A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

agosto 31, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 7

Atualmente, se você perguntar para uma criança quais são seus brinquedos e brincadeiras preferidas, certamente ouvirá o seguinte: play station e jogos eletrônicos em geral. No meu tempo eram as pipas em seus diversos formatos – quadrado, maranhão ou as mais sofisticadas, como o “caixa” e outros. Rodar pião também era uma das minhas brincadeiras favoritas. Fazíamos campeonatos! Brincávamos de pegá-los ainda rodando, nas mãos. Ou entrelaça-los, ainda rodando, com a fieira.  Jogar bola (futebol) nunca gostei. Rodava muito pneus nas ruas de terra. Lembro que não foi fácil conseguir um velho pneu de carro naquela época! O único osso do corpo que quebrei até hoje foi o do antebraço esquerdo, numa dessas brincadeiras com pneus. Mas, certamente as bolinhas de gude e os papagaios (pipas) eram os meus preferidos.

Minha mãe limitava as brincadeiras – se jogasse bolinha de gude não poderia empinar pipa no mesmo dia. Era uma ou outra brincadeira e com tempo limitado. Tinha as lições de escola por fazer e a divisão das tarefas nos serviços caseiros. Varria quintal, arrancava erva daninha, secava louça, varria a casa, etc…

gude

Nas brincadeiras sempre havia alguns momentos de confusão e briga entre eu e meus amigos. E tudo se resolvia rapidamente.

Ah, o empinar pipas.  Olhar para o alto e ver a beleza de uma pipa colorida flutuando, fazendo acrobacias… Isso me encantava e me fazia correr e voar junto com ela. No caso das bolinhas de gude era como um hipnotismo –  o brilho do vidro e das várias cores das bolinhas de gude e os giros piruetas e efeitos que elas proporcionavam no jogo, apenas com o impulso do meu polegar, era algo mágico. As guardava em uma lata vazia, dessas de leite Ninho. E como era difícil achar uma lata vazia e em boas condições no lixo dos anos 70! Não era como hoje. Era objeto de luxo!   (more…)

agosto 29, 2013

Comida Peruana boa e barata no centro de São Paulo

Que eu moro no centro de São Paulo e que adoro morar por aqui, todos os meus leitores já sabem. Alguns conhecidos me perguntam: “mas não é perigoso?” Outro, “Ah, como tenho vontade de ir assistir uma ópera no Theatro Municipal. Mas tenho medo!”

Para esses a vontade é de responder: “Vá te catar!” Mas, brinco e digo: “é perigoso sim! Vá paramentado com um colete a prova de balas. Não esqueça do santinho de fé no bolso.”

ceviche

Cheviche peruano

Brincadeiras a parte, onde não há perigo numa metrópole como São Paulo? Há arrastões nos condomínios de luxo nos Jardins, em Higienópolis, Morumbí… E por lá também há moradores de rua, usuários de crack e tudo mais.

Bem, mas o assunto hoje é comida peruana!  Se você não mora no centro, ou está “de boa” pela cidade, pegue um domingo e venha almoçar no centro, em um restaurante peruano! Tem um muito bom ali na Avenida Rio Branco, chamado Tradiciones Peruanas(more…)

agosto 20, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 6

Lembrar de minha infância não significa apenas fazer relatos de acontecimentos e fatos passados. Significa mexer numa série de sonhos, sentimentos, emoções, sensações de medo e insegurança… Lembrar do passado é recordar as brincadeiras com os amigos, lugares, cheiros e sabores de tamanha importância que ficaram gravados na memória.

Lembro perfeitamente dos cheiros das comidas que minha mãe fazia, do perfume das flores do quintal (não gostava do cheiro de dama da noite – me dava enjoo), do cheiro do estábulo do sítio de meu avô – adorava o cheiro de cocô de vaca! Gosto ainda! Cheiro de capim cortado… Ainda hoje, quando sinto esses cheiros, passa um filme em minha cabeça.

turma do perere

Você se lembra da Turma do Pererê?

Como já falei aqui, minha infância foi muito pobre, com poucas roupas novas e quase nenhum brinquedo “industrializado” – a não ser uma aranha, daquelas ligadas a uma mangueirinha e um fole, que ao ser pressionado a fazia pular e um trenzinho de lata – com uma locomotiva e três vagões – único brinquedo que ganhei de meus padrinhos de batismo. Em compensação, tínhamos o espaço, a atenção e o amor de nossos pais. (more…)

agosto 15, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 5

Ah, meu Deus! Como o mundo é dinâmico e assim também a vida.  E nós, que fazemos a nossa história, que fazemos o mundo, mesmo sabendo desse dinamismo, ainda nos assustamos com a velocidade com que tudo muda, não é mesmo?

Diferente de minha época de infância hoje tem novas maneiras de falar, de escrever, de vestir, novos costumes, nova moral, novas tecnologias…

Acontecem mudanças em avalanche que vem atropelando tudo e nós vamos nos equilibrando, nos adaptando.

Armazem

No armazém da família Pizzirani, comprava balas e caramelos, daqueles coloridos, uma vez por mês!

Mas, continuemos com as lembranças da minha infância e da casa da Rua M-1 com a Avenida M-1. Quem morou em casa com quintal grande deve se lembrar de algumas plantas que hoje não se ouve mais falar. Uma delas é a Beldroega, uma planta infestante, desprezada por muitos, mas que é também saborosa, saudável, medicinal segundo dizia minha mãe. Ela era encontrada com facilidade em nosso quintal e, como nada custava, muitas vezes fez parte de nossas saladas, lá atrás, nos tempos das vacas magras. Mas hoje, com certeza, nenhum chef recomendaria o uso de uma plantinha tão caipiramente gostosa.  Mudam-se os tempos. Surgem novos nomes, provavelmente em inglês, novas cores e sabores nos Fast Food dessa vida tão diversificada.  E aquelas plantinhas lá do fundo dos nossos quintais vão-se perdendo, como sumiram a cafeteira, a chaleira, os moedores de café e de carne, o guarda-comida (em nossa cozinha tinha um pintado de azul), o bule esmaltado pintado de florezinhas coloridas…  Tudo virou objeto de antiquário e se tornaram peças raras e caras nos antiquários.     (more…)

agosto 14, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 4

Acho que foi por volta de 1966 ou 1967 (eu tinha uns 7 anos) que nos mudamos de casa pela terceira vez. Ficava na mesma Rua M-1, com a esquina da Avenida M-1. Somente a um quarteirão e meio de distância da outra. Também alugada. Era uma casa um pouco maior, com dois quartos que davam para a sala, uma cozinha e um rancho. O quintal era grande. Bem maior que o da casa anterior. Quartos e sala tinham forros de madeira. A cozinha era desprovida de forro. O piso era de tijolos e lembro-me do cheiro gostoso que emanava quando minha mãe o lavava. Dessa época consigo lembrar muita coisa. Assim, nesse post falarei de nossos vizinhos apenas.

Augusto 7

Parece estranho dizer isso – mas, esta é a única imagem que tenho de quando tinha sete anos. Possuo registros de quatro fotos anteriores de quando era criança. Depois dessa, somente quando tinha uns 16 anos.

Nossa vizinha de fundos se chamava Josefa. O marido era o Sr. Bepe (Giusepe). Tinham um filho que se chamava José. Dona Josefa era baixinha, falava muito e gostava de dançar. Pintava as unhas, usava batom, “um escândalo”, muito avançado para a época em uma periferia interiorana! Tinha um cachorro que se chamava Bidú. E dele, herdei a minha primeira cicatriz de mordidas de cachorro. Tenho umas três pelo corpo! (more…)

“O risco que os cursos a distância representam para a Educação brasileira”

Olá!

Compartilho um artigo que saiu no Campo Grande News, do estado do Mato Grosso do Sul – “O risco que os cursos a distância representam para a Educação brasileira” e que muito contribui para a nossa reflexão sobre a Educação a Distância. A autora enfatiza a questão de como ainda não estamos preparados para essa modalidade de ensino. Será?

Compartilhei o artigo com amigos tutores. A Vera respondeu o seguinte: “Muito bom esse texto; concordo com tudo que a autora fala. Os problemas da educação básica são de formação dos professores,  não é a tecnologia que vai resolver e pode até atrapalhar. A tecnologia é um meio e dependendo do modo de usá-la pode até ser prejudicial”.

A Carla Gioclerce escreveu: “Caro Augusto, li a matéria.

Às vezes, chego a pensar que a realidade é mais simples do que parece. E, muitos de nós, não queremos enxergar. Nossos alunos não querem aprender. É com muito esforço que conseguimos fazê-los estudar. Falta disciplina, respeito e perspectivas profissionais. A meu ver, devemos manter o aluno no foco. Por quê não aprende noções básicas de matemática e português? Por quê brincam de avião de papel até o terceiro ano do ensino médio? Talvez esteja faltando o espaço social do “brincar”. E, nossos jovens amadurecem mais tarde.  Principalmente, os das classes desfavorecidas. É hora da escola mudar. Manter o antigo… agregar o novo… enfim, ter coragem de se reformular”.

Leiam! Opinem, caso queiram.

O risco que os cursos à distância representam para a educação brasileira

Por Gisela Wajskop (*)

Os resultados divulgados pelo ‘Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013´ revelam que, apesar de ter havido um aumento em 47,5% dos IDHs dos municípios nas duas últimas décadas, estes sofrem impacto dos dados educacionais. A baixa qualidade de ensino em nossas escolas levou os números para baixo. (more…)

Educação Fiscal nos municípios do estado de São Paulo – seminários

É fato que o tributo é elemento inerente à existência do Estado. Ele é necessário para a organização da sociedade e ponto fundamental da relação Estado-cidadão. Implantar programas de educação fiscal nos municípios é uma alternativa que possibilita ao contribuinte conhecer o Estado e sua estrutura, a função socioeconômica dos tributos, o valor da arrecadação tributária, além de incentivar o cidadão para que acompanhe a aplicação dos recursos arrecadados.Com programas de educação fiscal há o despertar do cidadão para a relevância do pagamento espontâneo dos tributos e, por outro lado, dá-se importância a sua participação em câmaras municipais, assembleias legislativas, reuniões comunitárias, associações de bairro, associações de classe e sindicatos a fim de eleger as prioridades no planejamento e nos orçamentos da administração pública, cobrar a execução e acompanhar efetivamente a aplicação dos recursos públicos.

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Hoje, o Silvio Mendonça, coordenador do Programa de Educação Fiscal no estado, encaminhou uma mensagem aos colaboradores do Programa, frisando exatamente isso, dizendo que “um  dos marcos importantes do é a sua disseminação e institucionalização junto aos municípios do Estado”!   (more…)

agosto 13, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 3

Da casa que morávamos na Rua 3-A, na Vila Alemã, e dos vizinhos, tenho poucas lembranças. Lembro-me da Luiza, da Sandra, da D. Mariquinha que tinha alguns filhos com os quais brincávamos. Na casa da esquina da Avenida 38-A morava uma família de negros, amigos excelentes, mas que, em princípio me causou medo e explico por que. Vizinho da fazenda onde morávamos havia um senhor que sempre passava por ali e que se tornou figura popular em Rio Claro, o “Gibi”.  Era um negro simpático que sempre carregava um saco nas costas. E, para causar medo, as mães diziam que naquele saco estavam crianças desobedientes. Como era amigo da família, sempre que passava pela Vila Alemã parava em casa para conversar com meus pais. Como era pequeno, associei a etnia com o medo. Mas, depois tudo ficou bem. Brincávamos todos juntos. Dividíamos as alegrias e tristezas.

Pais na fazenda

Meus pais, em visita ao Haras Fazenda São José do Morro Grande, muitos anos depois de nossa saída. Ao fundo, a casa da colônia em que moramos

 A rua era de terra. Não havia calçada em frente da casa que fosse até o meio fio – apenas umas fileiras de tijolos rentes à parede, para proteção em caso de chuva. A casa era pintada com cal amarela e pela falta de calçada, a água da chuva, ao bater no barro, tingia a parede com um barrado de vermelho. A iluminação pública era precária. Apenas dois postes no quarteirão iluminavam a rua. E as luzes eram fracas. E sempre faltava energia. Volte e meia tínhamos que usar lamparinas a querosene.  (more…)

agosto 12, 2013

Mais algumas lembranças de minha infância e de minha vida… parte 2

Nasci no Haras e Fazenda São José do Morro Grande, distrito de Ajapí (que em Tupi Guarani significa  ferir, dar em, acertar), Município de Rio Claro/SP. Não lembro de nada, ou quase nada da época em que vivi na fazenda, onde meu pai era tratorista e meu avô administrador. Mais pessoas de minha família moravam lá. Viemos morar na cidade quando eu tinha mais ou menos 5 anos. Estranho isso – não conseguir lembrar nada dessa época. Tenho uma cicatriz no indicador esquerdo (sou canhoto). Nessa fazenda havia um globo telado, uma enorme gaiola que prendia um casal de araras. Um dia, segundo dizem, estava no colo de meu avô, Primo Martini. Ele se aproximou da gaiola e num descuido, meti o dedo num dos buracos. A cicatriz ainda está em meu dedo como recordação.

O proprietário da fazenda era o Sr. Renato Mário Pires de Oliveira Dias, casado com D. Luiza e tinham três filhos: Renato, Maria Luiza e Renata.  Salvo engano, eram donos de farmácia e laboratório, em São Paulo, capital. Essa fazenda abrigava também um Haras, além de produzir café.

Minha família era querida por eles. Lembro-me que um dia, já adolescente, fomos visitar a Maria Luiza em sua casa, em Rio Claro. E ela me disse: “Augustinho! Quantos banhos eu te dei!” Eu era uma espécie de “cobaia” para ela e a irmã, que com isso, queriam ficar prendadas no cuidado com crianças. Estavam preparando-as para tornarem-se mães!

Eu no trator

Uma das poucas fotos de minha infância – eu, no trator que meu pai trabalhava!

Nossa primeira mudança, depois da fazenda, foi para uma usina de cana de açúcar que ficava em Santa Gertrudes/SP, e lá moramos por pouco tempo. De lá também não tenho lembranças. Minhas irmãs dizem que era um lugar inóspito. Morávamos numa choupana que tinha muitos ratos e perto dela, um lago. E nesse lago boiava um enorme tronco, o qual meus pais diziam ser um Jacaré. Botavam-nos medo para que não nos aproximássemos! (more…)

agosto 9, 2013

“O Renascimento do Parto”, um filme verdadeiro e emocionante!

Um filme onde quase todas as despesas foram custeadas com recursos próprios dos autores com a parceria de profissionais que cederam bondosamente seus saberes e agregaram parte de seu trabalho à obra!

Se você acredita na causa da humanização do nascimento e quer ajudar a modificar a vergonhosa realidade obstétrica brasileira, vá aos cinemas e divulgue o filme para amigos e familiares!

Hoje o Brasil é o país campeão mundial de cesarianas (52% no índice geral e mais de 90% no sistema privado, contra os 15% recomendado pela Organização Mundial de Saúde). Junto com os partos normais extremamente violentos e traumáticos (pesquise sobre o termo “violência obstétrica”), tal índice reflete uma cultura extremamente tecnocrata e intervencionista que perpetua mitos não apenas na sociedade, mas também entre os próprios profissionais de saúde.  (more…)

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