruas que bem poderiam ser mais conservadas e bonitinhas. Gosto de andar, pensar com meus botões, ou então com quem me quer bem, filosofar. Contar das coisas que vi e das que vivi por esse Brasil afora, repetitivas coisas às vezes, mas que se tornam novas pelo prazer novo de contar, pelo prazer novo de ouvir, pelo dom divino de ouvir e falar.

setembro 25, 2013

Flor de abóbora frita

No post anterior falei das flores de abóboras fritas. E, mal acabei de postar, duas leitoras já me pediam a receita.

Essa é uma receita que veio do tempo de minha bisavó, que passou para minha avó e depois para minha mãe. É isso mesmo que você leu –  minha mãe contava que quando criança sua avó costumava colher as flores das ramas de abóboras, as quais empanava delicadamente, depois fritava e deixava escorrer em papel.

Isso para mim tem gosto de infância! Faz tempo que não como essa iguaria tão especial de uma época já um pouco distante.

Vou procurá-las nas feiras livres de São Paulo, mas, não acho que será fácil encontrá-las.

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 A receita abaixo eu peguei do livro Mil Dias na Toscana, de Marlena De Blasi, o qual li faz pouco tempo. Logo no primeiro capítulo é descrita uma cena fabulosa na Toscana – uma cozinha rústica e cheia de mulheres cozinhando as flores de abobrinha.  Ao final do capítulo Marlena descreve a receita, que é bem parecida com a que minha mãe fazia. Desde então, essas delicadas flores não me saem da cabeça, por isso,  se alguém souber onde encontrar flores de abóbora, me diga! Ou então obrigatoriamente terei que ir até a Toscana para come-las!  (more…)

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 10

“Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule de café em cima do fogão
Fogão de lenha, e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar”

A Simone Schimdt, amiga que ainda não conheço pessoalmente e leitora do blog, postou um comentário em um desses meus devaneios de infância pedindo para que escrevesse algo sobre a comida feita no fogão a lenha.

Minha mãe fazia todas as nossas comidas no fogão a lenha. Tínhamos fogão a gás, mas este era pouco usado. O ritual diário era o seguinte. Meu pai acordava cedo, lá pelas 5 da manhã, para ir trabalhar na PREMA, uma firma de Rio Claro/SP que fabricava tintas e fazia a preservação de madeiras de eucalipto em auto clave. Tendo geada ou não, com o orvalho ainda cobrindo as plantas, ele ia direto para a cozinha acender o fogo. A lenha, para não pegar umidade, era guardada em uma caixa atrás ou ao lado do fogão. Quando tinha muita lenha e o tempo era de chuva, uma boa quantidade dela ficava empilhada em um canto do rancho aberto que tínhamos logo após a cozinha. Não havia risco de incêndio. Quando a cozinha estava aquecida já era hora de eu e minhas irmãs acordarmos. Normalmente deixávamos sapatos e meias perto do fogão para aquecê-los. A essa altura, minha mãe já havia preparado nosso café no fogão. Algumas vezes sobre a chapa estavam pedaços do queijo que havia vindo do sítio de minha avó. Exalava um cheiro delicioso. Sempre tínhamos o chá mate, o café, o leite quentinho… Aquecidos por dentro e por fora, saímos para enfrentar o vento gelado da manhã em direção à escola.

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Depois que saíamos minha mãe iniciava o preparo do almoço. As panelas com arroz, feijão, carne, batata e outras iguarias cobriam a chapa do fogão. Meu pai, por precaução, comprou um pedaço de chapa de inox, dobrou as pontas e estava ficava sobre a chapa do fogão, deixando as panelas um pouco acima da chapa. A comida pronta ficava quentinha o dia todo e sem queimar, pois, depois do almoço a chama diminuía, mas nunca era apagada.  (more…)

setembro 24, 2013

Musée d’Orsay – Exposição: Masculino / Masculino. O homem nu na arte – de 1800 até os dias de hoje

Ficará aberta até fevereiro no Musee D’ Orsay de París, a Exposição Masculin /Masculin , que reúne pintura, escultura, fotografia e vídeo em um único objeto, o corpo masculino. São mais de 100 obras em representação em diferentes suportes enfocando o nu masculino de 1800 até o presente, incluindo 11 áreas temáticas que vão desde o ideal clássico, o heróico nu, o corpo na natureza ou a dor.

A ideia é mudar as questões estéticas e culturais do nu, que aparece sob várias perspectivas, mas sempre visto de um ponto de vista masculino. A grande maioria dos artistas que representam os homens são os próprios homens.

A nudez masculina fez parte da formação pictórica entre os séculos XVII ao XIX, embora, naturalmente, o mais frequente era o nu feminino.

A linha da mostra, ao invés de cronológica, é temática, de modo que em um mesmo lugar dá para visualizar duas obras distintas com quase 200 anos da criação de uma para outra, mas, cuja união é absolutamente formal e temática.

 

mercurio

Pierre e Gilles (nascido respectivamente em 1950 e 1953)
Mercury
2001 (Modelo: Enzo Junior)
Fotografia pintada, peça única
Alt 117,3; Anch. 87 centímetros.
coleta privados
© Pierre et Gilles. Cortesia Galerie Jérôme de Noirmont, Paris

Em torno de uma temática tão forte, a exposição incentiva um verdadeiro diálogo entre pinturas, esculturas, artes gráficas e fotografias, e tece ligações entre as épocas, isso graças a confrontos inesperados e fecundos, onde as obras contemporâneas dão uma nova visão dos séculos precedentes. (more…)

setembro 23, 2013

Festival da Canção de Rio Claro/SP – inscrições abertas até 04 de outubro

Com premiação total de R$ 7.500,00 para os três primeiros colocados, o Festival da Canção de Rio Claro está com inscrições abertas até o dia 4 de outubro. O primeiro, segundo e terceiro lugares receberão premiações de R$ 3.500,00, R$ 2.500,00 e R$ 1.500,00, respectivamente.

As inscrições para o Festival da Canção são gratuitas e podem ser feitas na Secretaria Municipal de Cultura, organizadora do evento. Acesse aqui o Regulamento Festival da Canção de Rio Claro. Cada compositor pode inscrever até duas músicas e não há limitação de estilos – vale rock, samba, rap, reggae, sertanejo, MPB e outros.

festival

As apresentações das 30 canções selecionadas ocorrerão em duas semifinais, previstas para os dias 25 e 26 de outubro. Delas, sairão as 14 finalistas mais a canção campeã do Festival de Música Estudantil. A final está marcada para o dia 27 de outubro. Todas as apresentações – semifinais e final – estarão concentradas no Teatro do Centro Cultural Roberto Palmari e serão abertas ao público. (more…)

setembro 21, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 9

A minha infância foi memorável e nela aconteceram coisas que eu jamais vou esquecer. Dentro de tantas lembranças que me vêm à mente umas são mais marcantes que as outras e teimam em seduzir meu coração a voltar naquele inesquecível tempo – e o coração volta a bater como o de um menino.

Naqueles tempos, mais do que hoje, se praticava o que se chamava de promessa! Promessas que as pessoas faziam almejando uma cura, alcançar uma graça, sabe-se lá mais o quê, numa verdadeira negociata com Deus e todos os Santos. Coisas que fazemos hoje, muito de vez em quando.

Mas, no fundo de tudo isso, uma verdade vinha à tona: existia fé! Fé verdadeira! Isso hoje é muito raro, para não dizer que é raramente encontrada aqui e acolá…

Mais isso tudo me fez lembrar as procissões de antigamente – eram lindas, uma verdadeira demonstração de fé! Fé em algo mais puro, mais sublime, superior, mais presente em nós, que nós, em nós próprios.  (more…)

setembro 16, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 8

Já contei aqui que quando fomos morar na Rua M-1-A, na Vila Martins, em Rio Claro, era o ano de 1966, talvez 1967, não me lembro do mês. Como já escrevi aqui, a casa ficava em um lote grande, de uns 400 metros quadrados, onde, além da casa, tinha muito terreno para se plantar, na lateral e fundo da casa.

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Nos canteiros da lateral, minha mãe plantava flores diversas: dálias, rosas, margaridas e também tinha um pé de jasmim.

Já nos fundos, tinha um galinheiro, com algumas galinhas e apenas um galo, que traçava a todas com muita facilidade. Colhíamos os ovos para o dia a dia, mas, minha mãe deixava alguns, por 21 dias para a galinha chocar. Sempre nasciam vários pintinhos. Para que as outras galinhas não os matassem, tinha que se fazer um cercadinho, para eles ficarem com a mãe. (more…)

setembro 15, 2013

O 19° CIAED –Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, em Salvador, reuniu mais de 2 mil pessoas

Entre os dias 9 a 12 de setembro próximo passado, mais de 2 mil profissionais e estudantes participaram do 19° CIAED –Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, que aconteceu em Salvador. Com o tema “Bons profissionais fazem bons programas de EAD: como estamos?”, o evento aconteceu no Centro de Convenções da Bahia e foi considerado um dos maiores que a entidade realizou em seus 18 anos de atuação.
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Foto: Mesa redonda às 8 da manhã em Salvador, no último dos 4 dias, depois da festa de confraternização que foi até de madrugada. Foto do Facebook do Prof. João Mattar.
Em sua fala de abertura, o presidente da ABED, Prof. Dr. Frederic Litto, esclareceu que  “está na hora de avaliar o que aconteceu, está acontecendo e deve acontecer no tocante aos profissionais responsáveis pela EAD no Brasil. Eles provêm de quais áreas de formação? Aqueles sem formação acadêmica são mais inovadores? Quais são as formas mais indicadas de realizar a educação continuada de profissionais da EAD?”.
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setembro 7, 2013

Picnic na cidade grande!

Um costume bem europeu e que também vi em minhas passagens aqui por nossos vizinhos da América do Sul (Argentina – Buenos Aires, La Plata, Mendoza… e Chile – Santiago, Viña del Mar…) é o de se reunir em grandes parques para fazer picnics. Essa prática tão gostosa de preparar uma cesta para picnic bem que podia também virar mania aqui no Brasil. Tenho um amigo que nos dois últimos anos, na data de seu aniversário, ou perto dela, chama os amigos para um picnic na Praça Buenos Aires, em Higienópolis. Uma delícia!

Quando criança, em Rio Claro, fazíamos picnics na beira do Ribeirão Claro aproveitando as tardes ensolaradas de domingo. Também o Horto Florestal, atual Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade, era o lugar ideal para eventos como esse.

Que tal aproveitar um final de semana ensolarado para um picnic com os amigos?

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A primeira dica é convidar os amigos! O que acha de reunir antigos amigos de faculdade? E o pessoal do trabalho? Convide todos de quem gosta, afinal, quer coisa mais deliciosa que compartilhar momentos com quem se ama?

Depois disso será a hora de decidir o local. Prefira parques ecológicos, campos abertos, com muitas árvores e flores… Em São Paulo tem o Horto Florestal, na Zona Norte, O Ibirapuera, o Parque da Aclimação, a Praça Buenos Aires, o Parque Ecológico do Tietê, o Jardim Botânico… Enfim, lugar bonito não vai faltar. (more…)

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