A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 26, 2013

Papa Francisco no Brasil – o Papa que apoia a luta dos indignados!

Ontem o Papa Francisco finalmente chegou à periferia. Durante os últimos meses, em seus discursos, ele tem dito que a Igreja deve abandonar o conforto e buscar os arrabaldes, onde falta pão e justiça. Misturado ao povo da favela enviou uma mensagem muito clara: “Nenhum esforço de pacificação será duradouro para uma sociedade que ignora, marginaliza e abandonada na periferia uma parte de si mesma. A medida da grandeza de uma sociedade está determinada pela forma como trata os mais necessitados, a quem que não têm mais do que a sua pobreza. “

Depois de percorrer as ruas de Varginha, bairro com cerca de 2.000 pessoas no coração da favela de Manguinhos, o Papa enviou uma mensagem aos jovens protagonistas dos protestos recentes no Brasil, pedindo-lhes para não ceder ao desânimo: “Vocês têm uma especial sensibilidade ante a injustiça, mas muitas vezes se sentem defraudados pelos casos de corrupção, por pessoas que, em vez de buscar o bem comum, perseguem seus próprios interesses. Para vocês e para todos eu repito: nunca se desanimem, não percam a confiança, não deixem que a esperança se apague. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Não se acostumem com o mal, mas busquem superá-lo. ” Uma bela mensagem para nós, disseminadores de educação fiscal, não é mesmo?

papa

Todos os discursos de Francisco estão sendo caracterizados por um conteúdo social forte. Suas intervenções não se destinam e nem se limitam à comunidade cristã e sim vão muito mais além.

 O “Papa do sorriso” não apresenta a Jesus Cristo como o Todo-Poderoso que tudo vê, disposto a condenar ao inferno a quem está fora de linha, mas como um Cristo que sofreu na cruz, sempre pronto a dar a mão. 

Em seu discurso na favela, o Papa disse: “Eu gostaria de apelar para aqueles com mais recursos, aos poderes públicos e todas as pessoas de boa vontade, comprometidos com a justiça social: não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário. Ninguém pode ficar indiferente às desigualdades que ainda existem no mundo. Que cada um, de acordo com suas possibilidades e responsabilidades, ofereça sua contribuição para acabar com muitas injustiças sociais. Não é a cultura do egoísmo, o individualismo, que muitas vezes rege a nossa sociedade, a que constrói e leva a um mundo mais habitável, mas a cultura da solidariedade, não ver no outro um concorrente, mas um irmão. “

Ele ainda disse que desde o início, ao programar a viagem ao Brasil, seu desejo era visitar os bairros: “Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho”, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um – dos pais, dos filhos, dos avós… Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então, escolhi vir aqui, visitar a comunidade de vocês que, hoje, representa todos os bairros do Brasil”, disse Papa Francisco.

Ainda em seu discurso, o Papa deixou um recado para as autoridades públicas do Brasil, de uma maneira gentil, e reforçou que nenhum esforço de ‘pacificação’ será duradouro se não houver harmonia e felicidade para uma sociedade que exclui os mais necessitados.

 Ele estava lá, no meio dos necessitados – no coração da pobreza e da violência. Há sete meses, quem exercia o controle da favela de Manguinhos eram os traficantes locais. Agora existe uma paz inquieta, artificial, imposta a coronhadas.

Acredito que o evento mais emocionante dessa visita a Manguinhos, foi o discurso feito por um dos moradores – Rangler dos Santos, que narrou ao Santo Padre toda a agitação que a comunidade viveu nos dias que antecederam a visita, e que esperam não ser relegados ao descaso pelas autoridades depois dessa visita. Segue, abaixo.

Santidade e demais autoridades, senhoras e senhores – Bom dia!

Em nome de toda a comunidade da Varginha, queremos dar as boas vindas e afirmar que este dia é muito especial por estarmos recebendo, neste lugar tão simples, Vossa Santidade, nosso querido e amado Papa Francisco.

Este dia histórico marcará as nossas vidas para sempre. Hoje, não é só a comunidade que está acolhendo Vossa Santidade, mas temos a certeza que é Vossa Santidade que está nos acolhendo de coração aberto, como um pai.

Portanto, gostaríamos de pedir a vossa permissão para quebrarmos um pouco o protocolo, assim como Vossa Santidade faz em alguns momentos, e chamá-lo de Pai, Pai Francisco, aquele que acolhe a todos e, especialmente, os mais pobres.

É assim que ouvimos falar e agora constatar. A sua história de vida é marcada por este ir ao encontro dos marginalizados, dos desfavorecidos, dos esquecidos pela sociedade e pelo poder público. Obrigado por estar aqui!

Pai Francisco, muitos nos perguntaram porque esta comunidade foi escolhida para receber a sua visita, e esta é a pergunta que nós também nos fazemos. A final esta comunidade da Varginha tem uma história comum a maioria das comunidades do Rio de Janeiro, que também se sentem visitadas no dia de hoje.

Esta comunidade iniciou sua história no ano de 1940. Este lugar foi um lixão aterrado que fora ocupado, em sua grande maioria, por pessoas vindas de vários estados do Nordeste brasileiro – região mais pobre do País e do estado de Minas Gerais movidas pelo sonho de dias melhores.

Pessoas que juntamente com seus familiares e amigos, construíram suas casas com muito suor, dedicação, esforço, lágrimas, união e bênçãos de Deus, como nossos pais e avós. Estes nunca desistiram de seguir em frente, mesmo com todos os confrontos armados que muitos moradores já presenciaram e, por muitas vezes, com o descaso do poder público no momento das enchentes e outras situações que ainda nos impedem de viver com dignidade.

Tal descaso, nosso amado Pai, ficou para trás a partir do momento do anúncio da sua visita a nossa comunidade. Deparamo-nos, todos os dias, com pessoas que iam e vinham asfaltando e iluminando ruas, limpando as calçadas regularmente e as caçambas de lixo sendo melhores distribuídas. Tudo aquilo que não fazia parte do cotidiano dos moradores passou a acontecer e – esperamos – que possa continuar desta forma.

A sua visita, Pai Francisco, nos levou a mídia nacional e internacional. Nós não fazíamos parte das reportagens dos jornais, ou melhor, não das colunas sociais, mas sim, das colunas policiais e de tragédias, seja pelos confrontos armados que ocorriam ou pelas enchentes dos rios que ocorrem em dias de chuva muito forte. Tal problema de enchente até hoje nem sequer foi discutido com os moradores para encontrar uma solução.

Mas na vida, Deus sempre se faz presente e fortalece o seu povo com a esperança do novo amanhecer! Pela graça deste mesmo Deus, em 1971 fomos abençoados com uma capela, dedicada a São Jerônimo Emiliani que, mesmo sendo de uma família rica, dedicou sua vida a cuidar dos doentes, dos órfãos. O Papa Pio XI o proclamou “Patrono Universal dos órfãos e da juventude abandonada”.

Minha esposa e eu sempre fomos engajados em pastorais das paróquias que participamos. E ao longo de nossos oito anos de relacionamento, namoramos, noivamos, nos formamos na faculdade, nos casamos, sempre tendo Jesus Cristo como centro de nosso relacionamento em todos os momentos, sejam eles de dificuldades e/ou de alegria.

Agora unidos por Deus em uma só carne fazemos juntos parte da juventude desta comunidade, uma juventude que busca em Deus sua força, seu caminho, que nunca desiste de seus sonhos, que luta por uma vida melhor por meio dos estudos e do trabalho digno.

Talvez somente agora, Pai, é possível encontrar a resposta porque esta comunidade está recebendo a sua visita. Porque somos pequenos, pobres, esquecidos, e mesmo diante dos aplausos e holofotes, permanecemos fiéis a Deus, simples, humildes e unidos.

Esta comunidade, como todas as demais comunidades do Rio de Janeiro e, ousamos dizer, do mundo, hoje se sente visitada e recordada por aquele que é o “Doce Cristo na Terra”. Todas as periferias olham e se identificam com o ministério que o senhor, Pai Francisco, continua a exercer indo ao encontro daqueles que são “invisíveis” a sociedade.

Obrigado, pelo testemunho e amor!

Por fim, queremos agradecer a sua visita e que se possível não seja a única. Que o senhor leve em sua memória e em seu coração, esta comunidade tão pequena, tão simples e o amor que ela sente pelo senhor. E tenha a certeza que é o nosso atual e maior exemplo de cristão. Desejamos continuar aprendendo ainda mais a sermos humildes e servos de Deus, como o senhor é.

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2 Comentários »

  1. Tem maior riqueza que a da igreja…? Quem não vê ou sabe da extrema riqueza do Vaticano??? Alguém vê pobreza mas igrejas, mesmo em bairros pobres??? Então, para que mentir tão descaradamente… Porque não reconhecer A RIQUEZA EXPLÍCITA, SUA ORIGEM e aplicar uma parte dela REALMENTE com os pobres??? Porque existem os ANGLICANA e os PROTESTANTES??? Não seria mais SOL SIMPLES…???

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    Comentário por Claudionor Silveira dos Santos — julho 26, 2013 @ 23:33 | Responder

    • Olá Claudionor.
      Fala-se muito sobre a riqueza da igreja católica, e sobre os objetos contidos no Museu do Vaticano. Todos os bens ali depositados foram doados por cristãos e pertencem ao patrimônio da humanidade. De acordo com o tratado de Latrão, do ano de 1929, a Igreja não pode vender ou doar qualquer bem que esteja no Museu Vaticano. Não há motivo, portanto, para se falar, maldosamente, da “riqueza do Vaticano”.

      Saiba também que qualquer chefe de Estado, de qualquer pequeno país, tem à sua disposição, no mínimo, um avião. Nem isso, o Papa tem. Além disso, o Vaticano tem um órgão encarregado da caridade, o Cor Unum. No final de cada ano, é publicada no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, a longa lista de doações que o Papa faz a todas as nações do mundo, inclusive o Brasil, especialmente para vencer as flagelações da seca, fome, terremotos, entre outros. São doações que o Papa faz com o chamado “óbulo de São Pedro”, arrecadado dos fiéis católicos do mundo todo. A Igreja Católica, nestes dois mil anos, sempre fez e fomentou a caridade. Muitos hospitais, sanatórios, leprosários, asilos, albergues, etc., são e foram mantidos pela Igreja em todo o mundo. Quantos santos e santas, freiras e sacerdotes, leigos e leigas, passaram sua vida fazendo caridade… Basta lembrar aqui alguns nomes: São Vicente de Paulo, Dom Bosco, São Camilo de Lellis, Madre Teresa de Calcutá… a lista é enorme!
      Hoje, 25% de todas as entidades que assistem os aidéticos são da Igreja. Nenhuma instituição fez e faz tanta caridade como a Igreja. Ela é muito rica, sim, espiritualmente. Essa é a verdadeira riqueza da Igreja.
      Um abraço.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — julho 29, 2013 @ 8:46 | Responder


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