A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 17, 2013

Morar no centro de São Paulo – Programa Renova Centro

Em fevereiro de 2010, a Prefeitura de São Paulo lançou o “Programa Renova Centro” para reformar 53 prédios abandonados na cidade, o que tornaria viável a criação de 2,5 mil unidades habitacionais – parte delas para famílias de baixa renda. Além de ajudar a resolver o déficit habitacional, o plano serviria para incentivar a reocupação e a recuperação do centro que é bem servida de transporte público e empregos. Passados praticamente três anos, nenhum edifício ficou pronto – 46 deles nem sequer começaram a ser adaptados para virar unidades habitacionais.

Clique aqui para ver a apresentacao_programa_renova_centro

Nas últimas décadas do século 20, o centro de São Paulo passou por um processo de degradação que expulsou moradores da região – a mais antiga e que já foi a mais nobre da cidade. Dessa maneira, diversos imóveis foram deixados abandonados e muitos se encontram nessa situação até hoje. Nos anos 2000, essa tendência foi revertida e novos moradores começaram a se mudar para o centro. Eu, por exemplo, comprei o meu apartamento em 2008. O projeto municipal serviria para impulsionar esse movimento de revitalização.

Os 53 edifícios foram identificados por meio de pesquisa feita pela Fundação para Pesquisa em Arquitetura e Ambiente – FUPAM, da USP, no ano de 2009. Depois, o programa foi ampliado para mais de 60 edifícios. Mas, até agora, apenas quatro dos 53 originais estão recebendo obras de recuperação. Um deles fica na Avenida São João, teve as obras de recuperação iniciadas e deveria ser destinado a artistas que ganham salários baixos e trabalham na região central, mas foi invadido por um desses movimentos de sem teto.

Segundo a Prefeitura, outros 13 estão em desenvolvimento, incluindo projetos novos. Além disso, 26 ainda estão na fase de desapropriação e outros 20 nem sequer tiveram seus estudos de viabilidade técnica concluídos.

O que faz com que o projeto não saia do papel é que ele esbarrou na burocracia da desapropriação dos imóveis, muitas delas contestadas pelos proprietários na Justiça, e nas regras de tombamento que travam as obras de reforma, pois 40 desses edifícios estão em área tombada.

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5 Comentários »

  1. Renovar só no nome mesmo porque o resto!

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    Comentário por Dully Pimenta — janeiro 18, 2013 @ 16:05 | Responder

    • Verdade, Dully. Para cada prédio que restauram, restam centenas que ficam na situação em que aquele outro estava. Abraços.

      Em 18 de janeiro de 2013 16:05, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 18, 2013 @ 16:07 | Responder

  2. […] Aqui, no asimplicidadedascoisas  já postei alguns escritos sobre as invasões que presencio e que são corriqueiras em edifícios centrais, em estado de abandono. São eles: São Paulo e a invasão dos sem teto, Morar no centro de São Paulo – prédios invadidos e Morar no centro de São Paulo – programa Renova Centro. […]

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    Pingback por Invasões imobiliárias em São Paulo: “como chegamos a ocuparmos estes lugares” | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — junho 17, 2015 @ 15:10 | Responder

  3. eu estou recebemdo bousa alugueu ja tem mais de 3anos e ate agora nada eu queria muito morar no centro

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    Comentário por lucilene alves nunes — julho 3, 2015 @ 7:50 | Responder


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