A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 10, 2013

Cheiros, memórias gastronômicas e saudades…

Gosto das coisas simples da vida. Por isso o título desse blog “A Simplicidade das Coisas”.

Todos os domingos vou a feira livre que fica pertinho de casa, na rua da Igreja de Santa Cecília, em São Paulo.

feira

Fico encantado com as bancas cheias de cores e aromas, onde frutas, verduras e legumes são expostos, enchendo os olhos dos transeuntes. Me encantam as montanhas de alfaces, em seus pequenos ou grandes pés, em ramalhetes de folhas crespas e lisas. As folhas são acetinadas, de cor verde claro, algumas verde escuro, ou as quase pálidas alfaces americanas, enroladas como se fossem um repolho. Outras possuem as folhas roxas, com veios esverdeados. Gosto de olhá-las, tocá-las, senti-las em minhas mãos, prová-las numa deliciosa salada. 

Penso que talvez seja verdade quando dizem que a vida é uma busca pela beleza e pela harmonia oriunda da mistura das coisas. Talvez a vida seja a busca pelo sabor e pela beleza das cores e coisas! Não apenas o sabor de um alimento, mas de um momento, de uma cor específica ou de uma voz, como o sabor que podemos ouvir, ver e tocar.

Gosto de cozinhar porque esse ato tem a ver com sabor, com o fato de despertá-lo, capturá-lo e, finalmente, libertá-lo, como por exemplo, o aroma de um bom azeite sendo levemente aquecido na frigideira ou o gosto inesperado de uma fruta que explode na boca. Podemos despertar o sabor de uma folha qualquer quando a ferimos suavemente, soltando assim suas essências. E esses odores, na cozinha, são despertados e misturados com outros componentes. Ah, o cheiro do alho macerado com o manjericão fresco, e que depois essa massa lisa pode se transformar num molho ao pesto, misturado com o azeite, tornando-se denso e liso.

Ao escrever isso, fico imaginando as panelas enormes de doce que minha mãe fazia em seu fogão de lenha e das quais emanavam odores fantásticos – abóbora, mamão, laranja… – e nas trocas que fazia com as vizinhas! Uma travessa de doce de abóbora por um queijo fresco a pouco vindo do sítio do pai, do tio, do avô…

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Obrigado por assinar o meu blog! Espero que goste!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: