A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 15, 2013

Ramadã – o mês Muçulmano de jejum

Quem passa por aqui sabe que pratico Yoga e que sou iniciado por Ananda Marga, que também pratica o jejum – tema desse post.

O Jejum é uma das práticas mais antigas, seja como disciplina espiritual, seja como método de cura.

Mas, atenção – antes de praticar o jejum é recomendável consultar um médico para saber se seu corpo físico poderá ficar sem alimento (no caso do jejum de Ananda Marga, são 24 horas). Pessoas que tem problemas com hipoglicemia, por exemplo, não podem ficar muito tempo sem glicose. Existem algumas enfermidades que não permitem a prática do jejum por isso a necessidade de se fazer uma consulta médica e obter orientação.

Jejuar periodicamente é muito benéfico para o corpo por múltiplas razões. Uma das funções do tecido sanguíneo é transportar substancias nutritivas do intestino delgado para as células dos diversos tecidos e inversamente, acarrear os desperdícios das células para que sejam eliminados através dos rins. Quando, devido ao jejum, o sangue não leva alimentos às células, estas podem acarrear os desperdícios, ou seja, dá-se um processo de purificação física.

Podemos dizer que o intestino, estômago e os órgãos internos agradecem esse tempo para poderem dar uma relaxada e ao mesmo tempo sendo um grande remédio para cura de muitas enfermidades.

Os benefícios do jejum não se limitam ao corpo. Esta prática também é boa para purificar a mente e fortalecer o caráter.

Em Ananda Marga, recomenda-se jejuar duas vezes por mês nos dias de Ekadashi (décimo primeiro dia depois da lua cheia e da lua nova). Um dia de jejum significa jejuar desde o nascer do sol do dia do jejum até a saída do sol do dia seguinte.

O jejum de Ananda Marga completo é sem água e sem comida. Caso, você tenha problemas no início poderá tomar água com limão ou ainda para poder acostumar o corpo gradativamente poderá tomar sucos de frutas.

A forma de romper um jejum completo é muito importante. Recomenda-se tomar um copo de água com limão colocando uma pitadinha de sal, isso aumenta as propriedades do limão e tiram a acidez. Depois de tomar a água com limão é muito bom comer uma banana madura ativando assim o aparelho digestivo.

Mas, aqui, quero me aprofundar um pouco mais sobre o Ramadã praticado pelos Muçulmanos.

ramada

Começou no último dia 10 de julho o Ramadã (Ramadan) – que é o mês em que muçulmanos devem fazer jejum entre o nascer o e pôr do sol com a intenção de aprender mais sobre paciência, humildade e espiritualidade. Eles começam o dia com uma refeição chamada Suhour que deve ser ingerida antes do amanhecer. Assim que o sol nasce, a primeira das orações, Fajr, é oferecida, ao longo de cada dia são feitas outras quatro orações. O jejum é quebrado ao pôr do sol comendo uma refeição (Iftar). 

O mês sagrado do Ramadã é o nono do calendário muçulmano, chamado de jejum religioso. O calendário islâmico é lunar e, por isso, a data do Ramadã varia de um ano para outro, segundo a diferença entre este calendário e o nosso solar.

No mês do jejum, os muçulmanos lembram um fato fundamental no Islã: a revelação do Corão ao profeta Maomé, que começou em um dia indeterminado do Ramadã. O começo exato do mês costuma ser estabelecido no mundo islâmico através da observação direta da lua nova e de seu quarto minguante. Ele é obrigatório para todo o muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental.

rama

Meninos preparar a comida em uma mesquita no Paquistão antes do sol nascer.

Esta tradição foi instaurada pelos muçulmanos sunitas. O jejum do Ramadã consiste em não comer e beber durante os 29 ou 30 dias do mês lunar, nem ter qualquer contato sexual da alvorada ao pôr-do-sol. O jejum e a abstinência só são quebrados duas vezes ao dia, no pôr-do-sol e antes do amanhecer, momentos que na antiga tradição muçulmana eram determinados pelas autoridades religiosas.

Este mês é considerado de descanso e de meditação, e os muçulmanos devotos investem a maior parte de seu tempo na leitura do Corão. O jejum do mês de Ramadã é uma das práticas mais seguidas no mundo islâmico. Os que o quebram voluntariamente, mesmo que não tenham sido vistos por alguém, são obrigados em consciência a jejuar 71 dias se quiserem que Alá perdoe seu pecado. Além do jejum, o Ramadã é um mês de certa euforia religiosa: os muçulmanos visitam as mesquitas mais vezes, rezam devotamente em suas casas, os ricos distribuem esmola e não há festejos públicos. Ao anoitecer, no entanto, ocorre uma grande algazarra nas cidades e nos povoados, ao soar o canhão, porque os fiéis podem comer e beber.

A isenção do Jejum dá-se nos seguintes casos:

1- Quando a pessoa estiver enferma: Caso a pessoa esteja doente, poderá deixar de jejuar até se restabelecer ou, caso o médico ache que o jejum dificulta a cura do paciente, ele também deverá parar o jejum até se curar, devendo repor os dias não jejuados, quando estiver de boa saúde.

2- O viajante: Quando a viagem tiver uma distância longa, fica na escolha do viajante jejuar ou não. Isso vai depender de cada pessoa em analisar se a viagem é cansativa e por isso será uma dificuldade para ele jejuar ou não, devendo, da mesma forma que o item anterior, repor os dias não jejuados.

3- A gestante e a lactante: Caso a mulher esteja grávida, ou amamentando, e temer pelo seu bebê, estará isenta do jejum, devendo, da mesma forma, repor os dias não jejuados, passado o período de gravidez ou de amamentação.

4- O idoso: Que seja fisicamente incapaz de jejuar. Para este o jejum não é mais obrigatório, cabendo ao idoso, caso possua condições, dar por cada dia não jejuado, uma refeição a um necessitado ou o valor equivalente a esta refeição.

5- A mulher menstruada ou em resguardo pós-parto: Ela não jejuará até que passe este período. Mesmo que ela queira, ou sinta que possa fazê-lo, está-lhe vedado o jejum e os dias não jejuados, deverão ser repostos, passado o período.

6- No caso de uma doença incurável: A pessoa deixa de jejuar definitivamente, tendo que dar uma refeição a um necessitado para cada dia não jejuado ou o equivalente ao valor de uma refeição, caso tenha condições para tal, caso contrário não está obrigado a nada.

 Perceberam que o Jejum no Islam não segue o padrão de total abstinência, mas pode ser considerado como um jejum controlado.

Segundo os Islâmicos, o Jejum é uma dieta alimentar, elimina os resíduos e o excesso de humidade dos intestinos, reduz o índice de açúcar no sangue, revitaliza a circulação, reduz o colesterol, organiza e regula a pressão arterial, dá descanso ao coração, além de ajudar na cura dos males da pele, uma vez que diminui o índice de água no corpo e no sangue, de entre vários outros benefícios.

 Alguns países muçulmanos, mesmo aqueles que têm muitos lugares turísticos, seguem o jejum.

Por curiosidade, veja algumas expressões que são usadas durante o jejum:

• Adhan – Sala de oração.

• Allah – Deus.

• Salah – oração.

• Qur’an – Alcorão ou Corão é o livro sagrado para o Islã.

• Ramadan Kareem – Saudação pelo Ramadã

• Eid Al Adha (Dia do sacrifício) – Conhecida como a Grande Festa acontece 70 dias após o Ramadã.

• Eid Al Fitr – Festival sobre o fim do Ramadã que celebra o fim do mês de jejum.

• Eid Mubarak – Felicitações sobre o começo do festival Eid Mubarak.

• Fawanees –Lanternas coloridas usadas para decorar.

• Iftar – Refeição feita após o pôr do sol que quebra o jejum do dia.

• Sawm – Abstinência.

• Suhour – A refeição matinal feita antes do sol nascer e o marco do início do Ramadã.

• Sunnah – A segunda fonte das leis islâmicas.

• Wudu – limpeza do corpo feita ao se preparar para uma oração.

• Zakat – Doação feita aos pobres para que eles possam celebrar o fim do Ramadã.

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2 Comentários »

  1. Muito legal! Me ajudou bastante na minha pesquisa

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    Comentário por Lulu Silva — novembro 5, 2013 @ 14:48 | Responder


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